quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O que é e o que parece




Ontem recebi uma mensagem, da qual eu era componente de um lista de ilustres bom-conselhenses, enviada pela não menos ilustre bom-conselhense Socorro Godoy. Todos sabemos que ela é uma das auxiliares de nossa prefeita para assuntos relacionados com nós mulheres, que já tanto sofremos neste mundo de meu Deus.

Nesta mensagem ela nos envia um texto da Eliane Catanhêde colunista de vários jornais brasileiros, e que tem o mesmo título dado a este meu texto. O texto é oportuno, atual e correto. Entretanto, um dos motivos que me levou a aqui transcrevê-lo foi o próprio gesto de Socorro em enviá-lo. Como tenho um grande interesse na política de Bom Conselho, e espero que ela não pense em se candidatar em 2012, pois prefiro que ela me apoie, fiquei encafifada e me perguntando se ela concorda com tudo que foi escrito pela jornalista. Eu concordo, inteiramente. Além disto, o meu encafifamento até agora não se restringe só à sua opinião, mas também a da prefeita Judith Alapenha.

Fui no SBC, que agora quase virou um órgão oficial da Prefeitura e da Colônia Papacaceira do Rio de Janeiro, e vi a festa da vitória, com fotos melhores do que aquelas mostradas no Blog da Prefeita. A prefeita e sua família, inclusive o Felipe que nunca mais deu o ar de sua graça aqui no nosso Blog, pareciam extremamente alegres nas comemorações. Eu fiquei me perguntando: A vitória de quem? Do Eduardo, da Dilma, do Isaltino ou do Wolney? Se eu tivesse lá estaria chorando. Nenhunzinho de Bom Conselho e nem de perto. Eduardo, agora vai demorar a aparecer. A Dilma nunca aparecerá, porque ninguém é doido de votar nela outra vez, e não é por ser a favor do aborto, que eu também sou em certos casos, nem porque não crer em Deus, o que não concordo mas respeito, e sim porque é uma mentirosa para fins eleitorais. Agora vem com esta fala de que é a favor da vida e que sempre foi assim, como se isto entrasse em contradição por sermos, em certos casos, a favor da vida das mães. Não é por aí. Não defendo que o Padre Nelson suba ao púlpito da nossa Matriz para pedir que não vote na Dilma, mas na sacristia, poooode! E deve. Pois não é por ser padre que se perde os direitos políticos. Normalmente, aqueles que não se interessam por debates políticos, religiosos ou mesmo futebolísticos, e são contra que outros o abordem, nada mais estão fazendo do que defender suas posições em qualquer destes campos. Então parem de me mandar e-mail sobre o Náutico. Sobre política ou religião, poooode!

Não vi também o helicóptero do Isaltino nem o carrão do Wolney. Quando eles estarão lá? E os canos para o problema da água ainda estão por lá? Fiquemos de olho. Cano desaparecido é político foragido. Entretanto, repito, comemorando a vitória de quem? Só pode ter sido da Marina. Mas vamos ao texto:

“Antes mesmo de se reunir para debater estratégias, as campanhas de Dilma e de Serra deveriam convocar imediatamente Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso para ver quem consegue botar o guizo no gato --ou seja, quem consegue arrancar o apoio de Marina Silva no segundo turno.

Marina tem carinho e respeito por ambos, Lula e Fernando Henrique, apesar das mágoas que guarda de Lula e de seu tempo no governo, quando vivia batendo de frente com Dilma em defesa do Meio Ambiente, da sustentabilidade. E perdendo, diga-se.
Nas vésperas da eleição, o que se tinha era que Marina Silva tendia a ficar neutra, o PV era favorável ao apoio a Serra e o eleitorado de Marina eram majoritariamente pró-apoio ao tucano no segundo turno. Pesquisa Datafolha no eleitorado verde deu 51% para Serra, 31% para Dilma.

Como Marina e o seu eleitorado não são um PMDB, não adianta os dois lados tratarem a questão na base do troca-troca de cargos e favores. Convém assumir seriamente o compromisso de adotar a proposta de sustentabilidade e empunhar de fato essa bandeira, condição essencial para qualquer tipo de conversa.

A tradição, um tanto óbvia, mostra que candidato que sai na frente no primeiro turno tende a ganhar a eleição no final, mas isso não é uma determinação divina, sempre há exceções. Por isso, apesar do abatimento, a campanha de Dilma continua em franca vantagem. E a de Serra não tem tempo a perder, muito menos a perder com disputas de ego e briguinhas internas, tão comuns no PSDB, no DEM e no PPS.

Geograficamente, Dilma teve uma vitória avassaladora no Amazonas e no Nordeste, como previsto, e Serra recuperou-se em São Paulo e no chamado "cinturão do agronegócio", pegando Paraná e Mato Grosso do Sul, por exemplo. Mas ele perdeu de Dilma também em dois Estados-chave, pelo peso do eleitorado, da economia e da política: Rio de Janeiro e Minas Gerais. Não será fácil inverter esse jogo. O foco está em Aécio Neves, que tem forte aceitação em ambos e se mantém como cabo eleitoral imbatível em Minas.

De outro lado, há dúvidas sobre a capacidade de Lula em aumentar os votos para sua candidata. Será que está esgotada? Como já escrevi neste espaço e agora está claríssimo até mesmo para os coordenadores de Dilma, Lula foi decisivo no primeiro momento, mas a perspectiva de vitória lhe subiu a cabeça e ele passou a atrapalhar mais do que ajudar quando trocou o figurino "paz e amor" pelo da pancadaria contra a imprensa e contra os adversários. A queda de Dilma tem muito de "pera lá!".

Não se pode fingir que não percebeu que Lula passou os últimos anos e a campanha eleitoral inteira agarrado com Dilma, especialmente no "Jornal Nacional" da TV Globo, mas simplesmente sumiu quando saiu o segundo turno. Não quis dividir "a derrota"?
O momento, aliás, é de parar para pensar e refazer o tom, o discurso, as alianças e a estratégia geral das campanhas. No segundo turno, é candidato a candidato, Dilma e Serra, cara a cara.

Mas, apesar dessa sensação de recomeço, a equação do primeiro turno permanece: Dilma não pode continuar errando, mas Serra, além de não errar, precisa muitíssimo acertar. O problema sempre é: como?

Uma boa dica está nas eleições de 2002 e principalmente de 2006. O PT deslanchou no segundo turno, o PSDB perdeu o ímpeto, a graça, o discurso. É como se tivesse cansado, entregado os pontos. Resultado: encolheu.

Teremos muitas emoções, alguns sobressaltos e uma boataria infernal até 31 de outubro. A versão petista de Alckmin venderia a Petrobras e o Banco do Brasil foi decisiva contra os tucanos em 2006. Martelar as incongruências de Dilma quanto ao aborto na nova classe "C" mostrou o quanto o efeito de tudo isso foi fundamental para a constante queda de Dilma na reta final.

Nem sempre o que parece é, mas se ganham eleições geralmente com o que parece, não exatamente com o que é.”

Socorro, socorra-me, não vote na Dilma. Agora, no segundo turno, mantenhamos nossa eterna submissão feminina, aparentemente. Pelo menos será por uma boa causa, já que nossa causa maior, e acho que tanto a prefeita quanto você votaram na Marina (que o Eduardo não me ouça), e o Felipe, por ser um jovem inteligente, tenho certaza, o nosso lema será: “Mulher só vota em homens!” Só assim poderemos evitar que o pior aconteça com o nosso país. A mulher que mereceu o nosso voto voltará nas próximas eleições para tomar o lugar do homem que elegeremos, agora. É assim que a Democracia se aperfeiçoa. Mudando pessoas. Infelizmente, o homem que sobrou é de São Paulo, mas, graças a Deus, não é o Tiririca. Repito o que disse Eliane Catanhêde:

“Nem sempre o que parece é, mas se ganham eleições geralmente com o que parece, não exatamente com o que é.”


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

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