segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CARMÓPOLIS



Carmópolis é uma pequena cidade do Estado de Sergipe. Localizada as margens da BR-101-Sul. Distante da Capital Aracaju quarenta e sete quilômetros. A sua população de 13000 habitantes. É uma cidade ligada a Petrobrás, onde a população é flutuante oriunda da Capital e de outras cidades que trabalham na base da Petrobras. O verde dos campos predomina a paisagem. Tem suas atrações turística, como o morro onde fica a imagem de Nossa Senhora do Carmo, Padroeira da cidade, com aproximadamente 20 metros de altura, num elevado de mais ou menos duzentos e cinqüenta metro, de onde se avista toda a cidade. Em quase todos os locais tem bomba sugando e enviando para a base o petróleo para tanques enormes. É uma cidade rica, porém não demonstra status. O comércio é pequeno, com poucas lojas e mercados. A rede bancaria se resume em dois, o Banco do Brasil e o Banco Estado de Sergipe-BANESSE. A rodoviária é bem pequena onde estaciona ônibus vindo dos distritos. A Prefeitura e a Câmara de Vereadores ficam em prédios vizinhos, junto ao Correio. É mesmo uma pequena cidade, mas bastante acolhedora. A Biblioteca Pública Municipal José Amado Alves é o ponto de encontro da juventude, onde eles fazem pesquisa e estudam e tem a disposição seis computadores ligados diretamente a internet. O ambiente é agradável e aconchegante com o seu ar refrigerado central, em seus dois andares. O acervo é pequeno com os seus mais ou menos mil e quinhentos livros, com grandes cadernos de estudos e relatórios sobre o desenvolvimento do Estado e o do Município e revistas e jornais nacionais atualizados. Tem um acervo de bons autores, principalmente, do próprio Estado de Sergipe. Pouco livro se vê de escritores/poetas de outros Estados. Felizmente vasculhando as prateleiras, encontrei uma relíquia do poeta pernambucano Joaquim Cardoso, POESIAS COMPLETAS. JOAQUIM CARDOSO – 29º Edição – Civilização Brasileira – 1979 -. Sentei-me confortavelmente em uma mesa e comecei a ler as poesias deste grande pernambucano. Escrevi na minha agenda alguns poemas, que para mim é interessante, sem desprezar as demais contidas no livro. Transcrevo:

OLINDA

Olinda, / das perspectivas estranhas / Dos imprevistos horizontes / Das bandeiras, dos conventos e do mar.

Olho as palmeiras do velho seminário / o horto dos jesuítas /E neste mar distante e verde, neste mar / Numeroso e longo / Ainda vejo as caravelas... /

Sábio silêncio do Observatório / Quando a noite as estrelas passam sobre Olinda / Muros que brincam de esconder nas moitas / Calçadas que descem cascateando nas ladeiras /.

Olinda, / Quando o luxo, o esplendor, o incêndio / E os capitães-mores e os jesuítas / E os Bispos e os doutores em Cânones e Leis.

E ainda / Com as velhas bicas, os velhos pátios das igrejas; / Amparo, Misericórdia, São João, São Pedro / Nossa Senhora de Guadalupe / E os Beneditinos e as irmãs Doroteias / E os padres de São Francisco.

Neste silêncio, neste grande silêncio, / No terraço da Sé / Sentindo a tarde vir do mar, tão doce e religiosa, /Como a alma celestial de São Francisco de Assis.

Joaquim Cardoso, 1925

1. TARDE NO RECIFE

Tarde no Recife, / Da Ponte Mauricio o céu e a cidade / Fachada verde do Café Máxime /Cais do Abacaxi. Gameleiras.

Da torre do Telegrafo Ótico / A voz colorida das bandeiras anuncia / Que vapores entram no horizonte.

Tanta gente apressada, tanta mulheres bonitas, / A tagarelice dos bondes e dos automóveis / Um camelô gritando – alerta! / Algazarra. Seis horas, Os sinos.

Recife romântico dos crepúsculos das pontes / Dos longos crepúsculos que assistiam à passagem / Dos fidalgos holandeses / Que assistem agora ao movimento das ruas tumultuosas / Assistirá mais tarde à passagem dos aviões / Para a costa do Pacífico / Recife romântico do crepúsculo das pontes / E da beleza católica do Rio.

Joaquim Cardoso, 1925

José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com
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(*)Fotos de Carmópolis e da escultura de Joaquim Cardoso numa ponte em Recife, obtidas na Internet.

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi, escritor(a)! Moro em Carmópolis, cidade tema deste texto, tenho 23 e sou estudante. Seu texto me chamou atenção pelo fato de ser diferente dos demais pesquisados. Geralmente quem escreve sobre este município acaba "puxando saco" ou detonando a cidade, no entanto, você falou de forma clara, sincera e embasada. Acredito que tenha conhecido pouco a cidade, ora rica de histórias e cultura. Enfim... Gostei da escrita e obrigado por passar em nosso município. P.S.: você deveria ter lido pormas do nosso poeta local, referência no estado, José Sampaio. Abraços do leitor Vinicius Amancio