sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Lula, Dilma e os Dez Mandamentos




Há melhor forma para saber a religião das pessoas do que ver a vida que eles levaram ou ainda levam? Por exemplo, se alguém observar o meu dia a dia por muito tempo, o que escrevi, o que proponho como regra de conduta pessoal, todos verão que sou católica. Mesmo não sendo uma católica bem comportada, como gostaria que eu fosse o meu professor de datilografia, o Diácono Di Tavares, tenho tudo a ver com uma católica praticante.

Uma das rezas mais interessantes que aprendi no catecismo com D. Lourdes Cardoso e com meus pais, foi uma que vem desde o antigo testamento: Os Dez Mandamentos. Mesmo que Jesus os tenha modificado para dar-lhes uma versão mais cristã, dizendo que estes dez mandamentos se resumem a dois: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo, eles não foram abolidos, em sua forma original, pelas igrejas cristãs, inclusive a Igreja Católica. Ditos e ensinados de várias formas, a que mais encontro firmeza e beleza é aquela do livro do Êxodo, Moisés exorta seu povo a seguir as normas ditadas pelo próprio Deus no Monte Sinai.

A candidata governista, Dilma, também conhecido entre os não íntimos por poste, querendo se mover sozinha, como se poste tivesse perna, agora sempre diz e repete, eu sou católica assim como o foi toda minha família. Mesmo sem saber o que fazia a família dela, isto não quer dizer nada. Já disse que o nosso ateu, quase cristão, Cleómenes foi até coroinha, e no entanto defende o ateísmo com unhas e dentes. Numa eleição como esta ele poderia muito bem dizer, para enganar os incautos, que sempre foi católico, igual à sua família. Mas, jamais ele se enquadraria como católico num questionário que tentasse auscultar se ele concordaria com os Dez Mandamentos.

Tenho certeza que o Cleómenes já começaria com aquela cantilena de que as tabuazinhas de Moisés nada mais foram do que um código de conduta para tirar os judeus do buraco em que se meteram, etc, etc e etc, como qualquer ateu que se preze diria, ou como todos aqueles que seguiam os princípios revolucionários do marxismo/leninismo/stalinismo/castrismo, que foram revisitados pelos vários movimentos que combateram a ditadura militar, aqui no Brasil, aos quais Dilma e Zezinho de Caetés já pertenceram. Hoje este último, o Zezinho, não professa mais as antigas não crenças em Deus. Será que o mesmo aconteceu com a Dilma? Claro que não. Foi preciso um segundo turno de uma eleição onde a vaca foi pro brejo junto com o PT, para ela inventar mais esta, de católica praticante e devotada à vida. Dar para acreditar?

Conta-se que, entre umas e outras, enquanto estava em Garanhuns, pousando no Monte Sinai, com todas as mordomias, o Lula teve uma premonição. Muitos dizem que foi uma visão, outros que foi o próprio Frei Damião que lhe falou durante o sono. Enquanto todos estavam no saguão do hotel, esperando para a partida depois de exaustivo comício, ele apareceu de pijama, e começou a falar, para os presentes. Alguns, que testemunharam o acontecimento, disseram que ele estava a cara do Charlton Heston, quando desceu do Monte Sinai com as Tábuas da Lei. E, Lula falou:

“Eu sou o Lula teu deus, que te tirei da miséria em que viviam com o salário abaixo da linha da pobreza.

Não terás outros deuses diante de mim.

Não farás para ti imagem esculpida de Fernando Henrique, nem campanha alguma para o PSDB, nem de nenhum partido que não esteja em nossa coligação.

Não te encurvarás diante de nenhum opositor, nem os servirás; porque eu, o senhor teu deus, sou deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me fazem oposição, e uso de misericórdia com milhares dos que me amam e guardam os preceitos do PNDH 3.

Não tomarás o nome do senhor teu deus em vão; porque o senhor não terá por inocente aquele que tomar o seu nome em vão.

Lembra-te do dia de domingo, para tomar um cachacinha.

Seis dias trabalharás, e farás todo o teu trabalho; mas o sétimo dia é o domingo do Lula teu deus. Nesse dia não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o estrangeiro que está dentro das tuas portas, nem mesmo os funcionários da Casa Civil ou do Palácio do Planalto. Porque em oito anos fez o Lula o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, dentro do território brasileiro, e no dia primeiro de janeiro de 2011 descansou; por isso o Lula abençoou o dia primeiro de 2011 e o santificou.

Honra a teu pai e a tua mãe, segue a religião deles, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Lula teu deus, construiu para vocês.

Não matarás, a menos que sejam inimigos do Almadinejad.

Não adulterarás, nem incentivarás o adultério a menos que seja nas novelas da Globo.

Não furtarás, a menos que seja dinheiro não contabilizado.

Não dirás falso testemunho contra o teu próximo, a menos que seja para ganhar as eleições no primeiro turno, ou no segundo turno se houver, para garantir que eu ficarei descansado no dia primeiro.

Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo, a menos que ele a tenha obtido com uma obra sem licitação.”

No saguão do hotel, todos acompanharam boquiabertos aquela cena, e aquelas palavras que saiam da boca de Lula com sua voz tonitruante. Sem nenhuma ação por parte dos presentes, ele apenas tomou o caminho do quarto de volta e, contam, quando acordou não lembrava de nada.

Dilma que, estava presente, viu nesta fala o prenúncio de uma nova era, e um aviso, de que dali para frente, voltaria ao catolicismo e à religião. No entanto, depois que saíram de Garanhuns todos esqueceram aquele fato não muito corriqueiro. Ela só lembrou dele agora, quando não ganhou as eleições no primeiro turno, e, por via das dúvidas, já contratou uma professora de catecismo, que todo dia lhe faz sabatinas sobre temas religiosos, mesmo pelo telefone, sempre que o Israelzinho, não apareça para tomar-lhe o tempo na Casa Civil. Uma das aulas de catecismo, presenciada pela imprensa, agora sem o “cercadinho”, sobre o significado dos Dez Mandamentos para os católicos, foi noticiada desta forma:

- (Erenice) No Antigo Testamento, Deus entregou os Dez Mandamentos a Moisés no Sinai para ajudar a seu povo eleito a cumprir a lei divina. Jesus Cristo, na lei evangélica, confirmou os Dez Mandamentos e os aperfeiçoou com sua palavra e com seu exemplo. Nosso amor a Deus se manifesta no cumprimento dos Dez Mandamentos e dos preceitos da Igreja. Definitivamente, todos os Mandamentos se resumem em dois: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo, e ainda mais, como Cristo nos amou. Então Dilma, vamos ver se você está lembrada da lição de hoje de manhã. Basta crer para salvar-se?

-(Dilma) Não basta crer para se salvar, pois diz Jesus Cristo: se quereis a salvação, cumpre os dez mandamentos.

-(Erenice) Quem deu os Dez Mandamentos?

-(Dilma) Deus mesmo deu os Dez Mandamentos a Moisés, e Jesus Cristo os confirmou e aperfeiçoou com sua palavra e com seu exemplo.

-(Erenice) Quais são os Dez Mandamentos da Lei de Deus?

-(Dilma) Os Dez Mandamentos da Lei de Deus são:

1º Amarás a Deus sobre todas as coisas.
2º Não tomarás o Nome de Deus em vão.
3º Santificarás as festas.
4º Honrarás a teu pai e a tua mãe.
5º Não matarás.
6º Não cometerás atos impuros.
7º Não roubarás.
8º Não dirás falso testemunho nem mentirás.
9º Não consentirás pensamentos nem desejos impuros.
10º Não cobiçarás os bens alheios.

-(Erenice) Muito bem! Boa menina! E não esqueça, nos debates, mesmo que apareça um Boris Casoy da vida, e lhe pergunte se você crê em Deus, não fique nervosa como o Fernando Henrique. Isto custou a ele a cadeira de prefeito de São Paulo. Lembre que o Fernando Henrique gostava, mesmo antes das eleições, de pousar na cadeira de prefeito, e quando ele perdeu as eleições, o Jânio, teve que limpá-la, para sentar nela depois da posse. Se mantenha firme e se tiver chance reze o Creio em Deus Padre, será mais convincente. Nunca esqueça de que o vampiro está à espreita, para limpar a cadeira do Lula.

Para finalizar eu digo que, com uma professora dessas, até o meu amigo Cleómenes passaria por rato de sacristia. Quando tive a ideia de escrever sobre este episódio pensei noutro texto do Zezinho de Caetés (se quiser lê-lo clique aqui) quando ele colocava o Sermão da Montanha na boca do nosso apedeuta-mor. Naquela época eu não sabia que a história se repetiria no Monte Sinai.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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