domingo, 15 de agosto de 2010

Um dia de azar e o "cavalo" de O Andarilho



A última sexta-feira foi 13 de agosto. Lembrei das superstições que envolvem este dia, inclusive em Bom Conselho. Meu pai e outros da região não faziam quaisquer negócios num dia como este. Nem tampouco no dia 24 de agosto que também era considerado aziago, um dia que traz má sorte, de mau agouro, azarento, infausto, nefasto, e tudo mais quanto é de ruim. Lembro de um fazendeiro, meu conterrâneo, que desprezando a cultura que o rodeava, comprou 17 garrotes no dia 24 de agosto, por um bom preço e os pôs no pasto. Conta-se que eles começaram a morrer logo no dia 25, e até o dia 30 não havia mais nenhum deles. Decidiu pagar então apenas metade ao vendedor, alegando que prejuízo causado pelo diabo tem que ser dividido.

No caso do 24 de agosto, sua fama de mau vem da chamada matança de São Bartolomeu, que foi um episódio sangrento na repressão dos protestantes na França pelos reis franceses católicos. As matanças, organizadas pela casa real francesa, começaram em 24 de Agosto de 1572 e duraram vários meses, inicialmente em Paris e depois em outras cidades francesas, vitimando entre 70 mil e 100 mil protestantes franceses (chamados huguenotes). Aqui no Brasil com o suicídio de Getúlio, a morte de Agamenon Magalhães, e ainda, neste dia sendo comemorado o Dia das Sogras (que meus genros nunca comemoraram, graças a Deus), é também um dia em que o diabo anda solto, e dia de todos os exus do candomblé brasileiro.

Quanto ao dia 13 de agosto, e ainda mais na sexta-feira, também é considerado um dia de azar. Não sabendo muito bem porque o mês de agosto é azarado como um todo. Dizem que o número 13 é considerado de má sorte, porque na numerologia o número 12 é considerado algo completo, como por exemplo: 12 meses do ano, 12 tribos de Israel, 12 apóstolos de Jesus ou os 12 signos do zodíaco. Já o 13 é considerado um número irregular, sinal de infortúnio. Além disso a sexta-feira foi o dia em que Jesus foi crucificado e também é considerado um dia de azar. Juntando tudo isto, 13, sexta-feira e agosto, como diz o Alexandre Vieira, que quer nos convencer que sinal de trânsito é sinal de progresso: “pense” num dia azarado.

O pior de tudo é que na última sexta-feira, esqueci da data fatídica e sai de casa normalmente, trabalhei normalmente, cuidei do meu neto (que está lindo, o danadinho) e ainda fiz uma incursão no site de Bom Conselho (SBC), como quem não quer nada, e querendo, e parei primeiramente no Mural. Além, de algumas chamadas pelos autores para serem lidos na Academia Pedro de Lara, e convites para o almoço dos papacaceiros do Rio de Janeiro, nada me chamou mais atenção nem me lembraram o fatídico dia para navegação. Até que encontrei um recado do O Andarilho nos rementendo à sua coluna na Academia Pedro de Lara. Primeiro fiquei assustada, pois pensei que o Luis Clério estava de brincadeira comigo, quando me enviou uma mensagem dizendo que O Andarilho havia me xingado. Já o respondi dizendo que, se ele estivesse se referindo a um episódio mediúnico, eu como católica, não acreditava muito. Só podia ser coisa do dia 13.

Entretanto, sem perceber o dia em que estava mexendo, entrei na Academia Pedro de Lara, e cliquei no link que entra na coluna do saudoso andante. Realmente havia alguns links ainda não acessados por mim, e penso também não pelo Luis Clério. Fui verificar o que havia escrito lá. Então comprovei que realmente havia dois artigos em que meu nome era citado.

No primeiro chamado de Blog – A Naja do Agreste, a pessoa que recebe seu espírito continua a me xingar, tal qual fazia o próprio antes do seu desencarne. No outro, ele me compara a um veado que foi morto, gordinho, gordinho, da história que deu origem ao nome de nossa Papacaça. Eu não vi xingamentos novos, apenas que ele me concede um epíteto de “Naja do Agreste”. Inicialmente, eu não sabia se ele queria me xingar ou fazer um elogio, pois não sabia o significado de naja, com precisão. Fui pesquisar e encontrei esta definição para o termo da naja-indiana, pois se eu for uma naja, tenho que ser indiana, pois adorei a novela Caminho das Índias:

A naja-indiana tem grande participação na mitologia da Índia. É a cobra famosa que os encantadores de serpentes exibem nas praças públicas. Na realidade, a cobra não responde ao som da flauta do encantador, porque, como todas as cobras, ela não tem ouvidos. Seu veneno é bastante violento, tem efeito semelhante ao do curare, substancia com que os indígenas da América do Sul envenenam suas flechas. Esse veneno (o curare) é usado, porém em medicina. Dele se extrai uma substância que é eficiente na redução da pressão arterial.

Naja-indiana é facilmente reconhecida por um desenho na parte de trás da cabeça. Esse desenho lembra um par de óculos e por isso essa naja,é, às vezes, chamada "naja-binóculo".

Habitando principalmente as regiões úmidas, ela se alimenta de roedores e anfíbios; às vezes come passarinhos. Macho e fêmea permanecem juntos após o acasalamento. Os ovos são postos em oco de troncos ou em ninhos abandonados de cupins. A fêmea permanece vigilante por perto, mas não incuba os ovos. Após 50 ou 60 dias, os ovos se quebram e os filhotes saem com 20 ou 30 cm., pesando mais ou menos 15 g. cada.”

Quando li, me vi em Bom Conselho, em minha Tribuna 43, igual a uma naja, mordendo aqueles que não querem o progresso de nossa cidade e falando para os que o querem. Talvez de frente da loja do Alexandre Vieira, dizendo que ele vai ter que pagar um IPTU mais caro pelo solo criado dos andares superiores, e vai pagar ainda uma contribuição de melhoria à prefeitura para financiar os semáforos e os guardas para multar as pessoas que avançam os sinais. E prevenir àqueles que pensam que Estado pode tudo, de que, quando surgir a mais nova indústria de multas no município, não digam que Bom Conselho está se industrializando e progredindo. Ao lado da Tribuna 43 que, se eu continuar a imitar o Eduardo, agora será o Pódio 43, terá uma placa dizendo: Vote em Lucinha Peixoto, a Naja do Agreste. Como O Andarilho já se encontra no andar de cima, não pode me cobrar pelos direitos autorais desta ideia maravilhosa para minha campanha. De qualquer forma, obrigada ao seu “cavalo” (Na doutrina espírita existem os “médiuns” que são pessoas que recebem os espíritos. Na umbanda ele é chamado de “cavalo” porque o espírito toma seu corpo e sua mente, enquanto no kardecismo, ele toma só sua mente. Eu tenho certeza pela lugar onde O Andarilho desencarnou, Salvador, seu espírito baixa no candomblé mesmo). Não haveria nada melhor para mostrar minha visão de estadista do que o apelido de naja e talvez, naja-binóculo, pois vejo longe. Quanto à menção ao meu incentivo à Papacagay, que agora será no Carnaval, junto com o Encontro dos Papacaceiros, sinto dizer que não aceitamos espíritos desencarnados, mas não teríamos nada contra a inclusão no desfile dos seus “cavalos”.

Depois desta navegação recebi a visita do Zezinho de Caetés e este me disse que, ao acessar o SBC no dia 12, portanto quinta-feira, havia se surpreendido que a pessoa que psicografava O Andarilho, havia assinado um artigo em sua coluna, passando da condição de “cavalo” do finado, a autor. Eu fiquei passada, e fui imediatamente ver quem era. Feliz ou infelizmente o que encontramos no artigo referido pelo Zezinho foi apenas a assinatura de O Andarilho. Zezinho coçou a cabeça, amarelou o semblante e disse:

- Lucinha, eu não estou maluco, e como seguro morreu de velho e desconfiado ainda está vivinho da silva, eu tirei uma cópia do artigo com o nome do possível “ex-cavalo” de O Andarilho. Está aqui olha!!!

E me mostra na tela do seu lap-top aquele artigo (reproduzido aqui pela imagem ao lado, que para ver em tamanho maior, clique nela ou pode ser visto no formato .pdf pelo link: http://dl.dropbox.com/u/890669/artigos/Artigo%20do%20Andarilho%20Alirio.pdf). O título era Talento, e era realmente assinado por outra pessoa: Alírio Cavalcanti. Eu não tive nenhuma surpresa, mesmo porque, isto não importa para mim, e sabia que eles moravam na mesma cidade, eram da Colônia de Papacaceiros baiana, e se elogiavam mutuamente, então nada demais que, quando um partisse, como foi o caso de O Andarilho, usasse o outro como “cavalo”. O que me intrigou, foi que alguns dias depois um nome tenha se transformado no outro. Eu, o Zezinho, e outros colegas, ficamos a fazer conjecturas. Será que este documento foi criado pelo Zezinho? Não, o Zezinho nunca teve nada contra ninguém de Salvador. Saulo, achou que não queria que “cavalos” fossem publicados na Academia e mudou o nome, ou quis derrubar o "cavalo", etc. etc.

Lembrei que havia visto, em minha passagem pelo Mural uma nota do Alírio Cavalcanti, no dia 05.08.2010 às 22:10 (ver foto ao lado), então, xereta como sou, vi que o e-mail colocado no fim da mensagem é: o.andarilho@ig.com.br, que, lembro bem era o e-mail de O Andarilho, quando ele era vivo. Novos debates e conjecturas, e talvez perda de tempo. Se realmente, existem espíritos que incorporam em seres vivos, não podemos cercear suas liberdades, mesmo a de adotarem os “cavalos” que quiserem. Eu não acredito nisto pelos dogmas de minha Igreja Católica, mas, todos que me lêem sabem que sou católica, mas, não sou ovelha. Sei dos erros dos homens que a fazem, inclusive aqueles de O Andarilho. E sempre que posso, faço como Leonardo Boff, os critico. Neste caso eu daria o benefício da dúvida à doutrina espírita, e que dêem o direito de expressão também aos “cavalos”.

Até agora não tenho certeza de que o Alírio, que não conheci em Bom Conselho e não conheço pessoalmente até hoje, seja o “cavalo” de O Andarilho, embora um tal de Boca Maldita, no Mural do SBC, fez um exercício numerológico e também chegou ao seu nome. Mas como a boca é maldita, pode ter entrado algum diabinho nela. E também, dizem quando a pessoa serve de “cavalo”, depois do caso, não se lembra de nada, tanto que não posso nem pedir esclarecimentos ao Alírio, sobre estes fatos. Talvez o Saulo possa explicar se houve mudança de páginas na Academia, ou outra coisa qualquer para a mudança da autoria do artigo (Sobre o Saulo, fiquei contentíssima pela sua postura de candidato nas fotos do aniversário de Bom Conselho, penso que, em 2012, estaremos juntos, mas não siga o conselho do José Fernandes, não se alie ao Joaquim Francisco do PSB, venha para o PV).

Para finalizar devo dizer que não sofri nada por ter trabalhado no dia 13. Fiquei propensa a acreditar no Zagalo, pela sorte que o número 13 lhe trouxe. Hum!!! Sei lá, apesar de quererem nos dizer o contrário penso que o 13 pode trazer um azar danado para o Brasil, nestas próximas eleições. Não sejamos cavalos, vamos votar no 43!!!

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

------
(*)Fotos da Internet e do acervo da CIT Ltda.

Nenhum comentário: