sábado, 13 de novembro de 2010

Eleições: Política, Politicagem e Politiquice




Eu li outro dia um artigo do professor José Fernandes Costa com o título de “Eleições: política e politicagem” (veja aqui). Nós já discordamos antes e isto é bom. Coisa de pensamento único é para cubanos ou para os Perfeitos Iludidos Sul Americanos (PILA), definidos por mim em texto anterior (veja aqui). Quem lê nossos textos, tanto aqui no Blog da CIT como nos imeios que ele me enviava e também para outros, pois normalmente, vinham numa lista, sabem que nestas eleições discordamos e votamos em candidatos diferentes. Isto faz parte da festa democrática, que eu espero se aperfeiçoe e amadureça cada dia mais em nosso país.

Hoje, na solidão do meu plantão aqui no Blog, tendo acordado um pouco tarde, reli o seu texto, como sempre, escrito de forma correta, mas, com algumas derrapadas no conteúdo. Ao terminar de ler o texto, minha primeira impressão foi que o professor juntou num só lugar, todos os imeios que ele leu durante a última campanha eleitoral, resumindo-os de forma a levar a crer que eles só eram criminosos quando falavam dos seus candidatos, e eram verdadeiras orações quando vinham do outro lado.

Ele começa com a seguinte frase: “Política partidária sempre foi sinônimo de coisa ruim.” Fornecendo um exemplo vindo da história, que, dificilmente se deve à política partidária em si, mas, a um tipo peculiar de política que nada tinha de partidária. Isto só existia no nome. Dizer, que em certas épocas a UDN, o PSD, e mesmo o PTB, eram partidos políticos, era forçar muito na definição do que se entende por partidos, e seus papéis num sistema democrático. Os partidos eram os homens fortes, que se matavam uns aos outros quando eram pegos fazendo malfeitos, para aquela época. Não era política partidária e sim “politicagem ambiciosa” como diz mais adiante o professor. Eu só não creio que seja um fato, ele dizer que nada mudou, neste aspecto, em nosso país. Eu penso que mudou e muito, apesar de ainda existir muita politicagem ambiciosa e ambição politiqueira.

Eu não vou querer aqui macular minha consciência e dizer que os Partidos, em nossa nova e novíssima república, sejam exemplos de agremiações que sejam totalmente positivas para o desempenho pleno de um regime democrático representativo, a que nos propomos desde 1988. Eles mais parecem um balaio de gatinhos e lebrinhos filhos de gatões e lebrões de várias cores, que são difíceis de ver quem é gato e quem é lebre. Talvez seja por isso a polarização que hoje se dar em torno do PT e do PSDB, por conta das duas figuras que presidiram o Brasil nos últimos anos. Os outros apenas tem capacidade de gravitarem em torno destes dois partidos por falta de lideranças fortes. E daí decorre tudo que é dito pelo texto do professor.

Senão vejamos. Ele diz que houve apenas um grande avanço tecnológico e que a internete está no centro do palco deste avanço. Porém, ela “serviu quase só e unicamente para o mal.” E a partir daí seu artigo sai da história para entrar numa campanha, procrastinada, em defesa dos seus candidatos, que não sei se todos, mas muitos deles foram vencedores do pleito. Ele diz: “Pessoas que torcem pelo “quanto pior, melhor”, fizeram de tudo para tirar a Dilma Rousseff do páreo. Com calúnias, injúrias e difamações. Espalharam todo tipo de terror, via e-mail. E continuam mandando coisas más, ignóbeis.” Eu nunca vi uma frase tão perfeita, e mais coerente com os fatos, do que esta mesma, quando substituímos o nome de Dilma Rousseff, pelo de José Serra. Pois o partido da Dilma e do meu conterrâneo Lula, que sempre acreditou no “quanto pior melhor”, sempre votando contra, desde do governo que não houve de Tancredo Neves, todas as iniciativas que deram certo para montar a estrutura e base política, social e econômica do país, para que hoje, no governo do Lula, ele possa dizer, de forma um tanto mentirosa, que tudo que houve de progresso no Brasil se deve só a ele e a Dilma.

E como seria de se esperar, ainda de cima do palanque, o professor, aponta e usa sua metralhadora giratória para todos os lados, tentando atingir pessoas de todos os matizes políticos, menos aqueles para quem ele pedirá votos, talvez na próxima eleição. De um lado ele coloca o Eduardo Campos, o Wolney Queirós, o Isaltino Nascimento, explicitamente, e poderia colocar também com o mesmo espírito, José Sarney, Fernando Collor, Renan Calheiros, Erenice Guerra, José Dirceu e tantos outros deuses do asfalto. E do outro lado ele coloca a filha de Pedro Correia, Marco Maciel, Jarbas Vasconcelos, Roberto Freire, explicitamente, e poderia também colocar, Fernando Henrique, Itamar Franco, Aécio Neves, Mário Covas e tantos outros que são o cão chupando manga. Para mim, isto é um maniqueísmo simplista, que se coloca no fervor de uma campanha eleitoral, e que, suas clivagens entre verdades e mentiras são tantas, que em princípio não acreditei que ele realmente quis publicar este texto.

Eu não sei quantos vídeos escabrosos o professor tem, contra Dilma, para citar, mas, penso que não tem mais do que eu, contra Serra. Se o Roberto Carlos dizia: “São tantas as emoções”, eu digo, são tantas as mentiras que apareceram nesta eleição, que realmente dou razão ao professor quando diz que houve muita politiquice. Apenas discordo quando ele, de uma forma bastante parcial, diz, que a única ofendida foi a Dilma.

Apesar de alguns exageros óbvios, e isto é comum em comícios, (basta ver o meu conterrâneo Lula, querendo extirpar os partidos e fazendo chacota com a violência que atingiu o outro candidato), eu concordo com quase tudo, no parágrafo em que ele fala do Tiririca. Na hora em que escrevo, aceitando o argumento do professor que trabalha dentro dela, a "justiça caolha", na pessoa de um juiz, já disse que o Tiririca sabia ler e escrever, enquanto a mesma justiça, na pessoa do promotor, recorreu dizendo que o desempenho do palhaço foi muito fraco. Já disse aqui que se o Lula, na primeira eleição que concorreu, fosse fazer o teste do ditado, ele teria os mesmos problemas, talvez acertasse “menas” respostas do que o Tiririca. Que sabe o Tiririca não será outro Lula, afinal de contas ambos são paulistas "naturalizados".

Da mesma forma que ele faz com os políticos ele faz com os jornalistas. Coloca-se como um cérbero na porta do reino da morte, e diz: aqueles que defenderam a Dilma vão para o céu, os que defenderam o Serra vão para o inferno, e os que defenderam a Marina, purgatório neles. Mesmo assim, verifique-se aqueles que ficaram no primeiro turno com Marina e se no segundo turno, caíram do muro, não tem mais do que duas alternativas: Céu ou inferno. Enquanto aqui embaixo o José Serra fala no exterior sobre a situação da economia brasileira, que vai de mal a pior, enquanto um palhaço da Fundação Zapata, apoiadora de Dilma desde de muito tempo (veja aqui), manda ele se calar, da mesma forma que o rei da Espanha disse para o PILA Hugo Chaves, e a Dilma luta em Seul para não entornar o caldo da economia brasileira, sem soltar o discurso bonito, enquanto dure, da defesa dos mais pobres, o professor coloca alhos ao lado de bugalhos, discernindo-os com a maior precisão. Como diria o Lula no alvorecer do grande líder mundial: “Com menas sede ao pote, professor”.

Quando o José Fernandes passa a falar sobre religião eu “sarto” fora. Não que eu ache pouco importante, mas porque não entendo muito além da Ave-Maria que já aprendi adulto. Isto é com a Lucinha. Entretanto, lendo o último parágrafo do texto do professor, tenho que concordar, hoje, ele mais do que eu admira o Lula. E diz muitas verdades, sobre Lula estar na história, ter feito coisas impressionantes, e ter valor. Quem negará? Eu apenas digo, que nos últimos tempos, falaram tanto isto a ele, que estragaram o rapaz. Ele agora se considera a própria encarnação de Deus na terra, e os judeus já estão dizendo que, agora sim, apareceu o verdadeiro “messias”. Os católicos que recebem o bolsa família o colocam junto do altar com Padre Cícero, e este último está quase caindo em desgraça. Os evangélicos, pelo menos o Edir Macedo, já está abrindo um templo em um país do terceiro mundo em homenagem ao novo Deus, e dizem que está sendo um sucesso de dízimos, e o será ainda mais com a vitória de Dilma.

E só para concluir, eu sei que o professor sabe que entrar na história nem sempre é motivo de honraria. Eu como conterrâneo do Lula gostaria que ele entrasse nela com a grandeza igual a que começou, e não o fizesse com as baixezas que cometeu por achar que perder uma eleição, tirar-lhe-ia dela. Se a Dilma não consertar as burradas que o Lula, e ela também, praticaram em termos de gastos públicos, ele vai entrar na história apenas como o maior cabo eleitoral que já apareceu neste país. Espero que o Tiririca se saia melhor.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com

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