quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Amor na Terceira Idade



Mesmo estando longe da idade indicada no título deste artigo, eu ri muito com uma mensagem recebida, na qual o autor tenta reproduzir um ato de amor entre pessoas modernas e que já passaram dos 60 anos. Como já disse, não fiquem pensando que me enquadro nesta faixa etária, longe disso, mesmo assim, a mulher que protagoniza a cena poderia muito bem dizer para todas nós, mulheres: “Eu sou você amanhã!”

O texto original que entrou na minha caixa de mensagem é atribuído a Luis Fernando Veríssimo. Mas, como hoje não se pode saber quem é o autor das coisas na internet, a não ser com certificação digital, aqui ficam minhas dúvidas e também minhas desculpas ao seu autor, de verdade, sendo ele ou não o grande escritor gaúcho, pela sua publicação aqui. Estou pronta para divulgar o seu nome, caso a autoria me seja comprovada.

Eu ousei mudar algumas coisas para tornar o escrito mais palatável para nossos leitores mais pudicos e fiz uma homenagem a um casal que apareceu no Site de Bom Conselho (SBC), quando ele era animado, pedindo perdão ao Barão e a Baronesa pelo possível aumento de sua faixa etária. Tenho certeza de que eles, igual a mim aqui em casa, ainda não gastam dinheiro com a chamada “pílula do amor”, o Viagra. Ainda bem que O Andarilho não está mais entre nós para ficar nos xingando, como era o seu costume, quando um mínimo de modernidade passava por sua vista, fazendo explodir aquele seu poço de prenconceitos. E como o seu “cavalo” parece mais jovem, não sabe ainda nem o que é o Viagra.

O texto original era: “A Bula do Viagra”, o que leva o leitor a ler o longo texto, vivendo com os amantes envolvidos uma bela noite de amor. Pelo menos, é o que eu espero que tenha acontecido, depois que a Baronesa terminou de ver “Passione”.

“A Bula do Viagra

- Vai, Barão. Toma logo!!!
- Eu não tomo nada sem antes ler a bula. Cadê meus óculos?
- Pendurados no seu pescoço.
- Isso é ridículo, Baronesa. Ridículo.
- Então todos os homens da sua idade são ridículos. Porque todos estão tomando. E não me puxa esse lençol, fazendo o favor. Olha aí o bololô que você me faz nas cobertas.
- A humanidade conseguiu crescer e se multiplicar durante milênios sem isso. Nós dois crescemos e nos multiplicamos sem isso. Taí os nossos filhos que não me deixam mentir. Fora aquele aborto que você fez.
- Barão, eu não vou discutir isso com você agora. Toma logo esse negócio.
- Isso aqui faz mal pro coração, sabia? Um monte de gente já morreu tentando dar uma transadinha farmacêutica.
- Foi por uma boa causa. E não faz mal coisa nenhuma. Só pra quem é cardíaco e toma remédio. Você não é cardíaco. Nem coração você tem mais.
- Não começa, Baronesa, não começa.
- Pode ficar sossegado que você não vai morrer do coração por causa dessa pilulinha. Eu vi num programa de TV um velhinho de 92 anos que toma isso todo dia.
- Sério?
- Preciso de sexo, Barão.
- O sexo é uma ditadura, Baronesa. A gente tá na idade de se livrar dela.
- Saudades da dita dura. Olha só, você me fez fazer um trocadilho execrável.
- Sossega o facho, mulher. Vai fazer Ioga, Tai Chi Chuan. Já ouviu falar em Feng Shui, Bonsai, Shiatsu? Arranja uma escada. Para não ficar subindo pelas paredes.
- Já vivo andando pelo teto, feito trepadeira de jardim.
- É porque você está com idéia fixa nessa porcaria.
- Que porcaria?
- O sexo, Baronesa, o sexo.
- Sabe o que mais que deu naquele programa sobre sexo, Barão?
- Não estou interessado.
- Deu que as mulheres com vida sexual ativa têm muito menos chance de ter câncer. É científico.
- Come brócolis que é a mesma coisa, Baronesa. Protege contra tudo que é câncer. Também é científico, sabia? E puxado no azeite, com alho, fica uma delícia.
- A que ponto chegamos, Barão. Eu falando de sexo e você me vem com brócolis puxado no azeite!
- Com alho.
- Faça-me o favor, Barão!
- Baronesa, escuta aqui, você já tem 60 anos, minha filha, dois filhos adultos, já tirou um ovário, já...
- Não fiz 60 ainda. Não vem não. E o que é que filho e ovário têm a ver com sexo?
- Baronesa, me escuta. Depois de uma certa idade as mulheres não precisam mais de sexo.
- Ah, não? Quem decidiu isso?
- Sexo nessa idade é pras imaturas. Pras deslumbradas, pras iludidas que não sabem envelhecer com dignidade.
- Prefiro envelhecer com sexo.
- O que é que o Freud não diria de você, Baronesa.
- E de você, então, Barão? No mínimo, que você virou gay depois de velho. Boiola!
- Baronesa! Faça-me o favor. Eu tenho que ouvir isso na minha própria casa, na minha própria cama, diante da minha própria televisão?
- Aliás, gay gosta de transar. É o que eles mais gostam de fazer. Você virou outra coisa, sei lá o quê. Um pinguim de geladeira, talvez.
- Baronesa, dá um tempo, tá? Tenho mais o que fazer.
- Fazer? Essa é boa. O que é que um funcionário público aposentado com salário integral tem pra fazer na vida, posso saber?
- Sem comentários, Baronesa, sem comentários.
- Tá bom, sem comentários. Bota os óculos e lê duma vez essa bendita bula.
- Só que precisa de dois óculos prá ler isso. Olha só o tamanhico da letra. Se é um negócio prá velho, deviam botar uma letra bem grande. Pelo menos isso.
- Vira o foco do abajur para cá... assim... melhorou?
- Abaixa essa televisão também. Não consigo me concentrar ouvindo novela. Mais. Mais um pouco.
- Pronto, patrãozinho. Sem som. Vai, lê duma vez.
- O princípio ativo do medicamento é o citrato de sildenafil.
- Sei.
- Veículos excipientes: celulose microcristalina...
- Celulose vem da madeira. Pau, portanto. Bom sinal.
- Onde foi parar a sua pouca educação, Baronesa?
- Vai lendo, Barão. Depois conversamos sobre a minha pouca educação.
- Cros... camelose sádica. Croscamelose. Castrepa, Baronesa. Recuso-me a tomar um troço com esse nome. Deve ser alguma secreção de camelo. Se não for coisa pior.
- Não é camelose. Num tá vendo aí? É caRmelose. Deve ser algum adoçante artificial. Pra sua coisa ficar doce, meu bem.
- Putz. Só rindo mesmo. A menopausa acabou com a sua lucidez, Baronesa.
- Que mais, que mais, Barão?
- Dióxido de titânio.
- Ah, titânio. Pro negócio ficar bem duro.
- Índigo carmim...
- Índigo? Deve ser o que dá o azul da pilulinha.
- Será que esse negócio não vai deixar o meu pau azul, Baronesa?
- E daí, se deixar? Você não sai por aí exibindo o seu pênis, que eu saiba. Ou sai?
- Mas, e se eu for a um mictório público? O que é que o cara ao lado não vai pensar do meu pinto azul?
- Diz que você é um alienígena, ora bolas. Que o seu corpo está pouco a pouco se adaptando à Terra, que ainda faltam alguns detalhes. Ou explica que você é um nobre, de sangue e pinto azul. Ou não diz nada, ora bolas. Acaba de mijar, guarda o pinto azul e vai embora, pô.
- Escuta. Agora vem a parte que explica como esse petardo funciona.
- Isso. Quero ver esse petardo funcionando direitinho.
- Presta atenção. “O óxido nítrico, responsável pela ereção do pênis, ativa a enzima guanilato ciclase, que, por sua vez, induz um aumento dos níveis de monofosfato de guanosina cíclico, produzindo um relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos do pênis e permitindo assim o influxo de sangue.” Cacete. Corpos cavernosos. Já pensou, Baronesa? Corpos cavernosos sendo inundados de sangue? Puro Zé do Caixão.
- Corpo cavernoso só pode ser herança do homem das cavernas. Vocês homens evoluem muito lentamente.
- Pára de viajar, Baronesa. Parece que fumou maconha.
- Não era má idéia. Prá relaxar. Vou roubar do quarto dos meninos. Eu sei onde eles escondem. Podíamos fumar juntos.
- Eu já tô relaxado. Tô até com sono, pra falar a verdade.
- Lê, lê, lê, lê aí. ....Você já dormiu tudo a que tinha direito nessa vida.
- Vou ler. “Todavia, o sildenafil não exerce um efeito relaxante diretamente sobre os corpos cavernosos.”
- Não?
- Não, Baronesa. Ele apenas “aumenta o efeito relaxante do óxido nítrico através da inibição da fosfodiesterase-5, a qual, veja bem, Baronesa, veja bem: “a qual é a responsável, pela degradação do monofosfato de guanosina cíclico no corpo cavernoso?”. Ouviu isso? Degradação, Baronesa. Dentro dos meus próprios corpos cavernosos. Degradante.
- Degradante é pau mole.
- Olha o nível, Baronesa, olha o nível. Vamos ver os efeitos colaterais. Olha lá: dor de cabeça. Você sabe muito bem que se tem uma coisa que eu não suporto na vida é dor de cabeça.
- Na cultura judaico-cristã é assim mesmo, Barão. Pra cabeça de baixo se alegrar, a de cima tem que padecer.
- Não me venha com essa sua erudição de internet, Baronesa. Estamos off-line.
- Deixa de ser criança, Barão. Se der dor de cabeça você toma um Tylenol, reza uma Ave-Maria, canta o “Hava Naguila”, que passa.
- Outro efeito colateral: rubor. Rá, rá. Vou ficar com cara de quê, Baronesa? De camarão no espeto?
- Se for camarão com espeto, tá ótimo. Que mais, que mais?
- Enjôos. Ó céus. Enjôos...
- Você sempre foi um tipo enjoado, Barão. Ninguém vai notar a diferença.
- Vamos ver o que mais... hum... dispepsia. Que lindo. Vou transar arrotando na sua cara.
- Você vai por trás. Arrota na minha nuca.
- É brincadeira... É essa a sua idéia de amor, Baronesa?
- Isso não tem nada a ver com amor, Barão. Já disse: é profilaxia contra o câncer. E arrotar, você já arrota mesmo o dia inteiro, sem a menor cerimônia. Na mesa, na sala, em qualquer lugar.
- Como se você não arrotasse, Baronesa.
- Mas não fico trombeteando os meus arrotos. Isso é coisa de machão broxa. Em vez de transar com a esposa, fica arrotando alto pra se sentir o cara do pedaço.
- Como você é simplória, Baronesa, como você é... menor. Desculpe, mas acho que o seu cérebro anda encolhendo, sabia? Ou mofando. Ou as duas coisas
- Vai, Barão, chega de conversa mole. E de pau idem. Pula os efeitos colaterais.
- Como, “pula os efeitos colaterais?” É porque não é você quem vai tomar essa meleca, né? Vou ler até o fim. Os efeitos colaterais são a parte mais importante. Olha lá: gases. Que é que tá rindo aí?
- Do efeito cu-lateral. Desculpa. Esse foi de propósito. Não aguentei.
- Admiro seu humor refinado, Baronesa. Torna você uma mulher tão mais sedutora, sabia?
- Obrigada, Barão. Agora, quanto aos seus gases, pode relaxar o esfíncter, meu filho. Numa boa. Tô tão acostumada que até sinto falta quando estou sozinha. Sério. Fico pensando: Ah, se o Barão estivesse aqui agora pra soltar uma bufa de feijoada com cerveja na minha cara...
- Baronesa, qualquer dia você vai ganhar o Oscar da vulgaridade universal.
- Vou dedicar a você.
- Vamos ver que mais temos aqui em matéria de efeitos colaterais. Ah! Congestão nasal. Que gracinha. Vou ficar fanho, que nem o Donald. Quém, quém. Quém.
- Um pateta com voz de pato. Perfeito.
- Ridículo. Absurdo. Idiota.
- Ridículo você já é, Barão. E quem não é? Além do mais, é só calar a boca que você não fica fanho.
- Ah, tá. E se eu quiser falar alguma coisa na hora?
- Você não diz nada de interessante há mais de dez anos, Barão.. Vai dizer justo na hora de transar?
- Eu não nasci para dizer coisas interessantes a você, Baronesa.
- Já percebi.
- Hum. Ouve só; diarréia!
- Quê?
- É outro efeito colateral dessa bomba aqui. Fala sério, Baronesa. Isto aqui é um veneno. Não sei como eles vendem sem receita.
- Deixa de ser pueril, Barão. Imagina se alguém vai ter todos os efeitos colaterais ao mesmo tempo. No máximo um ou dois.
- A caganeira e os arrotos, por exemplo? Ou a ânsia de vômito e os gases?
- Faz um cocozinho antes. Pra esvaziar. Agora, Barão. Eu espero.
- Eu não estou com vontade de fazer cocozinho nenhum, Baronesa. Faça-me o favor. E olha aqui, mais um efeito colateral: visão turva.
- Você bota os seus óculos de leitura. E que tanto você quer ver que já não viu?
- Baronesa, você não entendeu? Essa droga perturba seriamente a visão. Vou ficar cego por sei lá quantas horas, quantos dias. E tudo por causa de uma reles transadinha? E se a minha visão não voltar? Vou andar de bengala branca pro resto da vida?
- Pode deixar que eu guio a sua bengala, Barão. Olha, pensa no lado bom da cegueira: você vai poder me imaginar 20 anos mais moça. Trinta, se quiser.
- Baronesa, desisto. Não vou tomar essa porcaria e tá acabado.
- Dá aqui essa cartela, Barão. Abre a boca. Pronto. Engole. Olha a água aqui. Isso. Que foi? Engasgou, amor?! Tosse pra lá, ô! Me borrifou toda! Que nojo! Quer que bata nas suas costas? Ai, meu Deus! Barão? Você está bem? Respira fundo! Isso, isso... E aí, amor? Melhorou? Morrer afogado num copo d'água ia ser idiota demais, até prum cara como você
- Arrr! E com essa pílula monstruosa entalada na garganta, ainda por cima! Ufff! Me dá mais água.
- Quanto tempo isso aí demora pra bater?
- Isso aí o quê?
- A pílula, Barão, a píluIa.
- E eu sei lá?
- Vê na bula, Barão.
- Hum... tá aqui: 30 minutos.
- Ótimo. Dá tempo de ver o fim da minha novela.”

Para aqueles que chegaram até aqui e não esboçaram nem um ar de riso, eu aconselho ir ao médico, porque mau humor também dá câncer. Talvez seja melhor, usar a “pílula do amor”.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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