segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O Debate da Rede TV




Ontem vi o debate na pensão onde moro, na minha TV de 14’’, já colorida, e com um pacote de biscoito de polvilho que gosto muito. Sem ninguém ao redor, sem pitacos, a não ser aqueles de minhas sinapses cerebrais.

Eu ainda continuo me perguntando: O que é que a Dilma estava fazendo ali? Eu perguntava o mesmo para o Jarbas, na eleição para governador de Pernambuco. Se ele falasse comigo e dissesse a verdade, responderia apenas: Cumprindo a tabela. É a resposta mais provável para a Dilma. Na sucessão de debates ela está igual a cantiga da perua, é de pior a pior. Neste então, eu penso que ela bateu no teto. Isto é até bom, porque nos próximos ela poderá repetir o Tiririca, pior do que está não fica.

Desde a primeira pergunta, do moderador, sobre o que cada um achava quais seriam as qualidades e os defeitos um do outro, o José Serra fugiu, e ao invés dela aproveitar e dizer o que pensa de dele, saiu correndo atrás, feito uma louca, também fugindo.

Aí começou a lengalenga. Lula foi o melhor, FHC foi o pior. Pelo que sei ambos vão está de pijamas em 2011, o meu conterrâneo sorvendo uma 51 em São Bernardo e o Fernando Henrique, ganhando dinheiro pelo mundo, fazendo conferências sobre o “por que não se tornou um torneiro mecânico”. Mas a Dilma é insistente. Quando voltava ao presente era para falar do passado para dizer que os tucanos queriam chamar a Petrobrás de Petrobax, e o Zé Serra dizer e explicar que ele nunca quis privatizar a empresa. Eu digo, que pena! Se o FHC o tivesse feito ela hoje não seria um cabide de empregos do PT.

E aí começa o privatiza não privatiza, como se a privatização tivesse sido o pior mal que ocorreu aqui no Brasil. Isto é a maior besteira e chega às raias da loucura ou debilidade mental. Havia empresas públicas no Brasil que não valiam “dez mil réis de mel coado” antes de serem privatizadas e hoje valem milhões e empregam milhares de trabalhadores brasileiros. Esta coisa de nacionalismo já deveria ter caída de moda entre os lulistas, que são contra apenas da boca prá fora, para obter votos. Hoje a economia brasileira está integrada à economia mundial de uma forma irreversível. E para ser justo, este processo vem desde o governo Collor, que por motivos conhecidos e torpes não pôde continuar o processo. Aquela bala de prata que ele tinha para acabar com a inflação e a desordem na economia pinou. Itamar a encontrou, mandou o Fernando Henrique atirar, e aí tivemos a maior revolução econômica no Brasil.

Eu só havia conhecido uma moeda, ou que poderia se chamar assim, na década de 50, que era o cruzeiro. Muitos dos nossos jovens na década de noventa não sabiam o que era moeda brasileira. Os pais davam suas mesadas, que começava em janeiro com 10 notas, e terminavam em dezembro com um baú delas, para comprar um pastel com refresco na cantina da escola. Aí veio o Plano Real. Eu nem mais acreditava que iria dar certo. Deu. Hoje sabe-se que a moeda brasileira é o real, e eu já tomei cafezinho em Portugal, no aeroporto, pagando com ela. Infelizmente, ela se valorizou tanto que hoje se tornou um problema que não foi discutido por nenhum dos candidatos: o que eles vão fazer com o câmbio e com o seu sócio, o gasto público?

Se avaliarmos pelas promessas de ambos, o gasto vai aumentar tanto, vai aumentar tanto a dívida, já que aumentar impostos só se for para não recebermos mais nada privadamente, como em Cuba, que os juros vão ser o paraíso dos especuladores mundiais. Pois já estamos sustentando há muito tempo as viúvas americanas com os nossos juros. E não falaram nem no trem bala, que é uma promessa de Dilma.

Há horas, quando a Dilma fala, que coloco de prontidão todo o meu aparato cerebral, mas não a entendo. Ou o meu aparato é muito pequeno ou é o dela que é, e não consegue terminar uma frase que começou, de um modo inteligível. É mais ou menos assim:

"Candidato Serra, você está tergiversando. O problema do pré-sal é a grande chance que temos para acabar com a miséria. Miséria esta que foi implantada pelo seu governo, onde o senhor foi ministro da saúde. Até porque, quando a Petrobrás foi privatizado pelo FHC, o senhor assinou isto. Eu repito, a Petrobrás queria comprar a Gás Brasiliana, o governo de São Paulo não deixou. A Erenice não tem nada a ver com isto, o seu filho tem. Eu não sou uma nepotista, o meu neto é muito novinho ainda. Eu, candidato Serra, farei um governo voltado para a pessoa humana, sobretudo para a pessoa humana, que será respeitada, o senhor está mal informado. Meu nome é Dilma."

E assim foi quase todo o debate, com exceção quando a jornalista lhe perguntou sobre a Erenice, então ela disse com todas as letras da sua indignação com a amiga. Foi por isso que os marqueteiros não deram direito de réplica às jornalistas, pois se dessem, tanto o Serra quanto a Dilma estariam em mal lençóis, pois a Dilma seria taxada de incompetente para formar equipes, e o Serra seria taxado de racista por não conhecer o Paulo Preto, que deveria ser chamado, segundo ele, como quer o movimento negro, Paulo Afrodescendente.

Tudo se passava como se os marqueteiros, que dizem, que agora até o Ciro Gomes é um, e eu duvido, pois não vi nenhuma vez a Dilma mandar o Serra para a pqp, como o Ciro costuma fazer com jornalistas imprevidentes, dissessem, você tem que falar sobre tal assunto de qualquer jeito, o Serra não vai aguentar ouvir falar nisso. Mas, ela não esperava a hora certa, colocava o assunto no meio de qualquer coisa. Por isso sua despedida de 3 minutos foi tão melancólica, e foi mais ou menos assim:

“Aborto, graças a Deus, sou a favor da vida, o governo Lula nos tirou da miséria, Serra não quis comprar a empresa de gás, era só boatos e calúnias contra mim, quando privatizaram a vale, e hoje só tenho um celular porque privatizaram as comunicações, então me grampeiam quando eu falo, por isso comprei aviões sem piloto, e que, mesmo sem rumo, ajudou a polícia federal a identificar folhetos apócrifos que diziam que eu era a favor do aborto. Quanto ao ENEM, nem me fale. Roubaram as provas mas a polícia federal está investigando, é um processo sigiloso, por isso não posso falar aqui dela, mas, eu estou preparada para governar o Brasil.”

E este discurso ainda arrancou palmas da platéia, não sei se de pena ou por instinto, porque eu duvido que alguém tenha entendido alguma coisa. Entretanto, o ponto alto do debate, foi uma pedido de resposta da candidata, que ao ser perguntada pelo moderador porque recorria a este direito ela disse:

- Porque ele disse que eu era a favor da inflação!

Imediatamente, toda a platéia caiu na gargalhada, e penso, todos os telespectadores, que surportaram o suplício até o fim, enquanto o moderador se dirigia à comissão para que o pedido fosse julgado. Não precisou nem chegar a ela. Não vi pela TV, mas alguém da comissão deve ter dito: “Manda esta mulher catar coquinho!” Ao transmitir à Dilma o resultado da consulta ela apenas disse: "É uma pena!"

Foi realmente uma pena que deixassem uma candidata que já posou de vencedora, ao ponto de termos que engolir todo o tempo a empáfia petista e principalmente do meu deslumbrado conterrâneo Lula, chegar a este ponto. Ela ainda pode até ganhar a eleição pois os bolsistas familiares não vêem debates, mas, que eu fiquei com peninha dela, eu fiquei.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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