quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Escândalos, Escândalos e Escândalos, eu não aguento mais...


Entrei nesta de acompanhar o momento político brasileiro desde a aparição do meu conterrâneo Lula, na mídia, naquela época era na imprensa, pelos idos da década de 70, com a fundação do Partido dos Trabalhadores, ao qual, por admirar tanto a ascensão dele, quase me filiava. Há muito tempo dou graças a Deus por não tê-lo feito, e há muito menos tempo minha admiração pelo meu conterrâneo baixou de nível. Antes eu dizia que tudo que ele fazia de ruim era por causa do PT, por causa das más influências que estavam à sua esquerda e à sua direita.

Fui indo e acompanhando sua trajetória política e comecei a ter pequenas dúvidas sobre ele, quando o vi declarar que caixa 2, todo mundo fazia, e era normal. Ele, e todos os políticos em épocas de eleição diziam isto no Brasil, mas até serem eleitos, aí então seguiam a liturgia do cargo e adotavam, pelo menos para o público externo o lema: “Dura Lex sed Lex” (A lei é dura mas é lei). Com o Lula foi diferente. Ele declarou isto quando já era presidente e se viu acossado por uma ameaça de impeachment pelas mazelas aprontadas pelos mensaleiros, seus amigos e correligionários. Se o Brasil tivesse seguido a advertência de De Gaulle de que não o considerava um país sério, e pelo menos tentasse sê-lo, hoje, meu conterrâneo já estaria morto e “impichado”.

Entretanto, as coisas aqui não funcionam assim, a começar por mim mesmo. Lula disse que não sabia de nada sobre o mensalão e eu acreditei. Continuei acreditando quando os aloprados foram pegos com a mão na botija, com 1,7 milhões de reais, cujo pacote era preciso um guindaste para andar com ele de um lugar para outro. Lula disse que não sabia e eu acreditei. E alguns outros casos menores, mas não menos importantes, que o Lula sempre não sabia de nada. Ora, é público e notório que meu colega não é uma sumidade em educação formal, e por isso mesmo, eu o admirava. O cara chegar a presidente com o primário incompleto, só pode ser o “cara” mesmo. Já vi vereadores, prefeitos, deputados, e altos funcionários públicos, mas presidente só conheci o Lula e o Costa e Silva, que segundo dizem era analfabeto funcional, só sabia assinar o nome e o AI-5. Isto só fazia crescer por ele a minha admiração. O operário que deu certo, que tem enlouquecido o Jodeval Duarte, nos últimos tempos, e sua irmã a Josenilda Duarte, a quem agradeço os elogios que li em mensagem mostrada a mim pela Lucinha Peixoto, pois me chamar de cientista político, só pode ser ironia, ou a expressão de uma alma muito caridosa.

Até que um belo dia, veio a gota dágua. Alocar somente 100 reais para um empreendimento como aquele que eu ainda quero erguer, a Academia Caeteense de Letras, mesmo sendo a ele prometido uma cadeira, a de número 13. Inicialmente, pensei que ele quisesse a cadeira 25, que seria do Rafael Brasil, mas não. Ele realmente não estava interessado no empreendimento. Ainda ofereci a de número 31, que será do Zé da Luz, se ele realmente conseguir limpar a ficha. Mas, não houve jeito. Hoje, não sou mais um aliado dele politicamente e meus olhos se abriram e o coração se partiu com o que vejo.

Primeiro, cheguei à triste conclusão de que a história do operário presidente, não passa de um mito, quando este operário, ao contrário de João Paulo, aqui no Recife, Vicentinho em São Paulo, Eliúde Villela aqui na CIT, que tomaram gosto pelo estudo. Isto não aconteceu com o meu conterrâneo. Ele ficou refém de assessores, na maioria das vezes inescrupulosos, como no caso da camarilha da política externa, que só o fez botar os pés pelas mãos. Na política econômica, o Palocci, antes da fornicação à beira do Lago Paranoá, ainda o ajudou fazendo-o manter a política econômica do seu antecessor e apoiando o Plano Real, que foi a melhor coisa que já se fez neste país em matéria de política econômica. Penso que, este Plano, distribuiu mais equitativamente a renda nacional em todo o período posterior, incluindo todo o governo Lula e seus avanços, nesta área. Embora eu tenha minhas dúvidas sobre o efeito de mais longo prazo do Bolsa Família.

Como se não bastasse, apareceram agora os violadores de sigilo fiscal. No chamado “fiscogate”, o meu conterrâneo meteu os pés pelas mãos outra vez. Usou a liturgia do cargo para defender sua candidata a presidente e culpar as vítimas da quebra do sigilo fiscal, pura e simplesmente por motivos eleitoreiros. Mais uma vez lhe faz falta o conhecimento de História, que deveria ir além daqueles que ele cita nos comícios, como no de Garanhuns, para criticar a elite pernambucana, culpando-a pela morte de Frei Caneca. Ainda bem que tirou uns votinhos do monge trapista Armando, este sim, da elite, “quatrocentona” do Estado. Mas, ele não quis estudar, paciência. É uma pena que a juventude brasileira comece a acreditar que para ser presidente do Brasil basta ter o primário incompleto ou ser torneiro mecânico, sem estudar mais nada. Basta terceirizar tudo. Eu digo que, até para terceirizar é preciso estudo. O estudo não forma elites, pelo menos da qualidade da que está hoje no poder, ele forma cidadãos responsáveis pelo seus destinos e o do país, com conhecimento de causa, pelo menos do que seja um Estado de Direito, e o que significam as minorias num regime democrático.

Em relação a este último ponto, o meu conterrâneo extrapolou todos os limites, outra vez se isto é possível, propondo a “extirpação” de um partido político (DEM), que bom ou ruim fez parte da história deste país e deve ter o seu espaço, como oposição. Quando ouvimos uma resposta de ex-dirigente deste partido, o Jorge Bornhausen, por quem nunca nutrimoa nenhuma simpatia, dizendo: “Aconselho o presidente Lula a não faltar com a verdade, a não inaugurar obras inacabadas e a não ingerir bebida alcoólica antes dos comícios”, eu não tenho mais como defendê-lo. Realmente, ele parece estar bêbados nos comícios, quando fala em defesa dos seus candidatos, ou pior, ainda ele parece possuído pelos 80% de popularidade, e pelo endeusamento daqueles que ele empurra nas cadeiras de rodas dos deficientes eleitorais. Com este comportamento, não me surpreenderia que, ele, em futuro próximo, tente voltar como o D. Sebastião de Caetés, nos braços do povo, e possamos reviver os tempos da ditadura getuliana.

Recentemente, mais uma batata quente para ele descascar. O “erenicegate”. Voltamos à Casa Civil. E eu que falei tanto, no passado dos militares, que estão tão bem comportados no momento. Agora é a Casa Civil, que gerou Dirceu, que gerou Waldomiro, que gerou Dilma, que gerou Erenice, que gerou Israel, que gerou cem mil reais pelos serviços de consultoria. E mais uma vez deve-se concluir que o Lula não sabia de nada, e também toda a geração. Como diz um reporter de uma TV aqui em Recife, onde este caso deveria ter sido um bom assunto, pois sua especialidade são os crimes: “Durma-se com uma bronca dessas”. Coisas da grande imprensa, dizem os áulicos de plantão. Coisas da eleição, dizem os beneficiários do meu conterrâneo. E eu já acreditei.

Não mais. Quero as coisas passadas a limpo, e antes das eleições. Sinto, concordar com minha colega Lucinha Peixoto, a Marina é uma possibilidade. Entretanto, mesmo que não queiram votar na Marina, não votem na Dilma. Só o segundo turno nos libertará. Minha esperança é que, não elegendo sua candidata, o Lula, possa se matricular no Colégio em que o Rafael Brasil é professor, e dalí começar sua trajetória, até, como Marina, aprender História. Estou pronto para reconsiderar e votar nele em 2018. Por ora, chega de escândalos gerados pelo despreparo para a função.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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