quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Eu vi o debate



Ontem além do jantar na casa de Lucinha, filei também o penúltimo debate televisivo entre os candidatos a presidente da república. Para ser franco, dormi no final e só acordei com ela me balançando e dizendo

- Visse o show que a Marina deu?

Até ali, ou seja até o momento em que dormi, não vi show de ninguém. Talvez do Plínio, que apesar de ser mais letrado do que o Tiririca, ambos entram como candidatos nesta eleição com os mesmos objetivos: divertir o respeitável público. E, me parece que estão conseguindo. O Tiririca em termos de votos e o Plínio em termos de risos. Quando ele não respondeu a uma pergunta porque disse que estava perdido, até eu ri de sua desgraça.

Os outros, além de não darem show nenhum apenas repetiram os chavões de sempre. Inclusive o Serra, que parece ter feito um pacto com o Lula para não falarem um do outro, mas, só que o meu conterrâneo não cumpriu. Eu não posso acreditar que isto tenha sido verdade, pois na época de criança as rolinhas que ele prometia ele entregava. Eita peteca certeira!

Pensando bem eu penso que o Serra está cansado. Não é cansaço físico e sim de decepção do rumo que tomou sua campanha. Nunca na história deste país eu vi tanta besteira feita num espaço tão curto de tempo. Só posso crer que ele lia o Blog da CIT, e os meus artigos, antes de minha decepção com o Lula. Para mim era Deus no céu e o Lula na terra. A partir de um episódio minúsculo, ele se revelou, não ligando para o projeto de nossa academia, e ainda fazendo gracejo com meus desejos intelectuais. Tanto que, hoje não posso defendê-lo mais quando o chamam “apedeuta-mor”, “ignorantão de Caetés”, etc. Fico triste mas não tenho argumentos. Se o Serra tivesse acompanhado os meus artigos recentes teria tido mais tempo para falar mal do Lula. Agora, continua sem falar mal, porque não pegaria bem.

A Dilma continua a mesma de sempre. Eu juro que fico atento ao extremo para entender o que ela diz, quando não decorou ou está lendo. Nunca consegui. Quando o Plínio falou que, com o caso Erenice, ela tinha demonstrado que seria conivente ou incompetente, a única coisa que eu entendi na resposta dela foi: “Nenhuma coisa, nem outra, Plínio!” Com as outras palavras apenas demonstrou que era incompetente, pelo menos no que diz respeito, a formular um raciocínio que tenha começo, meio e fim. O que fica parecendo é que ela não tem o que dizer e fica inventando frases malucas. Eu me lembrava do Lula e do Paulo Maluf. Ainda hoje não sei o que aquela mulher estava fazendo ali, como não sei o que deu na cabeça do meu amigo de infância para indicá-la como candidata. O mensalão não acabou com o PT, mas acabou com os candidatos, senão bons, mas pelo menos inteligentes.

Marina, apesar de algumas boas respostas, como aquela de que achava Dilma e Serra farinha do mesmo saco, sem estas palavras, apenas vagueia pelos astros distraída, sem saber que as aventuras desta vida não são só o luar, uma cabrocha e um violão. Diz coisas das quais ninguém ousa discordar,” reiteiradas vezes”,”mesmo porque” seriam uns monstro os que delas discordassem. Por exemplo, quem pode ser contra uma educação de qualidade. Até hoje só conheci uma pessoa que pensa assim, o Lula, que não passou do primário, e nunca quis continuar os estudos formais, porque poderia virar um intelectual, e como todos sabem ele é um grande admirador de Joãozinho Trinta, que diz que quem gosta de pobreza é intelectual, e que pobre gosta mesmo é de luxo. Ele não pode correr o risco de gostar de pobreza, a não ser a dos outros para votar nele. Ele é mesmo chegado é a um Armani. O problema é como fazer uma educação de qualidade, num país em que o presidente é quase analfabeto, o que não desmerece, e vive se gabando desta condição, o que o desmerece muito.

Enfim, senti que estamos num mato sem cachorros, digo, sem candidatos bons para o ofício. Não posso chegar a dizer que todos comem no mesmo cocho, pois seria injusto com a Marina, que parece ser um mulher sem muitos vícios políticos, apesar de ter pertencido ao PT, o que não é pouco, pois partido político vicia sempre o cidadão. E os vícios que o PT provocou em alguns, quando no poder, até dá medo. Por isso, talvez, eu ainda relute em pertencer a algum deles. Hoje, o meu voto que abro para o público é aquele que darei ao Marco Maciel. Eu até que simpatizo com a proposta do DEM e do seu programa ligado ao liberalismo. Seu grande problema é que em seus quadros não há gente com capacidade política para tocar este programa. A maioria quer é ficar pendurada nas tetas do poder, e incluo o Maciel nisto, mas tive pena dele pelas bordoadas que levou do meu conterrâneo.

Alguns, como Lucinha, dizem que a Marina ganhou o debate. Eu só digo que, mesmo não tendo ganho, se ela conseguir tirar alguns pontinhos da Dilma, o brasileiro é que saiu ganhando com ele. Eu sempre fui contra a sua candidatura, que foi imposta pelo meu conterrâneo, e neste caso, o PT passa a ser também uma vítima de sua (do Lula) soberba. Ele agora quer porque quer provar que operário também ganho no primeiro turno e se igualar a FHC. Com as últimas pesquisas, talvez não consiga. Toma!!!

Eu recebi ontem uma destas mensagens internetais com um chamado “Carta aberta de juristas em defesa de Lula”. Inicialmente, pensei que eles iam dizer ao meu amigo, que moderasse seus ímpetos nos comícios, onde fala mais do que lavadeira no rio, e diz coisas que não tem sentido quando ditas por um presidente em um sistema democrático. Mas, não. A ideia do manifesto é mostrar a pureza angelical do Lula em relação às leis deste país. “Vocês estão pensando que todo mundo é tonto?” (Melhor frase de Lula no ano). Uma pessoa que fez campanha há mais de dois anos para sua candidata, que vai dizer que não era, naquela época, como o fez no caso de Erenice e Israelzinho, que diz que Caixa 2 é normalíssimo porque todos fazem, que usa o nosso dinheirinho para correr de cima a baixo este país para fazer campanha para um partido ou facção, que diz que quer extirpar outro partido, que é amigo do Chaves, do Fidel e do Almadnejad, que vive falando das elites, quando é a elite dos outros, e por aí vai, como defender tal pessoa e confiar nele com tanta popularidade, em manter uma Democracia ainda incipiente como a nossa. Nós vimos este filme antes. Por via das dúvidas não votem em Dilma. É melhor prevenir do que remediar.

Se quiserem ler o texto completo, cliquem aqui.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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