quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Marina Morena



Continuamos nossa série com as entrevistas dos candidatos a presidente, agora no Jornal da Globo. Quem estava apresentando estas entrevistas era o meu colega Zezinho de Caetés, fazendo uma edição, com humor, da fala dos candidatos. Para minha surpresa ele não quis fazer isto com a Marina. Eu fiquei extremamente alegre que o pândego do Zezinho alegasse não haver encontrado nada na fala da candidata, que pudesse por ele ser editado. Simplesmente, ele achou perfeitas todas as respostas dela.

Então no que se segue reproduzimos “ipsis litteris” a fala de todos, dando apenas uma mudadinha nos nomes para tornar mais romântica a entrevista, se isto é possível, quando se fala sobre um país, no qual seu presidente, ao ouvir que houve quebra do sigilo fiscal de alguém, diz apenas que a coisa deve ser apurada, e não toma nenhuma providência sobre órgão que fez a lambança. É triste verificar que talvez, quem seja punida seja a vítima, novamente, como aconteceu com o Franscenildo, enquanto o réu hoje é o mais cotado para assumir o Ministério da Fazenda, para continuar carregando o poste nas costas.

Se o povo brasileiro instalar o poste na maior cadeira do Planalto, vai justificar o ditado que “o povo tem o governo que merece” e PT saudações. Por vias das dúvidas eu agora mandarei o meu marido declarar até o meu cachorrinho, que não se chama Totó, porque é mais antigo do que “Passione”, ao IR.

Fiquem com a Marina Morena:

William Waacka: Boa noite. Bem-vinda, candidata.

Christiane Peleja: Boa noite.

Marina Morena: Boa noite.

William Waacka: A senhora tem uma campanha com dificuldades financeiras, mas onde a senhora está na pesquisa foi, na sua maneira de interpretar, algo muito positivo e inesperado ou muito pouco?

Marina Morena: Olha, William, eu acho que eu... o que nós conseguimos até agora foi algo muito positivo e vai continuar sendo positivo.

William Waacka: Acima das expectativas?

Marina Morena: Eu diria que está nas expectativas porque discutir o Brasil é a expectativa de quem está preocupado com a educação, com a segurança, com a melhoria da qualidade de vida, com a proteção do meio ambiente. E estas eleições, elas estavam indo por um caminho, no meu entendimento, muito negativo, que era o de ficar fazendo debate que não interessa. Medindo o currículo, medindo o passado, quando na verdade nós temos avanços que precisam ser integrados, mas temos imensos desafios que precisam ser enfrentados e erros que precisam ser reparados. Erros graves. Nós ainda temos ainda cerca de 40% das nossas crianças que entram no ensino fundamental e não chegam sequer à oitava série. Isso é muito grave. A gente tem um sistema de saúde que, por mais que seja bem pensado, que é o Sistema Único de Saúde, as pessoas levam meses para conseguir um exame especializado e horas e horas nas filas. Esse Brasil profundo precisa ser debatido e ele estava sendo, é... resvalado. Em lugar de fazer o debate, as pessoas estavam se preparando para o embate. E, agora, com a nossa candidatura, com o nosso projeto, a gente sente que tem um debate e a sociedade se mobilizando espontaneamente, que é uma coisa que não acontecia mais...

Christiane Peleja: Candidata...

Marina Morena: ...na política.

Christiane Peleja: Candidata, a senhora construiu sua vida política no Acre, estado que representa. Nos últimos dez anos, a senhora esteve ligada ao grupo político do PT, que domina a política local no Acre. O que que pode explicar que nesse tempo todo tão pouco tenha sido feito pelo desenvolvimento do estado?

Marina Morena: Olhe, Christiane, se você olhar para o Acre há 10, 20 anos atrás, dizer esse tão pouco, é... Talvez não seja justo com a história do Acre. Não sei se você lembra, mas ali nós tínhamos um processo em que tinha esquadrão da morte, uma associação do esquadrão da morte com o narcotráfico, pessoas inocentes eram assassinadas, é... O episódio da motosserra, do Hildebrando Pascoal. Não havia Estado democrático de direito no estado do Acre. E um grupo se levantou para construir aquele estado. Muita coisa foi feita, sim... Os índices...

Christiane Peleja: Mas, candidata, a gente tem alguns números aqui: 73% do estado não têm esgoto, 54 não têm água encanada, 10% da população é analfabeta.

Marina Morena: Eu concordo com você que são índices muito graves. Não é? E em dez anos obviamente que você não consegue reverter isso. E eu não quero minimizar a gravidade desses fatos. Mas ali não pode esquecer que existe uma oligarquia que negligenciou aquele estado o tempo todo. O Acre era território, ele passou a ser um estado, depende de repasses da União. Nós tínhamos ali uma situação de completa degradação social. Agora, obviamente que é grave o que acontece ainda no Acre, mas muita coisa mudou e mudou para melhor. Difícil é imaginar que o estado mais rico da Federação – que é o estado de São Paulo – tenha uma situação como eu vi lá na favela da Mata Virgem – que de mata virgem não tem nada – que é uma ocupação numa área de manancial, esgoto a céu aberto, mais de dez mil pessoas onde não tem um equipamento público... aqui no estado de São Paulo. Por isso que eu estranhei que no programa do governador Serra ele tenha apresentado uma favela virtual. Porque tem uma favela real. O Acre é um estado pequeno com desigualdades sociais muito grandes como temos no Norte, no Nordeste. Agora, como explicar que isso aconteça aqui em São Paulo, onde você tem uma população que não tem nenhum atendimento por parte do estado como é o caso da favela da Mata Virgem. E o estado do Rio de Janeiro, por exemplo, que é o segundo mais rico da Federação? Está em antepenúltimo lugar em educação. Um dos piores índices de educação. Então essa realidade é a realidade do Brasil profundo. É por isso que nós estamos insistindo em debater o Brasil, debater o que interessa e não ficar essa guerra entre o vermelho e o azul...

William Waacka: Vamos...

Marina Morena: Pra ver quem é que tem um mundo mais fantasioso. Não é? É uma novela que a gente vê nos programas de TV.

William Waacka: Vamos lá. Vamos, vamos na sugestão que a senhora acabou de fazer. Vamos debater os grandes temas. A senhora, por exemplo, quando confrontada com alguns deles: aborto, drogas, às vezes a senhora diz: "Através de um plebiscito deveríamos resolver essa questão". Outras ocasiões, em outras ocasiões, a senhora afirma que é o Congresso, por exemplo, o caso do aborto, que deveria ser o... a instância responsável por decisões. Onde é que a senhora acha que é plebiscito, onde é que a senhora acha que é o Legislativo que tem que tomar a decisão?

Marina Morena: William, tenho mantido a mesma posição. O problema é que o plebiscito é também uma aprovação do Congresso. Não é o Executivo que faz. Mas a minha posição é que um tema com essa complexidade que envolve questões éticas, questões morais, questões filosóficas, questões religiosas, que não há muita informação sobre o tema, que a gente faça o plebiscito para que aquilo que é necessário que aconteça – que é o debate – possa acontecer o debate. Mas um debate que não seja esse, é... enfim, raivoso, onde os que são contra o aborto ficam taxando as outras pessoas como se elas fossem é...

William Waacka: Mas o plebiscito não esvazia as instituições democráticas?

Marina Morena: Não, não esvazia. Senão, nós teríamos...

Willian Waacka: Veja, por exemplo, o exemplo da Venezuela...

Marina Morena: Não, mas no caso do plebiscito para esses temas, eu diria que faz com que as instituições também se coloquem no lugar de debater. Olhe só o que aconteceu em relação à questão do sistema de governo. Presidencialismo ou parlamentarismo? Foi um esvaziamento das nossas instituições...

William Waacka: Isso foi da nossa geração, ainda...

Marina Morena: Isso... Foi? Não foi, pelo contrário. E a sociedade disse, em alto em bom tom, que queria o presidencialismo. Eu fiz uma campanha a favor do parlamentarismo e acho que o Congresso até tinha uma simpatia pelo parlamentarismo. Foi melhor a sociedade ter debatido, mas debatendo – não é? – com 'D' maiúsculo e não simplesmente aquela coisa raivosa que um fica taxando o outro de ser reacionário, o outro taxando o outro de estar querendo perverter as instituições...

Christiane Peleja: Candidata...

Marina Morena: Ou a família.

Christiane Peleja: Candidata, o partido da senhora é menos conhecido do que os partidos dos seus adversários. As pessoas talvez não tenham muita clareza nas posições do partido da senhora. Quem seriam os seus parceiros preferenciais na política externa e também comercial?

Marina Morena: Eu acho que a política externa a gente não pode medir apenas a partir da visão de parceiros pré-estabelecidos. Você orienta a política externa a partir de princípios e com esses princípios você se relaciona com os seus parceiros, interlocutores ou até mesmo com aqueles que você tem divergência. Um princípio fundamental para um país como o Brasil, não é? Dar continuidade a todo o movimento que fizemos nos últimos 150 anos de uma cultura de paz. Nós estamos em paz com as nossas fronteiras, isso é um princípio. Portanto, não vamos fazer nenhum movimento na direção de favorecer qualquer outra atitude que não seja a da negociação, da relação pacífica entre os povos, da cooperação. Um outro princípio: a defesa dos direitos humanos, a defesa da democracia, isso é um princípio. Quando você orienta a política externa por princípios, você se relaciona com quem quer que seja, mas não relativiza os princípios e aí os teus interesses comerciais, os teus interesses particulares, eles não são tratados apenas no caso a caso...

William Waacka: Candidata, tem um exemplo prático aí diante de nós para ver como é que a senhora aplicaria os princípios que a senhora acabou de descrever, que é o Irã. O Irã é uma ditadura teocrática que está, obviamente, subvertendo a ordem da não proliferação internacional. Como a senhora aplicaria esses princípios ao Irã?

Marina Morena: Afirmando o princípio e trabalhando por eles e com certeza não daria a audiência que foi dada a Ahmadinejad, que causou um estranhamento nas democracias ocidentais e inclusive China também. Se não se colocou na mesma perspectiva... Eu acho que o diálogo é importante, ninguém pode ser criticado pelo diálogo, mas não se pode fazer em nome do diálogo um movimento político que acaba favorecendo um ditador, que não respeita direitos humanos, que não respeita as liberdades políticas, que tem presos políticos e que tem como objetivo construir e fazer a bomba atômica.

William Waacka: A senhora não teria feito o que o presidente Lula fez?

Marina Morena: Eu não teria dado a audiência que foi dada, não faria o movimento que foi feito, ainda que não condene o diálogo. O diálogo deve ser feito. Não é? Um país que diz que o Estado de Israel tem que ser riscado do mapa, eu acho que nega o, enfim, tudo que aconteceu com o holocausto, não tem condição de você ficar dando audiência para esse tipo de político.

Christiane Peleja: Vamos mudar um pouco de tema, candidata. A senhora diz que é um milagre da educação. No entanto, o governo do qual a senhora mesmo participou mudou muito pouco o quadro da educação. O que que a senhora, em um eventual governo da senhora, mudaria?

Marina Morena: Prioridade em relação aos investimentos. A educação é a melhor forma de promover a inclusão social, de criar igualdade de oportunidade para todas as pessoas. É... Nós tivemos, Christiane, um avanço sim nos últimos 16 anos. Hoje nós temos acessibilidade para 100% das nossas crianças no ensino fundamental. Nós saímos no governo do presidente Lula de 600 mil vagas para mais de um milhão de vagas. Isso é um avanço. Qual é o problema? É a falta de qualidade. A educação não é de qualidade. Quarenta por cento das crianças que entram no ensino fundamental não chegam à oitava série. Nós ainda temos cerca de 15 milhões de jovens que estão analfabetos. Nós não temos um ensino atualizado para os temas deste início de século, uma profissionalização que dialogue com os novos fazeres, com as novas práticas econômicas, que crie novos produtos, novos materiais. É preciso dar um reforço no ensino técnico e no ensino tecnológico, e isso não está acontecendo no Brasil. É uma prioridade. É preciso fazer uma revolução na educação. Nós estamos vivendo, pasmem os senhores, um apagão de mão-de-obra. Nós estamos importando engenheiros, geólogos, físicos, químicos para os melhores postos de trabalho no Brasil. Por quê? Por falta de prioridade na educação.

Christiane Peleja: Eu peço para a senhora continuar aqui com a gente. A gente volta daqui a pouquinho, no próximo bloco, com mais entrevista com a candidata do PV, Marina Morena. Até já.

William Waacka: Candidata, os ambientalistas em todo o mundo têm uma postura que, se pode dizer um denominador comum, é criticar uma sociedade de consumo que impõe ao planeta, talvez, uma carga que as gerações futuras não possam mais suportar. Até onde o Brasil, cujo crescimento é baseado em grande parte em consumo, pode prosseguir nesse caminho?

Marina Morena: Eu diria que fazendo aquilo que o mundo inteiro está procurando fazer, que é evitar a destruição do planeta sem as consequências indesejáveis dessa mudança. É possível... é... crescer, produzir, sem destruir. E, se nós... se não for possível, não há um caminho para a trajetória da humanidade. Como eu não acredito nisso...

William Waacka: Mas, candidata, todo mundo quer carro, todo mundo quer consumir. Imagine todos os chineses consumindo, imagine esses milhões de brasileiros que agora estão chegando a um novo padrão de consumo. Como é que a senhora vai dizer para eles "não dá"?

Marina Morena: Não é dizendo simplesmente "não dá". É criando alternativas. O transporte público no Brasil é uma vergonha. E as pessoas compram carros para ficar três horas no trânsito. Se tiver um transporte público de qualidade, se tivermos sistemas corretos de ciclovias, para que as pessoas possam ter outras alternativas. As pessoas estão ficando cada vez mais conscientes. O que não pode é você, simplesmente, fazer a crítica do atual modelo sem apresentar uma alternativa. A sociedade está sensibilizada para as mudanças e para as transformações. O que falta é a visão estratégica, o pensamento e o investimento para que se faça essa mudança. Isso é válido para todos os setores. Hoje nós temos uma matriz energética que está ficando suja em função de que colocaram termoelétricas a carvão, a gás, na... e a diesel na nossa matriz energética, quando a energia produzida do vento já tem um custo semelhante ou até mais barato do que a energia produzida pelas termoelétricas. Isso é falta de visão estratégica. Se nós continuarmos vivendo o estilo de vida do tipo cinco planetas, nós vamos inviabilizar a vida de todo mundo. Se nós buscarmos os meios juntando a ciência, a ética que nós temos em relação às futuras gerações, já existe boa parte das respostas técnicas.

Christiane Peleja: Candidata, a senhora tem falado com muita frequência que é preciso reduzir os gastos públicos. Como é que a senhora faria isso, onde a senhora cortaria, caso seja eleita?

Marina Morena: Primeiro nós temos que ver a questão do gasto público pelo lado da eficiência. Nós somos um país que arrecada tributos e tributa muito, mas usa mal os tributos públicos e o recurso público. A saúde não tem a qualidade necessária, a educação não tem. Nós temos ainda 80% da população que não tem acesso a esgoto tratado no nosso país. Então você arrecada tanto e entrega pouco, olhando pelo lado da eficiência do gasto. Uma outra coisa: evitando o desperdício. Isso a gente evita com transparência, fechando o dreno da corrupção. Sabia que o dreno da corrupção daria para quase dobrar o orçamento da educação, que hoje é de 5% do nosso PIB? Isso é reduzir o gasto público. E fazendo com que este Estado não entre na velha discussão, Estado demais, Estado de menos. Eu gosto da ideia do Estado necessário, mas não o Estado provedor, que se agiganta achando que vai fazer tudo e ainda vai fazer o resto. Nem o Estado apenas fiscalizador, sabe? Que, se não tem competência para prover, não tem competência para fiscalizar. Um Estado mobilizador, eficiente e transparente. E uma coisa que nós nos comprometemos claramente: nós vamos, é... limitar o gasto público, o crescimento do gasto público, à metade do crescimento do PIB, para evitar o descontrole em relação às contas públicas.

William Waacka: É uma proposta muito ambiciosa essa que a senhora está fazendo, de limitar os gastos públicos à metade do crescimento do PIB, com tudo que já foi comprometido para o próximo orçamento, que a senhora eventualmente como presidente administraria. Como é que a senhora vai enfrentar isso?

Marina Morena: Com... os, os meios que eu acabei de mencionar. Eu acho que tem uma coisa que o brasileiro tem que aprender, que a melhor forma de ter essa eficiência é através da transparência. Quantos programas são feitos que não são avaliados? Que gastam recursos, que têm funcionários públicos e que entregam tão pouco para o benefício da população?

William Waacka: A senhora vai enfrentar a máquina?

Marina Morena: Eu vou enfrentar aquilo que é o desperdício dentro da máquina e fazer com que o Estado deixe de ser visto como máquina e passe a ser visto como uma instituição que olha para as pessoas, que olha para o cidadão para prestar um bom serviço. Quem foi que disse que eficiência só é uma, uma... digamos assim, um meio, um bem que se consegue na iniciativa privada? Eu estive no Ministério do Meio Ambiente e conseguimos muita coisa com poucos recursos. Conseguimos diminuir desmatamento de uma forma reconhecida no mundo inteiro com um orçamento de 390 milhões. Sabe como? Fazendo com que esses recursos pudessem ser integrados dos vários ministérios, servidores públicos do Ministério da Fazenda, Ciência da... Ministério da...

Christiane Peleja: Candidata...

Marina Morena: Defesa, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente...

Christiane Peleja: Aproveitando...

Marina Morena: Trabalhando junto.

Christiane Peleja: Aproveitando que a senhora está falando justamente da sua gestão no Ministério do Meio Ambiente, os ruralistas se queixam de que na sua gestão no ministério foram criadas áreas de proteção irreais, quer dizer, parte da produção agrícola brasileira já está em situação ilegal dentro destas novas reservas. Como é que a senhora resolveria esse problema?

Marina Morena: Primeiro que não é verdade que as reservas foram criadas de forma ilegal. Nós criamos 24...

William Waacka: Não, as reservas são legais, quem está produzindo nelas é que está ilegal.

Christiane Peleja: Sim, sim. Isso.

Marina Morena: Ah, eles estão ilegais, sim, uma boa parte está ilegal.

Christiane Peleja: A situação é que é ilegal.

Marina Morena: E eu tenho dito, Christiane, uma coisa. Nós não podemos querer mudar o teste, nós temos que passar no teste. O Brasil pode dobrar sua produção agrícola sem precisar derrubar mais um pé de mato. Sabe como? Utilizando as tecnologias da Embrapa. E as pessoas, em lugar de fazer disso, lutar por isso, pelos recursos, pelos incentivos, pela assistência técnica, estão reivindicando produzir mais destruindo mais recursos naturais. Você sabe o quanto se produz na Amazônia – não é? – em termos da produção na pecuária? Uma cabeça de gado por hectare. Já existe tecnologia que permite que possa dobrar essa produção e ainda liberar cerca de 70 milhões de hectares para outras atividades produtivas. Essa visão atrasada é que precisa mudar – não é? – e eu acho que não vai mudar se os políticos continuarem fazendo discurso fácil. Esse discurso de compactuar com a ideia de mudar o teste em lugar de passar nele. Para passar no teste, é preciso criar os incentivos, fazer a transição, buscar agregar valor, tecnologia, conhecimento, inovação, para a gente aumentar a produção...

William Waacka: Candidata...

Marina Morena: Por ganho de produtividade.

William Waacka: Candidata, a senhora não falou a palavra, mas eu vou falar, a senhora está falando do agronegócio. É um setor fundamental para a balança comercial brasileira e para a alimentação do país. É um dos setores que se desenvolveu alheio ao Estado, até. E eles têm orgulho disso. O Brasil se tornou, a partir do sucesso do agronegócio, um dos maiores exportadores mundiais de frango, café, suco de laranja, carne... Repito, sem a ajuda do governo. Agora a senhora se diz a solução para o agronegócio. A senhora vai mostrar para o agronegócio para onde ele deve ir?

Marina Morena: Eu diria que, em alguns aspectos, sim.

William Waacka: Quais?

Marina Morena: Porque esta visão de opor meio ambiente e desenvolvimento é o caminho para onde não deve ir. E, lamentavelmente, esse, essa visão permanece em parte do agronegócio. Não dá para a gente generalizar. Não são todos, já existem muitos que estão indo pelo caminho positivo de passar no teste. Agora, é verdade que é responsável por mais de 30% da nossa balança comercial, é verdade que uma parte investiu em pesquisa. Aqui em São Paulo, a produção agrícola e a produção de carne têm altíssima tecnologia. Por que não pensar em fazer o mesmo na Amazônia? Por que quando é o Cerrado, a Amazônia, o Pantanal, a caatinga, as pessoas acham que podem fazer de qualquer jeito? Esse não é o melhor caminho. Se nós fizermos as coisas da forma certa, vamos gerar novos empregos, novos produtos, novos materiais. Vamos apostar em pesquisas, tecnologia, e ainda vamos criar uma nova narrativa para os nossos produtos.

Christiane Peleja: Candidata...

Marina Morena: Em lugar de sermos vistos, desculpe, Christiane, como aqueles que são os vilões do meio ambiente, nós vamos ser a grande solução. O Brasil reúne as melhores condições para fazer a diferença.

Christiane Peleja: Eu queria fazer mais uma última pergunta, a gente tem menos de um minuto, então a resposta tem que ser muito rápida. O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina e o maior exportador mundial desse produto. Ambientalistas dizem que essa liderança foi conquistada e é mantida às custas do desmatamento. A senhora concorda com isso?

Marina Morena: Uma parte sim. Não dá para generalizar. É... às vezes a gente fala o agronegócio, a agricultura, como se fosse uma coisa só. Tem gente que está na vanguarda. E esses precisam ocupar a cena, liderar o processo, não deixar que o Brasil seja o tempo todo visto lá fora como se fosse o país em que as regras não são respeitadas. Não é? Nós precisamos, por exemplo, transformar o álcool numa commodity. Por que que ainda não aconteceu isso? Porque o Brasil perdeu oito anos. Em lugar de fazer a certificação, só fazia propaganda.

Christiane Peleja: Candidata, seu tempo acabou.

Marina Morena: Obrigada.

Christiane Peleja: Muito obrigada...

William Waacka: Obrigado.

Christiane Peleja: ...candidata Marina Morena, do PV.

Se você chegou aqui tenho certeza votará na Marina, se ainda está em dúvida é porque os entrevistadores não lembraram de perguntar sobre a quebra do sigilo da filha do Serrote, com objetivos que todos menos o nosso apedeuta-mor, como sempre, não sabe. Eis o que Marina Morena disse a respeito:

“Não se pode utilizar meios ilícitos pra conseguir informação de quem quer que seja. Campanha já é o prenúncio do que se fará quando chegar ao poder. Quem não respeita a legislação, quem não respeita as instituições, antes de ganhar, que garantia teremos que respeitará depois que chegar lá?”

“Temos que lamentar profundamente essa situação de descontrole a que chegamos na Receita Federal e, de novo, dizer que não pode o ministro (Guido Mantega) ficar em silêncio numa questão dessa magnitude. É mais que um incômodo, gera uma omissão”.

A que ponto chegamos!

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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