sexta-feira, 2 de julho de 2010

TEM CU-L-PA-EU? O AÇUDE ARROMBOU-SE!




Estive em BOM CONSELHO na mesma semana do acontecido, quero dizer do "arrombamento" do nosso açude! Lendo seu artigo, LUCINHA, em que se reporta a revista Época, achei interessantes as citações acerca do conterrâneo Dantas Barreto. Sobre ele sei igualmente pouco, mas essa seria uma boa empreitada para o BLOG e a GAZETA se encarregarem de pesquisar, quiçá até oS nossoS Zés Fernandes e Arnaldo.

No que concerne a culpa (a gente está sempre querendo os culpados) não creio tenha sido desta prefeitura (gestão), nem da PERDIGÃO, muito menos de São Pedro. Talvez dos três: a) da prefeitura, porque se até hoje não dispõe de um plano Diretor, tampouco de um trânsito de automóveis ajustado às leis nacionais, como iria se preocupar com um sexagenário que sempre foi quieto, pouco afeito a votos e a políticos, destituído de águas cristalinas e de margens ajardinadas?; b) da Perdigão na medida em que, como empresa de nome nacional, tinha que utilizar as águas na forma contratual, bem documentada e, acima de tudo, dentro dos padrões nacionais de engenharia e segurança, salvo engano; c) de São Pedro, porque com isto, permitiu que apenas bens materiais fossem perdidos, como que nos dando um recado: "façam uma barragem decente, com base em concreto armado, com sangradouro tecnicamente posto, que possa inclusive servir para ajudar no abastecimento de tantas casas que só têm água de quinze em quinze dias"... Pelo visto, ninguém deve tirar o "seu da reta", nem mesmo eu que apenas vou à minha terra enganar as saudades ( saudade é feito sede, a gente se engana pensando que mata ). Mas serviu de lição, essa daNAÇÃO! Afinal, cada cidade tem seu Tapacurá, nós temos o nosso como o Ceará tem Orós. Orai por nós, Santa mãe de Deus, para que a gente se acorde em tempo e desperte do sono que nos cerca diante de uma cidade com tantas potencialidades, inclusive com tanta água mineral. Quando estive na Coruja vi que a água ABUNDA por lá, mas não me surpreendi. Minha surpresa maior, quando estou por aí, é quando a cada oito dias, torço pela água chegar às torneiras da minha modesta casinha na frente da prefeitura. Mas eu me viro como posso e até já fiz uma cisterna, mas os que não podem fazê-la? Como a prefeita já assinou convênio com a COMPESAr, resta-nos esperar, pois "a espera é difícil, mas eu espero cantando"...

Retomando os culpados, recupero o "de todo mundo que ficou na reta" e convido a todos para sermos resilientes. Gosto dessa palavra por tudo que ela nos permite em todas as situações, da mesma forma que cultuo muito a expressão holística por tudo que ela compacta no centro e na periferia das nossas divagações. Nossa terra deixou de ser menina-moça. Até no Jornal Nacional, NE TV, Revista época, já saiu. Já temos empresas famosas como a Perdidão, digo perdigão, mas temos o tesouro do humano que se estabelece não só na cidade, mas em todos os lugares do planeta. Como jovem senhora, nossa cidade tem que se comportar como tal e partir pra cima das coisas inteiras. Neste viés, São Pedro tem Razão, pois temos que fazer uma nova barragem na base do concreto, diferente da que vi "arrombada" pelo meio, pois feita só de barro e areia não podia ser diferente; rever as bases legais da Perdigão quanto ao uso da nossa água, não será demais, inclusive fazendo os adendos necessários e, se for o caso, exigir responsabilidades pelo que está posto e pelo risco que a população passou de não só perder bens materiais, mas vidas; a Prefeitura, por sua vez, tem vários papéis a desempenhar diante da catástrofe, principalmente porque é a guardiã legítima e legal da segurança da população. A População, por sua vez, deve fazer a parte que lhe cabe nesse latifúndio: votando certo, cobrando dos atuais mandatários dentro da lei e da ordem, não poluindo os rios, não desmatando, não construindo nos morros e encostas, etc.

Tem cu-l-pa-eu? Agora é tarde, Inês é morta (dito popular que não tem nada a ver com minha querida amiga Ines Alapenha), pois diferente de Tapacurá que se anunciou estourar, mas não aconteceu, nosso açude estourou sem alarde, "arrombou-se" pelo meio, virou DA-NAÇÃO, principalmente para quem morava nas proximidades ribeirinhas e na Rua da Lama.

Fiquei pensando na história do que Dantas Barreto teria dito, em função do desprezo da sua mãe. Encafifado, remonto ao tempo em que ele deve ter dito isto e procuro encontrar quem poderia ter dito que ele disse aquilo e que a gente possa acreditar... Mas é só uma dose de humor que me passou neste final de noite antes do Brasil jogar com a Holanda. Mas se ele disse aqui mesmo, seria pobre demais para quem foi tão grande diante da nossa história. Contudo, nossa história é um pouco histérica e eu seria um pouco histérico se sugerisse que no novo açude a ser recomposto se chamasse de Dantas...

Brincadeira a parte, Zé Arnaldo deve ter bons motivos históricos acerca dele e, quem sabe, não publique detalhes da sua vida?

Portanto, Lucinha, Gildo foi perfeito nos mostrando aquela transcrição da Época, pois eu tenho a Veja e outros a "ÓI". Espero que na recuperação do açude, recuperem os trilhos. Já sonho indo do Recife a Bom Conselho de trem. Melhor não, pois não sei mesmo andar nos trilhos do "conforme"... Prefiro os buracos que danificam meu carro, porque me instigam a permanecer com a capacidade de me indignar...

Carlos Sena - csena51@hotmail.com

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