sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Lágrimas de Crocodilo






Ontem ao passear pelos blogs vi algo que me fez parar e pensar. Todos sabem que Lula sempre foi um chorão, mas dizem, que diante da realidade de deixar o poder e suas regalias, ele está chorando mais do que o Pelé. Entre uma lágrima presidencial e outra eu soube que ele tem um neto. Vejam as notas da Renata Lo Prete e Mônica Bérgamo citadas no Blog do Josias de Souza:

- Torneira aberta: Num intervalo de 48 horas, Lula foi às lágrimas em Curitiba (PR), Itajaí (SC) e Brasília, sendo duas vezes na capital: anteontem à tarde, durante cerimônia no Planalto, e à noite, em sua derradeira comemoração de aniversário no Palácio da Alvorada.

- Meu Netinho: O presidente Lula caiu no choro na festa de seu aniversário, no Palácio da Alvorada, ao assistir, num telão, ao depoimento do neto Ashtar, 10.

Eu já escrevi sobre avós e sobre avôs. É realmente, um privilégios dos seres humanos conseguirem chegar a ser avós. Um neto produz emoções indescritíveis, a não ser por escritoras consagradas como a Rachel de Queiroz (veja aqui). Eu imagino a emoção, tanto do Lula quanto da Dilma quando usam os netos para fazerem campanha eleitoral. Eu nunca o fiz, mas deve ser extremamente prazeroso. E isto deve render muitos votos.

A cena do netinho do Lula quando o menino disse representar "os filhos, as cachorras e os outros netos" e lembrou que, certa vez, o avô cuidou dele quando se machucou num jogo de futebol, é pugente e toca o coração de qualquer um, imagine daqueles que são avós e avôs. Se algum dia usar o meu neto na minha campanha eu não poderia dizer outra coisa do que aquela que o apedeuta-mor disse: "Presidente ou não presidente, vou continuar te amando sempre", enquanto o vídeo que mostrava a cena, tinha como música de fundo “Emoções” do Roberto Carlos. Realmente, são muitas emoções.

Segunda-feira a cena se repetirá com a Dilma, quando ela voltar para o Rio Grande do Sul, e encontrar o Gabriel, seu neto, e disser, com uma música de Teixeirinha ao fundo: “É Gabriel, não deu! Mas, “presidenta” ou não “presidenta”, vou continuar te amando sempre.” As lágrimas terão a mesma composição química daquelas do Lula, mas sendo consequência de fatos distintos.

No primeiro caso, as lágrimas de Lula, vem do seu apego pelo poder. Tempos atrás ele dizia: “Para se eleger, Brizola pisaria até no pescoço da mãe.” Se hoje a mãe dele fosse viva, estaria correndo o mesmo risco da mãe do Brizola, mesmo que hoje o PDT seja um dos seus apoiadores. Elas são as verdadeiras lágrimas de crocodilo. Depois de ter quase vendido sua alma para se manter oito anos no poder, ele agora quer vendê-la, mas parece que ninguém quer comprar, para eleger sua candidata, que deverá ir chorar nos braços do neto, brevemente, não porque perdeu o poder, mas porque perdeu a amiga Erenice.

Quem queria comprar a alma de Lula nesta eleição era o Sarney, mas, diante da perda no primeiro turno lembrou da frase que ele um dia disse dele: “Se disputasse uma eleição, os votos do Sarney não dariam para encher um penico”, e não falou mais nada. Eu duvido que alguém nesta campanha tenha vistos os bigodes do Sarney. E hoje, eu concordo com o Lula.

Alguns petistas dirão, oh! Lucinha, e se o Serra perder, onde irá chorar pitangas com os netos? Eu apenas respondo, caros mensaleiros e aloprados, nem a Marina perdeu nem o Serra perderá. Seja qual for o resultado das urnas, eles foram fundamentais para mostrar ao Lula, que ele era um santo dos pés de barro. Quebrou no primeiro turno e agora está tentando satisfazer tudo que é de promessa feita a ele, para não varrerem os seus pedaços para debaixo do tapete. Ele foi o grande derrotado destas eleições e por isso tem que usar suas lágrimas para comover seus ex-adoradores.

Mas o neto dele, resumiu num frase, tendo apenas 10 anos, muitos sentimentos. Este menino vai longe, e quem sabe ele deverá concorrer com o meu nas eleições de 2048, quando disse que estava ali representando “os filhos, as cachorras e os outros netos”. Pois eu fiquei imaginando a que “cachorras” ele estava se referindo. Eu sou uma “preparada”, e a Dilma?


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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