sexta-feira, 16 de julho de 2010

O Patrimônio de Raul Jungmann



Recebi outro dia um e-mail do Carlos Sena no qual ele me pede para dizer ao Zezinho de Caetés que galho de arruda só dá azar. Estranhei o conselho porque, minha mãe em Bom Conselho dizia que arruda era uma beleza para tirar mau-olhado e para outras serventias. Na frase seguinte entendi tudo. Ele se referia ao Arruda, o qual que, se deixassem solto ele venderia até o Palácio do Planalto à China. Até que não seria uma má ideia se o nosso apedeuta-mor fosse junto. Bem, como vocês conhecem minha prolixidade, isto foi só para dizer que este texto não é para tratar de futebol, igual ao do Carlos, e sim de um fato que está consumindo os meus três neurônios (Huguinho, Zezinho e Luizinho, não os sobrinhos do Pato Donald, mas os meninos da novela Escrito nas Estrelas, que só vejo de vez em quando, quando estou dando a sopinha do meu neto).

O tema principal é tentar refletir sobre o seguinte: Como é que, durante 40 anos de vida pública, ganhando acima da média dos brasileiros, o Deputado Raul Jungmann, até hoje amealhou apenas um patrimônio de R$ 17.897,89? A primeira hipótese, e a mais simples, é aquela que ele, de forma honesta, gastou quase tudo que ganhou e não guarda nada para o futuro, nem dele nem dos filhos, a não ser o capital humano, dele e de sua família, pois a hipótese de doação aos pobres, fazendo igual a São Francisco, não seria politicamente correto, pois o “dando que se recebe” não é mais bem visto para os homens públicos. E eu acredito nesta hipótese porque, para mim, todos são inocentes, até prova em contrário. E que cada um vive sua vida como quer e pode. O meu grande problema é que estou falando de uma pessoa pública e que, nesta condição, vive com um pouquinho do meu dinheiro, digo, dos ganhos do meu marido, pois com o que ganho da CIT só deu para juntar apenas RE$ 550,99, numa poupança em nome do meu neto. Por isso, é da minha conta o que ele fez com o dinheiro que ganha, da mesma forma que seu comportamento moral noutras áreas também é.

Raciocinemos, correndo o risco de homicidiar o Huguinho, o mais fraquinho do meus neurônios. Se ele declarasse que seu patrimônio fosse de 17 milhões de reais, talvez, sua vida no Twitter não tivesse sido tão movimentada, entretanto, eu teria a mesma razão para perguntar como ele juntou tanto dinheiro assim. Sua obrigação, como homem público, seria detalhar toda sua vida mostrando, tostão por tostão, onde os conseguiu, e como os gastou. Não vejo nenhuma diferença então para a pergunta: Como é que ele gastou tanto dinheiro assim? Pois sabemos que apesar dos homens públicos reclamarem dos salários, eles estão acima da média dos brasileiros, e mesmo assim, estes pobres seres, ainda têm uma casa, e se alegram com isto, nem que seja adquirida pelo Programa Minha Casa Minha Vida.

Confesso que já votei no Raul antes. Então meu voto foi decisivo para ele ser um Deputado atuante. Mas, na próxima eleição não tenho certeza se votarei nele outra vez para o Senado, numa coligação onde o cabeça dela, Jarbas Vasconcelos, declarou que, só em obras de arte, cerâmicas e telas tem quase R$ 200.000,00, e alguns acham ainda que valem muito mais. Sei que o Raul é muito mais novo do que o Jarbas, mas se contarmos os últimos 40 anos de sua vida pública, eu sou posso desconfiar que ele é um estróina. Ele bem que já poderia ter um apartamento financiado pelo finado BNH, que distribuiu milhões e milhões à classe média com os empréstimos perdoados pelo Sarney. Enquanto, até o poste, está com R$ 113.000,00 debaixo do colchão, ele declarou que tem apenas R$ 1.563,79 no banco.

A Marina declarou um patrimônio de R$ 143.000,00. Já é alguma coisa para um mulher que sempre foi pobre e aprendeu a ler com 16 anos. O concorrente direto do Raul ao senado, o Armando, declarou ter no banco mais do que todo seu patrimônio. Além disto ele, o Raul, em quatro anos dilapidou seu patrimônio que passou de 67 para 17 mil reais. O único, fora ele, que ficou mais pobre, aqui em Pernambuco, dos candidatos a cargo majoritário, foi o Eduardo Campos, mas é rico o suficiente para não passar fome (R$ 520.000,00).

Portanto, só o Raul é pobre entre os candidatos majoritários. E, é por ser uma exceção que ele deve se explicar ao seu eleitorado e ao povo pernambucano, como gastou seu salário. Quando alguém diz como o candidato ao senado que: “Sou político e não sou rico, algum problema?”, para um homem público é a mesma coisa que perguntar: “Sou político e sou muito rico, algum problema?”. Obviamente, a resposta seria “não” a ambas a perguntas se todos fossem santos, vivendo num paraíso celestial, onde riqueza ou pobreza fossem obtidas de forma ética e justa. Como isto não acontece, devemos verificar se há problemas, para cada candidato, em como chegaram à riqueza ou à miséria. Por isso é necessária e salutar a apresentação da Declaração de IR, e quanto mais detalhada melhor. Uma coisa é dizer que Jarbas Vasconcelos aumentou seu patrimônio em 4 anos de 800 para 1200 mil reais pelo seu esforço de trabalho e rendimento dos seus bens, outra muito diferente, seria que ele tivesse amealhado todo este patrimônio, recebendo propinas para votar projetos no senado (e não estou dizendo aqui que ele o fez). Ou, como fez um candidato a deputado federal, declarar que, do seu patrimônio declarado de 8 milhões, ele tem mais de 7 milhões em dinheiro vivo em casa (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/07/10/r-7-9-milhoes-em-dinheiro-vivo-307157.asp). Eu não votaria na Dilma de qualquer forma, mas alguns eleitores deixariam de votar nela se a explicação que ela desse para ter 113 mil reais em casa fosse a que deu o citado candidato: “Se precisar fugir do país, tá na mão”.

Da mesma maneira, se alguém perde o seu patrimônio de uma forma tão clara como o fez Raul, é preciso explicar, pelo menos a mim, se houve catástrofe ou esbanjamento. No primeiro caso sou absolutamente a favor da entrada dele no programa Bolsa Família e, além de votar nele, estou pronta a ajudá-lo, se ele não obtiver êxito, por não votar em Lula. Entretanto, se foi por esbanjamento, configurando-o como um estróina, espero que não consiga nem o Bolsa Família, porque se conseguir, pode gastá-la de forma não adequada. E, como dizia minha mãe, “costume de casa vai à praça”, e ele sendo um homem público...

Em suma, mesmo não me considerando uma moralista do tipo que o deputado considera execrável, como sua eleitora no passado peço que esclareça tudo respondendo: “Como o senhor gastou todo este seu salário?” Eu o paguei um pouquinho e tenho o direito de saber. Dependendo da resposta, poderei quebrar a disciplina partidária (no Brasil quase todos fazem isto, que pena) e não votar na Renê Patriota, do PV. Embora continue, devo declarar, a votar em Marina.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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