sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Quase tudo




Em vista do que vai a seguir, no dia 21.9, à meia-noite, deixei de encaminhar mensagens de cunho político-eleitoral. Mas continuo recebendo. Também, não pedi a ninguém que deixasse de enviar-me. E para as pessoas de quem recebo coisas inúteis e mentirosas, sobre candidaturas, mando só resultados de pesquisas eleitorais. Mas resultados de pesquisas eleitorais podem equivaler a um cheque sem provisão de fundos.

Nos embates políticos e politiqueiros que ora correm soltos, já vi e ouvi quase tudo. Aqui, na minha tela onde escrevo, já chegou três vezes, um vídeo cruel. Esse vídeo de teor chocante está circulando Brasil afora. Ao menos, para mim, é um chamamento terrível. No dito vídeo, os seus idealizadores apelam para que um facínora hediondo, a quem chamam de “goleiro Bruno”, estupre a candidata a presidente da República, Dilma Rousseff. Os criadores da “peça” espalharam-na. E as criaturas que comungam desse mesmo sentimento hediondo, enviam para os endereços de que dispõem.

Como quase todos os brasileiros sabem, esse repulsivo “goleiro Bruno” matou, juntamente com elementos iguais a ele, e muito covardemente, uma jovem que teve um filho e dizia que o filho seria dele. E ela queria fazer o teste de DNA para comprovar. E, se comprovada a paternidade, ela iria querer a pensão (alimentos) a que teria direito por lei. A jovem era a Eliza Samudio, quase uma adolescente. Alguém que leia esta matéria vai dizer que a Eliza era “garota de programa”, “Maria chuteira”, prostituta etc.

E eu pergunto: se ela era tudo isso, teria de ser morta e ainda ter o corpo retalhado para alimentar os cachorros de um dos bandidos que ajudou na sua execução? Ou, como está no inquérito policial e na denúncia, esse mesmo bandido dono dos cachorros foi quem teve a maior participação nas torturas e na execução da jovem.

Pois bem, em vez de tal ato de terror ser repudiado por todos quantos dele tomaram conhecimento, há uma parcela do nosso povo, aplaudindo e implorando ao tal bandido Bruno que salve essa eleição, estuprando a candidata do PT. E, depois, matando-a. – Até que ponto chega a maldade e a mediocridade humana? – Haverá quem diga que isso é só uma brincadeira de mau gosto. Mas não é. Isso é ódio acumulado nos corações de quem espalha um vídeo com esse conteúdo.

Não se brinca, nem zomba de uma pobre jovem que morreu naquela situação. Ainda que digam que a Eliza foi ambiciosa e outras coisas mais. Mas, por isso, ela teria de ser assassinada? Ainda mais de maneira tão cruel! – Essas pessoas que estão endeusando o hediondo Bruno, não querem a Dilma Rousseff disputando a eleição. Portanto e por isso mesmo, querem igual fim para a Dilma! Porque, só assim ela sairia do páreo. Se elas dizem que só aquele bandido pode salvar a eleição, é porque o julgam muito valoroso!

Não consigo perceber, muito menos entender o que justificaria tanto ódio. Será o desespero de pensar que a eleição pode estar perdida para o candidato deles? Triste e cruel realidade de um povo de memória curta!

Adiante: há cerca de quarenta dias, um domingo, minha esposa me pediu que eu fosse com ela à Igreja de Nossa Senhora da Conceição, aqui pertinho, em Casa Amarela. Ela queria fazer umas doações e aproveitaria para assistir à missa. Como a minha sem sorte, aliás, consorte, dirige carro muito mal, ela não sobe a ladeira conduzindo nenhum veículo, nem que as vacas da Lucinha tussam; e todas ao mesmo tempo. Então, eu fui com ela. Entrei na igreja, sentei-me e fiquei vendo e ouvindo o ritual da missa.

Faço um parêntesis para dizer que não sou católico, nem anglicano, nem evangélico. Admiro muito a doutrina espírita. E sou cristão. Aceito o cristianismo porque Jesus Cristo foi e é uma realidade. Não é ficção. A ficção está nas histórias inventadas pelos homens. Cristo foi um homem simples, e que, segundo contam, tinha ascendência nobre. Ele viveu e morreu neste nosso mundo. Era sábio e líder. E deixou as suas lições bem claras. As religiões é que deturparam tudo ou quase tudo quanto o Cristo ensinou. Escreveram e reescreveram bíblias e evangelhos. Do modo que bem quiseram. Tanto que enquanto não houve a briga de Martinho Lutero com o papa Leão X, a bíblia só era escrita em latim. Haja coisas escondidas por trás do latim! Depois dos desentendimentos de Lutero com o então papa, aquele fundou o protestantismo e traduziu a bíblia para outras línguas.

Pois bem: voltemos à missa onde eu estava, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Logo, chegou a hora do “sermão”. O padre começou a falar sobre a “parábola do administrador”. Nem sei se existe mesmo essa parábola! Ele foi falando de mansinho. De repente, fez uma parada e disse: “Não pensem que estou falando de política, não. Estou falando de como se deve administrar etc. Mas vocês estão vendo os escândalos que surgem diariamente no governo federal. Então, quero dizer que ‘não voto na candidata do PT. Mas o voto de vocês é de vocês.’”

Naquele instante, as pessoas, quase todas muito humildes, mesmo assim se entreolharam. E houve uns cochichos. – Aqui eu faço nova pergunta: aquele padre estava celebrando a missa ou fazendo “boca de urna”? Porque, do jeito que as pessoas simples acreditam tanto no que um padre diz, ele sabia que estava mandando que os seus “fiéis” também não votassem na candidata, na qual ele não vota.

Não por acaso, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), distribuiu, há três meses, uma nota na internet, pedindo que os seus “fiéis” não votassem na candidata Dilma. – Sobre esse assunto, eu já falei, faz poucos dias.

De outro modo, li o artigo da Lucinha Peixoto, onde ela fala do padre que apoiou a decisão do Ministério Público de retirar os símbolos da Igreja Católica das repartições públicas. E aquele padre disse por quê. Assim, pois, ele está corretíssimo. Quem deve ter os símbolos do catolicismo em suas casas, são os que praticam a religião. E não quem ofende, tortura, furta e mata etc. E ainda mata o povo de fome, de doenças e de desprezo! Imaginemos aquele deputado cínico, que proferiu a “oração da propina”, lá em Brasília, junto com outros companheiros do PFL. Pois bem: se naquele recinto houvesse vários distintivos de qualquer religião, seria o cúmulo do desrespeito com os crentes da religião. E possivelmente haveria ali alguns distintivos de ordem religiosa.

Indo mais além: já fui vítima de desaforos agressivos, vindos por esta via: correio eletrônico. Além dos muitos vídeos e de outras pretensas mensagens. Houve quem me advertisse de que o voto é secreto e soberano. Respondi que o meu voto só é secreto na cabine de votação. E declarei os meus votos, um a um. Fora daquele ambiente de votação, os meus votos são abertos, assim: para presidente da República, Dilma Rousseff, que faz parte da coligação do nosso governador; para governador do nosso estado, Eduardo Campos; senadores: Humberto Costa e Armando Monteiro; deputado federal, Luciana Santos (que foi o/a melhor prefeito/a que Olinda já teve nos últimos 50 anos); e para deputado estadual, Isaltino Nascimento, que está ao lado da prefeita Judith Valéria. Isaltino pode ajudar a prefeita nas muitas e prementes necessidades que o município de Bom Conselho tem!

Então, secreto, o meu voto só é na cabine. Soberano, ele não é em nenhum lugar. Porque o seu poder é limitado. – E com o parágrafo acima, fica respondida a pergunta da Lucinha sobre se eu seria do PT. – NÃO sou, NEM nunca fui do PT. Sempre estive com o ex-governador Miguel Arraes, em quem votei já em 1962, para o seu primeiro mandato de governador, que lhe foi arrancado em 1º de abril de 1964, pelos gorilas de plantão. Arraes preferiu ser preso a renunciar a um mandato que lhe foi outorgado pelo povo. Por essas e outras, continuei votando nele, enquanto vida ele teve. Em todos os mandatos que ele disputou.

Por falar em 1º de abril de 1964, e vendo esses arrufos desmedidos, peço que Deus nos livre de termos de nos deparar, outra vez, com o Ibad, ou com a TFP, Aliança para o Progresso etc. Livrai-nos desses males. E dessas más companhias, Senhor!

Mais: infelizmente ainda recebo a revista Veja, porque tenho assinatura. Ao terminar essa assinatura, a Veja nunca mais receberá o meu dinheiro. A parcialidade dessa nefasta revista é impressionante. A história do envelope pardo com 2.000 mil cédulas não me convence. Isso seria um envelope ou um daqueles sacos de papel grosso, feitos para embalar cimento? Seguindo o raciocínio da Lucinha, de que o envelope caberia as 2.000 mil cédulas, por causa do teste que ela fez com o papel A4, vale perguntar: por que os “bondosos” do suborno iriam espremer as cédulas num só envelope, quando poderiam usar dois ou três? Sabendo que seria impossível o fechamento do envelope, posto que havia o risco de ele romper-se!

Essa não me convence. E parece óbvio: logo que se fechem as urnas e proclamem-se os eleitos, esse vendaval de denúncias desaparecerá. – Com isso, não estou dizendo que não há corrupção neste governo, não. Tampouco nos outros que o antecederam. Estou dizendo que a “grande” imprensa sabe conviver com qualquer tipo de governo. Como vem convivendo há a anos e anos. – A Veja deve ter sido contrariada logo no início desse governo. Daí escalou um repórter recalcado, de nome Diogo Mainardi, para fazer uma crônica todas as semanas, afrontando o governo Lula, de cima a baixo. Daí em diante, a moda pegou. E todos os colunistas da meia verdade falaram numa só voz.

Por outro lado, um subgrupo radical espalhou, pelos correios eletrônicos, que a candidata Dilma havia dito que “nem Jesus Cristo, se quisesse tiraria essa vitória dela”. – Grande mentira: a ex-ministra Dilma Rousseff sempre pediu e pede para evitar o clima de “já ganhou”. Já ouvi isso dezenas de vezes. Ela usa, inclusive, a expressão “salto alto”. Que se evite o “salto alto”, diz ela.

E o Serra tem medo de falar mal do Lula. Ao contrário: pega carona no desempenho do Lula. Já ando dizendo mentiras, tais como, que vai elevar o valor do salário mínimo para R$600,00 (?). E que vai criar o 13º salário para o pessoal do Bolsa Família (?). Oportuno lembrar ao Zé Serrote que é preciso primeiro ganhar a eleição. Porque, de promessas demagógicas, o povo já está cheio até o colarinho.

Diante de tudo isso que estamos vendo e ouvindo, só nos resta aguardar para que haja um milagre na petição da Maria Caliel. E apareçam candidatos que lhe vendam o voto, nas condições por ela estipuladas. – É ISSO./.

José Fernandes Costa - jfc1937@yahoo.com.br

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