segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ALEGRIA DO POLVO - "CARACA! QUE DINHEIRO É ESSE?"



Li ontem na Veja, que o Zezinho de Caetés, trouxe hoje aqui prá casa, onde ele de vez em quando almoça, o que me dá só prazer, menos quando ele começa a choradeira por ter descoberto que seu amigo de infância o Lula, aprontou prá cima dele, como ele diz, uma matéria com o título acima. Eu não sei como ele a conseguiu, pois dizem que esta edição já está esgotada no país inteiro. Esta “grande imprensa” apronta cada uma!

Imaginem senhores e senhoras, que um funcionário da Casa Civil de Lula, segundo a revista, deste fim de semana, ao chegar em seu sacrossanto lugar de trabalho, encontrou uma envelope em sua gaveta com R$ 200.000,00. Não errei nos zeros não, são duzentos mil reais. Ele pensou, este local, além de ser sacrossanto é milagroso. O que fez aquela pobre alma para merecer tal dádiva produzida pelo Banco Central? Segundo ele confessa, nada, nadica de nada. Deram-lhe o dinheiro para ele ficar calado e quieto. Um cala boca como se diz no mundo criminoso, que está se configurando no Palácio do Planalto.

Era proveniente do “PP do Tamiflu”. Que diabo é isto perguntei eu no início da leitura. Tamiflu eu sabia. Uma minha filha teve uma suspeita de gripe suína e deram isto a ela num posto de saúde. É um remédio, que tem uma eficácia limitada, mas era usado nestes casos. Minha filha não morreu e eu só agradecia ao Tamiflu. Eu não sabia que tantos, além de curados, ficaram ricos com ele. Eita remédio bom, sô!

Aqui vai um resumo da cura e felicidade pelo Tamiflu. No ano passado, com medo da gripe suína, o Ministério da Saúde comprou 105 milhões de comprimidos deste antiviral e 4 toneladas do medicamento em barril. Segundo o ministério, as compras foram feitas dentro dos padrões normais e técnicos, para aquela ocasião, já levando em conta que foram adquiridos também, da Fundação Oswaldo Cruz uma quantidade do medicamento, suficiente para atender 2 milhões de pessoas. O estoque formado seria o suficiente para atender 28 milhões de pessoas. Cada tratamento consome 10 comprimidos do remédio. Isto é, minha filha consumiu 10 comprimidos do Tamiflu. Segundo o ministério isto tudo estava dentro dos padrões técnicos e era necessário. Gastamos 400 milhões de reais com a gripe suína, e nem podemos colocar a culpa nos porcos. Felizmente, a pandemia passou, e sobraram quase dois terços do Tamiflu, que se não for usado em 48 meses, serão incinerados. Tudo dentro dos padrões técnicos. Mesmo assim, ao invés de incinerá-los, eu os daria aos porcos doentes, afinal de contas somos nós que vamos comê-los, além de pagar o Tamiflu.

O Ministro da Saúde, ao ler a denúncia, deve ter sido chamado pelo Lula, que havia sabido da notícia, pelo resumo de imprensa, para explicar o caso, dentro dos padrões éticos e técnicos que cercam o seu governo. Numa entrevista coletiva, o ministro declarou que os pagamentos ao laboratório Roche foram feitos diretamente pelo Ministério da Saúde e “não houve participação de terceiros e nem da Casa Civil”. Ainda mais, o próprio laboratório Roche, em nota, afirmou que “todos os processos de compra e venda do Oseltamivir (Tamiflu) ao Ministério da Saúde foram conduzidos de forma direta e nunca houve a participação de nenhum intermediário”. Mas, apesar disto, a Polícia Federal, deveria investigar o caso, segundo o ministro.

Caixão e vela (que segundo o Blog do Noblat, no dicionário bahiano significa “morreu aí, não se tem mais nada a fazer”). Está tudo dominado. Mais uma vez a “grande imprensa” cumpre seu papel de “caluniação” para o governo do "pai dos pobres", e de sua candidata a “mãe do povo”. Agora eu parafraseio o apedeuta-mor num comício: “Será que o ministro pensa que o povo é tonto?” Bem, talvez uma parte seja, pois acredita que o ministro resolveu o caso e nada mais há a tratar. Tudo continua como dantes no quartel de abrantes das pesquisas eleitorais.

O grande problema é que a pessoa que estava lá naquela época era a “mãe do povo”, que todos sabem, tem tanta influência na república, que foi ungida como candidata pelo “pai dos pobres”, como sua candidata a presidente da república. E na condição da toda poderosa ministra da Casa Civil, delegava muitos poderes à sua substituta, a “mãe do polvo”, o Israelzinho, inclusive para fazer um “banco de dados” sobre a D. Ruth Cardoso. Quando o ministro da saúde disse que não existiu intermediação, ouça-se: eu, como o meu chefe, não sabia. Pois custa-me crer que o próprio se houvesse reunido com o presidente dos laboratórios Roche, para acertar todos os detalhes das transações. Isto seria dar muita importância à gripe suína, em detrimento de outras áreas deterioradas da saúde pública em nosso país.

O que eu realmente acredito, é que o nosso ministro e o presidente da Roche, depois de verificarem que as declarações do funcionário, que ficaria milionário duzentas vezes, compremeteriam os seus ganhos, financeiros em para um, e eleitorais para outros, resolveram lançar notas perfeitamente afinadas. Talvez num acesso de honestidade, reminiscente do antigo PMDB, ele, o ministro, pediu investigação da Polícia Federal para o caso. Espero que esta instituição ainda não tenha sofrido com a influência da “mãe do povo”, nem da "mãe do polvo", e apure tudo com cuidado. Na certa vão ainda encontrar muitas pessoas felizes pelo o uso do Tamiflu, cujo efeito colateral maior é lacrar as bocas de quem o compra.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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