quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A Pinguela do Açude da Nação



Como já falaram e comentaram antes, eu estive em minha terra no 7 de setembro. Desta vez não fui nem a Caldeirões. As estradas para lá estavam péssimas, me avisaram. Como em Bom Conselho, todo mundo só fala politicamente, principalmente nesta época, não sei se a informação era uma crítica infundada à administração da prefeita, ou se era verdade mesmo. Em dúvida, não fui. De lama basta a em que já estamos vivendo nesta campanha eleitoral.


Telefonei para o Jefferson, nosso único funcionário lá, e agora fazendo trabalho voluntário, pois a CIT não pode pagar mais nem o salário mínimo. E se o Serra for eleito, aí piora, pois ele está prometendo um salário de 600,00 reais. Parece que não deu certo pois a Dilma não sai do canto. Meu Deus, de que eu estou falando? Logo eu, que já estou cansado de política, pois não aguento mais a Lucinha me pedindo prá votar em Marina, que, para mim, só teria chances se prometesse dobrar o salário mínimo, para os que trabalham e triplicar o bolsa família para os que não trabalham, e que todos iríamos para o céu. Chega! Queria dizer apenas que nem ele soube me informar sobre a condição das estradas, pois nunca mais veio nem à feira de Bom Conselho.


Quando cheguei, minha agenda já estava pronta. Depois de tomar um café no Bar do Geo, e cumprimentar algumas pessoas, pois nesta época de política, mesmo aqueles que não nos conhecem estiram logo a mãozinha, pensando que somos um candidato, minha primeira tarefa foi ir ao nosso glorioso e recém estourado Açude da Nação. Embiquei meu carro para lá seguindo pela avenida nova, que começa na ponte do corredor, como todos sabem, é uma reta para o açude, e seria uma reta até a estrada para Palmeiras se já o houvessem refeito.


Decepção, parei no primeiro cavalete que avisa do monte de terra e asfalto quebrado que mostra o tamanho do rombo no açude. Um corte imenso, que ainda sangrava, como qualquer ferida profunda, e, parecendo ser em nós, me doía na alma. Minha mente, voltou ao passado, quando acorri àquele belo volume d’água para ver as meninas tomando banho de maiô. Até já me referi aqui a este episódio (http://www.citltda.com/2009/09/o-7-de-setembro.html) há um ano atrás. Será que nunca mais eu verei, mesmo tendo chegado já no fim do banho, moças, agora de biquíni, tomando banho nele?


Então, por não me restar mais nada a fazer eu comecei a tirar fotos, que aqui foram colocadas ao longo deste texto, para que, vocês que são da nossa terra, e já curtiram como eu aquele espelho d’água, também sintam um pouco do que senti naquela hora. Como eu gostaria de atravessar outra vez naquele paredão! Foi, quando vi várias pessoas descerem uma ribanceira em direção ao açude, e ao invés de voltar, simplesmente sumiam atrás do monte de terra no ex-paredão. Não resistindo a minha curiosidade segui um senhor que empurra uma bicicleta e perguntei para onde ele ia.


- Vou para o outro lado açude!

Disse aquele senhor, que não parecia em nada um bom nadador para enfrentar mesmo o restinho da água do Papacacinha que ainda passa pelo resto do açude.

- Mas como o senhor vai atravessar?

Perguntei eu ainda curioso. Ele me respondeu:

- Pela ponte, claro!


Eu ainda não via ponte nenhuma, talvez ainda fixado em pontes como a de Zé Rosa e do Colégio que resistiram bem às águas. Fui me chegando e comecei a vê-la. Era uma pinguela. Depois de me informar sobre sua segurança, resolvi acompanhar aquele homem e sua bicicleta, e se a pinguela caísse, poderíamos pedalar juntos.


Não posso dizer que fiquei contente por conseguir, enfim, satisfazer o meu desejo de travessia. Lembrando o verso da canção de Milton Nascimento que tem este nome: “Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar”, e quase chorei, por ver nosso grande açude reduzido a uma pinguela. Todos dirão que é melhor do que nada. Quão conformista é o nosso povo. Eu não sou, e quero de volta o meu açude com um paredão descente e melhor do que aquele que existia lá. Embora, se algum candidato aparecer por lá agora prometendo um novo Açude da Nação, e até doação de biquines paro o banho de nossas jovens, não acreditem e não votem nele. Respeitem, pelo menos, a nossa pinguela.

Diretor Presidentediretorpresidente@citltda.com

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