sábado, 18 de setembro de 2010

Lula, um Estadista, um Santo ou um Cínico?


Saiu, no excelente Blog do Roberto Almeida, uma postagem com o título: Lula o Estadista. Inicialmente, eu me perguntei se o Roberto não seria de Bom Conselho e tivesse conhecido o Lulinha, ou Lula, que morou um tempo na casa de D. Salu, na rua Siqueira Campos, e que conheci quando estudava no Ginásio São Geraldo. Aquele sim poderia hoje ser um estadista, pois era um bom estudante. Ao ler a matéria, o Lula a que ele se referia era outro, o conterrâneo do Zezinho, proveniente de Caetés.

Já de início ele diz que algumas pessoas disseram muitas bobagens sobre o Lula, tais como, que ele é “mentiroso, ignorante, corrupto, grosseiro, machista, analfabeto...”, assim mesmo com reticências, dando a entender que o cognominaram de mais coisas ainda. Eu mesma já o chamei de todas as que o Roberto citou, e mais algumas, até positivas como “inteligente” como eu considero que o Hitler, o Stalin, o Fidel, o foram, já considerando para o último que a passagem está próxima. Mas, de “estadista”, o Roberto foi o primeiro que teve a coragem de dizer uma bobagem desta, maior mesmo do que minha “barriga” no caso da renúncia da prefeita de Bom Conselho. Para uma definição de Estadista e algumas extensões, sem ter tempo para uma pesquisa maior cito a “mãe dos burros” moderna, a Wikipédia:

Estadista ou homem de Estado, na definição de Houaiss, é pessoa versada nos princípios ou na arte de governar, ativamente envolvida em conduzir os negócios de um governo e em moldar a sua política; ou ainda pessoa que exerce liderança política com sabedoria e sem limitações partidárias.
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Para
Aristóteles, o que o estadista mais quer produzir é um certo caráter moral nos seus concidadãos, particularmente uma disposição para a virtude e a prática de ações virtuosas.

Em
Tomás de Aquino, as virtudes e os valores cristãos são inseparáveis da prática política, do “buon” governo e da figura do “rex Justus”. A cosmovisão do governante inclui felicidade em Deus, homens bons e virtuosos, abnegação cristã (diversa da abnegação republicana), amizade honesta, unidade, paz e comunhão social. O governante pio e virtuoso inspira súditos igualmente pios e virtuosos, pelos quais é amado. A natureza é tomada como modelo para o governo dos homens e o governante tem o papel ordenador análogo ao de Deus.

Já em
Maquiavel, a condução do Estado é considerada uma arte, e o estadista, um autêntico artista. Para Maquiavel, assim como para Skinner e Merleau-Ponty, o estadista é adaptável às circunstâncias, harmonizando o próprio comportamento à exigência dos tempos. Sua virtù é a flexibilidade moral, a disposição de fazer o que for necessário para alcançar e perenizar a glória cívica e a grandeza - quer haja boas ou más ações envolvidas - contagiando os cidadãos com essa mesma disposição. O estadista é visto como simulador e manipulador da opinião pública ("a ação acusa mas o resultado escusa"), em uma sociedade acrítica e influenciável pelas aparências, constituída de indivíduos interessados exclusivamente em seu próprio bem estar. Mas a corrupção é vista como perda da virtù pelo conjunto dos cidadãos.

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Normalmente ocorre de o estadista ser imcompreendido pois preocupa-se com o longo prazo e toma decisões impopulares a curto prazo, enquanto a maioria dos políticos preocupa-se com resultados imediatos de suas ações. Assim se diz que:

- O estadista se preocupa com a próxima geração e o político com a próxima eleição.

Já, um biógrafo de Alexander Hamilton, diz que o estadista pratica a política da colméia, ao passo que os “políticos” praticam outra política – a política da abelha. No primeiro, tudo se subordina ao interesse coletivo. Nos segundos, tudo se subordina ao interesse individual.”

Em qual destas definições o Lula, também chamado pelo Rafael Brasil, seu conterrâneo, de o Seboso de Caetés, o que Roberto deve considerar mais uma bobagem, podemos enquadrá-lo?

Para mim em só uma delas, a de Maquiavel. O relativismo moral de Lula, sua adaptação às circunstâncias meramente para ganhar eleições e sair dos escândalos de seu governo que explodem, agora diariamente, sua necessidade de se comparar aos grandes brasileiros presidentes para perenizar sua glória cívica e grandeza, havendo boas ou más ações envolvidas, e contagiando os cidadãos com essa mesma opinião, sendo um simulador e manipulando a opinião pública, em uma sociedade acrítica e influenciável pelas aparências e constituída de indivíduos interessados exclusivamente em seu próprio bem-estar, se adéqua em todos os aspectos a, desde o Lula, metalúrgico, passando pelo Lula paz e amor, Lula o “cara”, Lula pai dos pobres, Lula cabo eleitoral raivoso e agora, Lula demitidor de ministras corruptas e defensor das mulheres que dão a luz para todos, com o nosso dinheiro, que preenche as gavetas da Casa Civil, em mais um escândalo que nos traz a Grande Imprensa. Será que o nosso estadista maquiavélico vai demitir alguém outra vez, ou a Erenice vai pagar o pato sozinha?

Se é isto, na definição maquiavélica, que o Roberto quer dizer que o Lula é o estadista, me perdoe, pois não é uma bobagem, é a mais pura verdade. Agora, as outras definições, além de passarem longe dele, algumas, faz-nos até rir pelo o imenso desacerto. Dizer que o Lula quis, durante seu governo, produzir um certo caráter moral nos seus concidadãos, particularmente uma disposição para a virtude e a prática de ações virtuosas, faz até Delúbio, Waldomiro, Erenice, Israelzinho (como o chama o nosso Zezinho), além do Aristóteles, dar boas risadas, em seus ócios remunerados, e se for citar todos que deslizaram pela prática da corrupção, haja espaço nos arquivos bloguísticos.

Dizer que caracterizar um governante com alguns epítetos, é faltar com o respeito com o cargo que ele ocupa, é querer dizer que todos os presidentes da república do Brasil, foram imagens sacrossantas de Estadistas. O que eu espero, e penso, todos os brasileiros, é que só assumam este cargo pessoas que quando governam não mereçam tantos maus epítetos quanto o Lula, ou outros. Para mim, nesta eleição a Marina, é a única em que eu acredito, que num fim de seu governo, a poderemos chamar de Estadista. Nem santa como Joana D’Arc nem cínica como o Lula.

Com as coisas que estão estourando por aí, será que o povo brasileiro, com o viés eleitoral que incutiram nos programas sociais, será capaz de ouvir o clamor que se abateu sobre os funcionários da Casa Civil, na época de Dilma, e descobrir que, a Erenice Guerra, foi a maior usuária do programa Minha Casa Civil, Minha Vida, implantado pela “tia” Dilma, e levar-nos para o segundo turno?

Caro Roberto, tudo, até inteligente, mas Estadista é demais.


Lucinha Peixoto – lucinhapeixoto@citltda.com
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(*)A foto foi retirada do Blog do Roberto Almeida.

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