segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Dilma Morreu?




O título acima foi o que eu pensei quando abri hoje os jornais. Lá em Bom Conselho, minha mãe, quando ouvia a Ave Maria de Gonoud nos alto-falantes da Igreja Matriz, colocava a mão no ouvido, em forma de concha, para apurar as “oiças”, e perguntava:

- Quem morreu!?

Eu também ficava ouvindo, junto com meu pai, para saber quem seria o defunto que, na maioria das vezes, poucas horas depois passava de frente à minha casa. Com sua simplicidade de apedeuta sem muito poder, ela comentava, quando descobria o nome da vítima de Deus, quando ele era uma pessoa que tinha mais defeitos do que virtudes, o que não faltava em nossa cidade naquela época:

- Agora vão dizer que ele era um santo. Matou, roubou, enganou, mentiu, teve todos os pecados, mas, agora morreu, não tem mais defeito nenhum.

Lembrando isso é que pensei que a Dilma tinha morrido. Todos os jornais saúdam a nova “presidenta”, como sendo a melhor das mulheres, inteligente, bem falante, democrata convicta, lutadora, quase santa, e imaginem, bonita. Um dia depois do que a “grande imprensa” dizia dela, não poderia pensar outra coisa. Entretanto, entendi logo, que para aqueles que nunca se posicionaram claramente sobre seu voto, pois isto poderia prejudicar-lhes os ganhos obtidos nas tetas do Estado, seria a única versão possível. A Dilma não morreu, quem morreu foi a candidata Dilma. Agora ela é a “presidenta” do Brasil.

Óbvio, que eu, ainda achando e pensando que a Dilma não tem capacidade para presidir o Brasil, eu gostaria muito que eu estivesse errada, e que fizesse um excelente governo. Senão, por outros motivos, porque ela é mulher, e disse em seu discurso uma grande coisa, para que os pais digam às suas filhas, que: “elas podem”. Da mesma forma como torço para que o governo da Judith Alapenha ainda dê certo, apesar dos percalços, até agora. O pior de tudo será ela, a Dilma, se comportar, como prometeu no mesmo discurso, como se fosse um apêndice de um homem, e logo quem, o nosso apedeuta-mor, que pensou o Brasil apenas como um conjunto de ricos e pobres, da boca prá fora, dando os maiores benefícios que os ricos já tiveram na história deste país, e esmola aos pobres.

Mas, estou pronta, para, se a Dilma, como eu disse outro dia, der um bom chute na região glútea do nosso apedeuta-mor, para fazer o que prometi ao Alexandre Marinho: Fazer um artigo elogiando seu governo. Por falar em Alexandre, ontem, no calor da apuração, ele escreveu um texto onde dizia, depois de fazer crítica à “grande imprensa”: “Encerradas as eleições, como podemos agora acreditar nas análises políticas que tais veículos farão do Governo Dilma?” Não me surpreendeu, pois esta tática já havia sido usada pela Marilena Chué, quando previa que um bando de pessoas do PSDB se passaria por integrantes do PT, para fazer bagunça em São Paulo. Eu não vi bagunça até agora. Mas, se tivesse havido, então os culpados já estavam escolhidos. Alexandre, diz, se a Dilma der com os burros n’água, o que eu acho provável, mas, não desejo, não poderemos acreditar na “grande imprensa”, se ela falar mal de um governo da Dilma. Meu Deus, e quem acreditará no Alexandre depois da análise que ele fez neste texto? Espero que tenha sido só a emoção da vitória.

Para concluir, cito a manchete de hoje do Diário de Pernambuco, em seu caderno sobre as eleições:

“1ª presidenta do Brasil, na primeira eleição que disputou, na primeira vez que um presidente fez o sucessor, depois de ter sido a primeira ministra-chefe da casa civil e a primeira ministra da Minas e Energia”

Eu complementaria a manchete escrevendo um desejo: "A primeira mulher que conseguiu fazer um governo melhor do que o do apedeuta-mor."

Mas, fiquem tranquilos, a Dilma não morreu, apesar das aparências. Parabéns aos vencedores, que não sei ainda se é o povo brasileiro. Vamos ver. Enquanto isso, relembrem e divirtam-se.



Lucinha Peixoto – lucinhapeixoto@citltda.com

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