sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O Debate da Globo



Sempre é o mais esperado da TV, o debate da Rede Globo de Televisão. Desde os tempos da edição do debate Collor x Lula, em 1989, que deu tanto o que falar, este já está se tornando um evento fixo no calendário eleitoral brasileiro. Eu já vi muitos e com diferentes estados de espírito. Mas, quem vi mais neles foi o Lula. Antes, um simples operário com a barba mal feita e tropeçando na língua pátria o tempo todo. Depois um astro da TV que andava pelo palco com uma desenvoltura de fazer inveja ao Raul Gil.

Não temos mais o Lula e, no meu estado de espírito atual, digo que ainda bem. Eu não aguentaria mais decepções com o meu amigo. Sei que ele iria repetir que nunca na história deste país aconteceu nada que prestasse até que ele foi parido por D. Lindu no sítio de Vargem Comprida, hoje nossa famosa Caetés, do Zé da Luz e do Rafael Brasil. A partir daquele momento, no qual uma estrela guiou os três reis magros, Roberto Carlos, Pelé e Dentinho, até aquela simples casa de taipa, o Brasil não seria mais o mesmo. Era o país do Lula. É uma pena que hoje não exista mais aquela manjedoura, embora digam que o burro e a vaca foram preservados e trabalham ainda, com pseudônimos, junto com ele para mudar ainda mais a face deste país.

Seria demais para o meu pobre coração, amargurado pela sua somiticaria na ajuda às artes e às letras. Por falar nisto, adorei o concurso cujo regulamento foi publicado hoje neste Blog e enviado pela bela bom-conselhense Ana Luna. Não me considero com muito cacife para tanto, mas, se tiver inspiração, quem sabe participarei.

Com este espírito, saí do local onde me escondo à noite, para ir a um bar mais próximo, onde há uma TV para os frequentadores, e felizmente não havendo jogos no mesmo horário, o dono sintonizou o debate global.

O bom deste debate é que a Globo tem dinheiro para a produção. É o maior glamour. Tudo limpinho e organizado, como mandava o figurino do William Bonner, que já prevendo que no fim do debate não haveria nada para ser aplaudido, pediu ao público para aplaudir antes. Foi aquela ovação. E ele estava certo. Foi o debate mais morno de todos. Nem um soquinho no fígado para animar. Na hora em que a Marina iria começar a puxar os cabelos da Dilma e dá uns cocorotes na careca do Serra, o debate acabou.

Que Lucinha não venha depois dizer que a Marina ganhou o debate. Todos perderam. Perderam a última chance de colocar o avatar do Lula, onde ela deveria estar, na Casa Civil, sendo assessorada pela Erenice. E eu pergunto de novo: O que a Dilma estava fazendo ali? Fazendo perguntas inteligentes? Não, visava apenas a réplica, e nesta não dizia coisa com coisa. Respondendo? Também não. Ela não tem condições de responder coisa nenhuma com clareza. Socorro-me aqui da colunista do Diário de Pernambuco, Marisa Gibson, que escreve melhor do que eu, para mostrar o seu desempenho:

“O que prejudicou a candidata petista foi a sua incapacidade de chegar a qualquer conclusão em suas respostas. Este foi o seu grande pecado no debate e deve ser uma falha crônica de seu raciocínio, posto que foi algo que se repetiu ao longo de toda a campanha, além de colocar exemplos absolutamente fora do contexto.”

Eu vou mais além e digo, a Dilma não tem condições intelectuais para ser presidente deste país, o que, para ser justo, não posso dizer do meu conterrâneo. O que lhe falta de cultura, sobra-lhe em inteligência e conhecimento do país. Na Dilma faltam as duas coisas e muito mais. Meu Deus, não nos deixeis cair em tentação e livrai-nos do mal, amém.

A Marina continua também a mesma, ou seja “reiteradas vezes”. É concatenada nas respostas, mas as respostas são genéricas demais, o que é uma plataforma do Serra. Genérico é com ele. Eu adoro sua causa ambiental, mas ela ainda é muito verde para enfrentá-la. Eu prefiro o Gabeira, com sunga de crochê e tudo.

O Plínio mostra apenas que um dia foi marxista ou pelo menos leu muito o Caio Prado Júnior, e tenta adaptar seu pensamento ao século XXI. Anacronismo total. Falar de Capital e Trabalho hoje como uma válida divisão de classes do materialismo histórico, é brincar com nossa paciência. Óbvio que o anacronismo não é só dele. Hoje quem mais defende o socialismo não se desgruda das grandes empresas e dos grandes bancos. O presidente do PSB, que é o nosso Eduardo Campos, que será o nosso governador outra vez, de socialista só tem o avô, que também não o era mas fazia mais esforço para sê-lo do que o neto. Hoje as classes sociais que são válidas para uma análise consistente do nosso momento político, social e econômico, são a daqueles que sabem e daqueles que não sabem. Daqueles que tem informação e conhecimento e daqueles que pensam que sem eles se vai a algum lugar, em termos de desenvolvimento. Quem sabe explora quem não sabe, e como quem não sabe, não sabe, continua explorado. O bom governante moderno é aquele que der condições de eliminar esta dualidade, colocando todos num patamar viável de dignidade no saber.

O José Serra, não deveria ser chamado de Zé Serra, mas de "Mané" Serra. É um homem inteligente, preparado, experiente, mas, penso eu, já passou seu tempo de ser presidente. Pois, só sendo um “Mané” para se cercar de um pessoal tão incompetente quanto os que os assessoram na campanha. Para ele ganhar esta eleição sua campanha deveria ter sido sangrenta desde o início e contra o Lula e com a ajuda do FHC. Preferiu, imitar o Lulinha Paz e Amor, e não acredito que ele ganha da Dilma, embora o segundo turno não esteja descartado. Se isto acontecer, faça como o Lula, quando se viu ameaçado pelos escândalos. Deixe a boca espumar nos comícios e você verá que muitos tem medo de cachorro doido. Talvez, o povo reaja.

Enfim, hoje estou com sono, chateado por ter perdido meu tempo e pelo sacrifício de ter que votar no Eymael, para não votar em Branco. Por falar nisto, Lucinha, qual era a cor do vestido da Dilma?

Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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