quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O Juízo Final

Ontem li o artigo do Zezinho de Caetés sobre os escândalos desta nossa República. Eu fiquei com muito medo, quando ele concordou comigo que não havia mais jeito de defender seu conterrâneo, o apedeuta-mor, Lula. E o medo vem exatamente, porque ele era o último homem que poderia se insurgir contra certas atitudes do D. Sebastião de Caetés, como ele agora o chama. Graças a Deus é mais um para Marina, como uma forma de evitarmos o pior para este nosso país, que teve que aturar a fuga de nossos jovens da escola para serem presidentes, e a fuga do trabalho para não perder a famigerada Bolsa Família.

Li também um artigo da Dora Kramer, jornalista política de valor, que sabe das coisas, e que todo brasileiro responsável deveria ler. Ler e explicar aos mais humildes deste país, o que pode lhes custar seu amor ao pai Lula. Por isso, pedi para nosso Blog, que é de Bom Conselho, mas reconhece que também faz parte deste Brasil, que o transcrevesse aqui. O título do artigo já fala por si mesmo: “Solução Final”.

Eu, como católica apostólica romana, preferia que fosse “Juízo Final”. Inclusive por que li, já hoje, também, o artigo do nosso amigo e colaborador, José Fernandes, e concordo com ele inteiramente que nossa CNBB, não deveria mandar votar ou não votar em ninguém, como uma instituição, podendo no entanto fazer suas sugestões como qualquer outra sem vincular a qualquer pecado ou sanção qualquer que seja a minha escolha. No entanto, eu concordo que a sugestão é correta, não porque a Dilma é contra o aborto, e sim porque ela não demonstrou nenhuma capacidade política, ao se meter em escândalos e mais escândalos, por um simples motivo: Ela e o chefe estão mancomunados em tudo. Se vencer, já entra na presidência com fama de mentirosa gerada no caso da Secretária da Receita, que disse que foi recebida numa entrevista e ela nega. Agora se envolve com esta história do sigilo fiscal e da Erenice Guerra. Não tem jeito de brigar com a CNBB por sugerir não votar nela por estes motivos, e não porque ela não crer em Deus ou é a favor do aborto (que é um problema de saúde pública, eu concordo), ou não votar na Marina porque ela é evangélica, o que seria o fim da picada.

Mas, vamos ao Juízo Final, digo, Solução Final, que foi publicado originalmente no O Estado de São Paulo. Antes que alguém diga que é a grande imprensa golpista, eu digo que o Blog da CIT ainda não é da grande imprensa. Ainda não...

“A alternância está fora dos planos de poder do cidadão Luiz Inácio da Silva, atual e em breve ex-presidente da República Federativa do Brasil.

Há muito isso é uma suspeita, mas a partir desta campanha eleitoral tornou-se mera constatação. Inebriado pelo sucesso, Lula deixa à mostra sua grande fera: a obsessão pela unanimidade que se traduz em vocação para o totalitarismo.

Quem diz isso é o próprio Lula. Quando prega a destruição de um partido de oposição, como fez em relação ao DEM em cima de um palanque em Santa Catarina, e quando manda sua tropa investir forças na eleição de um Senado "mais amigo" para a possível sucessora, Dilma Rousseff.

Lula pretende que o eleitorado "extirpe" o DEM da política brasileira porque o partido fez oposição cerrada a ele. Note-se que não fala em derrota eleitoral nem política, mas em extinção, destruição, aniquilamento.

Quer dizer, assim como imprensa boa é imprensa inerte, na visão dele oposição boa é oposição morta.

Quanto ao Senado, note-se que o presidente não deseja para o País um Parlamento de melhor qualidade, mas um Poder Legislativo mais dócil ao Poder Executivo. A falta de preocupação com a qualificação de cada um ficou patente quando da prisão do candidato ao Senado pelo Amapá, Waldez de Góes, no dia seguinte ao presidente ter aparecido no horário eleitoral pedindo votos para ele.

Para que Lula necessita de um Senado "amigo", qual o projeto inovador, de fundamental importância que seu grupo político está pensando em apresentar ao Congresso que é repudiado pela oposição, que esteja acima de qualquer possibilidade de negociação política e, portanto, que precise de um batalhão de obedientes?

Especula-se que sem entraves na Casa revisora teria caminho livre para aprovar plebiscitos e alterações na Constituição que de outro modo não passariam, mas de concreto ninguém sabe de coisa alguma e de objetivo nada que seja benéfico para o conjunto da sociedade está fora do alcance da articulação política entre a base do governo e a oposição.

Sobram duas hipóteses: ou está sendo engendrado algo inegociável e que teria o repúdio da opinião pública, ou Lula quer construir uma maioria política acachapante para o deleite de exercitar a hegemonia de maneira absoluta, sem nunca mais precisar disputar coisa alguma de verdade, podendo entrar nas contendas com a parada ganha por antecipação.

De certo modo isso já mais ou menos acontece porque, se o detentor do poder não respeita a regra do jogo, tem dupla vantagem: os instrumentos e a falta de escrúpulos. E é exatamente assim que Lula se conduz na Presidência, usando a máquina e passando por cima da lei.

Nesse patamar de autoencantamento o risco é a pessoa perder de vez o senso de que o mundo não obedece a ordens dos homens e comece a atuar na lógica da insensatez, construindo um processo de dilapidação do próprio patrimônio.

Lula está no ápice e ficará no ápice e meio se conseguir eleger no primeiro turno uma pessoa sobre a qual pouquíssimo se sabe e sobre quem há mais referências negativas que positivas.

Significará que nem o céu é o limite.

Ocorre, porém, conforme a História nos conta, que ninguém pode tudo acima de tudo o tempo todo e o excesso dá expediente na antessala dos erros fatais.”

Deus nos proteja a todos e livre-nos da Dilma e da Opus Dei, amém.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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