quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vitória no primeiro turno subiu no telhado



A “grande imprensa”, minha favorita, apesar de fazer parte da “imprensa nanica virtual”, já alardeava, faz tempo, que uma vitória no primeiro turno do poste, já era. Depois do resultado da pesquisa do Datafolha (outros institutos de pesquisa sempre foram suspeitos), divulgada ontem, mostrando que o poste já não chama muita atenção, depois que seu carregador, o apedeuta-mor meteu os pés pelas mãos, tirando alguns cartazes que iludiam certas pessoas, mostrando os buracos e a sujeira nele.

Na pesquisa de hoje, tudo depende da “Margem de Erro da Silva”. Na de ontem, entre aqueles que ganham entre dois e cinco salários mínimos, o poste perdeu 8% dos eleitores, entre aqueles que ganham entre cinco e dez salários, perdeu 5%, e daqueles mais bem aquinhoados pela sorte ou pela eficiência, 10% já correram. Não houve diferença nestes percentuais, a não ser, pela “margem de erro”. Quer dizer, quem ganha um pouquinho a mais do que o Bolsa Família, começou a bater em retirada. Também, pudera, embuste tem limite. Foram tantos os escândalos nos arredores do poste que o Lula, mais conhecido agora como Zé do Poste, pois se parece muito com aquele personagem do Dias Gomes, que carregou a cruz, até a porta da igreja para pagar uma promessa, e chegando lá o padre não deixou entrar, cansou de carregá-lo

A Dilma é hoje, literalmente, uma candidata pesada. Eu, já comecei com minha seções numa Academia aqui perto de casa, para não chegar em 2012, com o meu corpinho tão avantajado, que hoje, parece um pouco com o dela. Sei que campanha engorda um pouco e prefiro me cuidar. É um estresse danado, principalmente, prá ela que está sendo obrigada a dizer aquilo que não pensa, o tempo todo. Eu não sei como ela consegue dormir à noite. Tem que andar de igreja em igreja, para garantir que crer em Deus. Conta outra, Dilma. Com sua formação política, como ela mesma admite com seu passado de ex-guerrilheira, Deus só entrou em sua vida agora, porque ateu não tem voto no Brasil. Lembro bem que o Cleómenes dizia que ateu, no Brasil, não se elege nem para presidente de grêmio estudantil. Hoje, coitada, vive precisando até do Edir Macedo, para acalmar seus fiéis em relação a possíveis declarações suas. Na “grande imprensa” li ontem:

“O bispo Edir Macedo, dono da Record e da Igreja Universal do Reino de Deus, somou esforços com a campanha de Dilma Rousseff à Presidência e desmentiu boatos que circulam entre fiéis sobre a candidata ser a favor do aborto e ter dito que "nem Jesus Cristo me tira essa vitória".

Em nota publicada em seu blog, o bispo afirma que a petista é vítima de "mentiras espalhadas na internet".

Ainda na mensagem dirigida a seus seguidores, Macedo afirma: "Quem pensa que está prestando algum serviço ao Reino de Deus, espalhando uma informação sem ter certeza de sua veracidade, na verdade, está fazendo o jogo do diabo".”


Mas eu concordo mais com a opinião do meu amigo José Fernandes, quando diz, em artigo hoje neste Blog da “imprensa nanica virtual”, embora não concordando com tudo que ele disse, sobre outros assuntos:

“Também, os evangélicos da “Universal do Reino de Deus” (??), igreja de Edir Macedo, que, igualmente, toma na marra, o dinheiro dos pobres ignorantes, para comprar a entrada no “céu”.

E mais adiante, ele é ainda mais claro sobre este novo aliado da Dilma:

“Quanto aos evangélicos, não custa relembrar que o “bispo” Edir Macedo enriqueceu tomando dinheiro dos “fiéis” da sua igreja. Com essas espertezas descaradas de Edir Macedo, ele construiu “templos” mundo afora. E montou um império no ramo das comunicações. Tudo, com o dinheiro do povo pobre e analfabeto, que dá o diminuto dinheiro do seu salário, para “comprar a entrada no céu”, repita-se. Esse dinheiro dado para os “evangélicos”, poderia servir para comprar o pão e o leite dos filhos desses trabalhadores. E muitos deles estão passando por todas as privações. Inclusive privação de comida, remédios etc. Estão passando fome de muitas coisas essenciais à vida.”

Coitada da Dilma ainda diz que é católica e anda conluiada com um diabo destes. Duvido que a Marina quisesse um apoio deste indivíduo. Vade retro! Satanás!

E quanto à igreja católica, a que ela diz pertencer desde criancinha, o problema que surge é a questão do aborto. Já a vi falar sobre este tema, e duvido que ela não seja a favor do aborto. Todo católico que pensa um pouquinho e não é uma ovelha desvairada é a favor do aborto em algumas situações e talvez ela tenha a mesma minha opinião tantas vezes externada neste Blog. Por que então não declara suas posições com clareza e transparência e Lula que se dane? Todos sabem a resposta, ela é cria do Lula que tem como uma questão de honra fazer sua candidata vencer no primeiro turno.

Ela deveria dizer como a Marina diz, sou contra! É uma questão de fé, que não pode ultrapassar, sem ferir princípios maiores, mas, como pessoa de estado julga que o plebiscito é a solução para o problema o qual o povo é levado a enfrentar sozinho, ou pelo menos, ele e Deus. E para corroborar isto, a cito uma sua declaração recente:

“A candidata do PV à Presidência, Marina Silva, acusou nesta quarta-feira a adversária Dilma Rousseff (PT) de mudar seu discurso sobre a legalização do aborto para ganhar votos.

"Eu não faço discurso de conveniência. A ministra Dilma já disse que era a favor e depois mudou de posição. Não acho que em temas como esse se deva fazer um discurso uma hora de uma forma e outra hora de outra só para agradar o eleitor".”

A Dilma não pode fazer isto. É uma escrava branco do apedeuta-mor. Coitada! O papel de poste é uma dureza. E tem que ficar cada vez mais pesado, enquanto aquela que o interpreta também fica com o estresse de encenar seu personagem, sempre nas costas de alguém. Ela não crer em Deus, porém, se o Lula mandar, ela dirá até que participou da Marcha pela Família com Deus pela Liberdade, na década de 60, levando uma imagem de Santa Margarida. Ela é a favor do aborto, mas se o Lula mandar, ela diz que era amiga desde pequeninha até do D. José Cardoso, o excomungador-mor. Ela não era gentil com ninguém. Agora quer passar a ideia de “Dilminha, Paz e Amor”, porque o Lula mandou. E haja peso.

Um poste destes, com este nível de eletricidade estática, nem o operário-presidente, que agora também está fora de forma, conseguiu carregar. No debate passado, na Rede Record, que pertence a Bispo Edir Macedo, e que assisti com, entre outros, o Zezinho de Caetés, realmente eu tive pena dela. Ela passou esta campanha toda tentando ter alguma fluência verbal, que não precisava ser da mesma qualidade daquela de Marina Silva, indiscutivelmente a vencedora. Quando ela dispara a falar “de carreirinha”, o que vier da mente prá boca ela coloca prá fora. Seria mais ou menos assim, uma situação típica do debate:

- (Jornalista) Candidata Dilma, qual a cor do seu vestido?

- (Dilma) É branca. Isto não quer dizer que não goste de preto, vermelho ou amarelo, e de todas as cores. Em nosso governo o presidente Lula sempre disse que sua mãe usava marron claro, mas isto não quer dizer que ele não goste de branco, vermelho, ou amarelo, pois a Marisa sempre vestiu lilás, enquanto que, se for eleita, eu jamais usarei o verde, mas, isto não quer dizer que estou discriminando a Marina por ela só usar verde. No PAC2, estaremos com a meta de destinar alguns metro de tecidos verdes para cobrir a floresta amazônica e enganar os satélites americanos, mas isto não quer dizer que continue “ianquefóbica”. Mas,...

- (Jornalista) Candidata, seu tempo acabou...

Neste momento explodem os aplausos no Palácio da Alvorada e onde há petistas assistindo ao debate.

- (Lula) Viu Marisa, eu não lhe disse que a Dilma seria minha candidata ideal. Ela sabe até a cor do vestido que está usando. Que raciocínio que inteligência privilegiada.

- (Marisa) Sei não, amor. Daqui eu estou vendo que o vestido da Dilma é bege. Ou será minha vista, ou a TV que está desregulada?

- (Lula) O que é que é isso, Marisa!? Tás querendo ser do contra, é? Sei que a grande imprensa só joga contra, mas nem é a Globo. O vestido dela é branco e pronto.

E o seguinte diálogo deve ter sido ouvido em São Paulo.

- (Marta Suplicy) Se depender de conhecimento de cores, a candidata deveria ter sido eu. O vestido dela é tão bege que parece que está sujo. Que é que tu achas, Mercadante?

- (Mercadante) Eu acho o que o Lula achar, se não ele não virá para o comício de encerramento, aí seja de que cor for, o Alckmim me ferra.

Talvez em Garanhuns alguém tenha recebido um telefonema da Suécia:

(Josenilda) Jodeval, por favor, estou vendo o debate aqui pela internet, e não dar prá ver se Dilma está correta, quando diz que o vestido é branco. Prá mim, parece que é bege. Qual é a cor mesmo?

(Jodeval) Tão branco como um vestido de noiva antiga, daquelas que eu vi tantas lá na Igreja Matriz de Bom Conselho.

Diante da tal resposta, tão correta e clara, quem poderia dizer que Dilma não ganhou o debate, entre os petistas, é claro? Toda mulher que viu este debate sabe que o vestido era bege, e por isso não votará na Dilma de jeito nenhum.

O José Serra continua o mesmo, nisto concordo com o Zezinho. Tem um medo de Lula que se pela. E desvia de todas as coisas em que possa discordar dele. Se Lula diz que o vestido é branco, como o grande líder que é, só pode ter razão, afinal de contas, ele pensa que não está disputando eleição com ele, como se a Dilma tivesse alguma iniciativa que não venha dele.

O Plínio é uma pessoa tão inteligente que persegue a igualdade por todos os meios. Se os Estados Unidos tem bomba atômica porque o Irã não pode tê-la? Ou o Brasil? A plateia aplaudiu. Chamou Dilma de incompetente, e a plateia aplaudiu de novo. Confessou que estava perdido em uma resposta, e foi mais aplaudido ainda. Ou seja, tudo que ele dizia, seria aplaudido, a não ser quando ele falava que era do “pissol”, que não sei o que era, mas não era bom, pois não ouvi aplauso nenhum.

Sobrou a Marina. Esta não se engana sobre a cor do vestido e muito menos sobre a solução dos problemas brasileiros. Dizer, como o Zezinho, que ela não detalha as propostas, é coisa de professor de português mesmo. Como ela poderia fazer isto em um minuto e meio? O que importa é que ela tem as ideias dela, que amadureceram durante sua longa luta pela floresta desde que era companheira do Chico Mendes, que morreu lutando por ela, e continuou como ministra que, de tão brilhante teve que deixar o governo medíocre do Lula, e de tão ética, teve que deixar o PT.

E hoje temos mais uma da “grande imprensa”, como sempre, ajudando nossa democracia. Tem o debate da TV Globo. E aqui eu repito a Mirian Leitão: “Hoje, passado, presente e futuro estarão em debate. Que vença a pessoa mais capaz, e não a que decorou melhor as frases e truques dos marqueteiros.” Se isto ocorrer, a gata verde passará longe do telhado, e vencerá as eleições. Guardadas as proporções e distâncias, sairia um operário e entraria uma seringueira. Eu prefiro a flexibilidade da borracha à rigidez do metal não lapidado. O Brasil crescerá 43 três vezes mais.


Vejam o filme abaixo e vamos com a onda verda:



Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*)Imagem gentilmente roubada do Blog Chumbo Grosso.

Outros escritos



Amigos (as),

Como fez o Diretor Presidente (*), eu também poderia estar escrevendo sobre açude, biquínis e pinguelas. Mas, devido ao bombardeio eletrônico que lota a minha caixa de mensagens, em vista das eleições, mudo de rumo. E vou mandar só um recadinho sobre temas politiqueiros, na esfera das religiões.

Há uma orquestra muito afinada, das religiões (evangélicas e católica), para derrotar a candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff.

São evangélicos da “bispa” Sônia e do bispo Hernández, da “ Igreja Renascer em Cristo” (??) Estes foram presos nos EUA e no Brasil, por falcatruas com o dinheiro dos “fiéis”. Eles estão em liberdade condicional, mas respondem a processos por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. – Também, os evangélicos da “Universal do Reino de Deus” (??), igreja de Edir Macedo, que, igualmente, toma na marra, o dinheiro dos pobres ignorantes, para comprar a entrada no “céu”. Ele responde a centenas de processos, também por formação de quadrilha e outros crimes. - Há, ainda, um certo pastor evangélico, de nome esquisito: Malafaia. Este é a própria mala, que não “faia”. Malafaia usa do expediente comum aos demais: isto é, de extorquir dinheiro dos tolos humildes.

Então, 12 pastores, em Jaboatão dos Guararapes, de várias "igrejas" fizeram um arrastão contra a Dilma. Porque em arrastão, eles são "doutores". E voltaram com a comprovada mentira de que ela, a Dilma, havia dito “que ganharia a eleição, no primeiro turno, mesmo que Cristo não quisesse.” – O jornal, O Estado de Minas, confirmou tratar-se de mentira cínica. Segundo os evangélicos, teria sido em Minas Gerais que a candidata Dilma havia dito aquela frase. O repórter fez a varredura e constatou tratar-se de pura mentira “religiosa”.

Depois de tudo isso, numa só semana, soa muito estranho que membros da Igreja Católica (em torno de 15 entidades), juntem-se a esse tipo de “religiosos” e distribuam apelos, pedindo que os seus “fiéis” não votem em oito candidatos (as), só aqui em Pernambuco. Sendo que cinco destes, são do PT. Nesse rol, está a candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff. E dizem os católicos, que tais candidatos são a favor do aborto, o que é outra mentira deslavada.

Nem haveria motivos para estranheza, porque a Igreja Católica não difere muito das outras. A maior diferença é que os católicos agem por cima: seja nos grandes conclaves, seja quando usam seu prestígio junto aos governantes que lhes convêm. Tais governantes podem ser reis, rainhas, primeiros-ministros ou presidentes.

Porque, na verdade, todos os candidatos citados pela Igreja Católica, além de outros não citados, apenas defendem políticas públicas que suavizem as perdas e danos das mulheres, por conta de abortos feitos em clínicas clandestinas ou por parteiras inabilitadas. Essa é a pura e simples verdade.

O que é mais estranho é que isso venha tão bem embalado por essas igrejas, logo agora, na reta final da campanha à Presidência da República, governos dos estados, senadores e deputados.

Essas almas querem reza. Dom Fernando Xavurido não deve ter ficado satisfeito com a retirada da nota da CNBB, de portais eletrônicos da Igreja Católica e de muitos blogs que reproduziam aquela nota. Mas a nota da CNBB só hostilizava a candidata Dilma Rousseff. Agora, não. A Igreja Católica engrossou e investiu contra oito candidatos só em Pernambuco.

Quanto aos evangélicos, não custa relembrar que o “bispo” Edir Macedo enriqueceu tomando dinheiro dos “fiéis” da sua igreja. Com essas espertezas descaradas de Edir Macedo, ele construiu “templos” mundo afora. E montou um império no ramo das comunicações. Tudo, com o dinheiro do povo pobre e analfabeto, que dá o diminuto dinheiro do seu salário, para “comprar a entrada no céu”, repita-se. Esse dinheiro dado para os “evangélicos”, poderia servir para comprar o pão e o leite dos filhos desses trabalhadores. E muitos deles estão passando por todas as privações. Inclusive privação de comida, remédios etc. Estão passando fome de muitas coisas essenciais à vida.

E essas práticas não são privilégios só de Edir Macedo. Apenas, ele é o exemplo maior do mau elemento. Mas as Sônias, os Hernández, Malafaias e tantos outros, não deixam por menos. Precisam enriquecer rápido.

Outro dia, recebi uma lista com a quantidade aproximada de igrejas evangélicas. Coisa absurda. Um jornalista teve o cuidado de pesquisar, para demonstrar a cínica malandragem. E, nessa pesquisa, ele descobriu como é fácil criar uma igreja evangélica. As maiores facilidades são concedidas a esses pilantras. O dito jornalista, juntamente com um colega, simulou e fundou uma igreja em tempo recorde. E gastou uma insignificância em dinheiro. E viu que a dita igreja que ele criou com um nome qualquer, ficaria isenta de todos os encargos que nós mortais somos obrigados a pagar.

Por tudo isso, sabemos que NÃO há um mínimo de moral nessa maioria de pessoa, que se diz religiosas. E ainda querem elas dizer em quem nós devemos votar. E que são a favor da vida. – Vida de quem? - E mais outros blá-blá-blás!

Contudo, deixando de lado esse tema sujo, vou terminar, lembrando um assunto sério e limpo: na última terça-feira, ouvi uma notícia, na Rádio CBN, que me deixou muito preocupado. A informação dava conta de que em cada dez mortes, entre homens e mulheres de todas as idades, uma dessas mortes era causada pelo uso do tabaco. Eis o motivo da minha grande preocupação! Para mim, isso é cruel! – É ISSO./.

(*) - Justifico as iniciais maiúsculas e a falta do hífen, por se tratar do pseudônimo do diretor-presidente da CIT./.

Abraços,

José Fernandes Costajfc1937@yahoo.com.br

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Eu vi o debate



Ontem além do jantar na casa de Lucinha, filei também o penúltimo debate televisivo entre os candidatos a presidente da república. Para ser franco, dormi no final e só acordei com ela me balançando e dizendo

- Visse o show que a Marina deu?

Até ali, ou seja até o momento em que dormi, não vi show de ninguém. Talvez do Plínio, que apesar de ser mais letrado do que o Tiririca, ambos entram como candidatos nesta eleição com os mesmos objetivos: divertir o respeitável público. E, me parece que estão conseguindo. O Tiririca em termos de votos e o Plínio em termos de risos. Quando ele não respondeu a uma pergunta porque disse que estava perdido, até eu ri de sua desgraça.

Os outros, além de não darem show nenhum apenas repetiram os chavões de sempre. Inclusive o Serra, que parece ter feito um pacto com o Lula para não falarem um do outro, mas, só que o meu conterrâneo não cumpriu. Eu não posso acreditar que isto tenha sido verdade, pois na época de criança as rolinhas que ele prometia ele entregava. Eita peteca certeira!

Pensando bem eu penso que o Serra está cansado. Não é cansaço físico e sim de decepção do rumo que tomou sua campanha. Nunca na história deste país eu vi tanta besteira feita num espaço tão curto de tempo. Só posso crer que ele lia o Blog da CIT, e os meus artigos, antes de minha decepção com o Lula. Para mim era Deus no céu e o Lula na terra. A partir de um episódio minúsculo, ele se revelou, não ligando para o projeto de nossa academia, e ainda fazendo gracejo com meus desejos intelectuais. Tanto que, hoje não posso defendê-lo mais quando o chamam “apedeuta-mor”, “ignorantão de Caetés”, etc. Fico triste mas não tenho argumentos. Se o Serra tivesse acompanhado os meus artigos recentes teria tido mais tempo para falar mal do Lula. Agora, continua sem falar mal, porque não pegaria bem.

A Dilma continua a mesma de sempre. Eu juro que fico atento ao extremo para entender o que ela diz, quando não decorou ou está lendo. Nunca consegui. Quando o Plínio falou que, com o caso Erenice, ela tinha demonstrado que seria conivente ou incompetente, a única coisa que eu entendi na resposta dela foi: “Nenhuma coisa, nem outra, Plínio!” Com as outras palavras apenas demonstrou que era incompetente, pelo menos no que diz respeito, a formular um raciocínio que tenha começo, meio e fim. O que fica parecendo é que ela não tem o que dizer e fica inventando frases malucas. Eu me lembrava do Lula e do Paulo Maluf. Ainda hoje não sei o que aquela mulher estava fazendo ali, como não sei o que deu na cabeça do meu amigo de infância para indicá-la como candidata. O mensalão não acabou com o PT, mas acabou com os candidatos, senão bons, mas pelo menos inteligentes.

Marina, apesar de algumas boas respostas, como aquela de que achava Dilma e Serra farinha do mesmo saco, sem estas palavras, apenas vagueia pelos astros distraída, sem saber que as aventuras desta vida não são só o luar, uma cabrocha e um violão. Diz coisas das quais ninguém ousa discordar,” reiteiradas vezes”,”mesmo porque” seriam uns monstro os que delas discordassem. Por exemplo, quem pode ser contra uma educação de qualidade. Até hoje só conheci uma pessoa que pensa assim, o Lula, que não passou do primário, e nunca quis continuar os estudos formais, porque poderia virar um intelectual, e como todos sabem ele é um grande admirador de Joãozinho Trinta, que diz que quem gosta de pobreza é intelectual, e que pobre gosta mesmo é de luxo. Ele não pode correr o risco de gostar de pobreza, a não ser a dos outros para votar nele. Ele é mesmo chegado é a um Armani. O problema é como fazer uma educação de qualidade, num país em que o presidente é quase analfabeto, o que não desmerece, e vive se gabando desta condição, o que o desmerece muito.

Enfim, senti que estamos num mato sem cachorros, digo, sem candidatos bons para o ofício. Não posso chegar a dizer que todos comem no mesmo cocho, pois seria injusto com a Marina, que parece ser um mulher sem muitos vícios políticos, apesar de ter pertencido ao PT, o que não é pouco, pois partido político vicia sempre o cidadão. E os vícios que o PT provocou em alguns, quando no poder, até dá medo. Por isso, talvez, eu ainda relute em pertencer a algum deles. Hoje, o meu voto que abro para o público é aquele que darei ao Marco Maciel. Eu até que simpatizo com a proposta do DEM e do seu programa ligado ao liberalismo. Seu grande problema é que em seus quadros não há gente com capacidade política para tocar este programa. A maioria quer é ficar pendurada nas tetas do poder, e incluo o Maciel nisto, mas tive pena dele pelas bordoadas que levou do meu conterrâneo.

Alguns, como Lucinha, dizem que a Marina ganhou o debate. Eu só digo que, mesmo não tendo ganho, se ela conseguir tirar alguns pontinhos da Dilma, o brasileiro é que saiu ganhando com ele. Eu sempre fui contra a sua candidatura, que foi imposta pelo meu conterrâneo, e neste caso, o PT passa a ser também uma vítima de sua (do Lula) soberba. Ele agora quer porque quer provar que operário também ganho no primeiro turno e se igualar a FHC. Com as últimas pesquisas, talvez não consiga. Toma!!!

Eu recebi ontem uma destas mensagens internetais com um chamado “Carta aberta de juristas em defesa de Lula”. Inicialmente, pensei que eles iam dizer ao meu amigo, que moderasse seus ímpetos nos comícios, onde fala mais do que lavadeira no rio, e diz coisas que não tem sentido quando ditas por um presidente em um sistema democrático. Mas, não. A ideia do manifesto é mostrar a pureza angelical do Lula em relação às leis deste país. “Vocês estão pensando que todo mundo é tonto?” (Melhor frase de Lula no ano). Uma pessoa que fez campanha há mais de dois anos para sua candidata, que vai dizer que não era, naquela época, como o fez no caso de Erenice e Israelzinho, que diz que Caixa 2 é normalíssimo porque todos fazem, que usa o nosso dinheirinho para correr de cima a baixo este país para fazer campanha para um partido ou facção, que diz que quer extirpar outro partido, que é amigo do Chaves, do Fidel e do Almadnejad, que vive falando das elites, quando é a elite dos outros, e por aí vai, como defender tal pessoa e confiar nele com tanta popularidade, em manter uma Democracia ainda incipiente como a nossa. Nós vimos este filme antes. Por via das dúvidas não votem em Dilma. É melhor prevenir do que remediar.

Se quiserem ler o texto completo, cliquem aqui.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Depende de nós



Já transcrevi tantas vezes aqui artigos da Ateneia Feijó, que mesmo não a conhecendo pessoalmente, parece até que ela é minha amiga de longa data (o texto saiu alguns dias atrás mas continua atual, e hoje, com o andar da carruagem, minha resposta à sua pergunta é ainda mais factível). Das coisas que temos em comum, estão evidentes aquelas de sermos mulheres e torcermos para que Marina Silva seja presidente do Brasil. Não sei se ela tem pretensões políticas eleitorais, e a que nível, como eu tenho de ser vereadora em Bom Conselho, em 2012. E agora depois de ler uma excelente postagem do Blog Chumbo Grosso (http://pinheirochumbogrosso.blogspot.com/2010/09/com-vitoria-de-dilma-o-brasil-vai-ser.html), de nossa cidade vizinha, Garanhuns, descobri que meu sobrenome, “peixoto”, está marcado para ser perseguido num possível governo Dilma. Vale a pena ler principalmente, por aqueles que fazem parte desta lista macabra como os “pinheiros”, “mainardis”, “kramers”, e outros. Eu fiquei chocada. Será que devo continuar na política?

Mas vamos ao texto da jornalista, publicado originalmente no Blog do Ricardo Noblat. Aliás, eu não me lembro se os “noblats” ou os “feijós” estão na lista citada acima.

“Duas mulheres?

O dia 3 está chegando. Fim de guerra? É quase certo que Dilma Rousseff seja eleita. Quase. Se ela perder 7% dos votos válidos para os concorrentes, teremos segundo turno. E se isso acontecer com Marina Silva tendo ultrapassado José Serra, assistiremos a uma competição emocionante: duas mulheres disputando pela primeira vez a presidência do Brasil. Aí sim, um grande avanço republicano.

Por enquanto, a 12 dias das eleições, há um estranho silêncio nas ruas. Desinteresse, arrogância, depressão ou o quê? O jogo é mortal. Sabe-se. Mas jogar a toalha antes da derrota final ou se julgar por cima sem a vitória decisiva é coisa de amador. Quaisquer que sejam as previsões do resultado, não dá para exterminar a possibilidade de um imprevisto. Irreversível, só a morte.

E mesmo assim tem que ser morte matada ou morrida de verdade. Com o avanço da ciência, hoje se consegue ressuscitar quem já está no limiar do outro mundo, a partir de um atendimento de emergência altamente especializado. No caso, refiro-me à morte e à ciência políticas. Aos falecimentos súbitos, ou não, das candidaturas nesta competição presidencial.

Sem desprezar o empirismo. A experiência de velhas raposas não perdeu o prazo de validade. Basta observar políticos adaptados às incertezas. Eles conhecem a natureza humana, que adora desestabilizar previsões e pode mudar o clima de uma campanha política. A qualquer instante.

Vai que nesses próximos dias os escândalos estressem o eleitorado, o tiroteio de acusações o assuste e o encantamento publicitário não o atinja mais. De repente, eleitores poderão começar a enxergar Dilma como uma pessoa normal: mulher de carne e osso; não mais mulher-Lula, de fantasia. E aí, já dentro da normalidade, se permitiriam dar uma chance a Marina. Por que não?

Entre os candidatos, ela é quem tem o menor índice de rejeição. Reconhece os acertos dos governos de Itamar, FHC e Lula. Quando precisa critica com civilidade e firmeza. De quebra, tem uma bela história de vida pública e privada. Portanto, conseguiria ressonância para suas propostas de investimento no bem-estar social brasileiro. As quais dão continuidade à estabilidade econômica, ao Bolsa Família, ao sistema de crédito e outras conquistas que a população não quer perder.

Uma parte das classes sociais emergentes pode sacar, por exemplo, que quando a economia e o sistema de crédito vão bem, a iniciativa privada toca o mercado imobiliário numa boa; dando emprego à vontade (desde que a mão de obra se atualize e se qualifique). Assim como a indústria, a agricultura, o agronegócio e outros setores. Seja qual for a cor do governo.

Ainda há tempo para os eleitores se ligarem no desenvolvimento sustentável aplicado à qualidade de vida? Ou melhor, se ligarem nas idéias da candidata verde?

Para conseguir um segundo turno, porém, Marina terá de passar por uma prova decisiva. Terá de convencer 9,4 milhões de eleitores (num total de 135,8 milhões, não é tanto assim) de que somente um governo identificado com o meio ambiente estaria preparado para traçar os caminhos do país daqui por diante. Com infraestrutura adequada, urbanizado com saneamento, saúde e educação condizentes com o século em que vivemos, transportes...

Em resumo: Marina conseguirá tirar um número suficiente de votos da sua concorrente Dilma?”

Eu humildemente, respondo: Depende de nós. Nós mulheres, que muita vezes não somos solidárias nem no câncer, principalmente quando se trata de encontrar o macho alfa, agora não precisamos dele, para termos com certeza uma mulher na presidência da república, sem ter que se arriscar de ser governada por outro gênero qualquer. Votemos na Marina. Todas nós sabemos que ao votar em Dilma, você estará votando em Lula, que se considera o macho alfa do PT, e assim reconhecido pelo Zé Dirceu que disputa com ele a "macheza" dentro deste partido. Então, por que não deixarem eles brigarem prá lá e votarmos na Marina? Que tem tudo que Lula tem, menos aquilo, e ainda estudou e se preparou para o cargo? Que tem uma visão muito mais moderna de processo político numa democracia, que Lula pensa que é o mesmo que o de um sindicato. Ainda é tempo de evitar que tenhamos um presidente, que, por ideologia ou acomodação, nos leve a um processo de ruptura institucional, quando temos a maior chance de sermos felizes, pensando também em nossos filhos e netos. E isto, só depende de nós.

Veja abaixo o filme da entrevista da Marina ao Bom Dia Brasil da rede Globo, no dia 20 de setembro. Vale a pena perder 20 minutos do seu tempo agora, do que o Brasil perder 4 ou 12 anos depois.


Primeiro Bloco





Segundo Bloco





Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

Marina virou o pesadelo de Dilma e Serra



Como meus afazeres de avó muitas vezes não me deixam satisfazer minhas compulsões de escrever, hoje apenas exerço aquela de copiar e colar artigos de pessoas importantes. No caso é no Blog do Josias de Souza, que encontrei a análise abaixo. Só discordo quanto à musculatura eleitoral de Marina, que ele diz não ser ainda suficiente para levá-la ao segundo turno. Veremos Josias, veremos.

A postagem tem o título de “Marina virou o pesadelo de Dilma e o sonho de Serra”, eu prefiro o meu título. Mesmo assim se o título do Josias for verdadeiro no próximo dia 3 de outubro, ainda temos muito o que comemorar. Leiam o Josias, e votem no dia 3 na Marina Silva. Não deixem o Nordeste fazer tão feio como cantam as pesquisas.

“A principal novidade da reta final da eleição se chama Marina Silva. A presidenciável do PV divide o estrelado com Erenice Guerra.

Marina tornou-se a principal beneficiária do ‘Erenicegate’. Recolhe a maioria dos votos que o escândalo suga do cesto de Dilma Rousseff.

A seis dias da eleição, Marina não exibe musculatura eleitoral capaz de içá-la ao segundo turno. Opera contra ela o relógio. Porém...

Porém, ao escalar sobre Dilma, Marina termina por favorecer José Serra, o segundo colocado das sondagens eleitorais.

A chance de a eleição migrar para o segundo turno –pesadelo de Dilma e sonho de Serra— parece escorada, por ora, no “fator Marina”.

Em duas semanas, a candidata do PV subiu três pontos percentuais no Datafolha. Foi de 11% para 13%. E daí para os atuais 14%.

No mesmo perído, Dilma escorregou cinco pontos. Na semana passada, descera de 51% para 49%. Agora, foi 46%.

Serra, que oscilara positivamente de 27% para 28% manteve-se no mesmo patamar no Datafolha que veio à luz nesta terça.

Considerando-se apenas os votos válidos, Marina já soma 16%. Empurrada por Erenice, ela subverte todas as previsões de Lula.

O patrono de Dilma estimara que Marina chegaria ao dia da eleição como uma espécie de sub-Heloisa Helena. Dá-se o oposto.

Em vez de definhar, Marina cresce. Pior: para desassossego de Lula, a ex-petista belisca votos de Dilma, não de Serra.

Vem daí, sobretudo, o fantasma que acomoda no caminho de Dilma o risco do segundo turno –uma pedra que parecia improvável antes de Erenice.

Se mantiver a curva de alta, a ambientalista Marina pode levar ao prato da balança eleitoral a folha que vai mover o pêndulo.

Num cenário assim, de votação apertada, os ataques a Marina podem surtir o efeito de um bumerangue.

No penúltimo debate, levado ao ar pela Record na véspera da nova pesquisa, Marina mostrou-se mais desenvolta que o habitual.

Fustigou Serra e Dilma. Defendeu-se de Plínio de Arruda Sampaio. Contra Dilma, Marina levou aos holofotes Erenice, mola de seu crescimento.

Evocou o mensalão. E disse que, sob Lula, a Casa Civil tornou-se escândalo recorrente. Pespegou: Que providências você adotou para evitar, Dilma?

Ao responder, a protegida de Lula levou a mão ao tacape. Lembrou a Marina sua condição de ex-ministra.

Afirmou que, sob a gestão da ex-colega de Esplanada, servidores da pasta do Meio Ambiente foram pilhados mercadejando madeira ilegalente.

“Tomei as mesmas providências que você”, Dilma devolveu, lembrando que a reação vigorosa nem sempre oferece garantias contra a reincidência.

Festejado pelos operadores de sua campanha, o contra ataque de Dilma pode, a essa altura, funcionar como gol contra. Por quê?

Dilma não perdeu a condição de favorita. Mas a hipótese do segundo turno, antes improvável, deixou de ser negligenciável.

Marina tampouco perdeu o semblante de zebra. Mas, confirmando-se o segundo round, o apoio dela será mercadoria das mais cobiçadas.

De concreto, por ora, apenas uma evidência: seja qual for o resultado da eleição, com um turno ou com dois, Marina sairá da disputa maior do que entrou.”

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Envelope Fechado



Alguns dias atrás, no começo de todos estes escândalos que acometem nosso país, li que, em um comício em Goiânia o candidato Serra chamou a candidata Dilma de: “Envelope Fechado”. Naquela época, este epíteto rendeu uma série de escritos e interpretações sobre o dito, mas, fico com o sentido simples do candidato tucano, quando o usou, se referindo ao pouco conhecimento que o povo tem sobre a candidata do PT.

Pensei também em escrever sobre mais este apelido para o poste. Entretanto, foram tantas as emoções e assuntos, com os escândalos que foram aparecendo a partir daquela data, que ele saiu de minha mente. Hoje ao ver as fotos do desfile de 7 de setembro em Bom Conselho, e vendo a Amparo Costa, se não me engano, que era filha do Zé do Socorro, eu lembrei de um envelope fechado, ao me lembrar do Zé do Correio.

O Zé do Correio era, talvez, mais velho do que eu um pouco, e naquela época era um jovem atraente. Nunca o incentivei a nada, mais gostava de receber carta através dele e não pelo Hélio ou pelo Adel. Coisas de adolescente que vive sempre pensando besteira, e nunca faz nenhuma com medo de não pecar. Ah! Como eu invejo a Josenilda Duarte!

Para nós, com aquela idade, e vivendo no interior, os Correios, não eram, como é hoje, um foco de corrupção. A Erenice já existia mas não mandava nadica de nada nos Correios. A empresa era apenas um dos meios eficientes de comunicação, naquela época. Tanto que, na escola, aprendíamos a escrever cartas de vários tipos. Comerciais, de amor, oficiais, e outros, e cada um tinha seu padrão de abertura e fechamento. Durante muito tempo, enquanto meus pais eram vivos eu começava as cartas assim:

“Espero que esta lhes encontre gozando saúde e paz. Eu estou bem, graças a Deus....”

Para logo em seguida reclamar das coisas da vida e dizer da saudade que sentia tanto de nossa terra quanto da família. Neste tipo de carta, de caráter privado e sentimental, não cabia em seu fecho o “Atenciosamente”, nem na abertura, o “Ilmo(a) Sr.(a)”, que eram reservados para uma correspondência mais formal, e se fosse mais formal ainda, o “Exmo (a) Sr (a)” vinha a calhar. Não alcancei o tempo do “escrevo esta mal traçadas linhas...”

E todas estas cartas eram enviadas ou recebidas em envelopes dos mais diversos tipos e odores. Quando eu recebia uma carta, podia até saber quem a colocou no correio só cheirando o envelope, quando vinha de Bom Conselho. Perfumada, seria sempre de uma colega, fedendo a tempero, de minha mãe, e, a mais mal cheirosa era do meu pai ou de um meu irmão, quando ele não a perdia, durante suas diversões intermináveis.

Uma coisa é certa. Todos os envelopes iam e vinham fechados. Para fechá-los usávamos a língua para passar nossa saliva na cola que havia nelas, ou a reforçávamos passando goma arábica, normalmente disponível nas agências do correio. Mas todos eram envelopes fechados. Envelopes abertos eram ruins. Significavam, quase sempre, violação de nossa intimidade, quando liam o que tão recatadamente escrevemos. Então porque um candidato, querendo acusar o adversário, chama o outro de “envelope fechado” com o intuito de denegri-lo?

Eu não sei ao certo, mas penso que vivemos numa época onde, a violência e a maldade é tanta, que é melhor receber um envelope aberto, mesmo com sintomas de violação, do que recebê-lo fechado sem saber o que contém. E realmente, a Dilma não passa de um envelope fechado até hoje, embora ache que o Serra também o é, por tentar acompanhar um discurso de Brasil grande que não era dele e sim de Lula. A Marina, minha candidata, bem que tentou ser um envelope aberto para o povo, mas não teve tempo de ser aberto, ainda.

Outra interpretação desta contradição me veio à mente, quando lembrei de um velha história, da época dos chefes políticos e dos coronéis, que casavam e batizam, politicamente no nosso interior, talvez lembrada pelo Zezinho, quando cita nosso coronel em artigo anterior. Conta-se que o coronel orientava os seus correligionários a votar em seus candidatos, colocando seus nomes em um envelope fechado, e entregando a eles no dia da eleição. Um eleitor, querendo ser mais esperto, perguntou ao coronel:

- Coronel, eu posso abrir este envelope para ver em quem estou votando?

A resposta veio na ponta da língua do coronel:

- Claro que não, meu filho, o voto é secreto. Coloque o envelope fechado na urna e você já cumpriu sua grande missão cívica.

Quem sabe este não é o verdadeiro sentido do cognome para Dilma de “envelope fechado”, embora hoje isto não faça mais nem sentido, pois só se aperta botões? Mas, pensando bem, se a cola for fornecida num envelope fechado, o eleitor só vai saber que votou no 13. Como parte dos eleitores não sabe quem é o 13, só poderá dizer que estará votando em Zagalo, e o voto continuará secreto.

Histórias à parte, antigamente, quando se prometia muito e não se cumpria, se usava o termo “estelionatário eleitoral”, para classificar o candidato prometedor. Para ser justa, com a Dilma, ninguém pode dizer isto. Ela realmente é um “envelope fechado”, enviado pelos Correios da Erenice (quando escrevo li que caiu mais um diretor, será primo dela?), pelo Lula, para o povo brasileiro. Talvez nem ele mesmo saiba o que tem dentro do envelope, mas se não houver o que ele está prometendo, o estelionatário eleitoral será ele. Chega a me dar pena, do apedeuta-mor, se o povo descobrir que o envelope traz algum vírus letal ou uma bomba. Talvez nem o Zezinho de Caetés o aceite mais na Academia. O Roberto Almeida não o chamará mais de estadista. O Rafael Brasil e o Altamir Pinheiro, dirão: Eu não disse!?. O Blog de Bom Conselho de Papa-caça, fará críticas a ele. E o José Fernandes, que é uma pessoa coerente, é o único que dará a ele abrigo em sua mansão de Casa Forte. E, fatalmente, ele estará desfilando com o Grito dos Excluídos lá em Bom Conselho, no dia 7 de setembro de 2011. No palácio do governo de Pernambuco, o Eduardo, já preparando sua candidatura a presidente, pois se a culpa foi do Lula ele que aguente as consequências, pois ele só fez, como todo povo, ter acreditado que dentro do “envelope fechado” só havia coisas boas, dará ordem ao seu ajudante para, se aparecer alguém barbudo, com os olhos vermelhos, e com uma garrafa de 51 debaixo do braço, não o deixar entrar.

Eu não seria católica se desejasse uma coisa dessas para alguém. Então peço ao povo brasileiro, vamos abrir este envelope antes das eleições, não votem na Dilma. Vamos para o segundo turno, certamente, teremos tempo de abrir o envelope, dando tempo também aos outros candidatos de não serem também envelopes fechados. Tenho certeza, com os envelopes abertos, preto no branco, a Marina será nossa presidente. E pelo que estou vendo de escândalos, a grande imprensa parece que está usando o bico da chaleira para abrir o envelope Dilma. Se eles conseguirem e o povo souber, o segundo turno será entre a Marina e o Serra. Ou seja, entre a Floresta e o Serrote. Quem você acha que ganhará?

Do contrário se o envelope não for aberto em tempo, teremos a Dilma, e aí eu terei pena do Lula que poderá se tornar o rato líder do filme abaixo, quem diria? Por isso a tristeza e preocupação do Zezinho de Caetés, coitado...







Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

O SUSTO



Algum tempo atrás, fui ao Bradesco na Rua do Imperador, sacar algum trocado para o final da semana. Andando pela triste e a decadente Avenida Guararapes, em direção ao estabelecimento bancário não pressenti que estava sendo seguido por um menor de idade. Ao atravessar a Avenida Dantas Barreto para a Praça da Independência, senti uma mão bruscamente no meu bolso. Consegui agarrar o pulso do meninote, mais ele desvencilhou e sai correndo pela rua soltando a chave da casa e o terço quando viu que não tinha atingido o objetivo, que era dinheiro. Sacudiu estes objetos no chão e saiu em direção a Igreja de Santo Antonio. Fiquei trêmulo e segui para o referido Banco. Lá encontrei Lourival, amigo residente em Jardim Atlântico, ao qual detalhei este episodio. Ele riu e disse que o Recife estava abastecido destes pequenos larápios. Com ele aconteceu na Siqueira Campos, quando um destes “garotos” enfiou a mão no bolso e conseguiu levar cem reais e desapareceu em direção ao Palácio da Justiça, e veja que ironia. Sai do Bradesco em direção aos Correios, passando pela Rua Primeiro de Março e seguindo pela Pracinha do Diário. Coincidência ou não, ao chegar à esquina da loja da Tabira Filmes na esquina com a Avenida Dantas Barreto, esbarrei numa pessoa, e quando dei por conta era o “meninote” que tinha colocado a mão no meu bolso e soltado os objetos na rua. Tomei um susto e ele também. Disse, rindo para mim, de novo Doutor? Parou e ficou sorrindo em tom e debochando da infeliz coincidência. Parei e o chamei. Ele se achegou perto de mim, desconfiado e, eu mais ainda, mas não relutei em pergunta-lhe o porquê daquela vida. Ele, respondeu a fome Doutor. Não é fácil viver com fome. Já são quase meio dia e ainda não coloquei nada na boca, apenas um picolé gelado de morango o que deu ainda mais sede. Não tenho trabalho e ninguém me dá emprego. Vivo revoltado com tudo e com todos. A minha família não presta. O meu pai é um beberrão, vive caindo pela “tabelas” e “esquinas” chegando a casa bate em todos os meus irmãos, que são cinco. O mais novo tem seis anos. A minha mãe, vive pelas esquinas, andando com homens. Bebe às vezes e, quando isto acontece bate também na gente. A nossa casinha em uma encosta tem dois quartinhos, a única coisa se salva é bela vista, onde avistamos os edifícios iluminados dos ricos e poderosos. Pois, é Doutor já fui preso várias vezes por pequenos furtos, vê aquele posto de Policia, apontando para a Pracinha do Diário, ali já fui várias vezes, com alguns companheiros. Já passei pela Unidade de Menores, lá passando dois meses, sai pior do que entrei e no mesmo instante tomei uma bolsa de uma idosa que ia saindo do Banco. Corri pelas ruelas do bairro de São José e me escondi em um esconderijo existente em uma rua, tirando o dinheiro da bolsa e jogando no lixo a bolsa com outros papeis. Não estudei, mesmo em escola do Governo, pois sou um revoltado com a vida e ao mesmo tempo alegre com as presepadas que faço. Passo semanas sem ir a casa. Durmo ao relento lá para duas horas da manhã em cima de um papelão estendido na marquise do cinema que já acabou aqui na Avenida Guararapes. Às vezes passa pessoas que nos dão alimento à noite, algumas vezes sopa com pão, outras vezes um sanduíche com um copo de refrigerante. É isso. Hoje não tenho medo de ser preso, de matar ou morrer tudo para mim é certo. E assim vou levando a vida com os meus dezesseis anos. Fiquei abismado e perplexo com aquele desabafo daquela pessoa que poderia ser mais tarde um cidadão de bem. Doutor o senhor me desculpe, mais foi o senhor que me chamou. Agora quero que o Senhor pague um sanduíche para mim, pois estou com muita fome. Acompanhou-me até a esquina da Avenida Dantas Barreto com a Praça da República, e ali paguei um sanduíche e um copo de caldo de cana, para este “rapazote” que me agradeceu de maneira gentil este gesto. Olhando para mim, com a boca cheia, disse: “De hoje em diante o Senhor pode andar por este quarteirão que ninguém lhe incomodará, pois, se eu souber esta pessoa vai se haver comigo”, colocando o copo plástico numa sacola pendurada. Até mais Doutor, obrigado. Saiu em direção a Pracinha o seu ponto de trabalho, se isto se chama trabalho. Sai dali para o escritório e lá sentado fiquei a meditar a situação deste “meninote” descaminhado na sociedade.

Tempos depois, passando em frente da Igreja Santo Antonio, sem mais pensar no Roque, ouço aquela voz “Doutor tudo bem?” olho para trás e lá está com uma garrafa cheirando cola. Segui em frente e ate hoje não mais encontrei este “meninote” naquele local. Fico pensando o que aconteceu com ele?

José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com

domingo, 26 de setembro de 2010

Cuidado com a Lepstopirose



Abaixo reproduzimos dois artigos saídos na “grande imprensa” e que tratam direta ou indiretamente do processo eleitoral em que vivemos. Aviso, logo que só se pode compreender o título que dei a este texto quem lê os dois textos que seguem. Aos terminarem de ler o primeiro, e depois de uma breve meditação, ainda estiverem relutantes em relação ao voto em Marina Silva, leia o outro imediatamente. Depois de lerem o segundo, se não votarem nela, eu espero que morram de lepstopirose. Vocês merecem.

O primeiro texto, com o título de “Forças e fraquezas”, faz uma análise do que se propõem nossos candidatos, suas vantagens e desvantagens e é ligado ao segundo por um número. Nos últimos sete anos de governo e quatro anos de PAC, cuja mãe é uma das candidatas, o saneamento básico no país passou de 56% para 59%. Depois de todo um governo onde se apregoa ter dado um benefício enorme aos mais pobres, este item básico para o meio ambiente urbano cresceu pífios 3 pontos percentuais. É de autoria de Mirian Leitão.

O segundo texto, mostra, com um caso particular, as consequências deste descaso com o saneamento, e tem como título: “Meio ambiente e eleições”. É do Clóvis Cavalcanti.

Leiam, pensem e votem no 3 de outubro com os dois olhos no futuro. Os nossos filhos e netos merecem uma chance. Cuidado com a lepstopirose!

Primeiro Artigo

Dilma Rousseff construiu uma versão para a história econômica recente e é protegida de si mesma pela armadura do marketing. José Serra abandonou a identidade que poderia ter e se debate num projeto sem rosto. Marina Silva tem a cara do novo, mas se perde na ambiguidade em relação ao seu antigo partido. Os três têm também forças. Eles nos levarão às urnas em uma semana.

No período em que o Brasil se debateu contra a ditadura, Dilma e Serra se perfilaram no grupo que ficou contra o autoritarismo. Lutaram de forma diferente, mas foram contra o arbítrio e ambos pagaram um preço por isso. Marina, mais nova que os dois, também entrou na vida política pela oposição ao regime, e ingressou na vereda que virou o grande caminho do futuro: o do respeito aos limites do planeta. Nenhum dos três é filho de oligarquias. A situação social em que Dilma nasceu foi melhor do que a de Serra, mas Marina é que cumpriu o mais espantoso roteiro de superação: da pobreza do Seringal Bagaço à senadora mais jovem da República.

Expulsa do paraíso petista, não por seus pecados, mas por suas virtudes, Marina comemorou num fiapo de resposta de Dilma, num debate recente, ter sido reconhecida como parte do governo Lula. Aceita dividir com Dilma os louros de sua maior vitória pelo meio ambiente: a queda do desmatamento.

Os bancos oficiais continuam financiando as atividades que abatem árvores e esperanças; as grandes obras, que sua adversária brande como eixo do seu projeto, para a alegria das empreiteiras, ferem o coração da Amazônia; o modelo energético de Dilma aumentou a presença da energia fóssil na economia. As duas têm visões opostas sobre a questão ambiental e climática, mas Marina nunca foi capaz de confrontar sua adversária e revelar os conflitos entre elas.

O governo criou uma fábrica de números falsos em seus bem-aparelhados órgãos oficiais e reescreveu a história recente do país. Como a memória sempre foi fraca por aqui, fica-se assim entendido o falso como verdadeiro. Brigar com cada número resultaria numa discussão enfadonha, mas basta dizer que, em sete anos de governo e quatro de PAC, o saneamento básico saiu de 56% para 59%. Ou seja, nada aconteceu no que há de mais intestino da qualidade dos serviços públicos, raiz da saúde e do meio ambiente urbano. Diante do falso brilhante dos trilhões que ela declama, o investimento público é de apenas 1,3% do PIB.

A verdade, para além do aborrecido traçar de números, é que, há décadas, o governo investe pouco e tira da sociedade cada vez mais impostos. A carga tributária sobe constantemente, o governo tem déficit nominal, o rombo da previdência avança. Mas Dilma repete a todos que ajuste fiscal é burrice. Anestesiados, os contribuintes continuarão pagando a conta sem sequer entendê-las.

Pela distorcida história oficial, a inflação não foi vencida no Plano Real, quando estava em 5.000%, tinha derrotado cinco planos, engolido décadas e arruinado famílias e empresas. A versão da campanha é que Lula recebeu um país em destroços.

Quem repõe a verdade vivida há tão pouco tempo? Deveria ter sido José Serra, mas ele não quis ou não soube. Dissidente da política econômica que nos trouxe a tão sonhada estabilidade, ele ainda se pega em minúcias das discordâncias. Não conseguiu mostrar para o eleitor que, pela ação da privatização, um povo que tinha telefone em 19% das casas, hoje tem em 85% delas. Um país que vivia o tormento hiperinflacionário teve em Fernando HenriqueCardoso, do PSDB, o líder que convocou os especialistas e arquitetou o plano que iniciou o novo Brasil. Só Marina tenta repor a verdade, ao lembrar fatos e distribuir méritos com sua serenidade destoante. Serra não resgata o passado prisioneiro dos mitos do marketing petista; não consegue dizer o que fará de novo, se for eleito. O "pode mais" vazio acabou virando uma oferta de mais salário mínimo e mais aposentadoria. Com a eloquência do passado real e uma proposta consistente para o futuro, Serra poderia mais, mas sua campanha ficou sem rosto e projeto.

Marina tem a força de propor o novo. Tão novo que nem é entendido. Propõe uma revisão do conjunto dos estímulos e pesos tributários para crescer e incentivar a transição para a economia de baixo carbono. Hoje, carvão colombiano recebe redução de impostos para entrar no país, alimentar termelétrica financiada com dinheiro subsidiado do BNDES. E o país acha normal. O banco financia frigoríficos que compram carne de área desmatada. E o país acha normal. Uma farra com dinheiro público é montada para liquidar a grande volta do Xingu, num crime duplo: ambiental e fiscal. E o país acha normal.

Dilma tirou o máximo de proveito da segunda etapa do processo de criação do mercado de consumo de massas. A primeira etapa foi o Plano Real. A segunda, no governo Lula, foi possível com a oferta de crédito e a ampliação dos programas de transferência de renda. Dos três candidatos, é a mais desconhecida dos eleitores. Eles votam numa miragem construída pela popularidade do Lula e pela propaganda. Foi enclausurada pelo marketing por medo de que seu temperamento pusesse tudo a perder.

Os três têm forças e fraquezas, mas as distorções da campanha mostram que o país está desperdiçando o melhor momento de pensar estrategicamente seu futuro.


Segundo Artigo

No dia 9 deste mês, meu aluno da disciplina (Meio Ambiente e Sociedade) que leciono em Ciências Ambientais da UFPE, Rafael Figueirôa Ferreira, faleceu vitimado por um tipo letal de lepstopirose. Francamente, não é para se morrer hoje em dia de um mal como esse associado a más condições ambientais. Na verdade, a infecção que matou uma excelente pessoa que ficou próxima a mim se deve à ineficácia ou inexistência de redes de esgoto e de drenagem de águas pluviais, à coleta de lixo inadequada e a alagamentos de ruas no período de chuvas. Em situações de impróprios cuidados com o meio ambiente, frutificam condições propícias à alta incidência das doenças infecciosas. Quando isso ocorre num contexto fora da extrema pobreza, é para se pensar na precariedade em que vivem as populações menos afortunadas. Populações essas que, malgrado o discurso do resgate da pobreza de número considerável de brasileiros em época recente, continua vivendo com padrões inadmissíveis de bem-estar. Nesse sentido, vale lembrar que, na definição do economista Amartya Sen (Prêmio Nobel de 1998), a pobreza é privação de capacidades básicas. Assim, como escreveu recentemente o prof. José Eli da Veiga, da USP, "ela jamais deveria ser medida apenas com estatísticas de insuficiência de renda. É pobre mesmo quem tem renda superior ao critério de corte ('linha de pobreza') se não puder convertê-la em vida decente. Por falta de saúde ou de educação ou outras carências".

Em 2009, no Brasil, 41% dos domicílios não possuíam saneamento básico. Não passaria de "pura ilusão, portanto, supor que não sejam pobres pessoas que padeçam dessa catastrófica privação que é o permanente risco de contrair parasitoses, só porque ganham mais de meio salário mínimo" - conforme salienta José Eli da Veiga no jornal Valor de 21.9.2010. Para Veiga, "Chega a soar como propaganda enganosa o uso do tosco critério de renda monetária para dizer que a pobreza está despencando. Encobre ainépcia dos governos em enfrentar o desafio do saneamento". Pois foi por aí que Rafael, que não fazia parte da categoria que o governo se jacta de haver extraído da extrema pobreza, se contaminou mortalmente. Seu caso ilustra um problema que alcança a classe média, passando, evidentemente, em proporções mais trágicas pelos excluídos da sociedade. Esses que vivem da "Bolsa-Família" - um programa que, se tem méritos para suavizar o quadro de miséria da população, constitui também uma medida de sua exclusão. Foi o meio ambiente mal saneado e mal gerido da cidade que permitiu à bactéria Leptospira interrogans executar seu plano destruidor.

Quadro semelhante é retratado pelo distinguido colunista do New York Times, Nicholas D. Kristof, em artigo de 3.9.2010, falando da salmonela nos Estados Unidos. Sua presença na cena americana deve-se ao péssimo meio ambiente inventado para a criação de galinhas de granja. Ao mesmo tempo em que mandam frango barato para os supermercados, as granjas, que não passam de fábricas de carne e ovos, "transferem custos de saúde para o público - sob a forma da salmonela ocasional, de doenças resistentes a antibióticos, de águas poluídas, envenenamento de alimentos e possivelmente certos cânceres". A expansão agrícola em grande escala acontece, segundo Kristof, com pouco reconhecimento dos seus impactos negativos. "Produzir comida barata é tudo", conclui ele. É com essas preocupações que causa enorme desconforto voltar, no YouTube, a ouvir da então ministra Dilma Rousseff, falando em público, em Copenhague, em dezembro de 2009, que "O meio ambiente é, sem dúvida nenhuma, uma ameaça ao desenvolvimento sustentável. E isso significa que é uma ameaça para o futuro do nosso planeta e do nosso país". Fazer o quê com o meio ambiente? Afastá-lo do caminho, já que ele é "ameaça"? Será isso o que nos espera?

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

O Editorial dos Meus Sonhos



A acusação do presidente da República de que a Imprensa “se comporta como um partido político” é obviamente extensiva a este Blog. Lula, que tem o mau hábito de perder a compostura quando é contrariado, tem também todo o direito de não estar gostando da cobertura que o Estado, como quase todos os órgãos de imprensa, tem dado à escandalosa deterioração moral do governo que preside.

E muito menos lhe serão agradáveis as opiniões sobre esse assunto diariamente manifestadas no Blog da CIT. Mas ele está enganado. Há uma enorme diferença entre “se comportar como um partido político” e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à própria sobrevivência da democracia neste país.

Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 2 anos de lutas, o Blog da CIT apoia a candidatura de Marina Silva à Presidência da República, e não apenas pelos méritos da candidata, por seu currículo exemplar de pessoa pública e pelo que ela pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos e ambientais. O apoio deve-se também à convicção de que a candidata Marina é a que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País.

Efetivamente, não bastasse o embuste do “nunca antes”, agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários. O presidente Lula tem, como se vê, outro mau hábito: julgar os outros por si. Quem age em função de interesse partidário é quem se transformou de presidente de todos os brasileiros em chefe de uma facção que tanto mais sectária se torna quanto mais se apaixona pelo poder.

É quem é o responsável pela invenção de uma candidata para representá-lo no pleito presidencial e, se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada. É sobre essa perspectiva tão grave e ameaçadora que os eleitores precisam refletir.

O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.

Não precisava ser assim. Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa – iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique – de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana.

Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor. Mas essa é uma obra incompleta. Pior, uma construção que se desenvolveu paralelamente a tentativas quase sempre bem-sucedidas de desconstrução de um edifício institucional democrático historicamente frágil no Brasil, mas indispensável para a consolidação, em qualquer parte, de qualquer processo de desenvolvimento de que o homem seja sujeito e não mero objeto.

Se a política é a arte de aliar meios a fins, Lula e seu entorno primam pela escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder. Para isso vale tudo: alianças espúrias, corrupção dos agentes políticos, tráfico de influência, mistificação e, inclusive, o solapamento das instituições sobre as quais repousa a democracia – a começar pelo Congresso.

E o que dizer da postura nada edificante de um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação? Este é o “cara”. Esta é a mentalidade que hipnotiza os brasileiros. Este é o grande mau exemplo que permite a qualquer um se perguntar: “Se ele pode ignorar as instituições e atropelar as leis, por que não eu?”

Este é o mal a evitar

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*) Este é o editorial dos meus sonhos. Acordei agora. Ele é uma paráfrase de editorial do jornal Estado de S. Paulo, onde ele diz apoiar Serra. Apesar de bem escrito e verdadeiro, ainda sonho com Marina ao invés do Serrote. Outro sonho seria convencer o Blog da CIT a apoiar a Marina. Neste blog a gente vive de política, deixando a comida de lado, e seu espectro vai de apoios individuais ao Eymael, passando pelo Serra, Dilma e Marina, e ainda tem gente sentindo falta do Enéias, do Paulo Maluf, do Arraes e até do Carlos Prestes. Oh bloguinho complicado!

sábado, 25 de setembro de 2010

O PT e os animais

Espero que tenha assistido ao filme que, sem comentários, postei aqui, dias atrás que dizia que o Brasil não pertence ao PT. Este doeu pelas verdades nele incutidas. Tanto que o partido entrou com uma representação no TSE pedindo a retirada do filme do ar. O ministro que julgou o pedido de liminar o indeferiu.

Para esconder a dor que o filme provoca, política e espero eleitoralmente, nas pretensões de sua candidata, o PT alega que eles são comparados a cachorros. Mas, todos sabem que esta foi uma tática usada muito bem, no passado, pelos seus marqueteiros. Eles comparavam os eleitores de José Serra a ratos.

Qual o pior animal, o rato ou o cachorro? Penso que se, no segundo filme, trocássemos o nome do PT por PSDB, no momento atual, o PT entraria também com uma representaçãon o TSE, mas, o filme talvez fosse mais verdadeiro. Vejam os filmes e tirem suas próprias conclusões.





Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

LULA



Este fim de semana, entre um blog e outro, levei meu neto ao zoológico. Como dizia o meu conterrâneo Alexandre Vieira, pense num passeio bom! O Horto de Dois Irmãos está muito mais organizado do que antes, quando eu ainda levava meus filhos lá. Lembro como se fosse hoje, quando quase morri de medo quando uma filha minha deu um grito perto de uma das jaulas, e eu, sem saber o que tinha acontecido, esperei pelo pior: o Papa-Mel a havia pegado. Felizmente, foi só um arranhão no dedo, sem maiores consequências. Agora as jaulas tem proteção para crianças e parecem mais limpas.

Mas, aqui referir-me-ei apenas a um dos animais, pelo qual, desta vez, meu neto ficou encantado com ele. O Pota, como chamam um hipopótamo que vivia há 28 lá, quase toda sua vida de seus 34 anos. O meu neto ficou surpreso e talvez com um pouco de medo, quando ele abriu aquela bocarra, como é costume entre a sua espécie. Eu também, nunca na história deste país vi uma boca tão grande.

Eu não conheço os hábitos dos hipopótamos, e apenas imaginarei os hábitos do Pota, e começo com uma notícia triste. Ele morreu recentemente, nas mãos de médicos veterinários, que, dizem, tentavam salvar sua vida.

Como todos os animais do Zoo ele veio de fora e passou toda sua vida tentando se adaptar ao novo habitat. Ele deve ter sido livre numa floresta junto de sua família e correndo pelos campos e mergulhando nos rios e lagos. De repente, faltou comida. Sua mãe, tentou emigrar para outra região, mas no caminho deve ter encontrado caçadores de animais, que o colocaram num pau de arara e o trouxeram para o Zoo. Não se sabe o que aconteceu à mãe dele.

Com o tempo ele se habituou tanto ao novo lar, que achava que era o rei do pedaço. E era mesmo. Todos os animais o reverenciavam, diante daquela boca enorme. Uns por inveja e outros por medo. Ele deitava e rolava no Zoo. Quando chegava a criançada, ele ficava à vontade e começava a se exibir, principalmente, quando senhor de sua popularidade, defendia algum outro animal para se apresentar para as crianças, seus pais e avós, como eu. Uma vez era o leão, a quem ele dizia, "se alguém der mole, você engole". "Principalmente se for rico, e pertencer aos 4%." Outras vezes era a hiena, a quem dizia, "se eles bulirem com você, chore, chore muito, eles não aguentam ver ninguém chorando, e o trazem logo de volta".

E assim continuava, com a criançada cada dia mais entusiasmada com a performance do Pota. Gritos de admiração ecoavam de fora da jaula. “Que belo!” “Que inteligente!” “Não estudou, mas dá de dez nestes macacos julgados intelectuais!” E assim por diante.

Durante este período de glória, esta foi tanta que o Pota esqueceu de fazer uma obrigação básica, que antes não esquecia. Ele parou de usar os dentes com alimentos que diminuíam suas presas enormes. Com uma popularidade no Zoo de quase 80%, não havia necessidade deles, pois não havia mais animais que tivessem a coragem de brigar com ele. Houve uma acomodação natural. E o resultado foi o crescimento excessivo dos seus dentes. Chegou a um ponto, que apesar dos usuários do zoológico admirarem e temerem aqueles dentes enormes, o Pota ficou numa situação de risco de vida, pois as presas enormes não permitiam mais ele comer e mesmo fazer a coisa que ele mais gostava, que era se exibir em público.

Alguns animais tentaram lhe alertar sobre os perigos de continuar abrindo a boca com aqueles dentes enormes, mas ele continuou enquanto pôde. Quando viu que não era possível mais continuar, escolheu um animal para fazer sua função, ser seu substituto. Sem consultas a outros animais mesmo de sua jaula, se decidiu por uma anta, pelos seus dotes como gestora da caverna das hienas. Seus últimos dias foram dedicados a alardear as boas qualidades da anta, dizendo que não haveria solução de continuidade nas atividades zoológicas, com a anta como principal anima do horto. Uns acreditavam e outros não.

Chegou um ponto, então, que os veterinários, vendo que ele não poderia sobreviver com os dentes enormes como estavam, resolveram utilizar um último recurso: Serrar os dentes do Pota. Infelizmente, ele não resistiu ao procedimento. Os veterinários explicam que era uma situação de alto risco, pois ele tinha já duas toneladas, e era difícil resistir ao pós operatório, pois a anestesia poderia produzir um choque, quando ele acordasse e tentasse se levantar. Foi, o que ocorreu, logo após acordar o Pota, teve uma parada cardíaca e deixou todos tristes, e com saudade de sua boca enorme.

Um dos veterinários contou, logo após sua morte e incineração, que ao abrir os olhos ele viu que a anta que ele escolhera para substitui-lo, o havia traído com uma amiga de longa data, uma hiena, que trabalhava a algum tempo com ela. Descobriu-se que a hiena alimentava um filho, sem sua autorização. Além disto, quando o Pota viu que, devido a esta traição, os animais resolveram não colocar mais a anta em seu lugar, pensando que ela fosse conivente com a hiena, ficou transtornado. Talvez tenha sido esta a causa verdadeira de sua morte.

Pelo que se sabe, os animais escolheram um animal novo, que havia chegado recentemente da floresta amazônica: um boto cor-de-rosa, acreditando nas suas promessas de que, além de divertir a criançada com seus pulos no lago, prometia manter a sustentabilidade ambiental no horto.

Eu estou ansiosa, e meu neto também para ver o boto, embora eu tenha sentido muito pelo Pota, que viveu e morreu pela boca, mas, pelo menos divertiu a criançada.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

P.S.: Mesmo que tenham surgido alguns boatos, neste sentido, não há prova nenhuma de que o Pota tenha sido assassinado, ou que os veterinários tenham usado uma serra inadequada para o procedimento.

LP

Quase tudo




Em vista do que vai a seguir, no dia 21.9, à meia-noite, deixei de encaminhar mensagens de cunho político-eleitoral. Mas continuo recebendo. Também, não pedi a ninguém que deixasse de enviar-me. E para as pessoas de quem recebo coisas inúteis e mentirosas, sobre candidaturas, mando só resultados de pesquisas eleitorais. Mas resultados de pesquisas eleitorais podem equivaler a um cheque sem provisão de fundos.

Nos embates políticos e politiqueiros que ora correm soltos, já vi e ouvi quase tudo. Aqui, na minha tela onde escrevo, já chegou três vezes, um vídeo cruel. Esse vídeo de teor chocante está circulando Brasil afora. Ao menos, para mim, é um chamamento terrível. No dito vídeo, os seus idealizadores apelam para que um facínora hediondo, a quem chamam de “goleiro Bruno”, estupre a candidata a presidente da República, Dilma Rousseff. Os criadores da “peça” espalharam-na. E as criaturas que comungam desse mesmo sentimento hediondo, enviam para os endereços de que dispõem.

Como quase todos os brasileiros sabem, esse repulsivo “goleiro Bruno” matou, juntamente com elementos iguais a ele, e muito covardemente, uma jovem que teve um filho e dizia que o filho seria dele. E ela queria fazer o teste de DNA para comprovar. E, se comprovada a paternidade, ela iria querer a pensão (alimentos) a que teria direito por lei. A jovem era a Eliza Samudio, quase uma adolescente. Alguém que leia esta matéria vai dizer que a Eliza era “garota de programa”, “Maria chuteira”, prostituta etc.

E eu pergunto: se ela era tudo isso, teria de ser morta e ainda ter o corpo retalhado para alimentar os cachorros de um dos bandidos que ajudou na sua execução? Ou, como está no inquérito policial e na denúncia, esse mesmo bandido dono dos cachorros foi quem teve a maior participação nas torturas e na execução da jovem.

Pois bem, em vez de tal ato de terror ser repudiado por todos quantos dele tomaram conhecimento, há uma parcela do nosso povo, aplaudindo e implorando ao tal bandido Bruno que salve essa eleição, estuprando a candidata do PT. E, depois, matando-a. – Até que ponto chega a maldade e a mediocridade humana? – Haverá quem diga que isso é só uma brincadeira de mau gosto. Mas não é. Isso é ódio acumulado nos corações de quem espalha um vídeo com esse conteúdo.

Não se brinca, nem zomba de uma pobre jovem que morreu naquela situação. Ainda que digam que a Eliza foi ambiciosa e outras coisas mais. Mas, por isso, ela teria de ser assassinada? Ainda mais de maneira tão cruel! – Essas pessoas que estão endeusando o hediondo Bruno, não querem a Dilma Rousseff disputando a eleição. Portanto e por isso mesmo, querem igual fim para a Dilma! Porque, só assim ela sairia do páreo. Se elas dizem que só aquele bandido pode salvar a eleição, é porque o julgam muito valoroso!

Não consigo perceber, muito menos entender o que justificaria tanto ódio. Será o desespero de pensar que a eleição pode estar perdida para o candidato deles? Triste e cruel realidade de um povo de memória curta!

Adiante: há cerca de quarenta dias, um domingo, minha esposa me pediu que eu fosse com ela à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, aqui pertinho, em Casa Amarela. Ela queria fazer umas doações e aproveitaria para assistir à missa. Como a minha sem sorte, aliás, consorte, dirige carro muito mal, ela não sobe a ladeira conduzindo nenhum veículo, nem que as vacas da Lucinha tussam; e todas ao mesmo tempo. Então, eu fui com ela. Entrei na igreja, sentei-me e fiquei vendo e ouvindo o ritual da missa.

Faço um parêntesis para dizer que não sou católico, nem anglicano, nem evangélico. Admiro muito a doutrina espírita. E sou cristão. Aceito o cristianismo porque Jesus Cristo foi e é uma realidade. Não é ficção. A ficção está nas histórias inventadas pelos homens. Cristo foi um homem simples, e que, segundo contam, tinha ascendência nobre. Ele viveu e morreu neste nosso mundo. Era sábio e líder. E deixou as suas lições bem claras. As religiões é que deturparam tudo ou quase tudo quanto o Cristo ensinou. Escreveram e reescreveram bíblias e evangelhos. Do modo que bem quiseram. Tanto que enquanto não houve a briga de Martinho Lutero com o papa Leão X, a bíblia só era escrita em latim. Haja coisas escondidas por trás do latim! Depois dos desentendimentos de Lutero com o então papa, aquele fundou o protestantismo e traduziu a bíblia para outras línguas.

Pois bem: voltemos à missa onde eu estava, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Logo, chegou a hora do “sermão”. O padre começou a falar sobre a “parábola do administrador”. Nem sei se existe mesmo essa parábola! Ele foi falando de mansinho. De repente, fez uma parada e disse: “Não pensem que estou falando de política, não. Estou falando de como se deve administrar etc. Mas vocês estão vendo os escândalos que surgem diariamente no governo federal. Então, quero dizer que ‘não voto na candidata do PT. Mas o voto de vocês é de vocês.’”

Naquele instante, as pessoas, quase todas muito humildes, mesmo assim se entreolharam. E houve uns cochichos. – Aqui eu faço nova pergunta: aquele padre estava celebrando a missa ou fazendo “boca de urna”? Porque, do jeito que as pessoas simples acreditam tanto no que um padre diz, ele sabia que estava mandando que os seus “fiéis” também não votassem na candidata, na qual ele não vota.

Não por acaso, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), distribuiu, há três meses, uma nota na internet, pedindo que os seus “fiéis” não votassem na candidata Dilma. – Sobre esse assunto, eu já falei, faz poucos dias.

De outro modo, li o artigo da Lucinha Peixoto, onde ela fala do padre que apoiou a decisão do Ministério Público de retirar os símbolos da Igreja Católica das repartições públicas. E aquele padre disse por quê. Assim, pois, ele está corretíssimo. Quem deve ter os símbolos do catolicismo em suas casas, são os que praticam a religião. E não quem ofende, tortura, furta e mata etc. E ainda mata o povo de fome, de doenças e de desprezo! Imaginemos aquele deputado cínico, que proferiu a “oração da propina”, lá em Brasília, junto com outros companheiros do PFL. Pois bem: se naquele recinto houvesse vários distintivos de qualquer religião, seria o cúmulo do desrespeito com os crentes da religião. E possivelmente haveria ali alguns distintivos de ordem religiosa.

Indo mais além: já fui vítima de desaforos agressivos, vindos por esta via: correio eletrônico. Além dos muitos vídeos e de outras pretensas mensagens. Houve quem me advertisse de que o voto é secreto e soberano. Respondi que o meu voto só é secreto na cabine de votação. E declarei os meus votos, um a um. Fora daquele ambiente de votação, os meus votos são abertos, assim: para presidente da República, Dilma Rousseff, que faz parte da coligação do nosso governador; para governador do nosso estado, Eduardo Campos; senadores: Humberto Costa e Armando Monteiro; deputado federal, Luciana Santos (que foi o/a melhor prefeito/a que Olinda já teve nos últimos 50 anos); e para deputado estadual, Isaltino Nascimento, que está ao lado da prefeita Judith Valéria. Isaltino pode ajudar a prefeita nas muitas e prementes necessidades que o município de Bom Conselho tem!

Então, secreto, o meu voto só é na cabine. Soberano, ele não é em nenhum lugar. Porque o seu poder é limitado. – E com o parágrafo acima, fica respondida a pergunta da Lucinha sobre se eu seria do PT. – NÃO sou, NEM nunca fui do PT. Sempre estive com o ex-governador Miguel Arraes, em quem votei já em 1962, para o seu primeiro mandato de governador, que lhe foi arrancado em 1º de abril de 1964, pelos gorilas de plantão. Arraes preferiu ser preso a renunciar a um mandato que lhe foi outorgado pelo povo. Por essas e outras, continuei votando nele, enquanto vida ele teve. Em todos os mandatos que ele disputou.

Por falar em 1º de abril de 1964, e vendo esses arrufos desmedidos, peço que Deus nos livre de termos de nos deparar, outra vez, com o Ibad, ou com a TFP, Aliança para o Progresso etc. Livrai-nos desses males. E dessas más companhias, Senhor!

Mais: infelizmente ainda recebo a revista Veja, porque tenho assinatura. Ao terminar essa assinatura, a Veja nunca mais receberá o meu dinheiro. A parcialidade dessa nefasta revista é impressionante. A história do envelope pardo com 2.000 mil cédulas não me convence. Isso seria um envelope ou um daqueles sacos de papel grosso, feitos para embalar cimento? Seguindo o raciocínio da Lucinha, de que o envelope caberia as 2.000 mil cédulas, por causa do teste que ela fez com o papel A4, vale perguntar: por que os “bondosos” do suborno iriam espremer as cédulas num só envelope, quando poderiam usar dois ou três? Sabendo que seria impossível o fechamento do envelope, posto que havia o risco de ele romper-se!

Essa não me convence. E parece óbvio: logo que se fechem as urnas e proclamem-se os eleitos, esse vendaval de denúncias desaparecerá. – Com isso, não estou dizendo que não há corrupção neste governo, não. Tampouco nos outros que o antecederam. Estou dizendo que a “grande” imprensa sabe conviver com qualquer tipo de governo. Como vem convivendo há a anos e anos. – A Veja deve ter sido contrariada logo no início desse governo. Daí escalou um repórter recalcado, de nome Diogo Mainardi, para fazer uma crônica todas as semanas, afrontando o governo Lula, de cima a baixo. Daí em diante, a moda pegou. E todos os colunistas da meia verdade falaram numa só voz.

Por outro lado, um subgrupo radical espalhou, pelos correios eletrônicos, que a candidata Dilma havia dito que “nem Jesus Cristo, se quisesse tiraria essa vitória dela”. – Grande mentira: a ex-ministra Dilma Rousseff sempre pediu e pede para evitar o clima de “já ganhou”. Já ouvi isso dezenas de vezes. Ela usa, inclusive, a expressão “salto alto”. Que se evite o “salto alto”, diz ela.

E o Serra tem medo de falar mal do Lula. Ao contrário: pega carona no desempenho do Lula. Já ando dizendo mentiras, tais como, que vai elevar o valor do salário mínimo para R$600,00 (?). E que vai criar o 13º salário para o pessoal do Bolsa Família (?). Oportuno lembrar ao Zé Serrote que é preciso primeiro ganhar a eleição. Porque, de promessas demagógicas, o povo já está cheio até o colarinho.

Diante de tudo isso que estamos vendo e ouvindo, só nos resta aguardar para que haja um milagre na petição da Maria Caliel. E apareçam candidatos que lhe vendam o voto, nas condições por ela estipuladas. – É ISSO./.

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

A VISITA



Há anos que desejava fazer uma visita a um amigo de longas datas. Sempre posterguei este instante. Alguma coisa me impedia de cumprir este desejo. Sempre passava por perto do local onde ele mora e não o visitava. No dia 11 de setembro, tomei a decisão de visitá-lo. Era uma tarde quente recifense e com o sol se pondo e o burburinho de pessoas e veículos na Avenida Conde da Boa Vista. Encontrava-me nestas tarde/noite na Loja Riachuelo, era somente atravessar a Rua José de Alencar e chegar ao Edifício Ambassador. Naquele momento que ali chegava, senti uma saudade dos tempos do pensionato, onde vários colegas se achegavam no Bar Mustang. As mesas diferentes daqueles tempos dos anos setenta, enfileiradas e cobertas com umas toalhas brancas e os garçons servindo aos clientes que ali chegavam para tomar um chopp geladíssimo, sem “colarinho”. Lembrei-me da Copa de 70. Assistíamos num quitinete/pensão dos colegas à partida final na Rua Do Bosco. Tão logo terminou a partida com o Brasil sagrando-se tricampeão, saímos todos “queimados” haja vista que tínhamos tomado dezenas de cerveja, misturando com Rum Montila com Coca Cola, dançando pela rua até o Mustang, passando a noite na euforia da vitória. Saímos, por volta das seis da manhã, com o sol já alto, eu, Paulo Medeiros, João Correia, Miguel, e outros e fomos ainda, dançando e gritando até bairro da Tamarineira, em coro, “México, México, México, e alguém se rebolava na frente do grupo. Foi extasiante este momento, que estava a recordar ali parado. Adentrei pelo portão de ferro, e fui até o balcão do recepcionista. Perguntei pelo Nelsinho, se ele ali ainda morava. O recepcionista, atencioso, informou que “sim” que apanhasse o elevador na outra portaria, pois, naquele local as salas eram comerciais. O quitinete era no 16º Andar e o número 161. Alertou-me que elevador levaria mais ou menos três minutos pois era do inicio da década de 70, portanto, somente cabiam quatro pessoas. A vagareza confirmava o que recepcionista falou, exatamente, 3 minutos. Ali chegando, visualizei o numero 161, com a porta aberta protegida por uma grade de ferro com cadeado. Chamei, e imediatamente apresentou-se o Nelsinho indagando o que eu desejava. Olhei para o mesmo, e perguntei, você não está me reconhecendo seu “rubro negro fajuto?”. Ele olhou com mais atenção e mirou através dos seus óculos de grau “fundo de garrafa’ e disse sorrindo – Taveirinha, então ainda não morreste? Claro, que sim, aqui é uma alma penada que veio te buscar, respondi. Abre a grade que eu não tenho muito tempo para ficar por aqui. Vim te buscar. Abriu a grade sorrindo. Quanto tempo em velho “rubro negro?” É mesmo quanto tempo? Mostrou um grande quadro da equipe gloriosa do Sport Club do Recife, campeão da Taça Brasil em 2008 pendurado na parede. Sentei-me em um sofá que me ofereceu. Abriu a janela da quitinete e o panorama visto, daquelas alturas era fantástica. A luzes acesas por toda aquela extensão que vista alcançava. Sentei-me e pus a conversar. Não leve em consideração a desarrumação daqui, a faxineira faltou esta semana e eu não tenho condições de fazer a limpeza necessária, falou o Nelsinho, tirando uma almofada do sofá. Tudo bem, não te incomodes que eu não vou contar para ninguém, rimos. Taveira, como é bom te ver, disse ele. Eu vivo aqui sozinho, como você sabe, há mais ou menos trinta anos. Hoje não sou mais o Nelson daqueles idos tempos. Hoje estou limitado. Deixei de beber e de fumar a mais ou menos dez anos, mas as outras coisas eu faço muito bem, riu. Dou três por dia, uma tentativa e duas desistência, rimos, novamente. Às vezes passo aqui em cima quinze dias, somente observando desta janela o amanhecer quando as luzes da cidade se apagam e ao anoitecer, quando a luz da cidade traz a sua luz vibrante. Às vezes vejo alguma aeronave piscando no céu estrelado. De lá de baixo vem algum som de “vitrola” o que mais aumenta a minha saudade dos tempos que descíamos e curtia a noite. Isto é do passado.

Vou te contar. Às vezes preso aqui sinto um desespero e num destes ataques, fui até o Mercado da Boa Vista matar a saudade. Foi um dia de sábado, as 12 horas. Sai capengando pela rua e lá cheguei. Como mudou não o mercado e sim, as pessoas que ali estavam. Não se ouvia mais o toque do violão, do cavaquinho e tambor com as nossas vozes encantadoras, rimos de novo. Sentei-me embaixo daquela pequena arvore no pátio e pedi uma cervejinha bem geladinha. A moça, uma morena daquelas de que “dá água na boca” e deixa qualquer um extasiado, com um “short” encantador e ali fiquei a admirar. Pedi mais uma. Ela trouxe a cerveja estupidamente gelada e perguntou, deseja mais alguma coisa? Eu em deboche, falei “você”. Saiu rindo. Imediatamente pedi um pratinho de tira gosto e olhando para ver se tinha algum conhecido para me acompanhar, Qual nada, ninguém. Era mais ou menos duas horas da tarde. Paguei a conta e dei uma gorjeta à garçonete, que agradeceu com aquele sorriso lindo. Velho acha tudo bonito, não é verdade? Eu respondi ainda não cheguei a tua idade, estou completando 28 anos. O que ele respondeu, duplicado por dois, da cachaça.

Franzindo a testa e ajeitando os óculos, falou quase inaudível. Não é Taveirinha, que quando me levantei da mesa achei de tomar um comprimido para a minha querida “labirintite” e sai, quando na calçada do Mercado cai e quando dei por mim, estava na Restauração, deitado em uma “maca” naquele amontoado de pacientes, cada uma com o seu sofrimento. Os corredores cheios, pacientes deitados no chão, um vai e vem de enfermeiros e médicos. O mau cheiro insuportável de urina, suor, vômitos e fezes. Já não aguentava mais aquela situação. A médica me informou que eu tive um inicio de AVC, mais que não deixou nenhuma sequela, mais que ficaria em observação. Agradeci a Deus, e tudo sabes que eu não sou de muita religião. Fui transferido para o Hospital Esperança, onde ali fiz vários exames, o que comprovava o diagnóstico do plantonista da Restauração. Passei a tomar remédios. São dois por dia, um para “pressão” e outro para a minha inseparável “labirintite” Queria conversar um pouco mais e desabafar a tristeza e os momentos difíceis que estava passando. Olhei para o relógio, 19 horas. Nelsinho foi um prazer estar contigo nesta tarde/noite. Estou indo e breve voltarei a te visitar para completar o nosso bate papo de recordações. Um aperto e mão e o Nelsinho fechou a grade e a porta com um cadeado. Desci pelo elevador amargurado com aquela situação do nosso amigo. Pensei, enquanto o elevador descia devagarzinho até o térreo, que todos nós teremos que passar por igual ou pior situação, nada sabemos quando isto acontecerá. A luzes estavam todas acessas e o burburinho das pessoas e o trânsito congestionado segui para o Parque Treze de Maio onde apanhei a condução de retorno para casa. Finalmente, pensei, “quem te viu quem te vê”.

José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com
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(*) Imagens da Internet.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Nassif se supera


Hoje acordei com preguiça de escrever e até de sair de casa, mas, tenho que trabalhar para não sobreviver à sombra do meu marido, e, chatear a Josenilda Duarte com meus surtos machistas. Ontem fui ao Blog do Jodeval. Como sempre digo, eu o preferia no tempo em que ele próprio escrevia, e li uma postagem que tem como o título: “Nassif se supera”. Hoje, até a originalidade, que também nunca foi meu forte, está cansada dentro de mim, então, resolvi escrever a mesma coisa que ele, só com um texto diferente. Infelizmente, o texto foi divulgado pela “grande imprensa”. Será mentira? Do Leandro Colon ou do Nassif? Julguem por vocês mesmos.

“Por Leandro Colon, no Estadão.

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) contratou há uma semana, sem licitação, os serviços do jornalista Luis Nassif por R$ 180 mil. O contrato terá vigência de seis meses. Foi assinado pela presidente da estatal, Tereza Cruvinel, no dia 16 e publicado na segunda-feira no Diário Oficial da União.

Nassif foi contratado, segundo a EBC, para prestar serviços de “entrevistador e comentarista” para o telejornal Repórter Brasil e o Programa 3 a 1.

Desde terça-feira, o jornalista tem destacado em seu blog informações em defesa do protesto contra a imprensa marcado para hoje a partir das 19 horas no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Nassif é do conselho consultivo do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, que integra a organização do protesto, intitulado “Contra o Golpismo Midiático e em Defesa da Democracia”. Movimentos sociais de apoio ao governo, como centrais sindicais e a UNE, já manifestaram adesão ao movimento.

A EBC informou que o jornalista foi contratado porque a legislação “prevê a dispensa de licitação para pessoas ou empresas de notória especialização”.

Nassif fechou um novo acordo depois de ter expirado, em julho, o contrato de R$ 1,2 milhão que tinha para fazer o programa Brasilianas.

Nassif disse que sua contratação sem licitação se deve ao fato de o contrato ter como objetivo um “trabalho intelectual”, com “pessoas com reputação em sua área e reconhecimento público, que ajudam a reforçar a cara da emissora”. “Em relação à minha área - comentários econômicos -, há muitos e muitos anos fico entre os três jornalistas mais votados (no prêmio Comunique-se) na categoria jornalismo de economia, mídia eletrônica, além dos prêmios que recebi como jornalista de economia da mídia impressa”, afirmou.”

Hoje voltei ao Blog do Jodeval e havia dois comentários. Eu já sabia que eram comentários do bem, porque comentários do mal ele não publica, o Zezinho que o diga. E eram mesmo. Do Roberto Almeida e do Ruy Sarinho. Eu concordo mais com o Ruy do que com o Roberto, quando ele (o Ruy) diz que: “Amigo Jodeval Duarte, Seu blog é o mais inteligente, ideológico e comprometido com o que deveria ser o objetivo maior do jornalismo, em qualquer parte do planeta: levar informação com opinião, comprometido com as mudanças que levem à justiça social, que contribua para a transformação do mundo, na defesa de todos os oprimidos, de sempre.”

Embora, não saiba bem a que oprimidos ele se refere, tenho certeza que Luiz Nassif não está incluído entre eles, pois com contrato sem licitação e com os prêmios que ele diz que ganhou, ninguém é oprimido. Será que a Tereza Cruvinel está? Será que a Erenice Guerra está, só porque recebe o Bolsa Família especial? E o Lula? E a cachorrinha Michele?


Falando no apedeuta-mor, ele não está mais entre os oprimidos, e sim entre os deprimidos, pela queda de sua candidata nas pesquisas, e a subida da Marina Silva. Até o Serrote cresceu, graças à oprimida Erenice. Temos uma semana só para levar a Marina para o segundo turno. Vamos lá.


É, realmente, o Nassif se supera, mas assim, até eu posso dizer que sou uma “cabra” boa da peste, Roberto.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com