segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Ciência, Religião e Política


Hoje pela manhã li duas mensagens na minha caixa de entrada. Nenhuma delas era exclusiva para mim. Eu apenas fazia parte de uma lista de destinatários. Isto não importa muito, quando o assunto é importante. E assim sendo, quase sempre dou os meus pitacos sobre elas. Às vezes concordando, às vezes discordando, mas sempre as leio com muita atenção, mesmo quando não as comento publicamente.

A primeira delas foi da Celina Ferro, e versa sobre um tema religioso de importância para nós que o somos, e que interfere diretamente em nosso comportamento formal quanto a nossa religiosidade, principalmente, o catolicismo, o qual sempre pratico com fervor, mas sempre com um olho no padre e outra na missa, para ver se está celebrada dentro dos cânones cristãos. Vejam a mensagem:

“PADRE CORAJOSO

O Ministério Público Federal de São Paulo ajuizou ação pedindo a retirada dos símbolos religiosas das repartições publicas. Pois bem, veja o que diz o Frade Demetrius dos Santos Silva.


“Sou Padre católico e concordo plenamente com o Ministério Público de São Paulo, por querer retirar os símbolos religiosos das repartições públicas…
Nosso Estado é laico e não deve favorecer esta ou aquela religião.
A Cruz deve ser retirada!
Aliás, nunca gostei de ver a Cruz em Tribunais, onde os pobres têm menos direitos que os ricos e onde sentenças são barganhadas, vendidas e compradas.
Não quero mais ver a Cruz nas Câmaras legislativas, onde a corrupção é a moeda mais forte.
Não quero ver, também, a Cruz em delegacias, cadeias e quartéis, onde os pequenos são constrangidos e torturados.
Não quero ver, muito menos, a Cruz em prontos-socorros e hospitais, onde pessoas pobres morrem sem atendimento.
É preciso retirar a Cruz das repartições públicas, porque Cristo não abençoa a sórdida política brasileira, causa das desgraças, das misérias e sofrimentos dos pequenos; dos pobres e dos menos favorecidos”.

Frade Demetrius dos Santos Silva * São Paulo/SP
Fonte: FOLHA de SÃO PAULO, de 09/08/2009”

Faço minhas as palavras do padre ou frade. Concordo inteiramente com ele, como concordo com a decisão francesa de proibir os trajes mulçumanos, como a burka e o véu cobrindo todo rosto, em lugares públicos Um estado laico é isto mesmo. E chega do sofrimento que a humanidade já passou durante séculos com a promiscuidade entre religião e estado. Basta ver o que se passou aqui em nosso país, muito mais perto de nós, em nossa Bom Conselho, onde o padre e o coronel brigavam pelo poder político, usando os seus respectivos cabos eleitorais, Deus e o governador. Hoje para ser eleito prefeito do município basta o apoio de Eduardo. O Monsenhor Nelson, mesmo participando da Marcha do Excluídos, parece-me também um excluído da política local. Perdoe-me, Monsenhor, se for mais um pecado meu. Espero que até 2012, apareçam outras lideranças políticas em nosso Estado e no município, e a Marina seja eleita presidente, dando força ao PV, em Pernambuco, mesmo que, pelas pesquisas, o Pelé talvez dissesse que o povo não sabe votar. Eu diria apenas que o povo enganado é povo mal educado.

O padre diz bem quando é contra a presença da Cruz em alguns lugares no Brasil. Isto seria submeter Jesus a mais sofrimento do ele já teve ao ser pregado nela. Já pensou Seu estado de espírito ouvindo um discurso do Suplicy no Senado, de um Vacarezza na Câmara, ou mesmo, pelo que as pesquisas eleitorais estão mostrando, aguentar aquela voz do beato Humberto? Submeter nosso Divino Mestre a presenciar uma reunião entre a Erenice e a Dilma, na Casa Civil? Seria demais para o nosso Ele. Deixemo-Lo nas igrejas, nas procissões, nas festas religiosas, e, em nossas casas para lembrarmos o que Ele mesmo disse: “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”

A outra mensagem, veio do amigo José Fernandes, de quem falei em artigo anterior como exemplo de que podemos discordar, mas, damos o direito um ao outro de dizer o que pensamos, dentro de um clima de respeito. Apesar dele gostar também de temas religiosos, sobre os quais só discordamos um pouco, também, ambos nós dois (como dizia um locutor lá de Bom Conselho), gostamos de temas políticos, sobre o qual discordamos mais, principalmente, quando falamos do Lula e do PT. Não sei se ele é do PT, mas vota em Dilma, ou então pertence à coligação Frente Popular, o que dá no mesmo, ou talvez seja melhor do que pertencer à coligação Pernambuco Pode Mais. Eu não pertenço a nenhuma coligação, mas só ao PV, pelo menos concordamos em votar em uma mulher, mas a minha é muito melhor. É este o tema, a política, sobre o qual versa a sua mensagem, abaixo reproduzida:

“Veja: Jornalismo de esgoto

Da "grande" reportagem da Veja desta semana:

“Numa manhã de julho do ano passado, o jovem advogado Vinícius de Oliveira Castro chegou à Presidência da República para mais um dia de trabalho. Entrou em sua sala, onde despachava a poucos metros do gabinete da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e de sua principal assessora, Erenice Guerra. Vinícius se sentou, acomodou sua pasta preta em cima da mesa e abriu a gaveta. O advogado tomou um susto: havia ali um envelope pardo. Dentro, 200 000 reais em dinheiro vivo – um “presentinho” da turma responsável pela usina de corrupção que operava no coração do governo Lula."

Veja, olhem e vejam como a denúncia cai diante dos olhos da aritmética. Vamos supor que os 200 mil reais estivessem reunidos em cédulas de maior valor, todas portanto de 100 reais. Então haveria 2.000 cédulas de 100. O Banco Central informa que uma cédula de 100 tem as dimensões de 140 x 65 milímetros.

Por sua vez, um bom envelope pardo tem as dimensões de 240 x 340 milímetros. Agora tentem enfiar 2.000 cédulas de 100 nesse envelope. Seria como, numa abstração máxima, enfiar algo próximo a 223 folhas de papel A4 nesse envelope. Ou, se as notinhas de 100 estiverem bem arrumadas, sem dobrar nem uma, o equivalente a 333 folhas de papel A4. Em um caso ou outro, não dá. O pobre do envelope pardo se rasga.

Notem que estamos supondo que as cédulas de 100 tenham a mesma espessura de uma folha de papel ofício. Na verdade, a relação grama por milímetro quadrado da cédula é maior.

A não ser que, para esse escândalo, a Casa da Moeda tenha rodado cédulas de 300 reais mais leves e finíssimas. Nesse caso, o envelope aguentaria. Mas aí, para a história ser real, a moeda é falsa.

(Jornalista Urariano Mota.)”

Hoje mesmo já escrevi sobre este episódio degradante para nossa administração pública. Mas, não tinha olhado pelo importante ângulo que o jornalista Urariano Mota, que mostra tanto quanto o seu nome, como é original. Um cálculo destes só poderia vir de um gênio da matemática. Realmente, eu não sei como os “aloprados” carregaram aquele pacote de 1,7 milhões de reais em dinheiro vivo. Quantos envelopes seriam necessários? Este é mais um trabalho para o super homem Urariano.

Por via das dúvidas, eu, e meus familiares, fomos conferir, experimentalmente, dentro dos padrões científicos modernos, quantas notas caberiam em um envelope pardo. Que vergonha, passamos. Não tínhamos na minha casa notas suficientes para a experiência, mesmo que fossem de 1 real. Ainda pedi para meu marido ir ao banco pegar cédulas novas. Nova decepção. Ele disse que o seu saldo, não daria 300 notas, pois ele só tinha no banco 450 reais e o banco não tinha mais notas de um real que saíram de circulação, só de 2 reais, prá cima. Pensamos logo que ciência era coisa de rico.

Estávamos neste dilema quando eu vi meu neto brincando de escrever com um giz de cera numa folha de papel A4. Foi Deus mesmo que o iluminou, como sempre o faz com as crianças, pois normalmente ele risca minha parede. Ora, o cálculo “urarianal” também era feito com folha de papel A4 e lembrei que havia comprado um pacote delas, no Bom Preço, que tinha 500 folhas de 75g/m2. Peguei aquele pacote, procurei um envelope pardo que usamos na CIT para enviar papéis para Caldeirões dos Guedes, pelo SEDEX, e o pacote coube, o envelope ficou como uma luva. Então o experimento do Urariano não foi por nós comprovado. Não podemos, a partir do que encontramos, rejeitar a hipótese do dinheiro na gaveta.

Para defesa da Casa Civil, restaria eles medirem a gaveta do funcionário envolvido, mas como eu penso que ela deveria estar um pouco vazia, porque o trabalho lá não era de nível tão intenso para encher gavetas, penso que o Urariano perderia outra vez seu tempo. Como último recurso ele poderia dizer que o dinheiro estava lá por milagre, mas será que nesta repartição tem alguma Cruz, para fazê-lo? Por isso eu sou contra o crucifixo em lugares públicos, pois tudo o que acontecer, irão culpar Jesus, e tudo continua com dantes no quartel de abrantes, e Lula, o extirpador de partidos, continuará firme carregando aquele pesado poste, que ele preferiria em forma de cruz para parecer mais com o nosso Guia.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com
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(*)Charge original do Sinfrônio no Blog de Josias de Souza.

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