sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A Argentina e nós




Morreu Nestor Kirchner. Presidente da Argentina. Li nos matutinos que a Bolsa de Valores de Buenos Aires pode se valorizar porque suas pretensões de concorrer às eleições presidenciais em 2011 nunca foram bem vistas pelo mercado financeiro. Ele sempre foi conhecido como um enfrentador dos mercados e investidores. Muitos investidores passaram a acreditar que, sem sua presença, a Argentina será considerada um menor risco político.

Não quero aqui afrontar as feministas por começar dizendo que o falecido era o presidente. De direito, quem era presidente era sua mulher a Cristina Kirchner, mas de fato, todos sabiam, quem mandava era ele, ao contrário da Lucinha em sua casa. Como disse a Mirian Leitão “o ex-presidente Nestor Kirchner nunca deixou de ser o governante, impunha seu estilo e vontade.” Sempre procurando a hegemonia do legado do Perón, sempre desconfiou dos mercados e tinha fé em “um Estado presente, reparador, protetor e promotor”.

Questiona-se hoje o que fará a viúva, que sempre viveu à sombra do marido. Será que ela terá o mesmo destino das mulheres que detiveram o poder naquela nação inimiga, do ponto de vista futebolístico, é claro? Como diz a jornalista citada: “Evita morreu, jovem e bela, antes que Juan Domingo Perón realizasse o sonho de fazê-la vice-presidente. Isabelita, vice de Perón na década de 70, assumiu quando o marido morreu. Aparvalhada, conduziu um governo fraco e corrupto e foi deposta pelos militares. Cristina assumiu o poder cercada de esperanças de que fosse enfim um governo comandado por uma mulher. Era senadora, tinha tido uma carreira política prévia. Mesmo assim se deixou anular completamente. Se em alguns momentos circularam rumores de que o casamento estava abalado, a parceria política sempre foi indissolúvel, como se os dois fossem um só. E agora?

Passemos do Maradona para o Pelé, ou, como preferem os mais jovens de Messi para Robinho. Vejam que a Cristina ainda teve uma experiência política razoável, e nem mesmo assim conseguiu tomar as rédeas do poder, e ainda é vista com desconfiança. E nós, se a partir do próximo janeiro, tivermos a Dilma? Não porque ela seja mulher mas por ser ela mais parecida com a Isabelita do que com a Cristina, ou seja, despreparada e aparvalhada como ela se comporta nos debates. Aqui temos o nosso Perón em potencial, meu conterrâneo, o Lula. Sinceramente, eu nunca pensei em ter que fazer esta comparação, mas, não tenho outro jeito.

Entretanto eu entrego a comparação a alguém muito mais experiente e jornalista consagrado e de muitas lutas por este mundo afora: O Sebastião Nery. Ele escreveu um artigo, que saiu ontem, e nem sei, penso que não, se ele sabia que o presidente da argentina tinha morrido.

O título de sua coluna é: “Isabelita sem Perón”. Observem que ele não fala da Cristina Kirchner, pois seria quase impossível, mesmo com nossos melhores instrumentos de comunicação, que soubesse que ela ficou viúva. Portanto, qualquer relação que exista entre o texto e a morte do Nestor Kirchner, terá sido mera coincidência.

Depois de fazer um relato dos dias terríveis que ele presenciou em Buenos Aires em 1955, acompanhando as peripécias do Perón e do escritor Jorge Luis Borges, ele começa a falar das mulheres na política argentina, e como não podia deixar de ser envereda pelos destinos do nosso país que poderá ser entregue também a uma mulher, a partir de 2011. Vejamos em vermelho.

“......

Evita

Perón era capitão em 1930 e ajudou a derrubar o presidente Hipólito Yrigoyen. Foi adido militar no Chile e Itália de 39 a 41: - "Mussolini é o maior homem do século, mas cometeu erros que não cometerei".

Com ele, um grupo de jovens militares criou o GOU (Grupo de Oficiais Unidos), simpático ao nazismo e fascismo da Alemanha e da Itália. Em junho de 43, derrubaram mais um presidente, Ramon Castillo. Em 44, o já coronel Perón foi nomeado secretário do Trabalho. Depois, vice-presidente e ministro da Guerra. Em 45, fim da guerra, preso e logo solto.

Casou com Evita Perón. Em 46, elegeu-se presidente da República. Em 49, reformou a Constituição para poder reeleger-se. Fechou o jornal La Prensa, interveio nas Universidades, brigou com a Suprema Corte. E em 51 se reelegeu. Governava com os sindicatos. Era o ovo da serpente.

Incendiou a Argentina e jogou-a nos quartéis dos militares.

Isabelita

Em 1973, os militares não tinham mais como sustentar sua sangrenta ditadura. Perón lá da Espanha elegeu seu laranja Hector Câmpora, que logo renunciou para ele voltar, candidatar-se e ganhar, tendo como vice a nova mulher, Maria Estela, a Isabelita. Durou um ano, morreu em julho de 74 e a Isabelita assumiu o governo. Agravou-se a tragédia argentina.

Medíocre, despreparada, pau-mandado, sem experiência política e administrativa anterior, Isabelita entregou o governo à direita negocista e terrorista, a Triplice A, e à pelegada sindical da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), a CUT deles, cheia do dinheiro do FAT deles.

O país caiu na baderna. Era inevitável. Os militares voltaram mais uma vez e a Argentina caiu numa nova rodada de violência e assassinatos.

Dilma

A sorte do Brasil é que Lula não é Perón, não é Hugo Chávez, que sempre tiveram grupos militares atrás deles, sustentando suas loucuras. O peronismo tinha canhões. O chavismo tem. Lula, para tentar implantar seu lulismo, teve que sustentar-se na corrupção, cevando o Congresso nos cochos do mensalão, comprando centrais sindicais, movimentos sociais, jornalistas e intelectuais de aluguel, até nossa outrora gloriosa UNE.

Quando vejo a Dilma na TV, com aquele atravessado sorriso botox, repetindo sempre o que mandam dizer, penso logo na Isabelita, marionete ventríloqua como a nossa, uma Isabelita falando português e fazendo tudo que Lula, Franklin, Dirceu, Palocci, Eduardo Cunha, Gim Argelo ordenam.

A Erenice, aquele charme de anta de óculos, instalou uma fabrica de corrupção dentro da Casa Civil. O perigo é Dilma ser dominada pela gula insaciavel dos cuequeiros aloprados do PT e virar uma Isabelita sem Perón.”

Ora dirão os petistas, temos que confiar no “nosso guia” maior, sua experiência será transmitida a Dilma, como o Nestor a transmitiu para Cristina, isto é, ele será o presidente de fato. Será? Meus amigos, “seguro morreu de velho, desconfiado está vivo” e dizem que mora em Bom Conselho, já bem velhinho e mora, segundo o Diretor Presidente, lá no bairro de São Rafael, chama-se Seu Salviano. Pelo que li nas cartas e e-mail publicadas aqui no Blog, ele deverá estar se perguntando: "E quem é que sabe quando o Lula irá encontrar o Perón e o Kirchner???"

Então, como nós não sabemos responder a esta pergunta, votemos no Serra. É um risco menor.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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