terça-feira, 3 de agosto de 2010

É tempo de pensar



O título acima é o mesmo do editorial de A Gazeta, jornal de nossa querida Bom Conselho, do último número que me caiu às mãos, trazido pelo meu colega Zezinho de Caetés, segundo ele, comprado em Garanhuns onde andou atrás de Lula (que gosto!) e, pela sua alegria, conseguiu falar com o nosso apedeuta-mor, mas, sobre isto ele disse que depois conta os detalhes.

Eu nunca havia lido, em toda minha vida, um título tão adequado para uma matéria. Pois ao terminar de ler o editorial, disse com meus botões políticos, realmente, caro editorialista, é tempo de pensar. E digo mais: também chegou o tempo para “dar um tempo” na tentativa de fazer propaganda subliminar na política, da mesma forma que se coíbe o uso deste tipo de propaganda para outros produtos na mídia. O individuo quer vender minhoca e apresenta as benesses do macarrão. Quer vender Carlinhos Bala e apresenta um vídeo do Maradona. Neste caso, o editorialista quer vender Dilma e apresenta uma foto da Evita Peron. Não quer que comprem Serra e apresenta uma foto de sua careca.

Logo de início, o autor do editorial, considera trivial (logo no Brasil?!) discutir futebol e a Copa do Mundo. O Armando Nogueira e Nelson Rodrigues devem ter dado saltos mortais dentro dos seus respectivos caixões, quando ele diz que seus pensamentos nesta área não tem valor. O importante para ele é discutir a escolha dos nossos governantes. Eu diria que ambas as coisas são importantes para o brasileiro, inclusive para não eleger Romário no Rio de Janeiro nem Pelé para presidente, pois, correndo o risco de termos aprendido a votar, poderemos eleger outro apedeuta para presidente, e além disso, torcedor do Santos.

Entretanto, o que achei mais interessante é a maneira como ele nos orienta a pensar sobre a escolha dos nossos governantes. Penso que nem o Goebbels orientava melhor o Hitler. Começando, ele escreve: “Se para a escolha do cargo máximo da república a decisão é plebiscitária – entre Lula no presente e FHC no passado -, com um candidato representando o antes de Lula e uma candidata representando o depois de Lula, a escolha mais difícil passa a ser para o Congresso Nacional....” E onde estão os outros candidatos? Principalmente a Marina que está com 10% das intenções de votos nas pesquisas, neste momento, no qual a campanha mal começou!? No mínino a premissa do nosso elaborador do edital, é errada em princípio, e só por uma coincidência muito grande a conclusão seria correta. E não me forcem a citar Aristóteles em grego. Lembro que o Collor começou com muito menos do que isto e competindo com os “pais da pátria”, inclusive o nosso apedeuta-mor, que hoje já não rejeita a filha Lurian, nem diz que está com “menas” vontade de deixar o poder.

Prosseguindo, diz o nosso “Dilmista” enrustido, que o povo de Bom Conselho tem que pensar, na sua escolha eleitoral, em quem esteve mais presente em Bom Conselho, ou quem fez mais pelo Estado: Jarbas ou Eduardo? Aqui, começa o “Eduardista-Lulista” que fornece a solução para o pensamento dos parvos (para ele) bom-conselhenses: “Essas soluções também podem se situar em um processo, um percurso que o Brasil já está percorrendo e deve continuar a percorrer, para sairmos de vez do atraso que nos fez uma nação de segunda categoria no passado, e emergente hoje.” Belas e vazias palavras que levam os leitores a acreditar que quando Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, o primeiro lugar que visitou foi Caetés para ver o Zezinho e o Lula jogando bola e matando passarinho, mas já tendo criado o Bolsa Família e o PAC, com a ajuda de Dilminha, que era uma menina muito antipática, mas, Lula a adorava e Zezinho a odiava, talvez porque, naquelas brincadeiras infantis, ela preferia o Lula. Ou seja, não houve presidentes ou mesmo Brasil antes dele. E onde estava a Marina? No Acre, doente e analfabeta e se preparando para um dia desmistificar estes raciocínios e se tornar a primeira mulher presidente do Brasil. Vi neste fim de semana a Marina aqui em Recife, tive o prazer de cumprimentar-lhe e a vi chorar, no Coque depois de uma apresentação do um belíssimo coral, e dizer: “Que povo animado. Meu Deus do céu, muito obrigada! Agora, deixa eu me recompor que político chorando parece demagogia”. Meus olhos também encheram d’água, naquele momento de espontaneidade, que virou rotina demagógica, programada e antecipada com os “urros” do nosso apedeuta-mor nos comícios de Dilma. Que agora nada mais é do que uma “bonequinha de luxo”, nas mãos dele, ao ponto dele já determinar o que ela deve fazer quando se eleger presidente (ver o caso da mulher iraniana sentenciada à morte por adultério no governo do seu amigo de nome estranho).

Mas o melhor estava por vir, quando ele chega ao ápice de sua propaganda, não mais subliminar. “Também deve ser objeto de nossos pensamentos a colocação programática do candidato de FHC, Serra, candidato do econômico, e da candidata de Lula, Dilma, voltada para o social.” Como Serra é o candidato do econômico e propõe ampliar o programa Bolsa Família? Como Dilma é candidata do social se propõe manter a mesma política econômica de Lula, que foi a única coisa que funcionou em seu governo, e foi uma herança do governo FHC, e declara manterá plenamente a autonomia do Banco Central (talvez, até mantendo lá o Meirelles), o que Serra já não declara? “Devagar com o andor que os dois santos são de barro”, e se há alguém que deve ser incluído neste andor, que parece frágil mas não é, é a Marina. Ela sim, será uma continuista, mas, continuista do que ela fez de bom quando era ministra de Lula e do que teve de bom em governos anteriores. Tanto Dilma quanto Serra adorariam que ela desistisse e tivéssemos uma eleição plebiscitária, mas a Marina não fará isso porque ela sabe a responsabilidade que tem com o país, e mostrou isso quando saiu do PT, quase escorraçada pela candidata do “social”, Dilma, e com o desprezo de Lula, que gosta de cuspir no prato que comeu, deste que possa dizer depois que não sabia que ainda havia comida nele.

Meus senhores eu não sei quem escreve os editoriais de A Gazeta, se o amigo Luis Clério, nosso jornalista-mor, ou o Jodeval Duarte, o jornalista responsável, ou outra pessoa, mas o editorial representa o pensamento do jornal. Por isso, aqui neste Blog não temos editoriais, e quando o Diretor Presidente se arvora em falar pelo Blog, sempre mantém a postura regulamentar de dizer de quem discorda, quando é o caso. No presente caso eu, Lucinha Peixoto, é que estou escrevendo sobre o editorial de A Gazeta, dentro do direito que tenho de me expressar e principalmente de pensar. O que posso dizer é que, pelos arroubos eleitorais, qualquer um pode pensar errado, inclusive estes dois luminares do jornalismo de Pernambuco, embora reconheça seu direito de usar seu jornal politicamente da forma que lhes agradar. No entanto, é preciso ser mais explícito em suas intenções de voto, como eu sou com a Marina.

Lendo alguns blogs no final de semana vi algo similar ao editoria de A Gazeta, somente que do lado contrário. Em artigo publicado em vários jornais do país, cujo título é: “Cara ou Coroa”, o FHC tenta defender seu candidato sem nem tocar no nome de Marina. Coincidência? Acho que não. Simples jogada política para defender o Serra. Por isso cita o Lula, quando este tenta fazer uma introdução auto-biográfica se colocando como uma “metaforfose ambulante”, o que eu concordo, e tenta fazer o contraponto com as ideias de Dilma que ele diz ter opiniões mais firmes do que o chefe, mas se as mantiver “possivelmente perde eleitores por seu compromisso com uma visão centralizadora e burocrática da economia e da sociedade ou se metamorfoseia e vira personagem de marqueteiro, pouco convincente”. Enquanto diz, que seu candidato, o Serra, “traz consigo a marca de origem: ajudou a construir a estabilidade, a melhorar as políticas sociais e a promover o progresso econômico.” Qual a diferença do editorial, além do lado trocado? Apenas a explicitação em quem vota e a falta de Marina, que, queiram ou não, eles vão ter que engolir. Então, nem a cara e nem o coroa.

E para não ter que pedir desculpas outra vez, por ser muito cáustica, termino citando e concordando com o nosso editorialista:

Mas é preciso pensar, meditar, avaliar, quando se trata de dar um mandato a pessoas que irão mexer em nossas vidas e nas vidas dos nossos filhos e das nossas filhas.”

Eu só acrescentaria os nossos netos e netas, pelo meu hábito de ser avó coruja, e diria, pensem, meditem, avaliem. Eu já fiz isto e por isso votarei na Marina. E se vocês assim o fizerem ainda teremos a primeira mulher presidente do Brasil, ainda teremos estabilidade econômica mas, junto com a sustentabilidade ambiental, ainda teremos progresso social, mas, junto com educação que elimina a dependência dos cidadãos dos políticos compradores de votos e eleitoreiros. E quanto às pesquisas que a colocam em terceiro lugar nas intenções de voto, eu apenas repito o que a ouvi dizer, diante da pobreza do Coque: “Se eu tivesse um traço nas pesquisas, já me sentiria vitoriosa, porque eu conheço e vivi isso aqui. Sei o que se pode fazer para que essas crianças possam ter outro caminho.”

Lembrem-se que mulher já só vota em Marina e os homens vão no mesmo caminho, talvez com a possível exceção do editorialista de A Gazeta, que talvez mude de ideia agora que ele(a) sabe que a Marina é também candidata.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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