quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Dilma no limite




Eu escrevi sobre o debate presidencial na TV Record, e falei sobre algumas gafes da Dilma, mas não tive a argúcia do jornalista Fernando de Barros, na Folha de S. Paulo que tem como título o mesmo que dei ao presente texto, para ver certas nuances do seu comportamento. Vejam o que ele viu, em azul.

“"Vocês podem ter certeza, eu estou preparada para ser a primeira mulher presidente do Brasil". Foram as últimas palavras pronunciadas por Dilma Rousseff no debate da TV Record, já no início da madrugada de ontem.

Quando um evento como esse chega ao fim e, mais uma vez, ela parece ter sobrevivido, seus assessores só podem comemorar aliviados - ufa!

O fato é que Dilma não inspira certeza sobre nada. É aflitivo vê-la na TV. Não apenas pelo aspecto rombudo e robótico da sua figura. A aflição de Dilma está estampada no ritmo da sua fala, ao mesmo tempo lenta e acelerada, feita de arranques e soluços, de frases decoradas mas quase sempre truncadas.

Como o debate foi na emissora de Edir Macedo, falar em Deus pegava especialmente bem. E Dilma falou, mais de uma vez: "No que depender do meu governo se Deus quiser" - assim, sem pausas, sem vírgulas, sem ênfases, como alguém que se desincumbe de um fardo.

Dilma passa a impressão de estar no limite das suas capacidades, a um triz de um curto-circuito. Isso apesar da vantagem relativamente folgada que abriu sobre José Serra -56% a 44%, segundo o Datafolha.

Não se trata, certamente, de uma pessoa despreparada. Dilma tem substância. Mas não é, nunca foi, uma pessoa preparada para chegar à Presidência. É uma neófita. Nem de longe reúne os recursos pessoais para o exercício da função de seus antecessores - Lula ou FHC.

Sua candidatura representa a continuidade de um projeto, mas é também um capricho de Lula. Ninguém sabe como ela vai arbitrar conflitos, como irá gerir a máquina do Estado ou como se sairá enquanto líder política. A rigor, ninguém sabe qual a turma que ela pretende atrair para perto de si no poder.

A revelação de que Erenice Guerra fez da Casa Civil um centro de arte em família é um péssimo cartão de visitas para quem patrocinou a ascensão da ex-ministra.

Sobretudo quando se trata de uma candidata também aclamada no escuro.”

E quando os petistas de carteirinha pensam que ela relaxará no próximo debate da TV Globo porque agora a CNT/Sensus lhe dá uma vantagem ainda maior, estão redondamente enganado. Isto só fará subir sua responsabilidade, pois agora é só ela, Serra e Deus, se realmente ela acredita. Eu tenho minhas dúvidas.

Qualquer gafe como aquela frase de que havia dois momentos para o pré-sal, antes e depois do pré-sal, agora só não será entendida pelos bolsistas familiares mais pobres, e por alguns que preferem as novelas do SBT e Record. Mas a Lucinha que vê “Passione” toda a noite, e digo para vocês, a audiência é muito grande, ficarão esperando o próximo programa, que é um que eu até gosto, O Globo Repórter. E aí darão de cara com dois candidatas, em seus trajes formosos a se degladiarem no ringue democrático. Qualquer falha, será fatal.

Não creio que surgirá outra Mirian Cordeiro, nem que o José Serra leve aquela namorada da Dilma, de falam tantos e-mails que recebo. Nem tampouco acredito que a Dilma leve fotos do aborto de Mônica Serra, nem a moça sua aluna a quem ela fez a tal declaração conclamada em prosa e verso. Entrentanto, nunca sabemos, com o “mentirômetro” batendo no pico, tudo é possível. Eu juro que não me prestarei ao papel de contar nada do que vivemos na infância, eu e o Lula. Nem tampouco o que contasse seria suficiente para mudar a eleição. Mas, tudo é possível.

E se o José Dirceu aparecer, e diante das câmeras, começar a confessar que enterrou parte do mensalão no quintal da casa onde mora o Ministro da Casa Civil, e que, recentemente foi tentar recuperá-la e não estava mais lá? E se o Fernando Henrique aparecer e disser que sempre apoiou Lula e agora vai votar na Dilma? Todos estes fatos e muito mais podem acontecer.

No entanto, o mais provável, sendo verdadeiro o que diz o jornalista da Folha, acima citada, é que a Dilma tenha um treco de tanto gaguejar, pois o Serra já enfrentou até o Lula e sobreviveu. Será que a Dilma sobrevive. Tchan! Tchan! Tchan! Tchan!


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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