quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Bem Pequenininhos...




Hoje no Blog do Ricardo Noblat eu li um artigo do Merval Pereira, que é um jornalista que honra a calça profissional que veste. Isto não quer dizer que não tenha lado, ele tem sim. Todos temos. Mas, mesmo do lado em que está, procura fazer da notícia um serviço de informação e não apenas um divulgador de mentiras de campanhas, o que hoje existe em abundância nesta eleição.

Ele dá ao seu texto o título de “Apequenados”. Eu o substitui por um menor ainda: “Bem pequenininhos...”. Pois nunca tivemos na história deste país uma eleição com tantas mentiras, tanto por parte dos candidatos como do padrinho de um deles, o meu conterrâneo Lula. E ainda nem terminou. Vejam o texto do Merval, em azul.

"A campanha eleitoral chega à semana final com um acúmulo de desvios de conduta dos candidatos e do governo que é difícil não chegar à conclusão de que os seus principais personagens, especialmente o próprio presidente da República, se apequenaram no caminho, e o processo democrático brasileiro sofreu um retrocesso que os principais líderes políticos terão que se esforçar para superar.

A incontestável popularidade do presidente Lula por si só já seria um fator de desequilíbrio da disputa, o que é do jogo democrático. Se seu governo fosse impopular, seria um fator negativo para a coligação que o apoia.

Mas ele potencializou essa distorção usando e abusando do poder político e econômico que lhe confere o cargo, e da popularidade, para colocar a máquina governamental a serviço da eleição de sua candidata, o que prejudicou a disputa desde o primeiro momento.

O candidato do PSDB, José Serra, tentou o primeiro truque ainda na pré-campanha como governador de São Paulo, recusando-se a fazer oposição na suposição de que, explicitando sua boa relação com o presidente Lula, o eleitorado acreditaria que poderia continuar a votar nele, que liderava as pesquisas.

Quando viu que a transferência de votos de Lula para Dilma, que acreditava que não ocorreria, era um fator de desequilíbrio contra sua postulação, tentou, já na campanha, fingir-se de amigo de Lula colocando-o na sua propaganda televisiva.

O tiro saiu pela culatra, pois quem estava disposto a votar na oposição não gostou daquela proximidade, e o próprio Lula tratou de rejeitar a insinuação, deixando claro que sua candidata era Dilma.

Para contrabalançar a popularidade do presidente Lula, o candidato Serra, conhecido por sua maestria em controlar as finanças públicas e por ser um gestor eficiente, passou a prometer o céu e mais alguma coisa aos eleitores, na esperança de que não se sentissem inseguros com sua candidatura.

E dá-lhe aumento real do salário mínimo maior do que o do governo federal; 13 salário para o Bolsa Família; aumento real também para os aposentados.

O ambiente eleitoral nunca foi propício para que se discutam reformas estruturais que mexem no bolso dos eleitores, ou retirem privilégios de corporações. Muito menos em um governo populista, que não se peja de sair distribuindo casas e verbas em plena época de eleições.

Prometendo esse festival de bondades para contrabalançar a gastança do governo, a plataforma de Serra perdeu consistência, e o candidato transformou-se em outra persona política.

Para piorar a situação, o debate sobre o aborto pegou os dois candidatos no contrapé. Tanto a candidata oficial quanto o adversário oposicionista, dispostos a tudo para não perder votos, mostraram-se capazes de fazer qualquer papel na exploração religiosa da campanha.

Dilma renegou todas as suas convicções a respeito da descriminação do aborto, enquanto Serra despertou um insuspeitado lado religioso, a tal ponto que o efeito esgotou-se pela exaustão.

A começar pela verdadeira geleia geral em que se transformaram as coligações partidárias, o eleitor está perdido, sem parâmetros para se decidir. Quem ontem estava no governo hoje está na oposição com a mesma desenvoltura, explicitando a falta de um programa que cimente as negociações políticas.

As acusações de corrupção de lado a lado pareceram igualar os contendores num triste campeonato. A candidata Dilma Rousseff conseguiu neutralizar o escândalo de sua amiga Erenice Guerra na Casa Civil, levantando o caso de Paulo Preto na Dersa de São Paulo, mesmo que, até simbolicamente, os casos sejam bastante diferentes. Mas nesse tiroteio eleitoral, é difícil para o cidadão comum marcar as diferenças, e a candidata oficial foi bem-sucedida no propósito de nivelar todos por baixo.

O caso das privatizações, que mais uma vez foi utilizado pelo marqueteiro João Santana para mexer com o imaginário do eleitor médio, é sintomático dos descaminhos que a campanha tomou.

Ao dizer que utilizar o sistema de concessão para a exploração do pré-sal é o mesmo que privatizar a riqueza nacional, a candidata Dilma Rousseff está tentando enganar o eleitor.

Mas o candidato oposicionista em nenhum momento conseguiu deixar isso claro, provavelmente com receio de ser confundido com um entreguista.

Cometendo o mesmo erro da campanha de Alckmin em 2006, que “denunciou” o governo pela privatização da exploração da madeira na Amazônia, que havia sido aprovada com o apoio do PSDB, a propaganda eleitoral de Serra passou a incorporar a tese de que o sistema de concessão é uma espécie de privatização, acusando o governo atual de ter entregado nossa riqueza a diversos investidores privados, nacionais e
estrangeiros.

Em vez de ter a coragem de rebater essa tese, e mostrar que a participação privada é mais benéfica para o desenvolvimento do país, a campanha tucana ficou presa na armadilha da privatização, disputando com a candidata oficial quem consegue enganar mais o eleitor.

Essa maneira de fazer política distorcendo a realidade tem no presidente Lula seu maior cultivador. O exemplo mais recente é o discurso que fez esta semana, criticando os governos passados por não terem investido na indústria naval na solenidade em que a primeira-dama foi madrinha do lançamento do navio Jatobá, segundo de cinco porta-contêineres encomendados pela empresa Log-In ao estaleiro Eisa.

Esses novos navios ampliarão em 300% a capacidade do serviço de navegação costeira da empresa. E a construção de cada embarcação, cria, direta ou indiretamente, cerca de 3 mil empregos.

Quem ouve a crítica de Lula pensa que o investimento é de uma empresa governamental, mas a Log-In Logística Intermodal é uma empresa da Vale, que foi privatizada no governo Fernando Henrique Cardoso."

O que estou esperando, até o dia 31, faria o nariz do Pinóquio dar uma volta à terra. Eu fico imaginando o Debate da Rede Globo, com um palco do tipo que já vi, noutro debate, parece-me entre Lula e Serra, onde os candidatos ouviam as questões de uma plateia selecionada, dita do povo, e as respondiam saracoteando no salão. Como sempre mediado pelo William Bonde, o mestre de cerimônia global.

- Senhoras e senhores estamos em mais uma debate para escolha do maior mentiroso do Brasil. Aqui comigo estão pessoas do povo, que farão perguntas aos candidatos. As regras são simples. Serão feitas perguntas alternadas e não haverá direitos a tréplicas. Isto foi decidido porque, em debates anteriores, notou-se que as tréplicas, serviam apenas para os candidatos dizerem mentiras não contabilizadas, o que é ilegal. Sem mais delongas, vamos à primeira pergunta, que por sorteio vai para a candidata Dilma Roçado.

- Candidata, dizem que a senhora não era católica e agora, para fins eleitorais, transformou-se em uma. A senhora seria capaz de rezar agora, sem ler nos textos, o Pai Nosso?

- Veja, pessoa do povo, o candidato José Serrote, estava enrolando quando inventou que eu não sei rezar. Eu fui educada em colégio de freira, e até na prisão onde comecei a mentir para protejer meus colegas de farda, eu rezava muito. Tai o Frei Betto que não me deixa mentir. Você está um pouco enganado em sua pergunta. O meu pai já morreu, e eu nunca rezei prá ele. De qual pai você está falando, mesmo?

- Seu tempo esgotou, candidato Serrote, sua vez para a réplica.

- Pai nosso que estás no céu....

- Tempo esgotado, candidato vamos à segunda pergunta, que será feita ao candidato Serra.

- Candidato, o senhor é contra ou a favor do aborto?

- Olha, eu sempre fui contra, mas agora sou a favor, ou vice-versa, não importa. O que importa é que Dilma também mudou de opinião. Dizem que ela mudou primeiro do que eu mas isto é coisa do PT. Eu mudei antes. Quando estava no ministério da saúde eu era a favor, hoje sou contra, então eu sou um mandacista de opinião de primeira hora. Não faço como a candidata governista, que só vem mudar na última hora. Não sei o que ela pensa disso agora.

- Candidato, tempo esgotado. Candidata Dilma para a réplica.

- Aborto, aborto... Ah sim! Deixa eu ver aqui. Não pensem que eu sou igual a mulher do Roriz que precisa consultar os textos para falar, eu os decoro, mas não esperava que esta questão menor fosse abordada. Ah tá aqui! No presente momento eu sou contra, mas como já falava um dos meus algozes do passado, o futuro a Deus pertence.

- Vamos á próxima pergunta, agora dirigida à candidata Dilma Roçado.

- Candidata, dizem por aí que a senhora não dá um passo sem o auxílio do Polvo. Não sei se é verdade, mas, disseram que já o viram com uma colher cheia de papinha, na sua frente dizendo: Dilminha, olha o aviãozinho! Isto é verdade?

- Para chegar a ser candidata tive que fazer amizades e também, por que não?, a ajudo de amigos. Lembro que minha primeira amizade na família do Polvo foi com a cachorrinha Michele, quando ela passeava nos carros do governo e abanava aquele rabinho lindo para mim. Depois o Polvo me chamou para trabalhar com ele. Devido aquelas asneiras de mensalão, dólar na cueca, aloprados e outras tantas invenções do candidato Serrote, ele procurou alguém para ser candidato, e não tinha, ele me lançou, sabendo que eu era incapaz, mas ele prometeu me dar aulas todos os dias. Ele nunca foi muito de ir à escola, mas é um excelente professor. Fez mais universidades do que o FHC.

- Sua réplica candidato Serrote.

- Esta pergunta é boa para eu esclarecer um ponto. Eu também não era para ser o candidato do PSDB. O candidato certo era o Aécio Névoa, mas ele não quis entrar na fria, e eu fui. Mas, é verdade sim. A Dilma não faz nada a não ser com o consentimento do Polvo. Dizem que ele passou um dia inteiro, fingindo que dava expediente no palácio, mas estava ensinando a ela como se pronunciava “religiosidade”, e que, quando ficasse enrolada com alguma palavra, em algum debate, apenas dissesse “o senhor está enrolando, candidato”. Mas, eu sei que não estou enrolando, sei que o Paulo Preto é preto, mas jamais o conheci por esse nome.

- Seu tempo está esgotado candidato. Próxima pergunta para o candidato Serrote.

- Candidato, é verdade que o senhor ficou careca, pela utilização de um remédio genérico?

- Esta é uma pergunta muito interessante. Eu criei os genéricos. Naquela época, quando eu era ministro, os genéricos eram muito bem feitos. Quando o Polvo assumiu o poder, se tornou tão genérico, que fez concorrência com os meus genéricos que começaram a serem produzidos com falhas. Foi aí que dancei feio. Comprei um que era recomendado para calvície, e o efeito foi que acabou com o meu restinho de cabelos. Isto é, eu ainda tinha alguns até ontem, mas com a notícia que houve uma licitação fraudada no metrô, eles caíram. Mas se for eleito eu farei com que os genéricos voltem à qualidade de antes. Um que mandarei fazer é um pó facial para amolecer a cara de pau da Dilma.

- Sua réplica candidata.

- Vocês estão vendo. Nem o genérico dele presta mais e ele diz que é culpa do PT. Isto já está ficando monótono. Para minha cara de pau, eu só uso cremes importados, igual aos da mulher do Polvo.

- Tempo esgotado candidato. Agora uma pergunta para a Dilma Roçado.

- Candidata, é verdade que o Polvo mandou alterar o cálculo da dívida pública para enganar o povo, em relação à situação fiscal do governo?

- Hum.....

- Sua réplica, candidato.

- Ham....

- Pergunta ao candidato Serra.

- Candidato, o que o senhor fará, se for eleito, com o problema cambial, pois já sabemos que este pode ser o último natal barato do brasileiro, pois já o estão chamando da “última ceia”?

- Hum....

- Sua réplica candidata.

- Ham....

- Bem senhores e senhoras, nossos monitores ligados ao IBOPE, mostra “traço” de audiência para este debate, pois com estas perguntas impertinentes os candidatos não se sem à vontade. Passamos então a palavra aos candidatos para as considerações finais. Não foi necessário sorteio, porque eles resolveram terminar juntos dançando um “Pas de Deux”.

E o baile continuará até o dia 31, eu acho que o Serrote cortou o Roçado, e você?


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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