segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A Síndrome do Cachorro de Rua



Recebi hoje a mensagem abaixo transcrita, do Carlos Sena. Sei que ele é um dos conterrâneos entre aqueles que mais desejam o bem da nossa terra, pelos seus escritos e suas atitudes quando a visita. Alguém que nossa terra deve se orgulhar por tê-lo como filho. Não o conheci pessoalmente ainda, e talvez, por ser mais novo do que eu (só um pouco), não o encontrei em minha infância, lá na terrinha, mas não faltará oportunidade. O viés de ser do PT vem apenas para provar que não há bom sem falta. E tenho por ele muita consideração.

Indiretamente, eu escrevi sobre o que ele relata em sua mensagem, há poucos dias atrás, num texto publicado aqui no Blog (http://www.citltda.com/2010/09/os-cachorrinhos-e-papacagay.html). Lá, eu, escrevi sobre a Lei Estadual 14.139, que chamo de Lei dos Cachorrinhos, dizia:

“A partir dela não se pode mais fazer o que faziam lá em Bom Conselho, colocando “bola” de veneno para os pobres cachorros, cujo único crime era olhar para um pedaço de carne no açougue dia de sábado. Mataram tantos cachorros, inclusive um meu, que o local onde era o açougue, hoje funciona uma agência bancária, que dizem só cheira a cachorro morto.”

Juro por Frei Damião, que eu não sabia da situação relatada pelo Carlos sobre o banco em nossa cidade, cuja agência é a mesma, a que me refiro, que é a do Banco do Brasil. Não posso afirmar com absoluta certeza que o nosso açougue, onde vitimaram tantos cachorrinhos, seja no mesmo local onde funciona hoje o Banco do Brasil. Mas, que fica no mesmo quarteirão, isto fica. E o que me surpreende é que cheiro de cachorro morto parece ainda está por lá.

Pelo que o Carlos fala, e sei que ele não mente, os clientes são tratados pior do que os cachorrinhos eram tratados no nosso antigo açougue. O que é uma verdadeira vergonha para nossa terra. Eu digo que quase toda nossa cidade está sofrendo da Síndrome do Cachorrinho de Rua (SCR). Esta é uma doença gravíssima que afeta àqueles que não tem consciência dos seus direitos, e que, quando tem, ficam olhando de lado, com os olhinhos tristes, para ver se não tem alguém com um pau para neles bater ou lhe dar um chute. Esta doença, quase sempre é uma sequela de outra existente em meus tempos de infância, que até o meu pai contraiu, por um tempo. A Síndrome do Coronel (SC). Até para aparar a grama do jardim, ele perguntava se o coronel já havia autorizado. Esta síndrome ainda existe, mas, nas pessoas mais novas vem na forma de SCR, e só alguns já bem antigos ainda tem a SC.

De uma forma ou de outra eu luto para que o governo da Judith dê certo, pois o que sinto, das pessoas que vem de lá é a falta de medo de falar mal de sua gestão, ou seja, não tem medo da prefeita, enquanto um pouquinho de tempo atrás, diziam que falar mal da administração de um mandatário naquela terra, era um passo para ser levado à Serra das Pias, no caminho de Palmeiras do Índios, sem nunca chegar lá e sem volta. Só por isso, ela tem minha aprovação, na área da Saúde, estamos curados da SC.

Mas, pelo que nos conta Carlos Sena, ela e demais autoridades constituídas, deveriam usar suas prerrogativas legais para borrifar aquela agência bancária com o único remédio eficiente na cura da SCR: Cumprir a lei. Fazer dos seus usuários cidadãos completos e não cachorrinhos esperando “bola”. Pelo menos acabaria com aquele cheiro de cachorro morto, vindo ainda do antigo açougue, onde um cachorrinho meu foi barbaramente assassinado.

Segue abaixo a mensagem importantíssima do Carlos que só cresceu em meu conceito. Gostaria que, quando eu começasse minha campanha, a SCR já tivesse sido banida para sempre. Li uma vez em um Blog que este banco, em sua agência na cidade de Garanhuns, também tem um foco desta doença, inclusive lá morreu alguém na fila, com todos os sintomas, então juntemos as nossas forças para livrar todo o Agreste Meridional desta praga. Se mantivermos algum foco ela volta. O esforço tem que ser continuado, nosso povo merece.

Lucinha Peixoto – lucinhapeixoto@citltda.com

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Prezada Lucinha:


a despeito do seu artigo e suas pretensões eleitorais (ou não), tão bem postas no seu artigo, bem como do lindo vídeo sobre o nosso desfile de sete de setembro, gostaria de focar, à guisa de resposta, o que segue. Embora saiba que foge um pouco do assunto que escreveste, mas o que relato, é produto da minha indignação, senão vejamos:

Durante minha estada por aí, fui várias vezes ao Banco do Brasil para resolver coisas óbvias. Para minha surpresa, nenhum caixa eletrônico funcionava. Noutra vez, apenas um estava ativo. Depois, todos pararam e quem quisesse teria que enfrentar uma fila enorme dentro do banco propriamente dito. Desisti e aventurei a noite mais ou menos 18horas. Dei com os burros n´água. Tudo "fora do ar", como costumam nos dizer para justificar a falta de manutenção e, acima de tudo, de respeito com o público. Finalmente, na sexta-feira, pude realizar o que queria, embora presenciando, pela simbologia do local, quanto esse banco não dá a mínima para os nossos conterrâneos que, pacientemente, se acotovelam nas intermináveis filas diante dos caixas eletrônicos e dentro da própria agência. O que mais me intriga nestas questões é o descaso: há trinta e cinco anos que saí daí para o Recife e esse banco era do mesmo jeito que está hoje. Quero dizer, o espaço físico. O diferencial é que naquela época era tudo maravilhoso: banco novinho, cidade pequena, relação face a face com os funcionários, etc. Hoje, tanto tempo depois, a grande maioria dos funcionários da "terra" (no bom sentido, pois ninguém é batata, macaxeira (?)) está aposentada. Não conheço nenhum dos atuais servidores, por isto não posso falar do atendimento deles, mas diante das condições em que a agência se encontra, bem que podemos inferir: sala pequena demais para os caixas eletrônicos; caixas eletrônicos obsoletos (vi um moderno, se não me engano), sujeira por todos os lados, calor, fila mal conduzida, marcações no chão totalmente apagado, lixo no chão, porta de entrada com um tampão em bloco de madeira, vidros sujos, calor, caixinha de sugestão toda quebrada e remendada com fita durex, uma estagiária por perto, mas que nada podia fazer para ajudar, clientes reclamando o tempo todo, etc.

O que me entristeceu: boa parte do nosso povo que lá estavam para sacar ou fazer pagamentos, resignada na fila que não andava porque os caixas não funcionavam em sua totalidade. É um contra-senso, se considerarmos que nossa terra tem "pedigree" de altivez, de enfrentamento, de não levar desaforo pra casa. Desaforo. Esta é a palavra que encontrei para dizer àquele banco: é um desaforo, ver o que aquele banco, com personalidade de tamborete, está fazendo com a população da nossa terra. Principalmente com os mais simples, os que não têm parentes importantes como na canção de Belchior. Como Bom Conselho não tem bispo, não se pode nem “se queixar ao bispo”, como se diz no popular.

Pode ser que o mencionado banco seja o reflexo das autoridades constituídas presentes e passadas. Não sei, mas pode ser. Quero dizer, se "formiga sabe que roçado" come, provavelmente o banco deve ter a complacência de algumas pessoas que poderiam estar intervindo na direção central do Banco. Melhor que condenar e falar mal da prefeita, talvez fosse mais salutar juntar forças e acionar a direção geral do banco do Brasil. Daria, inclusive, menos trabalho.

Digo a você, Lucinha, é muito triste ver nossos conterrâneos em filas intermináveis no banco, principalmente sendo tratados como animais para quem qualquer coisa serve, com todo respeito aos animais. Exagero? Pode ser. Mas não vejo tanto, pois qualquer forma de desrespeito com pessoas idosas, além de idosas aposentadas, além de aposentadas deficientes, além de aposentadas, deficientes, idosas, sem o discernimento necessário para enfrentar os poderosos do capitalismo que nutre os bancos. E a lei dos quinze minutos não é cumprida?

Portanto, Lucinha, agora fico mais leve. Pelo menos você pode me entender e dizer se estou navegando na "maionese". Com certeza o banco deve dispor de mil desculpas prontas, com a do "sistema fora do ar"; "estamos em reforma"... Mas acho mesmo que quem está fora do ar são algumas autoridades que não gritam para que a coisa melhore. Se for o caso, por que o Banco do Brasil não estratifica caixas eletrônicos em outros pontos como super mercados, farmácias e outros? Fica aí a sugestão. Outra: por que não se busca novos bancos como a Caixa Econômica?

Meu abraço, amiga.

Carlos Sena - csena51@hotmail.com
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(*)A foto das meninas do Educandário Menino Jesus de Praga, sentindo o mau cheiro de cachorro morto, ao passar ao lado da Agência do Banco do Brasil, é do SBC.

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