sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Lula em Garanhuns, e eu atrás...



Como já disse no artigo sobre a passagem de Lula por Caetés, segui o homem até Garanhuns. Chegando lá, para não ter dificuldade de entrar no recinto onde ele fez o primeiro comício fechado a que já assisti, comprei uma bandeira do PT e uma camisa vermelha e quem estava na porta não me pediu nem documentos. Hoje o PT tem passagem livre não só em comícios, mas em todos os cargos públicos. Vestido daquela forma senti-me até poderoso.

Ao penetrar no recinto fui fundo. Fiquei logo nas primeiras fileiras para ser pelo menos visto pelo Lula, na esperança de que ele me reconhecesse e fizesse uma das suas, descendo do palanque para cumprimentar o amigo de infância. Certa hora, pensei que isto fosse acontecer, pois ele se dirigiu à platéia, na direção onde eu estava, e falou:

- Severino, tem gente que tem vergonha de você...

Pensei inicialmente que ele havia trocado o meu nome e iria cair em si logo, logo. Não foi este o caso. O Severino a que ele se referia era o Severino Cavalcanti. Sim, aquele mesmo do “mensalinho” da Câmara dos Deputados, que agora é prefeito de João Alfredo, acusado de receber propina de um dono de restaurante em Brasília. Segundo Lula, ele, o Severino salvou-lhe do “impeachment” em 2005, pois as elites queriam derrubá-lo por causa do “mensalão” e depois dar o golpe. “Nossa elite política é perversa”, disse o meu conterrâneo. Eu, decepcionado por ter sido preterido, fiquei imaginando como o Lula, realmente, naquela época estava com medo de ser espicaçado pelos seus algozes. Pois, se abraçar com o Severino, para que isto não ocorresse, só pode ter sido um “abraço de afogado”. No entanto, me refiz do desejo, e continuei ali firme ouvindo meu amigo infantil, digo, de infância. O ato falho de ter escrito “infantil”, talvez tenha sido por lembrar a cara do Armando Neto, por ter sido ele e seus ancestrais chamados de perversos.

Mudaram as circunstâncias mas o discurso foi quase o mesmo de Caetés. E não poderia ser diferente, ele não havia saída nem da nossa cidade natal, pois seu registro de nascimento, como o meu, é de Garanhuns. Nisto eu concordo com ele. Prá que mudar? Quem sabe, depois das eleições, se não conseguir ir para ONU, nem ser técnico da seleção brasileira, ele não se candidate a prefeito de Garanhuns em 2012. Sei que Capoeiras iria perder um grande secretário, o Roberto Almeida, que agora iria para o Palácio Celso Galvão, e se ele for tão competente no cargo quanto é no seu Blog, esta cidade só vai ter a ganhar. Eu não troco o registro, pelos mesmos motivos. Por falar na terra de Simoa Gomes, quando o Lula falou o nome do seu atual prefeito, a platéia quase veio abaixo, com uma vaia monumental. Não sei o porquê, mas tornou-se necessária a intervenção de Lula, pedindo que guardasse as vaias para quem não votasse na Dilma e no Eduardo. Continua o mesmo da infância, de quem minha mãe dizia, este menino “não dá ponto sem nó”.

Voltando ao início, naquilo que é praxe em discursos políticos, a chamada dos presentes, que Lula chamou de a “nominata”, que é a relação de pessoas a que o político se dirige para fazer salamaleque, ele fez menção a mais de 20 pessoas que estavam no papel que sua assessoria produziu. Pasmem, nele não estava o nome da Dilma, que seria a principal homenageada pelo presidente. Será que houve algum fogo amigo no episódio? Tenho certeza que quem atirou já deve ter sido punido, igual ao Lula fazia com as rolinhas em nossa época de moleques: Bala na cabeça, de bodoque, é claro.

No meio dos aplausos, frenéticos e repetidos, a cada jocosidade (desculpe Lucinha) do falante, eu ficava pensando, como é fácil ser aplaudido e ovacionado pelas pessoas que vão a um evento como este. Se Lula começasse a fazer um “streap-tease”, tirando ali mesmo aquela jaqueta, doada pelo Evo Morales, dançando o carimbó, penso que todos fariam o mesmo, e a emoção chegaria a um frenisi igual aos fenômenos religiosos de massa. Ali eu vi que estava diante de um santo, que rivalizava com Padre Cícero, Frei Damião, e agora com sua internacionalização, com Madre Tereza de Calcutá. E o Lula sabe disso. Quando ele perguntou ao Ariano Suassuna quantos filhos tinha e nosso grande escritor, um pouco constrangido, respondeu, eu, tímido como sou, fiquei com vergonha, não de ver o Suassuna no evento, pois ele agora virou o Chicó do Lula, que fazia o papel João Grilo, naquele momento, e sim pela quase falta de respeito a um dos maiores escritores deste país.

Mas o que mais me deixou constrangido foi a presença e o comportamento do Joaquim Francisco, que migrou do PFL para o PSB, pois não se adaptou à nova sigla do partido, DEM. Ele foi o único que não riu durante todo o discurso e raramente aplaudiu. Era um estranho no ninho e parecia realmente o mais depenado dos filhotes. O Armando Monteiro, chamado de perverso, ainda riu um pouquinho, mas, o Joaquim não. Mas, também pudera! Alguém se transformar de um liberal num socialista em dois meses é pedir demais. O contrário aconteceu comigo, mas levou uns 20 anos.

Estava lá aguentando firme aquele evento, quando o Lula disse que agora, no Nordeste vai acabar o “Pé de Serra”, agora será o “Pé de Dilma”. O que não fazemos por uma Academia, não é Zetinho? Mesmo assim antes que ele falasse o número do sapato da Dilma, que deveria ser 40 para agradar o Eduardo Campos, pois se dissesse a verdade poderia estar fazendo campanha para Marina, em peguei minha bandeira e lá fora, seguindo meus preceitos domésticos-educacionais, a coloquei no depósito de lixo reciclável.

No lado de fora, resolvi esperar por Lula, pois como ele mesmo disse, não devemos desistir nunca. Quando a comitiva saiu e se dirigia para o Festival de Inverno, consegui driblar os seguranças, e gritei bem alto:

- Lula, Lula, Lula, aqui....

Ele se voltou e me reconheceu. Veio em minha direção. Eu, ali parado emocionado e já tendo esquecido minha decepção com seu discurso e sua postura divina, esperando. Ele chegou perto e falou:

- Zezinho, você por aqui!? Quais são as novas?

Um pouco nervoso respondi:

- Presidente, não há nenhuma novidade. Estou esperando aquela ajuda que lhe pedi para fazermos uma Academia de Letras em nossa cidade. Nossa terra merece isto.

Ele, com um ar de superioridade retrucou:

- Companheiro Zezinho, este negócio de Academia é para as elites. Por que você não faz uma festa junina como aquela que o Eduardo me falou que tem lá em Bom Conselho, um tal de Forrobom? Aquilo é que é coisa do povo. Mas se quiser continuar com este sonho elitista continue.

E eu ali ouvindo aquele disparate, de alguém que minutos atrás tentou dar uma aula de história de Pernambuco, criticando suas elites, como se hoje, depois de governar por 8 anos, não pertencesse a ela. Aí ele falou:

- Oh, Joaquim, faz alguma coisa, dar ai uns cem reais para o Zezinho, para ele ir tocando os seus sonhos infantis, se não tiver pede ao Armando!

O Joaquim obedeceu, botou a mão no bolso e me deu duas notas de 50. Eu, embasbacado peguei o dinheiro. Mas jurei que não tocaria nestas notas e um dia as devolverei a ele. Agora estou rompido com ele. Vejam o que o PT fez com uma criança inocente! Nem pensei em ir a Salgueiro e Petrolina, e só me aproximarei quando ele cumprir a promessa de construir a Transnordestina. Pelo jeito que vai, será nunca.

Em termos de Academia, agora estou num mato sem cachorro. Espero que em Bom Conselho o Zetinho encontre pelo menos um cachorro para ajudá-lo.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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