segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Lula em Caetés - Quase...



Já estou em Recife depois de uma jornada de centenas de quilômetros perseguindo o meu conterrâneo Lula. Foi uma verdadeira epopeia. Eu não iria descrevê-la agora mas o artigo do meu colega de sofrimento por uma Academia de Letras para nossas cidades, o Zetinho, me faz começar a falar destas minhas andanças cívico-político-literárias. Sofri tanto que agora, espero junto com o Zetinho, fundar o MSA, Movimento dos Sem Academia, quem sabe igual ao MST, se não nos ajudarem em nossos objetivos, começaremos a invadir prédios e fazendas em nome da justiça literária em nossas cidades.

Ao ler o artigo do nobre companheiro, vi que ele quase acertou na mosca, minha conversa com o Lula, se ela tivesse havido lá em Caetés. Feliz ou infelizmente, cheguei atrasado à efeméride da inauguração do programa que dará um computador a cada aluno, por sinal, muito meritório. Digo que cheguei atrasado porque cheguei no meio dela e quando me dei conta o Lula já havia se escafedido em direção a Garanhuns para o comício com a Dilma. Fiquei deveras entristecido porque sabia que ao lado de Dilma seria muito mais difícil ele conversar comigo. Apenas ouvi um trecho do seu discurso.

Como sempre, muito informal, quase igual como andávamos em Vargem Comprida (antigo nome de Caetés que, às vezes é também chamado de Vargem Grande) muito tempo atrás. Calça de suspensório de pano, sem camisa e de pés descalços. E em sua terra, sua informalidade comove muito mais. Quando ele disse que o açude na frente de sua casa, onde tomamos banho, escondidos de dona Lindu e de minha mãe, parecia muito maior do que era quando ele voltou a primeira vez a Caetés, me deu um arrepio. Quando ele falou do pé de mulungu, onde trepávamos, não suportei e fui às lágrimas. A entrega de um computador a um aluno não era mais relevante para mim, diante de tantas imagens de nossa infância.

Eu só me refiz e voltei aos computadores quando o Lula falou que, inicialmente, tinha medo que o computador levasse nossas crianças e adolescentes a ficarem nele viciados e eles não conversassem mais entre si, ficando todos grudados na telinha. Este medo passou quando ele descobriu que o computador incentivava as crianças a estudar mais. Ah! Se houvesse computador em nossa época! Quem sabe ele teria passado do curso primário e não seria tão criticado por pessoas como Lucinha que dão tanta ênfase ao ensino formal. Mas, não foi por isso que minha atenção se voltou para seu discurso. Isto aconteceu no momento em que ele descreveu, como o Programa de um computador por aluno começaria logo em Caetés. Como dizia meu velho pai com seu sotaque de português de Portugal: “Onde foi casa, é tapera”. Lula continuava o mesmo da infância quando, com sua liderança, nos levava no bico quase sempre.

Ao ser perguntado como os assessores iriam justificar a escolha de Caetés como a cidade primordial da computação infantil, ele respondeu: “digam que usaram o ‘critério Lula’, o critério do Lula querer trazer o computador para a cidade em que eu nasci, para que essas crianças tenham mil vezes mais oportunidades do que eu tive quando eu tinha a idade deles”. Eu, ao invés de aplaudir, eu tive medo. Medo do uso do ‘critério Lula’ por mais homens públicos neste país. Quando ele sair da presidência, se aquele que entrar usar este critério, Caetés só verá outro computador se ele for presidente outra vez, ou então o Zé da Luz, for ministro da educação.

Ao invés de relaxar, o meu medo aumentou, quando o ouvi falar sobre a situação em que ele deixa o Brasil, no final de seu governo. Nem parecia que na minha pobre Caetés ainda temos um grande número de famintos e analfabetos, apesar do FMI não poder nos cobrar mais nada, porque o Lula pagou nossas dívidas e perdoou àqueles que nos deviam. Os milhões de empregos por ele criados, com carteira assinado só chegaram ao nosso município na forma do emprego público para os apaniguados. Lula agora não é mais nem humano, é divino. Prevê o futuro e o profetiza colocando o Brasil como um país onde as coisas estão todas indo bem e não tem volta. E tudo foi feito por ele e, pasmem, também será feito em outras situações no futuro, como sua conjectura de que se o Ricardo Teixeira o tivesse chamado ao invés do Murici para ser o técnico de nossa Seleção (graças a Deus, ele escolheu depois o Mano Menezes, obrigado Jameson), ele teria certeza de levar a Seleção Brasileira em 2014, ao hexacampeonato.

Ele parecia tomado por alguma força superior, que não conhecia nos tempos de criança, que o levava a se considerar o único homem da face da terra a levar o povo brasileiro à terra da promissão. Para Moisés, só faltava o cajado, porque o Monte Sinai, ele já teria o seu poucas horas depois em Garanhuns. Fiquei com tanto medo que, com minhas pernas bambas, não consegui correr atrás dele para falar-lhe entre outros assuntos, de nossa Academia de Letras.

Segui-o até Garanhuns, mesmo correndo o risco de ser escorraçado pela Dilma. Mas, isto depois eu conto.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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