terça-feira, 21 de setembro de 2010

A que ponto chegamos...




Hoje, o jornal que li era o Diário de Pernambuco. Ainda esperei para ler o Jornal do Commercio, mas um senhor, de cabelos grisalhos, enquanto esperava a chamado de sua senha, para ser atendido pelo meu laboratório preferido, o monopolizou o tempo todo. Notei também um olhar de reprovação numa das atendentes, que já me conhece, e sabe que só estou lá para ler jornais e revistas (normalmente do ano passado). Sei que, qualquer dia, para me informar terei que fazer pelo menos um exame de fezes, um sumário de urina, ou mesmo de sangue. Espero que não tenha que escrever, imitando o Diretor Presidente, algo chamado “Um dia no laboratório”.

Do que li, guardei o seguinte artigo, da colunista Marisa Gibson, que teve o título de “Ausências e presenças”.

“Dependendo das circunstâncias, a ausência pesa mais do que a presença. A candidata Dilma Rousseff (PT) já havia se recusado a participar do debate presidencial promovido ontem pela TV Jornal mas, diante das denúncias que provocaram a queda da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, a sua ausência tomou outra feição que não apenas a de se poupar por estar à frente das pesquisas. Candidato que está no meio de um tiroteio da qualidade do que vem atingindo a Casa Civil não pode se esquivar, embora estrategistas políticos considerem que, com a eleição praticamente ganha, o certo é tirar o candidato do foco das denúncias. Mais do que isso: é preciso blindar o candidato e escolher os momentos em que ele deve aparecer e pontuar. É certo que a esta altura Dilma já não perde quase nada, eleitoralmente, não participando de um debate regional como o de ontem. Mas convenhamos, esta história de candidato não comparecer a debates porque está na liderança das pesquisas é um atestado de soberba. Dilma não é a primeira nem a segunda a fazer isso. Em eleições passadas, muitos candidatos lançaram mão desse recurso, que deve ser traduzido em descaso e falta de respeito ao cidadão, ao contribuinte, enfim ao eleitor. Em meio às denúncias de corrupção que provocaram a morte súbita de Erenice, ex-braço direito de Dilma, é possível que muitos espectadores quisessem ter visto a candidata petista no debate para ouvir dela alguma coisa a respeito. Mas o tema do encontro - o Nordeste - era um prato cheio para Dilma justo por ser a região onde o governo Lula se vangloria de ter proporcionado benefícios que nenhum outro governo ousou fazer. Dilma certamente teria colocado os demais participantes, José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio Arruda (Psol), no bolso, até porque Serra e Marina pouco fizeram especificamente pelo Nordeste, ainda que suas ações nos Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente tenham favorecido de alguma forma a região.”

Como eu sei que a Dilma não dá um passo sequer sem falar com o meu conterrâneo Lula, por esta ausência, não posso culpar o seu “avatar”, mesmo sabendo que por ela mesma, não aparecia em canto nenhum, a não ser para reuniões na Casa Civil, que é o que ela realmente sabe fazer, e assim foi descoberta pelo seu mentor.

Fiquei deveras chateado e mesmo constrangido a que ponto, aquele menino, alegre e altaneiro que eu admirava na infância, chegou. Só o vi se escondendo uma vez, quando pegou o gato pelo rabo e jogou longe, e D. Lindu, muito enfezada, queria partir para a violência física contra ele, o que não se consumou, por que ele se escondeu atrás de um pote grande, de onde era servida a água para o consumo familiar. De lá prá cá ele aparecia, mesmo sendo acusado de coisas piores. Podia até responder que não sabia, mas estava lá, presente de peito, aberto. A pergunta que me move ao escrever é , por que, agora ele comanda seu “avatar” para se esconder dos debates?

Na minha condição de acompanhante dos recentes escândalos, envolvendo de perto a Dilma, e a Erenice, cuja Bolsa Família é a maior do país, eu penso que estes últimos acontecimentos são piores do que pegar o gato pelo rabo, mesmo que a D. Lindu não esteja mais entre nós. Agora o problema é com os eleitores. Não há cristão que se convença mais de que a Dilma não esteja envolvida com o “erenicegate”. Então para não correr o risco de ficar tergiversando o tempo inteiro em debates, é melhor ela ficar de fora. E se os bolsistas familiares (como diz a Lucinha) souberem disso? O Serra já prevendo isto, partiu na frente propondo 13º salário para o Bolsa Família. A que ponto chegamos...

O Lula, vendo os escândalos queimarem os seus pés, mais até do que os incêndios do cerrado, além de tudo, agora toma o rumo do Chavez, o PILA (Perfeito Iludido Sul Americano), e marcha contra a liberdade de imprensa. Agora, informar fatos verdadeiros e comprovados, virou golpe da “grande imprensa”. Não quero me deter neste ponto, mas, já disse que falar em “grande imprensa” é tão correto como falar de “opinião pública”. Todo mundo ler e ouve, mas ninguém sabe o que é. Ao ponto de meu conterrâneo declarar: “A opinião pública somos nós”, isto é o PT e seus seguidores. Vamos ter até marcha de protesto contra a imprensa golpista, com o incentivo infeliz do meu amigo de infância. Pelo jeito ele quer dar razão ao coronel de Bom Conselho, terra da Lucinha Peixoto, quando dizia que “opinião pública era um chegue sem fundo”. A outra máxima do coronel ele já vinha adotando há muito tempo: “A lei é como uma cerca quando ela é muito alta a gente passa por baixo, quando ela é muito baixa a gente pula”. É o novo coronel da república. A que ponto chegamos...

Todos já notaram que ando cabisbaixo e triste, quando relembro o apoio que dei ao novo Coronel de Caetés. Não era prá menos. Tantos anos, em sua defesa e agora, presenciar o seu descaminho pela soberba e empáfia daqueles que se julgam reis ou deuses. Perdoe-me o blogueiro mais querido do Agreste Meridional, o Roberto Almeida, mas não apoio mais sua ideia de uma estátua para Lula, nem morto, eu ou ele. Meu Deus, a que ponto chegamos...

Agora estou lendo o Merval Pereira, no Blog do Noblat, que não sei se é “progressista” ou “regressista”, ou seja se vai participar, ou não, do ato contra a imprensa “golpista”, que será realizado em São Paulo, insuflado, pelas declarações do Lula:

“Com seu comportamento marcadamente antirrepublicano, abusando do poder político que a presença eventual na Presidência da República lhe dá, e das regalias que o cargo lhe concede, Lula vai manchando essa campanha eleitoral e a provável vitória da candidata oficial.”

Ah! que saudade que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais, da minhas tardes fagueiras debaixo dos pés de jaboticabas, afanando-as e deliciando-nos, eu o o Lula, com nossa corrupção infantil. Estou com medo de mim mesmo, pois diziam lá em minha terra, que “espinho quando tem de furar, de pequeno traz a ponta”. Espero que a minha tenha se quebrado, a de Lula parece que não. A que ponto chegamos...

Voltando ao mote dado pela Marisa Gibson acima, onde ela diz a verdade pura e simples, de que eleição é uma coisa de “marqueteiros” e não de candidatos, e que a presença ou ausência nos debates, depende da posição dos candidatos nas pesquisas, eu queria apenas dizer, relembrando, um texto antigo do Diretor Presidente (http://www.citltda.com/2010/08/os-candidatos-e-as-pastas-de-dente.html), que se forçarmos muito, na comparação entre candidatos e pastas de dentes, não estaremos incorrendo em grande erro, mas, ofertar tubos de pasta vazios, é também um desrespeito ao povo. A que ponto nós chegamos...


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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