segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O Envelope Fechado



Alguns dias atrás, no começo de todos estes escândalos que acometem nosso país, li que, em um comício em Goiânia o candidato Serra chamou a candidata Dilma de: “Envelope Fechado”. Naquela época, este epíteto rendeu uma série de escritos e interpretações sobre o dito, mas, fico com o sentido simples do candidato tucano, quando o usou, se referindo ao pouco conhecimento que o povo tem sobre a candidata do PT.

Pensei também em escrever sobre mais este apelido para o poste. Entretanto, foram tantas as emoções e assuntos, com os escândalos que foram aparecendo a partir daquela data, que ele saiu de minha mente. Hoje ao ver as fotos do desfile de 7 de setembro em Bom Conselho, e vendo a Amparo Costa, se não me engano, que era filha do Zé do Socorro, eu lembrei de um envelope fechado, ao me lembrar do Zé do Correio.

O Zé do Correio era, talvez, mais velho do que eu um pouco, e naquela época era um jovem atraente. Nunca o incentivei a nada, mais gostava de receber carta através dele e não pelo Hélio ou pelo Adel. Coisas de adolescente que vive sempre pensando besteira, e nunca faz nenhuma com medo de não pecar. Ah! Como eu invejo a Josenilda Duarte!

Para nós, com aquela idade, e vivendo no interior, os Correios, não eram, como é hoje, um foco de corrupção. A Erenice já existia mas não mandava nadica de nada nos Correios. A empresa era apenas um dos meios eficientes de comunicação, naquela época. Tanto que, na escola, aprendíamos a escrever cartas de vários tipos. Comerciais, de amor, oficiais, e outros, e cada um tinha seu padrão de abertura e fechamento. Durante muito tempo, enquanto meus pais eram vivos eu começava as cartas assim:

“Espero que esta lhes encontre gozando saúde e paz. Eu estou bem, graças a Deus....”

Para logo em seguida reclamar das coisas da vida e dizer da saudade que sentia tanto de nossa terra quanto da família. Neste tipo de carta, de caráter privado e sentimental, não cabia em seu fecho o “Atenciosamente”, nem na abertura, o “Ilmo(a) Sr.(a)”, que eram reservados para uma correspondência mais formal, e se fosse mais formal ainda, o “Exmo (a) Sr (a)” vinha a calhar. Não alcancei o tempo do “escrevo esta mal traçadas linhas...”

E todas estas cartas eram enviadas ou recebidas em envelopes dos mais diversos tipos e odores. Quando eu recebia uma carta, podia até saber quem a colocou no correio só cheirando o envelope, quando vinha de Bom Conselho. Perfumada, seria sempre de uma colega, fedendo a tempero, de minha mãe, e, a mais mal cheirosa era do meu pai ou de um meu irmão, quando ele não a perdia, durante suas diversões intermináveis.

Uma coisa é certa. Todos os envelopes iam e vinham fechados. Para fechá-los usávamos a língua para passar nossa saliva na cola que havia nelas, ou a reforçávamos passando goma arábica, normalmente disponível nas agências do correio. Mas todos eram envelopes fechados. Envelopes abertos eram ruins. Significavam, quase sempre, violação de nossa intimidade, quando liam o que tão recatadamente escrevemos. Então porque um candidato, querendo acusar o adversário, chama o outro de “envelope fechado” com o intuito de denegri-lo?

Eu não sei ao certo, mas penso que vivemos numa época onde, a violência e a maldade é tanta, que é melhor receber um envelope aberto, mesmo com sintomas de violação, do que recebê-lo fechado sem saber o que contém. E realmente, a Dilma não passa de um envelope fechado até hoje, embora ache que o Serra também o é, por tentar acompanhar um discurso de Brasil grande que não era dele e sim de Lula. A Marina, minha candidata, bem que tentou ser um envelope aberto para o povo, mas não teve tempo de ser aberto, ainda.

Outra interpretação desta contradição me veio à mente, quando lembrei de um velha história, da época dos chefes políticos e dos coronéis, que casavam e batizam, politicamente no nosso interior, talvez lembrada pelo Zezinho, quando cita nosso coronel em artigo anterior. Conta-se que o coronel orientava os seus correligionários a votar em seus candidatos, colocando seus nomes em um envelope fechado, e entregando a eles no dia da eleição. Um eleitor, querendo ser mais esperto, perguntou ao coronel:

- Coronel, eu posso abrir este envelope para ver em quem estou votando?

A resposta veio na ponta da língua do coronel:

- Claro que não, meu filho, o voto é secreto. Coloque o envelope fechado na urna e você já cumpriu sua grande missão cívica.

Quem sabe este não é o verdadeiro sentido do cognome para Dilma de “envelope fechado”, embora hoje isto não faça mais nem sentido, pois só se aperta botões? Mas, pensando bem, se a cola for fornecida num envelope fechado, o eleitor só vai saber que votou no 13. Como parte dos eleitores não sabe quem é o 13, só poderá dizer que estará votando em Zagalo, e o voto continuará secreto.

Histórias à parte, antigamente, quando se prometia muito e não se cumpria, se usava o termo “estelionatário eleitoral”, para classificar o candidato prometedor. Para ser justa, com a Dilma, ninguém pode dizer isto. Ela realmente é um “envelope fechado”, enviado pelos Correios da Erenice (quando escrevo li que caiu mais um diretor, será primo dela?), pelo Lula, para o povo brasileiro. Talvez nem ele mesmo saiba o que tem dentro do envelope, mas se não houver o que ele está prometendo, o estelionatário eleitoral será ele. Chega a me dar pena, do apedeuta-mor, se o povo descobrir que o envelope traz algum vírus letal ou uma bomba. Talvez nem o Zezinho de Caetés o aceite mais na Academia. O Roberto Almeida não o chamará mais de estadista. O Rafael Brasil e o Altamir Pinheiro, dirão: Eu não disse!?. O Blog de Bom Conselho de Papa-caça, fará críticas a ele. E o José Fernandes, que é uma pessoa coerente, é o único que dará a ele abrigo em sua mansão de Casa Forte. E, fatalmente, ele estará desfilando com o Grito dos Excluídos lá em Bom Conselho, no dia 7 de setembro de 2011. No palácio do governo de Pernambuco, o Eduardo, já preparando sua candidatura a presidente, pois se a culpa foi do Lula ele que aguente as consequências, pois ele só fez, como todo povo, ter acreditado que dentro do “envelope fechado” só havia coisas boas, dará ordem ao seu ajudante para, se aparecer alguém barbudo, com os olhos vermelhos, e com uma garrafa de 51 debaixo do braço, não o deixar entrar.

Eu não seria católica se desejasse uma coisa dessas para alguém. Então peço ao povo brasileiro, vamos abrir este envelope antes das eleições, não votem na Dilma. Vamos para o segundo turno, certamente, teremos tempo de abrir o envelope, dando tempo também aos outros candidatos de não serem também envelopes fechados. Tenho certeza, com os envelopes abertos, preto no branco, a Marina será nossa presidente. E pelo que estou vendo de escândalos, a grande imprensa parece que está usando o bico da chaleira para abrir o envelope Dilma. Se eles conseguirem e o povo souber, o segundo turno será entre a Marina e o Serra. Ou seja, entre a Floresta e o Serrote. Quem você acha que ganhará?

Do contrário se o envelope não for aberto em tempo, teremos a Dilma, e aí eu terei pena do Lula que poderá se tornar o rato líder do filme abaixo, quem diria? Por isso a tristeza e preocupação do Zezinho de Caetés, coitado...







Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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