domingo, 18 de julho de 2010

Lula e Collor





Neste domingo, de plantão aqui na CIT, em minhas incursões nos Blogs, encontrei no de Roberto Almeida, uma postagem com a foto acima, em seu original, e como sempre com uma matéria bem escrita circundando-a. Neste texto, ele fala do pragmatismo na política, o que eu defendo também para a vida. Entretanto, como dizia meu velho pai, português de nascença e que não gostava das piadas que se faziam em Caetés sobre ele e seus patrícios: “Tudo demais é veneno”.

Se o diabo fosse tão pragmático quanto tem sido meu conterrâneo Lula, nos últimos tempos, já teria vendido o inferno ao céu, pois lá existe uma vantagem comparativa para a felicidade. Todos preferem o céu ao inferno, mas são poucos os que podem comprar um lugarzinho lá, pelo excesso de procura, os preços estão pela hora da morte.

Eu já participei, quando jovem de um certo furor nacionalista, e por muito tempo fui um PILA (Perfeito Iludido Latino Americano), que tinha como livro de cabeceira, o O que fazer? de Lênin, e bem próximo na frente de uma estante “As veias aberta da América Latina” do Eduardo Galeano. Namorei com vários partidos políticos mas, nunca casei com nenhum deles. Todavia, confesso que o mais duradouro flerte foi com o PT. Pode ter até sido porque tinha um conterrâneo, que eu admirava e admiro, entre os seus comandantes. Embora, penso que foi pela coerência deste partido com o momento brasileiro. Vivíamos um momento em que aquele era o caminho a seguir. Quando eu estava pensando em juntar os trapinhos com aquele partido, descobri que ele começara a agir com laivos de infidelidade ao Brasil e tentava dar o golpe da barriga no poder. No fim conseguiu, depois da eleição de Lula, o seu intento. Foi um casamento bonito com direito a festas monumentais no “eixão” de Brasília. E até hoje a união permanece estável.

Eu fiquei um tempo observando este casamento entre o partido e o poder. E o casal parece cada vez mais apaixonado. Quando eu vi que esta relação tão duradoura era do tipo sadomasoquista, eu desisti até de pensar em entrar em partidos políticos, sejam eles quais forem. No caso do PT com o poder a relação é de submissão total. O partido faz tudo para não se separar do poder, e infelizmente, meu conterrâneo Lula, mesmo tendo defendido tanto dona Lindu contra atos de violência do seu pai, colabora para que esta dependência continue no seu partido. Até aceitar estranhos na cama, como o PMDB, flertar com todos os outros partidos nos estados, o PT se submete para não largar o poder. Mesmo que alguns petistas de boa cepa, como o Roberto Almeida (ninguém é perfeito), se sintam um pouco encabulados ao explicar aos amigos, o comportamento, cada dia mais devasso do partido, ele continua fissurado no poder.

A foto acima deve ter sido tirada por um detetive particular, contratado pela oposição para mostrar o caráter volúvel do partido, esperando reconquistar o que era seu até tempos atrás. Em toda a história deste país eu nunca vi um parceiro ser tão desejado quanto o poder é atualmente. Eu pedi ao Jameson Pinheiro, para colocar umas palavras nela, como ele faz nas postagens do Blog a que chamaram de Adivinhação e que tem sido muito elogiadas (embora o Jameson não seja o responsável pelas palavras e sim todo nós).

O que primeiro me veio à mente foi aquele programa de TV, onde o pai (Chico Anísio) dizia: Meu garoto! e o seu filho (Castrinho) respondia: Meu Papai! Isto por várias vezes. O Collor e Lula, quem diria estão como pai e filho e agora com uma irmãzinha, a Dilma, todos trabalhando para manter a união do PT com o poder. Como diz o jingle da campanha de Collor em Alagoas: “É Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma, pelo mais carentes. É Lula apoiando Dilma, é Dilma apoiando Collor, e os três para o bem da gente.” (Para ouvir este jingle clique aqui).

O “da gente” quer dizer o PT e o poder, que parece, com este pragmatismo de mulher submissa vai eleger o poste e o Collor começará outra corrida para o mesmo cargo que já ocupou uma vez, numa verdadeira “ménage à trois” incestuosa. E os “mais carentes”, serão mais uma vez os “descamisados”, que se sentem “marajás” com o Bolsa Família.

Li que Lula virá a Caetés brevemente, trazendo a tiracolo sua candidata. Não poderei deixar de voltar à terrinha, para vê-lo e, se a Dilma deixar, abraçá-lo e dizer da minha alegria de não estar no mesmo partido que ele, e da minha esperança de vê-lo um dia exercendo sua inteligência prodigiosa em prol do Brasil e não em prol de uma união espúria.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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