sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E AGORA, JOSÉ? (UM COMENTÁRIO AO ALEXANDRE MARINHO)


Foi este o título dado a uma postagem do excelente Blog do Alexandre Marinho. Ele escreve pouco, talvez aplicando à escrita, a sentença de que “quem muito fala muito erra”. E desta vez ele, mesmo sem falar demais, errou muito.

Ele tenta voltar a ter confiança nas pesquisas, pois são as únicas que hoje podem ser compradas para dar uma alento à candidatura Dilma. Isto foi feito no primeiro turno e vejam o que aconteceu. Lula, nosso apedeuta-mor, ficou com cara de tacho, e com ressaca de uma dose de 51 a mais, para esquecer o 3 de outubro. Para isto ele citou a Vox Populis e o Ibope, quase irmãs siamesas, mesmo resultado, até a terceira casa decimal. Então chegou a CNT/Sensus, uma parente mais distante e diminuiu muito a diferença entre Dilma e Serra. Agora chegou o Datafolha, que aumentou ou diminuiu, não sei ainda. Seria para alguém atrevido poderia perguntar: “Alexandre, será que com os resultados anteriores das pesquisas estaríamos no segundo turno?”

Mas, eu não perguntarei isto, pois nem sou atrevida nem nada. Fixo-me apenas na análise que o Alexandre tenta fazer para esta, segundo ele, já consagrada vitória da Dilma neste segundo turno. Uma análise minuciosa e numerada para que os leitores e eleitores entendam muito bem o recado: Se não quiserem perder o voto, votem na Dilma. Vamos pela numeração até onde der.

1) Ele diz que no primeiro turno o pessoal da esquerda se acomodou. Qual o pessoal da esquerda? Gilberto Gil? Chico Buarque? Beth Carvalho? Osmar Prado? Ziraldo? Niemeyer? Leonardo Boff? Só faltou ele colocar Lula como de esquerda. Lula é tanto de esquerda quanto Dilma, e os dois são tão de esquerda quanto qualquer outro petista. O Delúbio era, lembram? Aquele para quem muita transparência era besteira. Vejam esta longa citação:

“Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio. Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições. A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado. Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle. O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário. Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las. Então, nessa história futura, Lula será o grande confirmador do sistema. Ele não é nada opositor ou estatizante. Isso é uma ilusão de ótica. Ao contrário, ele é privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu. Essa onda de fusões, concentrações e aquisições que o BNDES está patrocinando tem claro sentido privatista. Para o país, para a sociedade, para o cidadão, que bem faz que o Brasil tenha a maior empresa de carnes do mundo, por exemplo? Em termos de estratégia de desenvolvimento, divisão de renda e melhoria de bem-estar da população, isso não quer dizer nada.”

Os esquerdistas de Garanhuns, com exceção do Paulo Camelo, espero, dirão, ora, lá vem a ignóbel de literatura, Lucinha, citar o José Serra, fazendo campanha fora de hora. Não meus caros canhotos da terra de Cristina Tavares. A citação é do Chico de Oliveira, um petista de primeira ordem e que ajudou muito ao Lula no passado. Será que naquela reunião num teatro no Rio havia alguém de esquerda? O único que conheço é Niemeyer, só é de esquerda porque com sua idade é difícil mudar, mas ele gostaria mesmo era da volta do Juscelino. Portanto, culpa desta esquerda citada não foi. Talvez tenha sido a esquerda Heloísa Helena que estava apoiando o Plínio. Esta recusou apoiar Dilma pelos correligionários que ela tem em Alagoas. Talvez seja por causa desta esquerda, infinitos anos luz de distância de Lula e Dilma, estes em direção à direita, que a Dilma vai perder.

2) O caso da mulher de Serra, Alexandre, houve uma nota dos seus assessores dizendo que a Mônica Serra nunca fez aborto. Eu acreditei, e não vou procurar os exames feitos por ela depois da curetagem. Mas, as esquerdas de Garanhuns parecem querer pedir. Peçam, mas não obriguem o Serra a falar de uma coisa que ele diz que nunca existiu.

3) A Dilma agora saiu de baixo "da saia" do Lula? E, eu pobre coitada, pensava que era o Lula que estaria debaixo da saia dela. E lhe digo Alexandre, que ele pode até sair de lá, mas não sairá dizendo o que viu, pois isto seria a grande bala de prata do José Serra. E dizem que é uma bala enorme!

4) O brasileiro começou a comparar os dois projetos de governo? Releiam o texto acima do Chico de Oliveira. Qual a diferença entre os dois? Lá vai eu ter queme valer deste lulista desiludido outra vez, o Chico de Oliveira: “Foi Olavo Setúbal, representante, hoje, do maior banco privado brasileiro, que disse, em entrevista à Folha, dois ou três meses antes do primeiro turno das eleições, que tanto Serra quanto Lula eram conservadores. O que ele estava dizendo? Que eles estavam completamente seguros de que qualquer que fosse o resultado eleitoral os interesses deles [a burquesia] não seriam tocados.” E como vemos, isto vem tanto da direita quanto da esquerda, ou será que hoje, porque apoia Lula, o Olavo Setúbal, ou dono do Pão de Açúcar, são de esquerda?

O item 5 não existe na postagem, mas bem poderia incluir tudo o que foi dito no restante do artigo: Vamos votar em Dilma por sermos gratos ao apedeuta-mor, Lula, pelo desenvolvimento de Pernambuco, em time que está ganhando não se mexe, e ela tem um vice que é melhor do que um índio, e que “en passant”, diz que justiça seja feita, pois o Lula não fez isso sozinho, e reconhece que se entrar um governo que não seja “neoliberal”, ou seja, fizer merda, pode levar um impeachment pela proa.

Ai chega na questão do “durex”, que ontem o apedeuta-mor entrou, e entrou porque nunca na história deste país houve um presidente, que tratasse seu cargo com tanta leviandade quanto ele. Hoje já se considera provado que houve uma montagem na história da bola de papel, e que o objeto era muito mais pesado. E tanto o Lula quanto o Alexandre Marinho, como petistas convictos caíram nessa, no afã de livrar sua candidata da derrota. Este despero não é refletido nos resultados das pesquisas. Será que há outras e não sabemos? O apedeuta-mor vá lá, porque depois de 60 anos, ignorância é incurável. Mas, o Alexandre Marinho tem que zelar mais pela sua imagem de garanhunense ilustre.

E, finalmente, ele cita o Fernando Morais. Não teria sido mais apropriado para representar o grupo que acorreu àquela manifestação. Quase todos mamadores nas tetas do Ministério da Cultura, para realizarem filmes e produções teatrais medíocres, mas que fingindo que são de esquerda, enganam muito bem à patuléia. A frase que este senhor disse e que foi citado pelo amigo do Alexandre, e penso meu amigo também, Roberto Almeida, eu a mudaria um pouco dizendo:

Eu não voto na Dilma porque sou brasileira com mais de trinta anos, e, até agora, não a conheço.”

Isto era para ser um comentário à postagem do Alexandre Marinho, mas, infelizmente minha prolixidade contumaz, não deixa fazê-los pequenos, como deveria, então pedi para que fosse publicado aqui nosso Blog. Quando eu digo nosso, não porque sou a dona dele sozinha, porque ele tem tantos donos que não tem nenhum.

O filme que segue tenta mostrar quão leviano foi o nosso apedeuta-mor, que agora está com 82% de aprovação. E que agora, ao invés de 4% que dizem que seu governo é ruim ou péssimo, apenas 3% o dizem. Eu estou entre estes 3% e me sinto honrada por isso.



Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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