terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os Candidatos e as Pastas de Dente



Eu iria começar a escrever dizendo: “Como um cidadão brasileiro...”. Apaguei imediatamente, pois lembrei do Zé Serra, num vídeo onde ele diz que come um mundo de gente. Não sei se rio ou se choro, pois apesar de não declarar meu voto, pois como todo mundo deveria saber, ele é secreto, na qualidade de cidadão brasileiro, sei que todos os candidatos tem seus potenciais e muitas vezes não merecem que se façam vídeos como aquele mostrado a seguir:



É claro que todos dirão que “quem está na chuva é prá se molhar”, contudo, não se pode transformar a chuva em pedra como o fizeram com o pobre do Zé. Reconheço que o humorismo midiático atinge todos os candidatos, e isto se acentuou quando nossos poderes proibiram programas humorísticos de colocar os candidatos em seus roteiros. O brasileiro, todos nós, sempre perdemos o amigo, mas, não perdemos a piada. Nelson Rodrigues dizia que o carioca vaia até minuto de silêncio, no Maracanã. O Lula não acreditou e certa feita saiu de lá traumatizado com uma vaia. Ele só não ficou mais chateado, porque soube depois que a vaia foi por ele torcer pelo Corínthians e pelo Náutico. Bem feito, quem manda torcer por time ruim? Como então livrar os candidatos desta verve hilariante? Coitados deles todos.

Entretanto, não era sobre isto que ia falar inicialmente. De fato, meu assunto é muito sério para a nossa Democracia. E quando digo sério, não quero dizer sisudo, carrancudo, antipático, ranzinza, enfezado, pois penso não haver coisa mais séria do que uma boa piada, e o senso de humor. Sem eles estaríamos mais para animais do que para humanos. O homem só se tornou humano quando começou a sorrir. Os gorilas que riram aqui no Brasil, já fazem parte de nossa história, e riram da desgraça dos outros. Os da selva não riem. Nem os veados. O assunto é a propaganda eleitoral que está em curso.

Claro que, de quando em vez, assisto aos programas políticos, debates, entrevistas, etc. Declaro que não sou igual ao Zezinho ou à Lucinha que só pensam nisto, mas gosto também, e já ia escrevendo outra vez, “como cidadão”, mas me refiz a tempo e digo, igual a qualquer cidadão neste país (espero que não se pare de comer por causa do Zé). O programa gratuito de propagando eleitoral, que nos obrigam a ver, se não tivermos outra coisa para fazer, funciona para quem vê a TV aberta, como os comerciais a que vemos todos os dias. Fiquei procurando encontrar alguma diferença entre, se incentivar o voto num candidato e vender um produto qualquer.

Vemos que a propagando pode tudo. Os chamados marqueteiros, que conseguem vender papel higiênico sem falar em cocô, tentam agora querem nos “vender” os políticos candidatos, como se fossem papel higiênico antes de usar. Todos são limpinhos, limpinhos, até que são eleitos, e quando estão no poder o eleitor descobre que eles já tinham sido usados, e os marqueteiros apenas dobraram o papel escondendo a sujeira. Agora há uma lei, chamada a Lei da Ficha Limpa, que foi proposta para impedir que aqueles que, como papel higiênico, estavam tão usados, e a sujeira era tanta, que nenhuma propaganda poderia limpá-los. Ainda hoje se discute se a Lei pode ser aplicada para aqueles que estavam muito melados antes dela ser promulgada, pois num estado de direito, a lei não pode retroagir para prejudicar o réu, mesmo que ele esteja fedendo mais do aquilo que suja o papel higiênico, quando o usamos.

Foi ao ver as imagens feitas pelo nosso colega Jameson Pinheiro, que gosta mais de futebol do que de política, e mesmo assim, não concordou que o Fernando Bezerra Coelho fosse presidente do Santa Cruz, que são mostradas nesta crônica, que resolvemos mudar o rumo do nosso texto, e ver os políticos como eles são apresentados nos programas eleitorais: "Como Pasta de Dente", sem querer comê-la de verdade.

Todo mundo sabe que a propaganda vende dentifrício apelando para suas qualidades quanto ao tratamento bucal, em geral, e particularmente dos dentes. O setor é muito concorrido e muitas das marcas que existiam como a Colipe, Kolinos, Philips e as que ainda existem tais quais a Colgate, Sorriso, Close Up, Even e outras, foram sempre motivo de muita propaganda. Os marqueteiros agem atualmente com os políticos em campanha eleitoral como se eles fossem pastas de dente. Neste setor, não importa muito, igual no mercado de dentifrício, se o produto depois de comprado, limpa bem a boca, isto é, cumpre as promessas e a finalidade por eles alardeadas. E também de forma semelhante, encontramos depois muito dente sujo, da mesma forma como encontramos eleitores a reclamar, até a próxima campanha, quando são convencidos outra vez pelos marqueteiros de sempre. Consumidor nunca se emenda.

Nesta eleição temos, no mercado nacional, três produtos, que as pesquisas dizem estarem liderando as vendas: A Pasta Dilma, a Pasta Serra e a Pasta Marina. A ordem em que foram colocadas tem um significado: O resultado das pesquisas de intenção de compra, no feirão do dia 3 de outubro, em todo o país.


A Pasta Dilma, cujo fabricante é o mesmo da Pasta Lula, hoje a mais vendida no Brasil, promete que ela terá a mesma eficiência desta última. O consumidor pode comprar a Pasta Dilma como se fossa a Pasta Lula, não há diferença entre elas, a não ser no nome. Além disto, o marqueteiro promete que ela vai aprofundar a limpeza dos dentes, com o programa Boca Família e o Cárie Zero, que mesmo a Pasta Lula não conseguiu tocar com sucesso. Ela quer chegar a 2014, com todos os brasileiros pobres, de boca limpa, e com todos os dentes claros e bonitos. Ahhhhhh!!! Kolinos!!!

Os concorrentes baseiam sua propaganda nos mesmos moldes da Pasta Dilma. Tanto o fabricante da Pasta Serra quanto o fabricante da Pasta Marina, dizem que eles tem as mesmas qualidades da Pasta Lula, mas tenta se diferenciar em outros aspectos, além do aprofundamento da limpeza do dentes, igual promete a Pasta Dilma.


Os marqueteiros da Pasta Serra, neste momento são os que estão mais perdidos, pois viram as intenções de compras dos consumidores, despencar de 40% para 30% depois do início da propaganda. A equipe está um verdadeiro balaio de gatos. Uns acham que erraram por terem enfantizado a semelhança com a Pasta Lula, ao invés de mostrar os defeitos graves que esta pasta tem, como por exemplo, de ter dado prioridade excessiva à política social, sómente para ser vendida, e que não houve uma clara menção de que a Pasta Lula, só é hoje a mais usada do Brasil, porque o fabricante, num caso grave de espionagem industrial, afanou a fórmula de um dentifrício chamado Pasta FHC, para a política econômica. Só sei que, de qualquer forma, a Pasta Serra está quase alijada das intenções de consumo em todo o país, com exceções pequenas no Sul, e no estado de São Paulo, onde já foi muito usada. Entretanto, dizem que os fabricantes da Pasta Dilma, estão tentando avançar neste estado, mostrando cada vez mais que é tão parecida com a Pasta Lula, que foi usada por todos os sindicalistas do ABC, até pouco tempo. Se eles conseguirem, a Pasta Serra será retirada do mercado, certamente.


A Pasta Marina vem mantendo as intenções de compra estáveis, mas, menores do que aquela dos outros dois dentifrícios. Seus marqueteiros dizem que ela também é quase igual à Pasta Lula, mas tem uma diferença essencial. Em sua fabricação foi usada uma erva, que só existe na Floresta Amazônica, capaz de proteger as próximas gerações de qualquer doença bucal. Eles dizem que, com o uso tanto da Pasta Lula quanto da Pasta FHC, no passado, as bocas do país passaram a apresentar problemas terríveis nas gengivas, devido ao aquecimento bucal, provocado pelo ácido que estas duas pastas contém, resultados da privatização e do mensalão. Mesmo que o problema seja encontrado em todas as bocas do mundo, aqui no Brasil nós ainda dispomos de uma quantidade da erva suficiente para reverter o processo. O carro chefe da campanha é um ator dizendo: Da Pasta Marina, basta só um pingo!

No fundo no fundo eu espero que os marqueteiros sejam honestos no seu trabalho, mostrando o que realmente os produtos possuem de bom e de ruim. Atualmente, já existem pessoas desistindo de sua pasta costumeira. Conta-se que no caso de Pernambuco, quem ainda não aderiu à chapa Dilma, não abre a boca por causa do bafo de onça. Mas, a Pasta Serra eles dizem que não usam de jeito nenhum. Isto causou uma profunda transformação no mercado interno de dentifrício. Ninguém quer usar mais a Pasta Jarbas, tão usado no passado, porque o fabricante da Pasta Serra agora é o proprietário de sua fábrica. Ainda mais o fabricante da Pasta Jarbas andou espalhando que ruim como a Pasta Lula, nunca havia aparecido nenhuma na história deste país. O que provocou uma revolta em outros membros do mercado, que fizeram boicote à Pasta Jarbas. A nova marca, a Pasta Eduardo é que é mais preferida nas pesquisas de intenção de compra, no momento. Vamos ver a que prevalece no estado.

Eu sei que o Brasil está cansado de dentes podres e bocas fedorentas. Uma boa pasta de dente nunca foi tão necessária quanto agora. Espero que os consumidores decidam, no dia 3 de outubro, de uma forma consciente, pois precisamos muito de um bom dentifrício, que tenha gosto de melão maduro, sapoti e juá, e que cumpra sua missão principal, limpar os dentes do povo. Depois disto, fica faltando só a escova...

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

P.S.: Quando já havia terminado este texto, fui navegar pelos Blogs de nossa região, Agreste Meridional, e encontrei no Blog do Alexandre Marinho, uma postagem que poderia se intitular: Por que usarei a Pasta Lula e a Pasta Eduardo? Vendo isto, resolvi fazer uma pesquisa, com todo o rigor científico que esta matéria merece, sobre qual o dentifrício que será mais usado pelos nossos blogueiros. Geralmente, quem usava a Pasta Lula, usurá a Pasta Dilma, sem problemas, são exemplos destes, além do Alexandre Marinho, o Roberto Almeida, o Wagner Marques, o Blog da Transparência, o Blog de Bom Conselho de Papa-caça, entre outros. Existem aqueles que não conseguimos definir qual pasta usarão, como o Ronaldo César, e temos aqueles que, normalmente, usaram por muito tempo a Pasta FHC, e que estão doidos para que a Pasta Serra não saia do mercado, como o Rafael Brasil, e aqueles que usaram outras pastas, e que preferem a Pasta Marina, como o Altamir Pinheiro. O mais diferente que encontrei, em termos de gosto, foi o Jodeval Duarte, que hoje só usa a Pasta Lula e certamente usará a Pasta Dilma, mas, lutará bravamente para que seja permitida a importação de dentifrício, pois ele adora mesmo é a Pastal Fidel.

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(*) Imagens originais da Internet. Adaptação de nosso colega Jameson Pinheiro.

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