sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Lula e o Sermão da Montanha



Mesmo sem tentar abordá-lo mais sobre quaisquer assuntos, pessoalmente, eu me dirigi dias atrás ao Marco Zero da cidade do Recife, para ver, pelo menos de longe, o meu conterrâneo Lula. Tive a companhia sempre agradável da Eliúde, minha colega de assédios políticos/estéticos por parte de Lucinha.

Um comício com o Lula não se pode mais chamá-lo assim, como se ele ainda participasse deste pequenos eventos eleitorais. São verdadeiros encontros religiosos onde a multidão segue o líder de forma cega e inconsciente. Não sei se o Antônio Conselheiro conseguia juntar as pessoas e fazê-las urrar e berrar como o Lula sabe fazer. Para rivalizar com ele, na forma como conduz uma multidão, ou o seu rebanho, só conheço atualmente o Padre Marcelo, nas missas e eventos que vejo pela TV. Nem o Papa João Paulo II, a quem acompanhei no Joana Bezerra, conseguia as proezas que o meu conterrâneo consegue.

Ele encontrou o tom certo para infantilizar ou imbecilizar qualquer cidadão que se poste (sem trocadilho) diante do seu palanque. Lembrei do Chacrinha balançando a pança e comanda a massa. Se ele quer que o público chore, não há problema, lembra sua infância pobre e sofrida no agreste pernambucano e sua viagem de 13 dias para São Paulo, de onde partiria para o poder e glória. Se quer que a multidão ria, também consegue com a maior facilidade, basta dizer que não quer “pegar a mulher de ninguém” e cita um exemplo com a mulher que ele pega: a galega. Aí a multidão chora de tanto ri.

Lembrei que a CIT Ltda tem como objetivo provocar risos e emoções em seus clientes, por que então o Diretor Presidente não convida o Lula para escrever no Blog da CIT? A desculpa de Lucinha, para discordar da ideia, de que ele nunca aprendeu a escrever, não é suficiente, pois ele poderia ditar para alguns dos seus fiéis seguidores. Garanto como não faltariam candidatos para ajudá-lo. É óbvio que ele não quer correr o mesmo risco de sua candidata de aprovar coisas somente com rubricas e sem ler, mas penso que este risco será mínimo se ele escolhesse a pessoa certa, como o Sarney, Renan, Jader, Delúbio, e tantos outros fiéis escudeiros.

Mas voltemos ao comício, digo, show religioso. Quando o Lula fala, este ato deverá ser descrito no futuro, por algum evangelista, quando ele já estiver canonizado, da seguinte forma:

“Vendo Lula as multidões, subiu ao palanque, e como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos; e Ele passou a ensiná-los, dizendo:


Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Planalto Central.
Bem-aventurados os que babam, porque serão contemplados.
Bem-aventurados os mansos, sendo cornos ou não, porque herdarão os chifres.
Bem-aventurados os que têm fome e sede, porque serão saciados pelo Bolsa Família.
Bem-aventurados os mentirosos, porque alcançarão poder, misericórdia!
Bem-aventurados os sadios do coração, porque aguentarão ouvir a Dilma falar.
Bem-aventurados os mistificadores, porque serão chamados filhos de Lula.
Bem-aventurados os perseguidos por causa do mensalão, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos insultarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa no dia da eleição; pois assim perseguiram aos político como eu que existiram antes de vós" (Beto 5:1-12).”

Vendo então a multidão boquiaberta, quase catatônica ao ouvi-lo, Lula continua dando o seu recado, como descrito pelo evangelista do futuro:

“Não penseis que vim revogar a lei ou os outros políticos, apesar disto parecer assim: não vim para revogar, vim para cumprir. Porque em verdade vos digo: Até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, até que Dilma seja eleita. Aquele, pois, que votar em outro candidato, posto que mesmo um vez só, e assim ensinar aos homens, será considerado menor em meus apoios eleitorais, aquele porém, que os votar na Dilma e ensinar, esse será considerado grande no Planalto e terá eleição garantida. Porque vos digo que, se o vosso voto não exceder em muito os do PSDB e DEM, jamais sereis eleito (Beto 5:17-20).”

E por ai vai o nosso evangelista. Por enquanto, no falado comício do Marco Zero, o meu conterrâneo roubou a festa. E mesmo, ainda com as duas notas de 50, queimando meus bolsos, sei que as pesquisas estão certas quando prevêem a eleição da Dilma ainda no primeiro turno. Mesmo brigados, talvez ele nem saiba disso, a não ser que a galega, ao ler o Blog da CIT tenha dado com a língua nos dentes, eu devo parabenizá-lo. Ele traçou um objetivo, segui-o e eficientemente vai alcançá-lo. E não duvido que ele continue governando por mais 12 anos este país, os próximos quatro com seu avatar e os próximos oito a partir de 2015.

Diante de tal capacidade gerencial o outro candidato ainda bate na tecla da experiência político eleitoral, para atacar sua candidata. Só ele ainda não sabe que o avatar Dilma, encarnou todas as qualidades do seu senhor. Não há mais Dilma, agora é Lula, e não se fala mais nisso. Oposição? Para que? A partir de outubro, quem quiser encontrar algum sinal dela, deve ir a algum Campo Santo ou terreiro de macumba.

Como será o Brasil, sem oposição, só Deus sabe. Pensando bem, Ele e o seu novo filho Lula, aquele que no princípio era só um verbo, e agora se fez carne e habitou entre nós, para deitar e rolar neste país não politizado mas extremamente religioso.

Só para concluir, o nosso Deus, digo Lula, agora também quer, além de eleger sua candidata a presidente, quer eleger também seus senadores, o beato Humberto, e o monge trapista Armando. Para isso ele fala grandes besteiras sobre seus adversários. Eu não sou um fã de Marco Maciel, mesmo que recebesse quase todo o ano em Caetés aquelas suas cartas mimeografadas, de saudações natalinas. Entretanto, sempre o admirei em um ponto: nunca soube que ele tivesse se metido em maracutaias com o dinheiro público. Além disso sempre trabalhou muito por Pernambuco, mesmo tendo feito parte do governo militar, etc, etc. Não é justo dizer que ele nunca fez nada, mesmo que todos saibam que seja uma briga eleitoral. Eu não ia, mas agora vou votar em Marco Maciel para o Senado. Para os outros cargos, meu voto continua secreto.

Repito o meu conterrâneo nos comícios em portas de fábricas: Conterrâneo, vamos com “menas” sede ao pote.

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
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(*)Imagem modificada pelo Jameson Pinheiro.

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