quinta-feira, 22 de julho de 2010

A SABEDORIA E O CORPO








Ninguém se torna sábio de um dia para o outro. A sabedoria é, como sabemos, inerente ao ser humano. É uma pequena parcela que já vem instalada no caminho que fica entre o coração e o cérebro. Algumas escolas esotéricas citam que a morada da sabedoria é no átrio direito do coração e que também é por aí que a alma começa a se manifestar no ser humano e traz ainda uma coletânea de conhecimento.

O difícil para cada um de nós é saber o real caminho que nos leva a essa morada, e assim acessar a tal sabedoria.

Alguns falam que a sabedoria vem através da idade, eu particularmente, discordo dessa afirmação por ver nas experiências do dia a dia muitas disparidades entre idade/sabedoria. Outros falam que a sabedoria se faz com as vivências individuais de cada um.

No meu entender a sabedoria é uma união destas duas versões. Para se ter vivência é necessário que viva uma determinada idade. Com a idade vamos aprendendo as vivências. E uma melhor forma de aprender “vivências” é passar para o posto de observador.

Observar ainda é a melhor solução para o bem viver. Observando, aprendemos, em aprendendo-se, lidamos melhor com os nossos desafios. Só que grande parte da população resolveu assumir o posto da reatividade e ser reativo nos dias atuais é quase uma temeridade, e ainda aliado ao grande problema que é a mídia. A cada momento “a dita cuja” procura nos tirar do nosso centro de equilíbrio. Cada vez mais somos impulsionados a seguir ditames externos. Para a mídia quanto menos você pensar, mais estará envolvido na rede global. A reboque disso vem o consumismo, novas tecnologias, novas máquinas para facilitar o serviço diário, e aí você é impulsionado a aceitar sem pestanejar.

Estamos tão inseridos nestas novas tecnologias com máquinas velozes, ditas inteligentes que aos poucos estamos nos tornando uma máquina. E digo isso literalmente, pois basta analisarmos a quantidade de implantes que se pode fazer no ser humano para entender o que falo. Implanta-se e substitui-se quase tudo no corpo humano, desde um dente a uma parte específica de uma parte do cérebro. E aqui abro um parêntese: Nada contra! Só que aos poucos e rapidamente estamos perdendo a capacidade de procurar acessar a sabedoria do nosso próprio corpo. E se assim fizéssemos nada do que falei acima era necessário. Um corpo sem sabedoria fica igual a um títere, que vai sempre depender de uma outra pessoa para manipulá-lo. E nem sempre e quase sempre este manipulador estará apto para exercer a função. Basta olharmos os noticiários a nossa volta e constatamos que os manipuladores são exímios em conquistar pessoas. Seja através de drogas, dinheiro, fama, em se fazer celebridades, enfim tudo de acordo com a preferência de cada um. Uma vez envolvido por estes artifícios a pessoa deixa de ter sabedoria. Ela, a sabedoria, recolhe-se. E o corpo começa a desenvolver uma dependência e quando se percebe já está no caminho sem volta.

E daí também pode originar a doença propriamente dita, que é a ausência da sabedoria.

Sabedoria então é a saúde do corpo e atua como a justa proporção, a harmonia natural, o acordo intrínseco do organismo consigo mesmo e com o que lhe é exterior. E não é difícil acessar a sabedoria!

Segundo textos antigos o primeiro passo é praticar a renúncia, ou as cinco lembranças da mente atenta:

1 -Proteger a vida ou cultivar a mente da compaixão.
2 - Cultivar a generosidade
3 - Cultivar a mente de Amor
4 - Cultivar o silêncio
5 - Cultivar o consumo consciente.

Pacificando, liberando e transformando o nosso “EU”, geramos a sabedoria, a capacidade de perceber, discriminar a essência, de ver a verdadeira face, a multiplicidade e o valor, tanto relativo quanto absoluto de todas as coisas. Estamos prontos então a viver uma vida digna e saudável, não importando as intempéries que virão, pois estaremos “unos” com o universo. Deixaremos de ser folhas ao vento.

E aqui abro espaço aos versos de Mimnerno (poeta do séc. VII):

“Somos como folhas, que a bela estação da primavera gera, quando os raios do sol crescem: breves instantes, como folhas, gozamos a juventude da flor, não recebemos dos deuses o saber do bem e o mal”.

Em torno estão negras deusas: trazendo uma a sorte da triste velhice, a outra da morte.

O fruto da juventude dura quanto na terra brilha a luz do sol.
Mas, quando essa breve estação se esvai,
Então, mais que viver, mais é doce morrer.”“.
Vamos estar preparados então!.

Gildo Póvoas - gildopovoas@hotmail.com

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