sábado, 16 de outubro de 2010

As Grandes Cruzadas




Eu não sou nenhuma historiadora. Nunca tive tempo para me tornar uma. Sou apenas uma leitora, e com esta leitura faço cada quitute na cozinha que é de dar água na boca. Também incursiono em outras áreas. A religião é uma delas. Por isso, fiquei bastante surpresa ao ver como a eleição para presidente está se tornando uma autêntica Cruzada, devido ao uso quase constante de temas religiosos.

Todos sabem, que As Cruzadas foram movimentos militares relacionados com o cristianismo da Idade Média, cujo objetivo básico era a expulsão dos turcos muçulmanos de Jerusalém, uma terra considerada santa pelos cristãos. Em nossa eleição, os invasores da terra santa, são os petistas e coligados, que a invadiram e a estão destruindo a olhos vistos, e com o compromisso de cortar todos os laços com o cristianismo, representado agora pelas várias correntes religiosas em nosso país, que vai desde o candomblé até o espiritismo, passando pelas várias religiões evangélicas, a igreja católica. Como nenhuma analogia é perfeita sempre existem certos grupos e pessoas, que não concordam com o tudo ou nada dos mouros infiés ou dos templários cristãos.

Os mouros petistas antigos, ou quatrocentões, sempre quiseram conquistar a terra santa para implementar seu modo de ver o mundo. Lutaram durante anos e anos, batalhas após batalhas capitaneados pelo califa Mohamed Lulafar, até que em 2002, em uma batalha sagrenta contra o ex-califa Mohamed Fhcfar (pronuncia-se fefá), conseguiu conquistá-la. Para isto, como não sabia escrever, ditou uma carta ao povo da terra santa, dizendo que estava disposto a ceder em vários pontos, tidos como intocáveis por alguns de seus companheiros mouros, e obteve o apoio da população, que vivia uma crise pela influência da economia internacional.

Mohamed Lulafar, sendo analfabeto, mas não burro, constituiu uma equipe de mouros para que lhe dessem apoio na condução da terra santa, principalmente, para não permitir a volta do ex-califa, pois ele sabia que, se isto acontecesse, perderia a cabeça na certa. Esta equipe liderada pelo sábio Mohamed Paloccifar, fez o que era correto. Manteve tudo de bom que o Fhcfar tinha feito, e esperou a poeira da crise mundial baixar, e aí, só foi partir para o abraço. Quatro anos depois houve uma tentativa de invasão por um templário conhecido Geraldus Alckmim (diziam que pertencia a Opus Dei), mas este foi rechaçado pelo povo, que já vivia muito melhor do que no tempo de Fhcfar.

Mais quatro anos se passaram e o califa Lulafar já era amado por 80% da população. Apenas 4% eram contra seu reinado, tanto que ele nem os considerava na luta sagrenta para manter a terra santa. Os mouros petistas tentaram contentar todo o povo pobre, dando uma bolsa de couro a cada um e que todo mês ela poderia ser enchida nos estabelecimentos credenciados pelo califa. Ainda havia fome, mas, com a calmaria nos outros países, e a continuação das ações de Fhcfar todos estavam satisfeitos. Tão satisfeitos estavam que prometeram defender o califa em qualquer batalha contra os cristãos, pois agora viviam melhor. Tinha carro, geladeira, fogão, viagens ao exterior, tendas novas. Havia até uma ação para dar tendas ao povo chamado Minha Tenda Minha Vida, que foi administrada por uma fiel assessora do califa chamada Vilmar Roussef. Dizem que era uma “mulher macho sim senhor”, como dizia um mouro que cantava forroh, música típica dos mouros. Tanto que, ao surgir nova ameaça de invasão dos cristãos, ela foi destacada para combater o cruzado da vez, o templário Josephus Serrafus, que havia estado com São Paulo durante algum tempo.

A batalha se prenunciava sagrenta, mas Lulafar, confiando em sua popularidade, estava certo que o povo o ajudaria a manter a terra santa, e começou a comer feijão preto e arrotar garrote cevado, a beber 51 e arrotar Campari e isto não foi muito bem visto pelo povo. Os petistas que sempre prometeram ao povo que fariam grandes reformas, dariam liberdades as mulheres e até fariam leis contra a homofobia, defendendo os sem gênero definido, tirar os símbolos religiosos das escolas, dar o direito a que mulheres pudessem fazer o aborto livremente, garantir que quem invadisse terras dos cristãos poderia ficar com elas, etc. etc. Não levaram em conta que aquele povo que sempre apoiou o califa ainda não estava pronto para se libertar dos laços cristãos. E na primeira batalha, a simples dissidência de uma moura, Marinafar, o povo não o ajudou suficientemente, e a Vilmar Roussef que a comandava, foi derrotada em várias frentes, dando a oportunidade dos cruzados cristãos se refazerem e se prepararem para a mãe de todas as batalhas.

Estamos esperando esta batalha para o dia 31 de outubro próximo. O comandante das tropas cristãs o Serrafus, tem uma grande experiência em batalhas do gênero, enquanto a Vilmar Roussef comanda sua primeira batalha. É certo que ela tem o apoio e a experiência do Lulafar, mas, este mesmo deu ordens erradas e muitas vidas foram ceifadas na batalha anterior. Por exemplo, um cristão que se passou para o lado dos mouros, o Collorfus, perdeu uma batalha importantíssima na terra do Zumbi dos Palmares. Outro, um mouro legítimo perdeu a batalha do Ibirapuera, o Mercador, também morrendo um dos principais bobos da corte, o Netinofar. Para resumir, todos agora querem o apoio da Marinafar, enquanto ela diz que não tá nem aí. Eles que se matem.

Nesta primeira grande batalha, que teve seu ápice em 3 de outubro. Ambos os lados tiveram baixas importantes. Do lado cristão sucumbiu o Jarbarus, derrotado na batalha dos Guararapes, na província de Jaboatone, pelo mouro Dudufar. Dizem que esta batalha foi um verdadeiro massacre dos cristãos. O Dudufar modificou uma tática utilizada por um mouro famoso, e que era avô dele, o Arraesfar. Entre os mouros, a principal baixa deu-se na província de Minas Gerais, com morte do mouro novo Helius Costafar um fiel servidor de Lulafar. Mas outros tombaram, como Marcus Macielus, Arturo Virgilius, Tassus Jerechatus entre os cristãos. Entre o mouros uma grande baixa foi do Josephus Genuinos, que gostava de levar dinheiro na cueca, durante as batalhas.

Agora sabendo que não era uma batalha ganha, o Lulafar despertou e mandou sua comandante fazer alianças com facções cristãs que se sentiram ofendidos pelo comportamente, tanto do califa quanto de sua auxiliar, e tudo indica que será lançado um manifesto, em que os mouros petistas não implementarão algumas medidas que não foram de muito agrado da maior parte do povo, ainda formado por 90% de cristãos.

Eu não sei quem vencerá a batalha final, nem com quem ficará a terra santa, mais como cristã eu preferiria a Marinafar apesar dela não ser da minha corrente religiosa, mas pelo menos foi coerente com certos princípios básicos, apesar de sido moura por algum tempo se converteu e agora é uma cristã nova. Os outros que comandam a batalha, o Serrafus e a Roussef estão prometendo mundos e fundos ao povo, para obter o seu apoio na batalha. As crenças e os princípios de ambos foram pro brejo. O que tenho medo é que a Roussef com o apoio do Lulafar consiga convencer o povo de que ela agora mudou todos os seus princípios, para combater o Serrafus, que não abandonou todos os seus princípios mas está prometendo tudo que os outros prometiam: Uma bolsa de couro maior, e fala até em enchê-la 13 vezes ao ano quando só eram 12.

Agora a Roussef, que antes não comparecia nem ao templo, todo dia vai lá e acende uma vela prá Deus e outra para o Diabo, pois precisa dos dois para a batalha final. Eu já encontrei com ela várias vezes no templo, e só fico de perto ouvindo. Ela não sabe nem rezar e quer aparecer como uma sacerdotisa. Estão dizendo que ela cometeu a maior gafe, quando ao entrar no templo, ao invés de orar em direção a Meca, orou em direção a Brasília. O povo ficou desconfiado e algumas pitonisas já estão prevendo uma vitória de Serrafus na batalha mãe.

O Lulafar que já feito alianças de todo tipo para a primeira batalha, agora vendo os riscos que seu pescoço corre, vive com a Roussef visitando todos os campos de batalha, tentando enfraquecer Serrafus tanto quanto pode. Embora hoje já se sinta que o povo não gosta muito que o califa participe das batalhas. Mas, parece que os mouros estão achando a situação desperadora. A cada dia milhares e milhares de soldados se convertem ao cristianimo.

Uma grande notícias trazida pelos mensageiros esta manhã dão conta de que o ex-califa Fhcfar, que foi dado como morto por um tempo, apareceu e desafiou o Lulafar para um combate entre os dois, onde ele quisesse. E foi violento em sua manifestação. Chamou o Lulafar de mesquinho, por não reconhecer o que ele fez antes. Conta o mensageiro que, num discurso feito no seu esconderijo para um bom número de mouros que se converteram ao cristianismo para ajudar o Serrafus, animado pelo o que dizem as pitonisas, disse: “Estou sumido há muitos anos, só ouvindo. Agora, quando o califa Lulafar vier, de novo, perder a pompa toda, perder o monopólio da verdade, está desafiado a duelo comigo em qualquer lugar da terra santa. No quartel dos mouros petitas que seja. Ela foi contra o meu maior feito, o plano majestoso, e levou os mouros petistas a serem contra, mas foi este plano que deu condições da terra santa se livrar de uma vez por todos do aumentos de preços abusivos feitos pelos mercadores dos templos. Isto pode ser feito depois da batalha mãe do 31, se o Serrafus não cortar a cabeça dele. Nós dois só de cuecas, sem pompa nem circunstância. Ele pode escolher as armas. Só não pode ficar dopado. Pois sei que a 51 é agora considerada doping.” É, este combate promete ter uma plateia mundial e com o público maior do que o resgate dos mineiros na província do Chile.

Eu sempre pertenci aos 4% que não apóiam o Lulafar. Por isso corro o risco de perder a cabeça nesta história. Mas, pelo que sinto hoje, os mouros estão com os dias contados. Parece que desta vez os cristãos conquistarão o objetivo. E que vai ser bom haver uma renovação na terra santa, isto vai!


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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