sábado, 30 de outubro de 2010

O Debate Monólogo da TV Globo




Quando eu era criança lá em Bom Conselho, as diversões eram poucas. Ir à missa aos domingos era uma delas. Outra era ir ao cinema, o que ia poucas vezes, pelo zelo que meu pai tinha por moças puras e donzelas como eu era. Num determinado dia, ele chegou em casa um tanto eufórico, o que era fora do seu normal, e disse para minha mãe, mesmo sabendo que eu estava ali, mas naquela época o pai falar com os filhos, principalmente as do sexo feminino, só era viável através de um emissário, a mãe:

- Vocês não gostariam de ir ver uma peça de teatro. Dizem que é muito boa. O compadre Sebastião disse que era imperdível. Vamos olhar para ver como é que é, este tal de peça?

Minha mãe olhou, deu de ombros e respondeu:

- Que moda é esta agora, eu não! Prefiro ouvir a minha novela, o Jerônimo o Herói do Sertão.

Então de forma muito tímida perguntei:

- Eu posso ir com o senhor, pai?

Ele fez um sinal de positivo com a cabeça, e à noite, lá estávamos nós no Cine Brasília, esperando pela bendito teatro, e nada acontecia. Até, que já com impaciência a da plateia, que talvez endendesse daquilo mais do que eu e o meu pai, entrou um homem pelo espaço central entre as cadeiras do cinema, com um ar de aparvalhamento e nervoso, como se estivesse num outro mundo. E danou-se a falar coisas que não me lembro. Falou, falou, gesticulou, gritou, e nós ali esperando o teatro. Quando, depois de muito tempo, o homem parou, todos bateram palmas, inclusive eu e fomos para casa. Eu, pelo menos ainda hoje estou esperando o teatro.

Agora eu sei que, o que se passava era uma representação do monólogo, de autoria do Pedro Bloch, “As Mãos de Eurídice”, representado pelo ator de Palmeira do Índios, o Jofre Soares, e que nem sei se está mais entre nós. Tudo isto me veio à mente quando começou ontem o debate do século entre o José Serra e a Dilma Roussef na TV Globo. Eu já comecei a vê-lo contrariada, pois por causa dele, encurtaram o capítulo de “Passione”, e eu estou doida para descobrir que matou o Saulo.

Mais diante desta minha decisão maluca de entrar na política, o considerei como Roberto Almeida, embora ele como jornalista, que são os ossos do ofício. Mas até agora as Mãos de Eurídice entraram na minha cabeça assim que a Dilma adentrou o palco, que era muito diferente do do Cine Brasília, mas a aparência dela era igual à do Jofre Soares, naquele dia em que eu fui introduzida ao teatro. Eu penso que se alguém a tocasse ali, levaria um choque que daria para completar o seu programa luz para todos.

Não era prá menos. Ali, sem papel, jogada às feras, representadas por eleitores indecisos, sedentos de sangue, como se viu, e apenas com as instruções e os textos decorados, não sabia o que iria acontecer. Eu, e muita gente que estava vendo, pois agora fico vendo ligada ao twitter de alguém (um dia ainda faço o meu), achamos, ela vai desmaiar. Não desmaiou, mas, se apoiou na bancada, o primeiro bloco inteiro, até que no segundo o marqueteiro deve ter dito: se escorar não pode! E atenha-se ao texto decorado.

Li hoje também o artigo do Zezinho, onde ele já captou alguns problemas com a candidata. Eu vou mais na linha do Roberto Almeida e digo, quanta infelicidade do estilista de moda da Dilma. Ela está, mais ou menos, com o meu corpo, o que não é nenhum elogio, e eu não uso faz tempo aquele tipo de calça apertada, que fica entrando assim por baixo, entendem? (quem pode explicar melhor é o Altamir, mas isto é outro assunto). E quando vi no twitter que o colar que ela estava usando era irmão gêmeo do que a Erenice usa, eu gelei e pensei, lá vêm os preconceituosos falar de relações espúrias. Não deu outra, foi o tema do próximo “twitte”. Oh! cambada de gente hipócrita e preconceituosa! Mas, venhamos e convenhamos, aquele andar dela, de sargento em dia de parada, também não ajudou muito, não é mesmo?

Porém, isto são apenas fofocas da sociedade da oposição, na qual me incluo. O importante foi o que ela falou e propôs para o Brasil: Nada. E se houve alguma coisa que ela disse, além de reclamar que o relógio comeu 15 segundos do seu tempo, não atingiu os meus 3 neurônios. Caros petistas não me chamem de burra, porque tenho um a mais do que o poste.

Não sei se o apedeuta-mor viu o debate, pois ele passou quase toda a noite, numa caminhada, pró Dilma, gastando meu lindo dinheirinho com avião prá cima e prá baixo, aqui no Recife, que até a Nefertari foi (fui a seu blog por conta do banimento do Blog Chumbo Grosso dos favoritos do Blog do Roberto Almeida) e adorou. Ela também, por motivos óbvios não recomenda o blog do Altamir. Se eu tivesse um, eu recomendaria. Volto, se o Lula viu o debate deve ter chorado pela milésima vez nos últimos dias. Agora pelo arrependimento que tem de ter indicada a Dilma.

Com o passar do tempo, eu pensei, ela vai relaxar e vai dizer alguma coisa de bom, disse ao meu cético marido. Nada. Terminou como começou. O que senti no início estava correto. Ela não se sentiu bem com o monólogo de dois. Uma prá lá, um prá cá. E ouve horas em que eu pensei, agora ela vai atirar aquela prancheta na cabeça do Serra e se ele reagir ela vai dizer que foi apenas uma bolinha de papel. Graças a Deus a ameaça não se concretizou.

O que eu espero é que muita, muita gente tenha visto o debate-monólogo e tenha descoberto que o menos pior ainda é o Serra, mas, muito menos pior mesmo. E que amanhã, sem indecisão nenhum vote Serra, para o bem do Brasil.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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