domingo, 19 de setembro de 2010

Lula, o Estadista Maquiavélico




Ontem, neste mesmo espaço, escrevi algo sobre um texto do Roberto Almeida, sobre o nosso apedeuta-mor, o Lula, que depois das últimas diatribes, já pode se cognominar de Lula, o “demitidor retardado de ministros”. Como vocês podem ver, rolando o mouse, neste texto, eu procurei ver o que era um Estadista, e o que o Roberto, queria dizer a dar a Lula este epíteto.

Descobri que a única definição na qual ele se enquadrava como Estadista, era aquela dada por Maquiavel. Não vou aqui criticar o primeiro cientista político da história, pois, se ele vivesse no Brasil, não se contentaria em ser um simples intelectual, pois certamente seria filiado ao PT, e certamente estaria na Casa Civil. O que vou fazer é apenas, transcrever um editorial do Estado de S. Paulo, um ótimo representante da nossa “grande imprensa”, que, atualmente é a única que pode fazer alguma coisa pelo povo brasileiro, denunciando os “mal feitos” que ocorrem debaixo das barbas do Lula, e debaixo do rosto “botocado” da sua candidata. Influenciou até o Lula, que começou a fazer bravatas, e prometer demitir aqueles que erram, como se a auto-demissão estivesse em seus planos, pois nunca, na história deste país vi alguém errar tanto, ao ponto de ter 80% de popularidade. O Nelson Rodrigues estava certo.

O Blog da CIT, não pertence à “grande imprensa”. Pertence à “imprensa nanica virtual”, e tenta usar seu espaço para fazer com que aqueles que não tem acesso à grande, a leiam na nanica, e sempre que pode, e aparecem coisas sensatas nesta última, levá-las à grande. Embora, devo avisar que não temos um pensamento único, com teremos em nosso Estado, no próximo ano. Eu sou Lucinha e o José Fernandes é o José Fernandes, amigos, amigos, política e princípios à parte, apenas como exemplo. Infelizmente, fomos (o Blog) ameaçados ontem pelo nosso Estadista-mor quando declarou: “Nós vamos derrotar alguns jornais e revistas que se comportam como partidos políticos”, e sei que ele estava pensando também em nosso Blog, e não explicitou com medo do Zezinho de Caetés. Infância é infância. Vamos ao texto da “grande imprensa”, julguem:

“Apenas cálculo eleitoral (Editorial)

No encontro que tiveram domingo à noite para tratar da revelação de uma pesada operação de traficância na Casa Civil do Planalto, o presidente Lula poderia ter determinado à ainda ministra Erenice Guerra que se licenciasse até o esclarecimento cabal da denúncia que a envolvia por tabela e, diretamente, um de seus filhos, Israel. Por muito menos, afinal, o presidente Itamar Franco afastou o ocupante do mesmo cargo no seu governo, Henrique Hargreaves - para readmiti-lo quando as acusações contra ele não foram comprovadas.

Mas Lula não parece aprender com o exemplo alheio nem com a própria experiência. Com o exemplo, no caso, porque a sua visão da ética pública não é a de princípios, mas a de resultados. E com a experiência porque, ao fim e ao cabo, não precisou pagar o preço devido, fossem outras as circunstâncias e, quem sabe, outro fosse o país, pela relutância em se privar do ministro José Dirceu, também da Casa Civil e pivô do mensalão, e do seu colega da Fazenda, Antonio Palocci, no escândalo da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Erenice Guerra saiu daquela reunião com a cabeça no pescoço não porque o chefe, como diria, se acha "obrigado a acreditar" no que as pessoas lhe falam, e Erenice jurou-lhe por tudo o que é sagrado que era inocente. Mas porque ele avaliou que a reportagem incriminadora da revista Veja não teria o potencial de respingar na candidata Dilma Rousseff - que está para Erenice como Lula está para ela, criadores e criaturas - da mesma forma que não respingaram, a julgar pelas pesquisas, as violações em série do sigilo fiscal de parentes e aliados do opositor José Serra.

Por isso, o que o lulismo se ocupou em fazer nos dias seguintes foi desqualificar o noticiário sobre as movimentações da espaçosa família Guerra pelas pradarias do poder. Nesse exercício de mistificação e cumplicidade, Dilma levou a palma, ao afirmar que tudo se resumia a um "factoide".

Sintomaticamente, a soberba de Lula, a certeza de que o seu prestígio garantiria a incolumidade da candidata, desarmou a sua apuradíssima intuição. Ele decidiu manter Erenice no lugar enquanto não surgisse um fato novo que agravasse a crise, mesmo depois de a ministra ter ido além das tamancas ao culpar um "candidato aético e já derrotado" por suas atribulações.

O fato novo não tardou a surgir. Na quinta-feira, a Folha de S.Paulo publicou declarações de um agenciador de negócios, segundo as quais Israel e a sua patota, em troca da obtenção de recursos do BNDES para um bilionário projeto de energia solar, queriam receber R$ 240 mil para acelerar a tramitação do pedido, 5% sobre o valor do financiamento, quando saísse - e, de quebra, um ajutório de R$ 5 milhões para a campanha de Dilma.

Decerto achando a conta salgada demais, a firma interessada se recusou a pagar. Por sua vez, o seu agente disparou e-mails para a Casa Civil reclamando das cobranças e fazendo ameaças. Passados mais de 7 meses, falou.

Com incomum rapidez, Lula mandou Erenice se demitir. A segunda denúncia, semelhante à anterior, teria enfim convencido o presidente da responsabilidade da ministra. "Quando a gente está na máquina pública, não tem o direito de errar", proclamou. "E se errar, a gente tem de pagar."

Conversa. O que o fez defenestrar Erenice - a quem havia nomeado por insistência de Dilma, quando ela se desincompatibilizou - foi o temor manifestado pela campanha petista, com base em pesquisas, de que desta vez a candidata corria o risco de ser atingida pelos estilhaços das malfeitorias do círculo da amiga em quem apregoava confiar.

A demissão de Erenice não elimina a hipótese. Os episódios expostos aconteceram quando Dilma era ministra e Erenice a sua mais íntima colaboradora. É implausível que ela não lhe tivesse contado nem uma versão sanitizada dessas histórias. Plausível, isso sim, é que Dilma não quisesse saber mais. Como Lula não quis saber detalhes do mensalão para o qual foi alertado duas vezes.

A ignorância assumida é um ato de vontade política. Eles olham para o outro lado para não fitar o ambiente propício à corrupção que semearam no Planalto como parte de um projeto de poder.”

Eu já o fiz na condição de “se”, mas agora peço desculpas ao Roberto. Ele não escreveu nenhuma bobagem. O Lula realmente é o Estadista, embora o seja pela definição maquiavélica. E a Dilma também o será, se não acordarmos logo, levando a Marina para Planalto.

Entretanto, neste aspecto, eu prefiro o topete do Itamar às barbas do Lula e aos botoques da Dilma.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com


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(*)A foto foi obtida no Blog da Transparência.

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