domingo, 12 de setembro de 2010

PAPACAGAY!



Recebemos uma mensagem do amigo José Fernandes, na qual ele comenta, um meu comentário, sobre um comentário dele sobre “a” Papacagay. Feminino porque aqueles que sugeriram este nome se referiam à Parada Gay de Papacaça. Como sempre, ele é o gênio da língua portuguesa, e temos apenas a aprender com ele. O importante agora é que nosso público leitor julgue, analise, pense e conclua, não necessáriamente nesta mesma ordem. Por isso, resolvemos publicar esta mensagem nas postagens normais. Caro José Fernandes, seja bem-vindo de suas imprensadinhas. Veja logo abaixo da mensagem, um texto que não é uma resposta, pois hoje estou cuidando do meu neto, mas apenas uma forma de continuar nos comentando mutuamente, o que só me dá prazer.

Lucinha Peixoto

-----------------------

Amiga Lucinha,

Entre sábado, 4, e quarta, 8, estive fora, aproveitando as imprensadinhas do feriado. No dia 9, visitei a página da CIT. Encontrei o seu artigo "Os Cachorrinhos e a Papacagay" (http://www.citltda.com/2010/09/os-cachorrinhos-e-papacagay.html). Face ao tempo que me é escasso, só li a parte que trata do Papacagay. E você faz boas referências ao meu nome, pelo qu agradeço. Assim também, ao nome do camarada Fidel Castro, a quem admiro, por ser um líder inconteste. – Por se tratar de tema homossexual, não dá para definir se papacagay é masculino ou feminino. Você o chama de “a” papacagay. E eu o tratei de “o” papacagay. Todo caminho, dá na venda. Vou deixar que você faça o desempate.

Como já lhe disse, as suas jocosidades são bem-vindas a mim. E bem-lidas por mim. Sem as suas jocosidades, o blog da CIT não teria tanta graça. Que me desculpem os outros escritores. E essas desculpas vão com maior ênfase para o Diretor Presidente, por ser ele o manda-chuva daí. Mas imagino que se ele vetar o meu nome nas páginas da CIT, eu ainda posso contar com a sua defesa. Isto é, com a defesa da amiga Lucinha. Retribuo o apreço que você tem por mim. E digo-lhe que a recíproca é sinceramente verdadeira. E quanto a você não poder prestar-me o favor pedido, isso é inteiramente justo e compreensível. O meu voto, você não perderia, jamais, por isso!

Adianto que dei boas gargalhadas ao ler as suas explicações sobre o porquê da sua luta incondicional em favor dos homossexuais. Mas as gargalhadas foram pelo seu jeito de descrever os fatos. Não foi zombaria, não. Sei que você é a favor de quase todas as minorias. E se você não sabia, eu também sou a favor de muitas das minorias. Não posso dizer que somos a favor de todas, porque, se assim fosse, iríamos dar apoio aos ladrões do dinheiro público, que se instalam nos três poderes da República: Legislativo, Judiciário e Executivo.

E aqui fica um exemplo patente de minha defesa de minorias: sempre que Conceição vem com as suas turras contra as prostitutas, eu as defendo com unhas, dentes e espada. Com muito mais razão e principalmente, quando se trata das prostitutas pobres. Porque estas são vítimas de muitos maus tratos e preconceito, como de resto acontece com as demais minorias citadas por você. Conceição diz que elas, as pobres putas ou putas pobres, nasceram com DNA de puta e não querem trabalhar, porque é fácil exercer a profissão de meretriz.

Aí eu digo que ninguém nasceu puta. Que essas saliências e reentrâncias das putinhas ou putonas são mais profundas do que ela imagina. Existem a miséria, a falta de educação, as aberrações pelas quais muitas passam dentro da própria casa. Aberrações vindas de pais, tios, irmãos, padrastos etc. Mas a dona "encrenca" não quer acordo. - E aí eu faço uma ressalva, no trato com as putas de todo gênero: não precisa escrever na testa que é puta. Basta ser. Não precisa parecer que é. Salvo quando estiver em pleno exercício da profissão. Haja vista que elas, as meretrizes, têm notório saber jurídico, aliás, notório saber meretríssimo e reputação ilibada. Algumas podem até ser membro dos tribunais de contas e, por que não, dos tribunais superiores da nossa Justiça.

Por isso que Gabriel García Márquez escreveu um livro intitulado: “Memória de minhas putas tristes.”- Tristes putas que habitam esse mundo velho sem porteiras e com puteiros. Sem eira, nem beira.

E é aqui que eu retiro o “quem quiser ser...”, que escrevi da vez passada, e que, tão sabiamente, você me contestou. Porque, de fato, parti de proposição errada. Assim, vamos dizer: quem teve a sorte ou a má sorte de ser homossexual, que seja sem problema. Mas repito: não precisa fazer essa divulgação adoidada. Basta criar estardalhaço quando estiverem em pleno exercício da atividade-fim. - Todavia, se é para divulgar e comemorar com festas, mais pompas e circunstâncias, que não fique nenhum (a) enrustido (a).

Assim sendo, a partir de agora, seria justo que se pusesse um livro volumoso, num dos pontos principais de Bom Conselho, para que todos e todas que queiram participar do Papacagay, na condição de homossexual, aponham seus nomes em letra de forma, seguidos de mais alguns caracteres identificadores. Nada de mais, nem de menos. – Outra, por se tratar de evento em espaço público, numa parada gay, não se deve trocar carícias. Coisa muito desnecessária. Porque muitas pessoas podem querer assistir a “festa”, até acompanhadas de filhos ou netos menores de idade, ou seja lá de que idade forem. E muitos desses assistentes, possivelmente, iriam sentir-se constrangidos, com justa razão. Troca de carícias é coisa para se fazer em ambiente fechado. É o que penso.

Como você fez referência à “nossa” Igreja Católica, relembro aqui uma maldade do papa Clemente V, juntamente com o rei Felipe IV, da França: os Cavaleiros Templários – organização suspeita, ligada à Igreja – haviam adquirido muito poder e dinheiro, por conta da conivência e covardia do papa anterior, Inocêncio II. Com tanto poder nas mãos dos Templários, Clemente V arquitetou um plano mentiroso. Enviou aos seus soldados ordens secretas, lacradas, para serem abertas simultaneamente no dia 13.10.1307, uma sexta-feira. Na carta, o papa afirmou que, numa visão, Deus veio até ele e o alertou de que os Templários eram hereges, adoravam o demônio e eram a favor do homossexualismo.

Então, segundo Clemente V, Deus lhe havia dado a ordem de purificar a Terra, prendendo todos os Templários e torturando-os para confessarem seus crimes. Assim, naquele dia 13, sexta-feira, muitos e muitos Templários foram presos, torturados e queimados na fogueira, como hereges. O rei Felipe IV e o papa Clemente V se apoderaram de todos os tesouros dos Templários. Porque estes foram dizimados impiedosamente. – Isso é o que registra a história.

Por conta dessa malfeitoria de Clemente V, as sextas-feiras, 13, ainda hoje são consideradas dia de azar. - Mas é pena que os homossexuais já sejam discriminados desde longos e longos anos. - Se tergiversei muito, com essa história de papas, reis e Templários, perdoe-me e aceite o abraço do amigo. – É ISSO./.

José Fernandes Costajfc1937@yahoo.com.br
-----------
Amigo José Fernandes,

Implorei ao nosso Conselho Editorial para que “nosso papo” fosse publicado hoje, por ser um dia especial. Hoje, no nosso belo bairro de Boa Viagem, do qual eu quero distância, e prefiro mesmo os arredores da Torre, Madalena e Casa Forte, a grande Parada Gay, ou como eles chamam, da diversidade, aqui em Recife. Sobre isto, transcrevo aqui um texto da Marisa Gibson, o qual li ontem no Diário de Pernambuco, com o título Votos do Arco-íris:

“Na Câmara Federal, os deputados Raul Jungmann (PPS), candidato ao Senado, e Maurício Rands (PT), que concorre à reeleição, são os dois pernambucanos que mais se sobressaem na luta pelos direitos dos homossexuais mas suas ações não chegam nem perto do trabalho realizado na Assembleia Legislativa pelo deputado Isaltino Nascimento (PT), que seguramente detém, no estado, o monopólio dos votos coloridos que giram em torno do Arco-íris, símbolo da causa gay. São muitos votos. Quase meio milhão. Então é óbvio: Isaltino, Rands e Jungmann estarão carregando suas bandeiras na parada gay que será realizada neste domingo, em Boa Viagem. Como acontece com todas as minorias, os gays, lésbicas e travestis querem o que todo mundo quer, principalmente trabalho, saúde e educação. Porém, como a questão sexual ainda se sobrepõe no dia a dia desse segmento, a maior reivindicação é a adoção de medidas para combater a homofobia, que se traduz de várias formas, desde de um preconceito disfarçado ao crime. Já existe projeto de lei na Câmara dos Deputados, desde 2006, criminalizando a homofobia, mas tramita lentamente. Agora, da mesma forma que existem parlamentares defensores da causa gay, há deputados contrários ao avanço dos direitos dos homossexuais, sem contar com o peso de diversas religiões que não admitem o homossexualismo. Porém, a realidade é que eles existem e hoje se constituem numa parcela do eleitorado que pode assegurar o mandato de muita gente. Registre-se que, ao contrário de outras minorias, os gays foram para as ruas e com as passeatas transformaram seus protestos em eventos lucrativos, como acontece com a parada gay que se realiza anualmente em São Paulo já incluída no calendário turístico da cidade. Aos políticos, portanto, cabe apenas manter suas reivindicações em pauta e aprovar projetos, o que não é tão difícil, desde que não entre em confronto com os chamados setores conservadores, que têm mais peso e influência nas casas legislativas do que todas as minorias juntas.”

Os nossos amigos que nasceram com a espada no lugar da bainha, e vice-versa, depois de uma grande luta que deve vir desde que o Papa Clemente V provocou a primeira Sexta-Feira 13 da história, como você nos conta, chegam a eleger pessoas. E portanto já são motivo de acordo ou desacordo entre os políticos de plantão. Eu não sabia que os deputados citados eram simpatizantes desta minoria, eles subiram em meu conceito.

Minha surpresa maior foi com o Isaltino, que é o xodó de nossa prefeita Judith Alapenha, e espero que o outro, o Wolney, também participe da Gaydrilha lá em Caruaru, “numa boa”, como dizem meus filhos. Eles serão uma voz a mais para a realização de nossa Papacagay, e os quero ver no desfile, durante o carnaval, carregando uma bandeira com as cores do arco-íres, enquanto a multidão delira. E agora, que sabemos que a presença de nossa prefeita é certa, a festa será de arromba. Eu já estou repensando meu voto e os meus amigos ativos do movimento também.

Não se preocupe que os bons costumes, em termos de carícias exageradas, não serão quebrados. Ninguém verá lutas de bainhas contra ou a favor de espadas em público, como uma vez eu vi no Clube dos 30, à base de Lança Perfume Rodouro. Como diz a Marisa Gibson, o que todos queremos é participar desta luta contra a homofobia, tanto quanto somos contra ao racismo, o anti-semitismo, à violência contra a mulher, sejam elas putinhas ou putonas, iranianas ou brasileiras, do planalto ou da planície, e neste ponto, você está mais certo do que a Conceição (um dia ainda a conhecerei para trocarmos ideias a respeito), e neste caso não é o DNA, é um problema social, e não moral.

Sei que ainda há muito chão pela frente para digerirmos os prós e os contras sobre tudo isto, e neste momento, não posso tratar. Minha filha e meu genro foram para a parada, embora não seja DNA, minha filha puxou à mãe, é uma simpatizante, com meu apoio, já sua sogra pensa como a Conceição, meu genro foi lá pela doutrinação de minha filha. Agora tenho que continuar doutrinando o meu neto, do qual sou a guardiã, quando a mãe vai para as paradas. Até agora ele é espada, mas, pelo tamanho, ainda não dá para saber se será um furador igual ao avô.

Não sei em quem você vai votar para deputado mas pense nos citados acima, são todos de esquerda e todos votam em Dilma, e você, mesmo indiretamente, estará colaborando com a causa, mesmo pertencendo aos setores conservadores, de que fala a Marisa. Um abraço da amiga,

Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

Nenhum comentário: