quinta-feira, 12 de agosto de 2010

O Serrote foi serrado pelos bondes



Hoje apresentamos a transcrição da entrevista do último candidato a presidente, ao Jornal Nacional. Se fizemos algumas modificações, foi para o maior entendimento do eleitor do que realmente o entrevistado quis dizer e não teve tempo. O William Bonde foi radical, mas achamos que o Serrote deu o seu recado. Me desculpe Lucinha, mas parece que não vai ter para as mulheres. O segundo turno deverá ser entre o Serrote e o Plínio, que não participou do debate para não pegar a gripe do Serrote. Leiam vocês mesmos e tirem suas conclusões:

William Bonde: Nesta semana, o Jornal Nacional entrevista os principais candidatos à Presidência sobre questões polêmicas das candidaturas e sobre ações desses candidatos à frente de cargos públicos. Nas próximas semanas, o Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo farão o mesmo. O sorteio, acompanhado por assessores dos partidos, determinou que hoje nós recebamos, aqui na bancada, Serrote, do PSDB. Boa noite, candidato.

Serrote: Boa noite, William. Aqui está um pouco frio. Vocês podem diminuir o termostato, estou um pouco gripado.

William Bonde: A entrevista vai durar 12 minutos, creio que o senhor poderá agüentar sem pegar a H1N1, e o tempo começa a ser contado a partir de agora. Candidato, desde o início desta campanha, o senhor tem procurado evitar críticas ao presidente Lula. O senhor acha que... E em alguns casos fez até elogios a ele... o senhor acha que essa é a postura que o eleitor espera de um candidato da oposição?

Serrote: Olha, o Lula não é candidato a presidente, ah! como eu gostaria que fosse, mesmo para perder outra vez. O Lula, a partir de 1º de janeiro, não vai ser mais presidente da República. Quem estiver lá vai ter de conduzir o Brasil. Não há presidente que possa governar na garupa, ouvindo terceiros ou sendo monitorado por terceiros. Eu estou focado no futuro. Hoje tem problemas e tem coisas boas. O que nós temos que fazer? Reforçar aquilo que está bem e corrigir e poder melhorar aquilo que não andou direito. É por isso que eu tenho enfatizado sempre que o Brasil precisa e que o Brasil pode mais. Onde? Na área da saúde, por falar nisso já estou com as mãos geladas, na área da segurança, na área da educação, inclusive do ensino profissionalizante. Meu foco não é o Lula. Ele não está concorrendo comigo.

William Bonde: Entendo. Agora, candidato, o senhor avalia o risco que o senhor corre de essa sua postura ser interpretada como um receio de ter que enfrentar a popularidade alta do presidente Lula? Dizerem que o senhor está encagaçado?

Serrote: Não, não vejo por quê. Eu acho que as pessoas estão preocupadas com o futuro, né? Quem vai tocar o Brasil, quem tem mais condições de poder tocar o Brasil para a frente, que não é uma tarefa fácil. Inclusive de pegar aqueles problemas que hoje a população considera como os mais críticos e resolvê-los. Dou como exemplo, novamente, entre outros, a questão da saúde. Por favor, vocês tem uma aspirina aí? Então, o importante agora é isso. E as pessoas estão nisso. O governo Lula fez coisas positivas, né? Até o Obama reconheceu isto. Outras coisas, deixou de fazer. Como por exemplo, fazer um curso superior, como o Vicentinho, o João Paulo e outros para entrar de cabeça erguida na Academia de Caetés, sem deixar o seu conterrâneo Zezinho numa saia justa. A discussão não é o Lula. A discussão é o que vem para a frente, tá certo? Os problemas do Brasil de hoje e o que tem por diante.

Fátima Bonde: O senhor tem insistido muito na tecla de que o eleitor deve procurar comparar as biografias dos candidatos que estarão concorrendo, que estão concorrendo nesta eleição. O senhor evita uma comparação de governos. Por exemplo, por quê, entre o governo atual e o governo anterior?

Serrote: Olha, porque são condições diferentes. Eles governaram em períodos diferentes, em circunstâncias diferentes. O governo anterior, do Fernando Henrique, fez uma... muitas contribuições ao Brasil, entre elas o Plano Real. A inflação era de 5.000% ao ano, né? E ela foi quebrada a espinha. As novas gerações nem têm boa memória disso. E várias outras coisas que o governo Lula recolheu e seguiu. O Antonio Palocci, que foi ministro da Fazenda do Lula e hoje é o principal assessor da candidata do PT, nunca parou de elogiar, por exemplo, o governo Fernando Henrique. Mas nós não estamos fazendo uma disputa sobre o passado. É como se eu ficasse discutindo, para ganhar a próxima Copa do Mundo, quem foi o melhor técnico: o Scolari ou o Parreira?

Fátima Bonde: Mas...

Serrote: E o Mano Menezes, Fátima, desculpe, fosse estar preocupado em saber quem era melhor para efeito de ganhar a Copa de 14. Vocês viram a lavada que a nova seleção deu nos Estados Unidos? E em 14 não vai prá ninguém, Pelé será meu Ministro dos Esportes. Isso é uma coisa que os adversários fazem para tirar o foco de que o próximo presidente vai ter de governar e não pode ir na garupa. E tem que ter ideias também. Não só coisas que fez no passado, mas também ideias a respeito do futuro.

Fátima Bonde: Mas, por exemplo, avaliar, analisar fracassos e sucessos não ajuda o eleitor na hora de ele decidir pelo voto dele?

Serrote: Por isso... E é isso o que eu estou fazendo. Por exemplo, mostro na saúde, por falar nisto diminuíram o termostado? Eu fui ministro da Saúde. Fiz os genéricos, os mutirões, a campanha contra a Aids que foi considerada a melhor campanha contra a Aids do mundo, uma série de coisas. A saúde, nos últimos anos, não andou bem. Por exemplo, queda, diminuição do número de cirurgias eletivas, aquelas que não precisa fazer de um dia para o outro, mas são muito importantes. Caiu, né? Pararam os mutirões. Muita prevenção que se fazia acabou ficando para trás. Faltam ainda hospitais nas regiões mais afastadas dos grandes centros. Tem problemas com as consultas, tem problemas de demoras. Enfim, tem um conjunto de coisas, inclusive relacionadas por exemplo com a saúde da mulher. Tudo isso precisa ser equacionado no presente. Eu estou apontando os problemas existentes. E se amanhã o atual Ministro da Saúde disser que não estou dizendo a verdade, o que provavelmente o Blog do Jodeval, publicará, não acreditem, é tudo cascata.

William Bonde: Agora, candidato, vamos ver uma questão... O senhor me permita, para a gente poder conversar melhor. Eu já pedi para diminuir o termostato.

Serrote: Sim, sim, claro.

William Bonde: Uma questão política. Nesta eleição, existem contradições muito claras nas alianças formadas pelos dois partidos que têm polarizado as eleições presidenciais brasileiras aí nos últimos 16 anos, né? O PT se aliou a desafetos históricos. O seu partido, o PSDB, está ao lado do PTB, um partido envolvido no escândalo do mensalão petista, no escândalo que inclusive foi investigado e foi condenado de forma muito veemente pelo seu partido, o PSDB. Então, a pergunta é a seguinte: o PSDB errou lá atrás quando condenou o PTB ou está errando agora quando se alia a esse partido? Desculpe a falta de perguntas novas, pois eu já havia feito esta mesma para a Marina em relação as alianças dela, senão os críticos diriam que eu estaria protegendo a Marina, e não a fiz ao poste por motivos óbvios.

Serrote: William, é uma boa pergunta. O PTB, no caso de São Paulo, por exemplo, sempre esteve com o PSDB, de uma ou de outra maneira. Isso teve uma influência grande na aliança nacional. Os partidos, você sabe, são muito heterogêneos. O personagem principal... Os personagens principais do mensalão nem foram do PTB. Os personagens principais foram do PT, aliás, mediante denúncia do Roberto Jeferson, que era então líder do PTB.

William Bonde: Os nomes de petebistas, todos, uma lista muito vasta, começando pelo Maurício Marinho.

Serrote: Você tem 40 lá no Supremo Tribunal Federal... E o Ali Babá ainda está solto...

Willlam Bonde: Não, exato.

Serrote: E o PT ganha disparado.

William Bonde: Mas não há nenhum constrangimento para o senhor pelo fato de esta aliança por parte do seu partido, o PSDB, ter sido assinada com o PTB pelas mãos do presidente do partido que teve o mandato cassado inclusive com votos de políticos do seu partido, o PSDB? Isso não provoca nenhum tipo de constrangimento?

Serrote: Olha, o Roberto Jefferson, é o presidente do PTB, ele não é candidato. Ele conhece muito bem o meu programa de governo, o meu estilo de governar. O PTB está conosco dentro dessa perspectiva. Eu não tenho compromisso com o erro. Aliás, nunca tive na minha vida. Tem coisa errada, as pessoas pagam, né? Quem é responsável por si é aquele que comete o erro, é ele que deve pagar. Eu não fico julgando. Mas eu não tenho compromisso com nenhum erro. Agora, quem está comigo sabe o jeito que eu trabalho. Por exemplo, eu não faço aquele loteamento de cargos. Para mim, não tem grupinho de deputados indicando diretor financeiro de uma empresa ou indicando diretor de compras de outra. Por quê? Para que que um deputado quer isso? Evidentemente não é pra ajudar a melhorar o desempenho. É para corrupção. Comigo isso não acontece. Não aconteceu na saúde, no governo de São Paulo e na prefeitura.

Fátima Bonde: Candidato, nesta eleição, quer dizer, o senhor destaca muito a sua experiência política. Mas na hora da escolha do seu vice, houve um certo, um certo conflito com o DEM exatamente porque houve uma demora para o aparecimento desse nome. Muitos dos seus críticos atribuem essa demora ao seu perfil centralizador. O nome do deputado Índio da Costa apareceu 18 dias depois da sua oficialização, da convenção que oficializou a sua candidatura. É... O senhor considera que o deputado, em primeiro mandato, e ainda com este nome, está pronto para ser o vice-presidente, uma função tão importante?

Serrote: Está. Fátima, deixa só eu te dizer uma coisa. Eu não sou centralizador. Eu sei que tenho a fama de centralizador. Mas no trabalho, eu delego muito. Eu sou mais um cobrador. Se você andasse de ônibus em São Paulo já teria descoberto isto. Toda noite estou lá fazendo a linha Brás-Centro. Eu acompanho tudo.

Fátima Bonde: Eu falei centralizador porque até no seu discurso de despedida do governo de São Paulo, o senhor mesmo explicou sobre essa fama de centralizador.

Serrote: Que eu não era centralizador. E todo muito que trabalha comigo sabe disso, eu delego muito. Agora, eu acompanho porque quem coordena, quem chefia tem que acompanhar para as coisas acontecerem. A questão da vice estava orientada numa direção. Por circunstancias políticas, acabou não acontecendo. E o Índio da Costa, que foi o escolhido, estava entre os nomes que a gente cogitava. O Sérgio não quis ir prá guerra. O Jarbas resolveu cometer suicídio em Pernambuco. O Aécio se fingiu de morto. Só que isso não tinha ido para a opinião pública porque senão é uma fofoca só. Fulano, cicrano, isso e aquilo. Ele disputou quatro eleições, é um homem de 40 anos e foi um dos líderes da aprovação do ficha limpa no Congresso. Eu acho que...

Fátima Bonde: Mas a experiência dele é municipal, na verdade, não é? Ele teve três mandatos de vereador, o senhor acha que isso o qualifica?

Serrote: E um mandato deputado federal.

Fátima Bonde: Que ele está exercendo pela primeira vez.

Serrote: Eu acho que isso o qualifica perfeitamente. O que vale é a experiência na vida pública. Fez muitos cursos e neles encontrou até alguns vereadores de Bom Conselho. Tem livros sobre administração e eu insisto. Sua atuação no Congresso Nacional foi marcada pelo ficha limpa. Se você for pegar também outros vices, do ponto de vista da experiência pública, cada um tem suas limitações. Por exemplo, o da Marina só entende de cosméticos. E o Temer é uma temeridade, desculpem o trocadilho. Mas eu não estou aqui para ficar julgando os outros. Eu só sei que o meu vice, jovem, ficha limpa, preparado, com muita vontade, e do Rio de Janeiro, é um vice adequado. Eu me sinto muito bem com ele. Agora, devo dizer o seguinte...

William Bonde: Candidato... Candidato.

Serrote: Eu tenho muito boa saúde. Ninguém está sendo vice comigo achando que eu não vou concluir o mandato, isto se eu não contrair um bruta gripe nesta entrevista.

William Bonde: Mas um vice não assume só nessas circunstâncias...

Fátima Bonde: Trágicas.

Serrote: Mas, enfim... Eu não sei até que ponto... Bem, mas diminuam o termostato.

William Bonde: Candidato, eu gostaria de abordar um pouquinho também da sua passagem pelo governo de São Paulo. O senhor foi governo em São Paulo durante quatro anos, seu partido está no poder em São Paulo há 16 anos. Então é razoável que a gente avalie aqui algumas dessas ações. A primeira que eu colocaria em questão aqui é um hábito que o senhor mesmo tem de criticar o modelo de concessão das estradas federais. De outro lado, os usuários, muitos usuários das estradas estaduais de São Paulo que estão sob regime de concessão, se queixam muito do preço e da frequência com que são obrigados a parar para pedágio, quer dizer, uma quantidade de praças de pedágio que eles consideram excessiva. Pergunta: o senhor pretende levar para o Brasil inteiro esse modelo de concessão de estradas estaduais de São Paulo?

Serrote: Olha, antes disso. No caso de São Paulo, tem uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, um organismo independente: 75% dos usuários das estradas do Brasil acham as paulistas ótimas ou boas. 75%, um índice de aprovação altíssimo. Isso para as federais é apenas 25%. De cada dez estradas federais, sete estão esburacadas. São as rodovias da morte. Na Bahia, em Minas, BH, Belo Horizonte, Governador Valadares, em Santa Catarina. Enfim, por toda a parte. O governo federal fez um tipo de concessão que não está funcionando.

William Bonde: Mas a que o senhor fez motivou críticas quanto ao preço. Então a questão que se impõe é a seguinte, candidato: não existe um meio termo? Ou o cidadão brasileiro tem uma estrada boa e cara ou ele tem uma estrada ruim e barata. Não tem um meio termo nessa história?

Serrote: Eu acho que pode ter uma estrada boa que não seja cara, se você trabalhar direito. Este negócio que não existe almoço grátis é coisa do Milton Friedman o pai do neo-liberalismo. Por exemplo, a concessão que eu fiz da Ayrton Senna. O pedágio anterior era cobrado pelo órgão estadual. Caiu para a metade o pedágio. É que realmente, geralmente, os exemplos bons não veem...

William Bonde: Mas esse modelo vai ser exportado para as estradas federais?

Serrote: Esse modelo que diminuiu pode ser adotado, porque você tem critérios para ser examinados. O governo federal fez estradas pedagiadas. Só que estão, por exemplo, no caso de São Paulo, a Régis Bittencourt, que é federal, ela continua sendo a rodovia da morte. E a Fernão Dias, Minas-São Paulo, está fechada. Você percebe? Nunca o Brasil esteve com as estradas tão ruins. Agora, tem mais: em 1000 é, é, no começo de 2003 para cá, foram arrecadados R$ 65 bilhões para transportes, para estradas na Cide. É um imposto, lembram? Aquele que com que o Garotinho tentou engrupir o Lula num debate anterior. Sabe quanto foi gasto disso pelo governo federal? Vinte e cinco. Ou seja, foram R$ 40 bilhões arrecadados dos contribuintes para investir em estradas do governo federal que não foram utilizados. A primeira coisa que eu vou fazer, William, é utilizar esses recursos para melhorar as estradas. Não é o assunto de concessão que está na ordem do dia. É gastar. É entender o seguinte: por que de cada R$ 3 que o Governo Federal arrecadou, foram 65, ele gastou um terço disso? É uma barbaridade.

Fátima Bonde: Nós estamos...

Serrote: Por isso as estradas federais estão nessa situação. Desculpa, Fátima, fala.

Fátima Bonde: Não, candidato. É que como nós temos um tempo, eu queria dar ao senhor os 30 segundos para o encerramento, para o senhor se dirigir ao...

Serrote: Já passou?! E eu ainda nem disse que não odeio o Nordeste, e que lá já comi até milho verde com o Jarbas.

Fátima Bonde: Já passou, já estamos, olhe lá, Onze e quarenta e sete e os seus eleitores.

Serrote: Olha, eu vim aqui, queria, em primeiro lugar, agradecer a vocês por essa oportunidade. Eu tenho uma origem modesta, meus pais eram muito modestos. Talvez até mais do que os de Marina e do Lula. Eu acho que eles nunca sonharam que um dia eu estaria aqui no Jornal Nacional, que eles assistiam diariamente, e por isso queriam que eu fosse para Agulhas Negras para ser presidente, aliás pela segunda vez, falando como candidato a presidente da República. Eu devo a eles até onde eu cheguei. Devo a eles, devo à escola pública e acabei virando professor universitário, mas também sempre ligado às questões públicas, desde que eu fui presidente da União Nacional dos Estudantes até hoje. O que eu peço hoje...

William Bonde: Seu tempo, candidato.

Serrote: Para concluir é o seguinte: eu acho que o Brasil pode continuar e pode melhorar muito. O que eu queria pedir às pessoas...

William Bonde: Candidato, o senhor me obriga a interrompê-lo, me perdoe, me perdoe.

Serrote: Não posso nem falar um pouquinho? Pelo amor de Deus, preciso dizer que não odeio o Nordeste e que dobrarei o Bolsa Família, pois já está em gestação uma greve geral dos bolsistas daquela região. É a prova de que eu posso fazer mais do que o Lula...

William Bonde: É em respeito... Não posso. Porque é em respeito aos demais candidatos que estiveram aqui. Dei mais 30 segundos para a Marina porque ela a candidata mais verde. E eu sei que o senhor vai compreender. E eu quero agradecer a sua presença aqui.

Serrote: Não. Eu compreendo. Obrigado.

William Bonde: Boa Noite.

Fátima Bonde: Bom. Boa noite.

Serrote: Boa noite.

Graças a Deus as entrevistas terminaram, e tenho certeza que influirão no resultado das eleições de forma radical pois penso que o candidato vencedor será o Branco das Neves, o preferido da maioria dos eleitores, depois delas. Oh! eleiçãozinha chata!

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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