terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dilma, o Príncipe e a Princesa Marina




Eu hoje não sou mais um correligionário do Lula, meu conterrâneo e amigo de infância. Mas, não é por isso que sou seu inimigo ou deseje o seu mal. Muito pelo o contrário, eu gostaria imensamente de vê-lo, um dia, prefeito de Garanhuns e me dando apoio para fundar a Academia Caeteense de Letras. Isto é o máximo que um político de Caetés pode pleitear, e, mesmo assim quando está quase lá encontram uma ficha suja pelo caminho.

Ao ver os resultados da eleição de 03 de outubro, eu me surpreendi. Primeiro, porque jamais imaginei que Marina Silva, a musa de nossa Lucinha Peixoto, conseguisse tantos votos. Segundo porque, diante de sua bisonha campanha, o Zé Serra tenha conseguido ir para o segundo turno. Terceiro, porque pensei que o Lula estava agradando, embora eu discordasse da forma como ele se fazia agradar pelo povo, e não iria sucumbir à onda verde.

Que povo ingrato. Depois de tudo que ele fez pelo Brasil mesmo sendo um operário analfabeto, seria de esperar uma maior consideração dos seus colegas neste país. Afinal de contas ainda são muitos os operários e analfabetos existentes no Brasil e que poderiam votar em sua candidata. Mas, sua culpa vem de uma ação só. A de ter escolhido a Dilma para candidata a presidente. Com o andar da carruagem ela poderá ainda ser eleita no segundo turno, mas eu acho muito difícil. Ela provou e comprovou que não é do ramo. Sua tendência é cair e cair mais ainda, à medida que se exponha mais e fique conhecida. Ela é daquele tipo de pessoa que alguém só compra se não conhece, igual aos produtos de sua lojinha de 1,99. E isto não é devido ao seu passado de guerrilheira, ateia e defensora do aborto, e sim do seu presente como uma pessoa incapaz de exercer um cargo político como o de presidente da República. Talvez fosse uma boa diretora de escola em Caetés, mas, tenho minhas dúvidas. Vereadora nem pensar. Não se elegeria. Como também não acredito que a Lucinha Peixoto se eleja para vereadora de Bom Conselho, apesar de lhe admirar em algumas de suas atitudes.

Antigamente, se dizia que o bom político é aquele que tinha "jogo de cintura" e que eu discordava porque parecia que alguém que dizia isto estaria repetindo Maquiavel em O Príncipe, quando ele diz:

“Todos concordam quanto é louvável que um príncipe mantenha sua palavra e viva com integridade, não astúcia; todavia, em nossa época vê-se por experiência que os príncipes que realizaram grandes feitos deram pouca importância à palavra empenhada e souberam envolver com astúcia as mentes dos homens, superando por fim aqueles que se alicerçaram na sinceridade.”

Eu interpretava astúcia como “jogo de cintura”, mas, eu estava errado. Jogo de cintura é o que Lula usou antes de assumir o governo, e astúcia foi o que ele usou depois de assumi-lo, e quase que enganava àqueles que se alicerçaram na sua sinceridade, ao escolher a Dilma para lhe suceder. Ele estava faltando com a sinceridade ao povo, entretanto, numa Democracia, mesmo burguesa como dizem, o povo tem mais chances do que nos principados da Idade Média, para intervir no processo político. Foi lá e votou em Marina.

O meu conterrâneo estava apenas sendo astucioso ao falar das qualidades da Dilma, tentando permanecer no poder por mais 12 anos. E isto ainda pode ocorrer se os seus adversários não souberem usar também de sua astúcia, envolvendo as mentes dos homens, agora trazendo-os à realidade. Uma grande maioria entrou num transe hipnótico pela mágica lulo/petista. O resultado desta eleição foi como um estalar de dedos, que parou este transe. Agora temos que trazer esta maioria para o lado certo.

Alguns perguntarão logo: “Qual é o lado certo?” Eu responderia, fazendo um ser híbrido formado pelo Conselheiro Acácio e Maquiavel: “O seu!!”. Esqueça que o lado certo é o do Lula, do Eduardo, do Zé da Luz, e siga o seu rumo. Alguns poucos já fizeram isto nestas eleições, por que outros não o farão? O meu lado certo um dia foi o do Lula, hoje é de ninguém, amanhã poderá ser o de Zé Serra. Só sei que não será o da Dilma. Apesar de ser o avatar do Lula, ela pode, num momento de astúcia, se voltar contra seu amo. E se ela for eleita, que Deus se apiede deste nosso país.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
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(*)Imagem original do Diário de Pernambuco. Arte de Jameson Pinheiro

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