terça-feira, 10 de agosto de 2010

O apedrejamento nos fez pensar ainda mais



Quando entramos nesta de querer ser política, depois de um certa idade (não imaginem coisas ruins, depois dos 30, mulher já está com uma certa idade), corremos o risco do nosso cérebro explodir, principalmente, neste período eleitoral, onde o volume de informação que temos para digerir é brutal. Por outro lado, corremos menos riscos de sermos pegos pelo Alzheimer, quando tivermos idade para isto, é óbvio.

Semana passada peguei um jornal, já amassado, pois aqui em casa quem ler primeiro é o meu marido, seguindo o ainda rançoso machismo de nossa terra, e eu li, sobre algo que já sabia, mas que, ao enfrentar a realidade mais próxima, é ainda mais terrificante, do que a do nosso “machismo light”. No Irã, a mulher que trai o marido é condenada à morte por apedrejamento. Isto para mim, católica convicta e praticante, e acima de tudo cristã, pois entre os judeus havia costume semelhante, até que Jesus mandou atirar a primeira pedra quem ainda não havia pecado, fiquei indignada. Para nossa cultura, mesmo que muitas vezes, pelas barbaridades que se cometem, se as pedras fossem fáceis de encontrar em certos momentos, faríamos justiça com as próprias mãos, matar alguém por apedrejamento, por haver sido adúltera, é uma barbaridade maior. Imagine se a moda pega no Brasil, faltariam pedras no mercado.

Isto ocorreu sempre naquele país cujo presidente é aquele de nome complicado e que é grande amigo do nosso apedeuta-mor, o Lula. E foi por causa de uma declaração do Lula, que o caso caiu, como se diz, na boca do povo. O nosso presidente, apesar de todos os defeitos, e já estou quase acreditando no Zezinho quando diz que estes defeitos dele foram todos culpa do PT, fez um discurso pedindo pela pobre mulher iraniana. Isto foi um avanço tremendo, talvez, porque ele não tinha como comparar a mulher com as brasileiras, como fez com o preso cubano que fazia greve de fome, comparando-o aos bandidos de São Paulo. Em ambos os casos eu penso que ele deveria ter dito tanto ao Fidel, quanto ao homem de nome estranho do Irã, que tivessem vergonha na cara, e que ter presos políticos e por adultério no século XXI é uma sem-vergonhice sem tamanho. E se isto fosse de encontro aos nossos princípios de política externa e os indigitados ditadores ameaçassem nosso país, eu pegaria, e todos aqui em casa pegariam em armas para nos defender. E, o que seria mais penoso para mim, ainda votaria nele em 2014, nas próximas eleições, pois nesta eleição de 2010, prefiro ir à guerra a votar em sua candidata.

Também semana passada, escrevi um texto sobre um editorial do nosso prestigioso jornal, A Gazeta (http://www.citltda.com/2010/08/e-tempo-de-pensar.html). Penso que foi o Diretor Presidente, um pouco chateado, porque eu disse que ele não tinha autoridade para falar por mim, mesmo quando se trata do Blog da CIT, pois dei meu sangue, suor e lágrimas para criá-lo, avisou-me que o Jodeval Duarte, ao assumir a autoria do editorial, fazia algumas considerações sobre meu texto em seu Blog. Fui lá ver. Se não fosse pela demora do blog abrir, penso quem não tem uma banda muito larga deverá esperar mais de meia hora para lê-lo, o que não é uma crítica, pois vale a pena a espera, quando quem escreve nele é o titular, Jodeval, ou mesmo a Josenilda, que mora na Suécia, e se estivesse mais perto, seria um voto certo para Marina e não pela Dilma (talvez ela até o faça, pois o voto é secreto e trair o irmão eleitoralmente, não leva a nenhum apedrejamento no Brasil e nem na Suécia, não sei no Irã). Quando li, fiquei mais alegre do que João da Costa quando encontra uma rua limpa aqui no Recife.

Ele começa dizendo que fui competente em meus comentários e que ao mesmo tempo que me admira e respeita intelectualmente. Pensei em parar por aí, não ler mais nada e curtir estes elogios que vindo dele, um dos grandes jornalistas deste país, daria para ficar uma semana sem ver o meu neto, e não cair em depressão. Entretanto, como ele havia dito que discordava do conteúdo do meu texto, resolvi lê-lo por completo.

Ao continuar minha leitura, o que observei é que as discordâncias são mínimas, exceto pela ideia que ele tenta passar de que, apesar de Marina ser uma ótima candidata, e eu dizer que é a melhor, ela teria enormes dificuldades para governar. Ora, meu caro Jodeval, pelo que entendi, você está dizendo que Lula teve capacidade de governar em uma situação adversa, partidariamente, enquanto Marina não tem. Eu fico em dúvida se você quer com isto criticar o Lula, por ele agora ser refém do PMDB e de outros partidos menores como o PSB, que se uniram ao PT apenas por conveniência eleitoral (o Zezinho me falou, e deverá escrever sobre isto, da saia justa que foi enfrentada pelo nosso governador, em Garanhuns, para colocar o Joaquim Francisco entre os mesários, também pudera), ou você quer dizer que Marina não tem jogo de cintura para fazer isto? Eu penso que Marina, mesmo ressalvando a ética, diante do nosso descalabro de legislação eleitoral, pode muito bem fazer composições para governar o Brasil, e com muita mais eficiência e respaldo do que o Lula teve e com muito mais educação formal para não ficar totalmente dependente dos Marcos Aurélios, Celsos Amorins , Zés Dirceus e Paloccis da vida. Concordo com você que ela terá dificuldades, iguais a que o Lula teve, ou maiores, porque ela terá que preservar certos princípios ideológicos que o apedeuta-mor renunciou desde que derrubou os óculos do FHC no recebimento da faixa presidencial. E será muito mais difícil para Dilma, se mantiver suas posições, e não sujeitar-se a receber ordens do Lula, Sarney, Collor, Michel Temer e outros. Se só for por isso votemos na Marina.

Dito isto o Jodeval foi buscar as meninas na escola. Serão netas ou filhas? Não haveria motivo maior para suspender qualquer escrita. Quando o meu neto me chama, eu posso até estar falando com o governador, ele que espere. Adorei esta parte do artigo.

De volta, ainda com tempo para pensar, o Jodeval reconhece certos erros do PT e as razões de Marina e Heloisa Helena terem dele saído, mas diz que estas razões são “inferiores à importância do impulso de uma nação nas mãos de um operário com a quarta série primária.” Imaginem senhores, o que não poderia fazer uma seringueira que foi analfabeta até os 16 anos, e hoje se candidata com chances de vitória ao mesmo cargo de Lula, e que ao contrário deste, não se jacta de sua “apedeutice” e sim de sua cultura adquirida formal e informalmente.

É óbvio que hoje, não é a Marina quem tem o apoio da Globo. Não foi ela que foi recebida pela Lilly Marinho para um chá, como a Dilma. Entretanto ela representa uma causa muito maior para o nosso país do que aquela, de caçador de marajás, que o Collor representava, que é a causa ambiental, que os outros candidatos não querem nem saber. E a Globo não tem mais tanta influência assim. Ela anda, como a maioria dos empresários, ao sabor da pesquisas. E, se a Dilma estiver sempre na frente, não demorará nada para seus dirigentes procurem o Lula e a ele hipotecarem sua mais completa solidariedade, cancelando os debates entre os presidenciáveis, se isto se fizer necessário. Com o debate televisivo já podemos ver a diferença entre a gaguejadora Dilma, o senil Serra e a iniciante, mas segura, Marina. Ontem também já tivemos uma amostra, no Jornal Nacional de como a Dilma, quando não gagueja, foge das perguntas como o diabo foge da cruz. Então mesmo sem caçar marajás, sem ajuda do apedeuta-mor e sem apoio da Globo, a Marina pode e deve virar o jogo, para o bem do país, com o Plínio, que esqueceu o que um dia pensou, ou sem ele. Basta o Jodeval e os meus leitores votarem nela. Não sei a idade das meninas que ele foi buscar na escola, espero que tenham mais de 16 anos, pois, nunca houve na história deste país, uma eleição em que os jovens estivessem tão unidos em torno de uma candidata.

No seu último parágrafo, como se diz, ao apagar das luzes, há uma hipótese do Jodeval, se não haveria uma pitada de ciúme na candidatura da Marina por ter sido preterida na indicação de Lula. Eu penso que a resposta é sim, como houve na candidatura de Heloísa Helena e há agora também na de Plínio Arruda Sampaio. Mas se fosse só este o motivo da candidatura, o Frei Betto, o Leonardo Boff, o Cristovam Buarque, o Chico Alencar, o Fernando Gabeira, o Flávio Arns, o Hélio Bicudo, a Luciana Genro também seriam candidatos pelo partido que tem mais votos no Brasil atualmente, o PSPT (Partido dos Saídos do PT). E se a Dilma for eleita, só ficarão o Mercadante, o Roberto Almeida, dos antigos, e José Sarney, cuja entrada no PT terá, certamente, a indicação dela.

Finalmente, o Blog da CIT não tem uma visão para ser mudada. Ele é uma pluralidade, que os inimigos dizem que é uma bagunça. Eu sou uma individualidade, ou, pelo menos penso ser, já que convivo aqui na CIT com pessoas de pensamentos totalmente diferentes dos meus, como o Sandoval Britto, que é do PT desde sua fundação, e agora anda prá cima e prá baixo com uma bandeira de Humberto Costa. Diz que não escreve no Blog porque Lula também nunca escreveu nada em lugar nenhum, e talvez por isso chegou à presidência e não teve que dizer para esquecer o que ele escreveu. Mesmo assim nosso apedeuta-mor ganhará a cadeira 13 da Academia Caeteense de Letras, somente por saber assinar o nome, depois que o nosso Zezinho de Caetés fundá-la. Graças a Deus em Bom Conselho temos o Pedro de Lara, “punto e basta”, como dizem os italianos de “Passione”. Perdão ao Jodeval se ele não assistir as novelas da Globo, igual ao amigo José Fernandes, e é uma pena, pois eu já sei umas três palavras em italiano, e é o suficiente para dizer, que mesmo não votando nela, não acho a Dilma uma mulher “schifosa”. Entretanto, reforço, a Marina será a “candidata vincitore”.

Lucinha Peixoto – lucinhapeixoto@citltda.com

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