quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Os cachorrinhos e a Papacagay



Em artigo anterior, neste Blog (http://www.citltda.com/2010/08/bom-conselho-os-predios-os-semaforos-e.html), eu comento algumas das políticas públicas propostas para nossa cidade pelo nosso conterrâneo Alexandre Vieira. Uma delas referia-se à necessidade de conter a onda de cachorros de rua que, segundo ele, assola Bom Conselho. Minhas sugestões sobre esta política mantêm-se as mesmas. Entretanto eu falava lá de uma lei estadual que estava em vias de promulgação pelo governador do Estado, que entre outros méritos pode ser considerado, por causa desta lei, como o grande defensor dos cachorros pobres.

Ora, dirão os céticos e não amigos das pobres criaturas: Mas nem todo cachorro de rua é pobre, conhece-se cachorros que vagam pelas ruas com coleiras valiosas, fazendo inveja aos outros, e que não deviam estar lá, a colocar em risco a saúde da população. Eles podem até terem razões, em alguns casos. Eu, como forma de uma generalização prudente em defesa de todos estes quadrúpedes abanadores de rabos, eu defendo que a lei seja igual para todos, igual acontece com os humanos. Às vezes, na vida real uns são mais iguais do que outros, mas, temos sempre esperança de encontrar um juiz honesto e que faça a devida justiça.

No entanto, o que me leva a abordar este tema aqui foi, a ida de um engraçadinho ao SBC, me chamar de Lucinha Pexota e além disso, distorcer minha plataforma política. Quando mexem com minhas convicções políticas eu fico uma fera. Imaginem que o gajo (e agradeço novamente aos amigos José Fernandes e Maria Caliel por chamarem a atenção dele no Mural) disse que eu estava propondo, entre outras coisas, o uso de camisinha e ainda bolsa família para a raça canina. Se eu não fosse uma mulher educada eu diria a ele que apoiaria o uso de preservativo para os pobres cachorrinhos, se ele se dispusesse a colocá-lo na hora do ato de amor entre os bichinhos. Quanto ao Bolsa Família, da forma como é utilizada, eu não apoio nem para os humanos quanto mais para cachorros. Entretanto, estaria disposta a mudar de opinião se o comentarista fizer parte de alguma família de cachorros de rua. É só estender a patinha...

Mas vamos á nova Lei que é o que importa. É um projeto do André Campos, do PT, o que mostra que os petistas, iguais aos brutos, às vezes, também amam. Embora os mais cáusticos possam dizer, que eles só amam os animais, eu não chegaria a tanto. A Lei pretende ajudar na solução de um grande problemas em nossas cidades, que é a superpopulação de animais pelas ruas, sem donos e muitas vezes doentes. Isto envolve tanto cachorros, como gatos, cavalos, bois, burros e jegues. Para efeito desta lei, os animais são reduzidos a cães e gatos. Para facilitar nossa explicação os chamaremos todos de cachorros, não querendo rebaixar os outros animais. Eu, pessoalmente, também gosto de gatos, embora não goste de “cavalos”.

Para isto o governo estadual deverá incentivar programas que visem melhorar o controle reprodutivo dos bichinhos, gerando medidas de proteção, por meio de identificação, esterilização cirúrgica e adoção, e criando campanhas educacionais para conscientizar a população que cachorros também devem ser respeitados, a não ser que sejam homens cachorros.

A partir dela não se pode mais fazer o que faziam lá em Bom Conselho, colocando “bola” de veneno para os pobres cachorros, cujo único crime era olhar para um pedaço de carne no açougue dia de sábado. Mataram tantos cachorros, inclusive um meu, que o local onde era o açougue, hoje funciona uma agência bancária, que dizem só cheira a cachorro morto. Agora é proibido matar os cachorrinhos, a não ser que eles tenha doenças infecto contagiosas incuráveis que coloquem em risco a saúde de pessoas ou de outros animais.

Então, senhores governantes, agora é lei no nosso Estado. Respeitem os cachorros e colaborem com sua felicidade, como se fossem seres humanos. Agora, para a nossa prefeita dizer que seu governo é o “governo do povo, das duas uma, ou ela inclui os cachorros no meio do povo, ou muda, e diz que o povo também é cachorro. Pois pela Lei 14.139, sancionada esta semana pelo governador Eduardo Campo, a diferença entre os dois tipos de raça é mínimo. Embora, certas horas eu seja mais os caninos. Viva o governador dos cachorrinhos!!!

Há outro tema que o título deste texto me obriga a tratar: A Papacagay. Todos que me acompanham, literáriamente, é claro, sabem que sou uma defensora das minorias, principalmente, aquelas que sofrem com preconceitos e mal tratos, simplesmente, porque os seres humanos pensam que o normal é ser maioria. Pensam estes que assim pensam que isto é ser democrata, quando numa verdadeira democracia, o grande dever da maioria é o respeito pelas minorias dentro do bom convívio social. A ideia de uma parada gay em nossa cidade, surgiu da lembrança de minha infância e mocidade passada naquela terra onde sofri na pele, a discriminação por ser mulher e até mesmo por ser mulata, como quase todos os brasileiros. E sabia, à boca pequena, que o machismo reinante era ameaçador da própria dignidade humana. E o tratamento dado ao homossexualismo, tanto masculino quanto feminino era constrangedor. Sem querer generalizar, mas, a rotina era tentar curá-los como se eles portassem a mais contagiosas das doenças.

Atualmente, já se sabe que a tendência sexual do ser humano, não é uma doença, embora, indivíduos de algumas tendências possam ficar doentes, terrivelmente doentes. Por exemplo, existem machos que se vangloriam tanto de suas espadas que terminam tentando sentar-se em cima delas, é o machismo exacerbado. E existem fêmeas que usam de forma tão inadequadas as suas bainhas, que cedo elas parecem bolsas de supermercados, é o feminismo exacerbado.

O amigo José Fernandes, numa de suas mensagens inspiradoras, me pede um favor: “NUNCA defenda essa história de papacagay. Peço-lhe por todos os santos, já que você é muito religiosa. Essa de papacagay é um acinte. Uma coisa despropositada. Quem quiser ser homossexual, que seja. Mas não é necessário propagar aos quatro ventos essas tais preferências! É assim que eu vejo esses desvios! Se bem que essas sinuosidades sejam tão antigas quanto o é a própria humanidade.”

Foi por causa desta mensagem e pelo apreço que tenho pelo conterrâneo que resolvi falar da Papacagay. E digo ao amigo que não posso fazer-lhe este favor, e explicarei porque, já afiando minha língua para não perder nem o voto dele nem muitos de Bom Conselho, por causa dos meus princípios.

Em primeiro lugar, é por ser muito religiosa que defendo os pobres e oprimidos pela maioria. Mesmo minha igreja não defendendo os gays, ela leva, pelo absurdo do celibato sacerdotal e pela forma tacanha como trata o sexo, aos seus seguidores a passarem muitas vezes uma vida inteira infelizes por não se assumirem ou por se assumirem de forma oculta. Eu, como católica luto para que uma visão cada vez mais cristã e menos secular nela prevaleça. Temos tidos muitos avanços nos últimos tempos, mas estamos longe do ideal. Um festa gay, como a que proponho em nossa cidade, a qual já é até evento turísticos em outras, corresponde mais ou menos, ao que presenciei tempos atrás lá mesmo, com a coragem e determinação de um grupo de moças resolverem sair tocando numa escola de samba. Senti não ter saído nesta escola, pois não podia comprar a roupa adequada. Hoje isto seria tão comum quanto qualquer parada gay em São Paulo, por exemplo.

Em segundo lugar eu penso que o amigo José Fernandes coloca seu raciocínio a partir de uma premissa errada, quando ele diz, “quem quiser ser homossexual”. Eu digo, ninguém quer ser homossexual, a pessoa “é” homossexual, enrustido ou não. A partir daí qualquer conclusão soa falsa, como por exemplo, dizer que “quem quiser ser mulher”, que seja, e nós, as próprias, sofremos muito tempo admirando a capacidade dos homens, chorando pelos cantos por não nos sentir capazes de fazer o que eles faziam. Graças a Deus hoje não é mais um acinte eu querer ser vereadora em Bom Conselho, e uma bênção, que eu espero que ele mantenha, do José Fernandes votar em mim.

Por que não a Papacagay? Por acaso se pensa que não teremos quorum suficiente para tal? Pelo que me contam tenham certeza, que se todos os enrustidos comparecerem, vai ser o maior bloco do carnaval 2011. Minha defesa da mudança do Encontro de Papacaceiros para o Carnaval, deve-se aos fato de muitos que certamente participariam da Papacagay, não poderem estar lá em janeiro. E haverá mais gente ainda se as espadas e as bainhas tiverem absoluta certeza do seu papel, e brincarmos todos juntos. Eu tenho certeza que não quero ser espada nem o amigo José Fernandes quer ser bainha, então dai a espada a quem quer espada e a bainha a quem quer bainha e sejamos todos felizes.
Afinal de contas, quem reconheceu tudo isto, e considerando-o um dos seus grandes erros, foi um homem que o José Fernandes admira muito: O Fidel Castro. O ex-presidente cubano assumiu a culpa pela onda homofóbica empreendida por seu governo há quase cinco décadas, quando marginalizou os homossexuais e os enviou a campos de trabalho agrícolas forçados, acusando-os de serem "contrarrevolucionários", afirmando ainda que é o principal responsável pela perseguição aos homossexuais na ilha há 50 anos e lamentou não ter corrigido essa falha por estar envolvido na defesa do país.

Ao reconhecer a terrível injustiça que cometeu com os homossexuais, o Fidel, não se tornou menos apreciador de um espada ou de uma bainha, ou seja lá qual for sua tendência sexual. Antes tarde do que nunca. Além disto, já se sabia que desde a década de 1990, o homossexualismo vinha sendo mais tolerado na ilha, inclusive por militantes do Partido Comunista, ainda que os homossexuais não tenham parado completamente de receber o assédio da polícia. Entretanto, a psicóloga cubana Mariela Castro Espín, filha do presidente Raúl Castro, converteu-se em uma defensora das minorias sexuais, promovendo, nos últimos anos, cirurgias de mudança de sexo e o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo, e declarou que está preparando uma carta para a direção do PCC (Partido Comunista de Cuba), solicitando que essas pessoas (homossexuais) não sejam discriminadas pela sua orientação sexual ou orientação de gênero.

Ora, se até o Fidel se converteu, porque não incentivar a Papacagay. Minha sugestão agora, aos seus organizadores, é o envio de convite ao próprio Fidel para que desfile com nossa parada, e se ele vier, tenho certeza que o Jodeval Duarte acompanhará o José Fernandes, junto com o seu ídolo, com uma faixa: “Socialismo sim, preconceito não”.

Para terminar, já que este Blog é lido em todo o Agreste Meridional, bem que poderíamos já ter no Festival de Inverno uma apresentação da “Gayranhuns Parade”.

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

Nenhum comentário: