sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O Gallo parou de cantar



Há algum tempo penso em escrever para o Blog, mas, quando o leio todos os dias, nestes últimos, só encontro política. Como disse ontem um dos nossos colaboradores, se não fosse o Diretor Presidente escrever sobre uma pinguela, não sobraria mais outro assunto. Hoje resolvi escrever sobre o tema. Espero que não se decepcionem ao ler-me.

Tratarei de um tipo de política onde a forma democrática de chegar ao poder passa longe. A eleição de dirigentes de futebol. Escrevo mais como torcedor do que como participante do processo. É assim que vi todo tempo o futebol, como torcedor. A não ser o meu período de jogador, lá em Bom Conselho e em São Paulo, no qual pensei que um dia chegaria à Seleção Brasileira. Modéstia à parte, se fosse hoje, para mim seria mais fácil. Nunca fui um Pelé, um Garrincha, um Newton Santos, no entanto, também não fui um Dentinho, um Carlinhos Bala, um Ciro. Fiquei no meio entre os bons e os ruins. E vendo o que sobrou para a seleção do Mano Menezes, se a TV me mostrasse jogando, eu estaria no Maracanã em 2014.

Claro que tudo não passa de um sonho bom. Já pensou eu na A Gazeta, com uma foto de primeira página, com a manchete: “É Bom Conselho na Copa do Mundo”?! Eu ficaria mais famoso do que Pedro de Lara. E ninguém falaria mais em Lula no Agreste Meridional, como seu mais ilustre filho se o Brasil conseguisse o Hexa. E se eu fizesse algum gol, passaria o Vavá e o Ademir da Guia, que eram pernambucanos. Seria a glória.

Mas, em nossa vida nem tudo são flores. Um filho ali outro acolá, lata de leite vai, lata de leite vem e o preparo físico tem que ser conseguido em outro lugar, como agora o faço aqui na CIT. E olhe que dei sorte, pois nunca tive que ser dirigente nem técnico de futebol. Para os primeiros, os dirigentes, certas vezes corre tudo bem e ele vira um “cartola” que pode ir muito longe, dependendo de sua habilidade e dos truques e trambiques que conhece. É política pura. Para os segundos, os técnicos, não tem nada que dê certo sempre.

Aqui no Brasil, e penso que em outras partes do mundo também, se um time perde, o culpado é o técnico, ou termina sendo, no final de poucas derrotas. Vejam no Campeonato Nacional, mais de 20 já perderam seus empregos. Eu penso, que técnico de futebol é a única categoria profissional que nunca desfaz suas malas, e tem sempre reservas em aviões ou ônibus (quando o time é da série D), para qualquer eventualidade.

O meu time do coração aqui em Pernambuco, o Náutico, diante da incapacidade de seus dirigentes e jogadores, e até mesmo de torcedores que isto toleram, mandaram o seu técnico, o Gallo, cantar em outra freguesia. Eu fico imaginando quando ele chegou em casa, se cometeu a imprudência de trazer mulher e filho, pois alguns já ficam em hotéis, o que ele dirá para os familiares.

- Fui outra vez demitido, mulher!

- Galo, meu ex-pintinho querido, de novo? Eu já te implorei para fazer um concurso para ingressares no funcionalismo público. Pelo menos eu me fixaria num lugar por uns tempos. Veja, o nosso filho está dizendo que é um cabra da peste pensando que nasceu em Caruaru, quando ele nasceu em Pelotas no Rio Grande Sul. Eu mesma não sei mais onde estou, ninguém merece!

- Eu penso que você está com toda a razão. Apareceu agora um concurso para treinador de futebol na Granja do Torto em Brasília, dizem que eles pagam bem. Vou tentar.

- Mas, meu Galinho de Quintino, você não precisaria de um diploma em Educação Física?

- Não, mulher o dono do time é o presidente Lula e ele nunca fez questão de diploma. Ele sabe que isto não é necessário para ser eficiente.

- Tu vais votar nele?

- O que é que você acha?

E assim lá vai o Galo que foi apenas mais um que não deu jeito a este time. O meu timbu não toma jeito mesmo. O leão, muito constrangidamente tenho que admitir, parece que vai no caminho certo, e o Geninho só deve ser demitido no próximo ano, quando começar o campeonato pernambucano, e ainda ambos, o timbu e o leão, estiverem na série B, e o cobra coral for o campeão. É bem provável pois o Fernando Bezerra Coelho voltará a ser somente político.

Política, sempre a política, até entre os animais. No 3 de outubro ainda votarei no timbu, pois hexa ainda é luxo.

Jamesom Pinheirojamesompinheiro@citltda.com

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