quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ainda Marina




Ontem ao pegar os jornais de domingo, já amassados (perdão Josenilda) pelo meu marido e meu filhos, me deparei com um artigo do Clóvis Cavalcanti, conhecido economista do nosso estado e que se dedica à Ecologia, faz tempos. Com o título de Vitória de Marina, ele tenta analisar a importância de minha eterna candidata a presidente do Brasil.

Eu gostaria de dizer que concordo com tudo que ele diz se tudo eu tivesse entendido. Não sou uma letrada no campo das estatísticas e pesquisas, embora não seja isto necessário para verificar que nas últimas eleições todos os institutos que as praticam, passaram batido. Mesmo assim, tive que consultar o Zezinho de Caetés e Diretor Presidente, que dizem serem os entendidos aqui da CIT. Devo dizer que os dois juntos não chegam aos pés do ateu Cleómenes, de quem me valia nestas horas.

Mas, o Zezinho falou que havia apenas um engano do articulista, quando ele diz que as as pesquisas de intenção de votos não levam em conta o desvio padrão (que não sei nem de que se trata). Elas levam sim, continua Zezinho. O grande problema é que o desvio padrão não tem muito significado usado não diz muito a respeito dos fatos atuais, isto é, ele não reflete o fenômeno que estar se querendo medir no momento. Quando a eleição tem uma grande abstenção, por exemplo, as margens de erro aumentam na prática, mas continuam a ser usadas, como se tivesse se medindo a mesma coisa que em eleições passadas. Ou seja, se fosse levado em conta um novo desvio padrão que levasse em conta as mudanças na base amostral, as pesquisas teriam acertado, mas seriam necessários mais pessoas para serem entrevistadas.

Continuo sem entender nada, e se alguém continuar como eu, leia apenas o que o artigo diz sobre a importância do meio ambiente e da Marina, como a primeira e única a levantar esta bandeira antes e nesta eleição. Agora, neste segundo turno, em que todo mundo é “verde” e contra o aborto desde pequeninos, a leitura só aumenta a saudade da Marina. Leiam, riam ou chorem. São muitas emoções...

“Se houve um vencedor verdadeiro nas eleições de 3 de outubro, seu nome é Marina Silva, e a bandeira que empunhou. Contra todas as expectativas (seus seguidores achavam que, se ela tivesse 15% dos votos, seria uma conquista) Marina atingiu 20% dos votos válidos no país. Para isso, dispôs de tempo mínimo no programa eleitoral gratuito, enquanto Dilma Rousseff aparecia demoradamente, além de contar com todo aparato do governo que representava na disputa para fazer promoção de sua candidatura. Afora isso, as "pesquisas" sempre apontavam Marina com um porcentual de votos que não coincidia com o sentimento das ruas. Aliás, está na hora, mais uma vez, de pôr em dúvida a seriedade desses levantamentos. Primeiro que tudo, não deveriam se chamar de "pesquisas". Pesquisa é o trabalho científico rigoroso que se faz nos laboratórios, nos departamentos universitários e nos institutos independentes (como o de Matemática Pura e Aplicada, Impa, o Nacional de Pesquisas da Amazônia, Inpa, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, CBPF, a Fiocruz). Em inglês, pesquisa é research. Levantamentos eleitorais e de opinião se chamam de poll. A instituição que os executa recebe o nome de pollster. Em espanhol faz-se idêntica distinção: investigación (pesquisa) e encuesta. Mesma coisa no francês: recherche e enquête. Por outro lado, as tais margens de erro - tipo 2% para mais e 2% para menos - precisam ser explicadas. O que isso quer dizer? Na pesquisa científica, estudos por amostragem indicam margens que dependem do desvio padrão. Não é o caso das polls. Elas informam o mesmo intervalo de confiança, quer a medida seja de 51% (resultado da votação de Dilma na "pesquisa" de boca de urna usada pela TV Globo, um fiasco completo), quer seja de 1%. Neste último caso, a votação poderia atingir então -1%! Uma tolice. A propósito, a Rede Globo insistia em mostrar resultados de "pesquisas" de boca de urna quando as apurações estavam avançadas, como se isso significasse alguma coisa. É fazer de bobo o telespectador. Àquela altura, os resultados já mostravam com clareza a besteira das consultas prévias à votação. Nesse ponto, a Band seguia um caminho de melhor senso. Trouxe pessoas competentes para falar, como o senador Álvaro Dias e o marqueteiro José Lavareda. O primeiro chamou atenção para o nó que estava sendo dado nas "pesquisas" pela apuração dos votos, coisa que, em nenhum momento, apareceu no universo pasteurizado de informação da Globo.

Pois bem, o Brasil deu sinal de vida. Não acreditou na edulcorada propaganda da candidata Dilma Rousseff, amparada nas margens extraordinárias de aprovação do governo Lula. E tinha razões para desconfiar, inclusive pela triste história dos escândalos inadmissíveis dos últimos oito anos. Francamente, eu esperava tudo de um governo do PT, menos a reprodução de práticas de mau uso de recursos públicos na escala verificada. Nesse particular, se uma candidatura a presidente da República merece a qualificação de "ficha limpa", é o caso da de Marina. O Brasil viu isso e apoiou a novidade humilde e verdadeira da candidata do Partido Verde. Vale lembrar que foi Sérgio Xavier, presidente do PV em Pernambuco e candidato a governador do estado (com 2% dos votos, uma vitória), quem convenceu Marina a aceitar ser candidata. Ele a trouxe para o partido também. Foi auxiliado, claro, por muita gente; porém, a iniciativa partiu dele. Pessoalmente, fiquei muito feliz com o resultado da eleição. Queria, obviamente, que o PV tivesse a oportunidade de poder dispor de tempo para, com Marina, passar uma mensagem nova aos eleitores do país. Aí, sim, se poderia ver a diferença entre o discurso sustentabilista sério do movimento ambiental e a retórica crescimentista oca dos adoradores do deus crescimento. De qualquer forma, nas urnas do Colégio de São Bento, em Olinda, meu domicílio eleitoral, Marina teve 832 votos (36%), contra 1.045 de Dilma (45%) e 445 de Serra. Uma vitória para minha candidata - que era só felicidade no discurso da noite do dia 3.”


É bom ler um artigo assim para assim, todo verde, para purificar-nos do debate daquele domingo. Amém.


Lucinha Peixoto
lucinhapeixoto@citltda.com

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