quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Espertalhões e Coadjuvantes






Nestas minhas andadas pelo Twitter, tenho encontrado muitas coisas boas e más. Por falar nisso, quem quiser me seguir é só clicar aqui , e se tiver dúvida peça auxílio do filho ou do neto, eu ando muito devagar ainda, nesta rede social, e não cansará ninguém. Retomando, uma das coisas boas que encontrei foi de um “tweet” (é uma mensagem no Twitter, coisa de americano, mas, que o brasileiro adora e até eu me rendi, pois estou tentando me curar do meu complexo de vira-lata) do Olavo de Carvalho que indicava um texto seu chamado: “Profissionais e amadores”, que me pareceu de uma veracidade atroz para a oposição no Brasil, embora eu o preferisse com o título que dei a este meu texto. Leiam o texto, em azul, ao qual eu faço pequenos comentários depois.

1. Somados aos sete por cento de votos brancos e nulos, os 22 por cento de abstenções, mais que significativos num país onde o voto é obrigatório, sugerem fortemente que quase a terça parte do eleitorado não leva a sério a democracia vigente, no que alias dá prova de um realismo impecável.

2. Sugerem também que uma parcela enorme do eleitorado antipetista fez as contas e achou que não valia a pena perder a diversão do feriado só para votar em José Serra, candidato apetitoso como papinha de alface. Sem sal e light, é claro.

3. Dos votos concedidos a Serra, um terço, pelo menos, ele deveu ao movimento anti-abortista – a única militância conservadora deste país, providencialmente desligada de qualquer partido, que a teria castrado ao primeiro sinal de vida.

4. Outro terço ele deveu, meio a meio, à força de personalidade de seu vice Índio da Costa e à ojeriza antipetista difusa, que votaria num bacalhau empalhado para não ter de votar em Dilma – e que só votou em Serra porque não encontrou um bacalhau empalhado na lista do TSE.

5. Um terço, se tanto, ele deveu à sapiência dos marqueteiros que o aconselharam a caprichar no bom-mocismo, a derramar-se em louvores à figura sacrossanta do presidente Lula, a explorar o inexistente capital politico dos seus tempos de militante estudantil e a nada oferecer como alternativa à ferocidade de Dilma Rousseff senão uma imagem ideologicamente neutra e inodora de “bom administrador”, de mistura com afetações de esquerdismo asséptico que, como não poderia deixar de ser, irritaram a direita e não seduziram a esquerda. Idiotas presunçosos, amadores, incultos e despreparados, muitos deles mais interessados em salvar o esquerdismo do que em derrotar o petismo, esses sujeitos arrasariam a mais promissora das candidaturas que a eles se confiasse. Como poderia sobreviver a seus conselhos o anêmico José Serra?

6. Descontadas as abstenções, os votos nulos e brancos e os votos dados a José Serra, Dilma Rousseff elegeu-se com o apoio de não mais de 41 por cento do eleitorado total. Os tucanos não deixaram de registrar esse fato, buscando nele um consolo que não posso deixar de considerar postiço no mais alto grau. Que votação relativamente minguada tenha bastado para eleger um presidente, ou presidenta, não prova a fraqueza eleitoral do PT, mas a força da sua estratégia. Desde o início, a tônica da campanha petista consistiu menos em enaltecer as virtudes de Dilma – esforço inglório de multiplicar por zero – do que em inibir, pela virulência dos ataques e pelo cinismo estupefaciente das alegações, qualquer veleidade serrista de empreender uma campanha mais agressiva. Quando veio a simples e arquiprovada revelação do compromisso abortista de Dilma, a esquerda nacional em peso respondeu com esgares de indignação moral fingida, imputando falsamente a prática de crime de calúnia e difamação a milhares de pessoas – a maioria sem compromissos partidários – que nada mais tinham feito senão dar provas cabais do que diziam. Que poderia o campo serrista fazer diante de tão descarado histrionismo? A única reação à altura teria sido despejar sobre os farsantes petistas uma tempestade de processos criminais, mostrando que com fatos comprovados não se brinca, que ninguém tem o direito de tentar sufocar a verdade mediante caretas e micagens. Temendo ultrapassar as fronteiras do debate pacífico, a oposição preferiu permanecer no campo da troca de palavras, nivelando, aos olhos da multidão, os direitos da verdade e os da mentira. Mais ainda, abdicando do dever de punir o crime verdadeiro, encorajou o PT a perseguir crimes imaginários. Acobertando seus inimigos culpados, facilitou a perseguição de seus amigos inocentes. Tão fundo foi aí a obsessão de amortecer confrontos, que até mesmo o reforço vindo do Papa Bento XVI à campanha nacional anti-aborto pareceu a alguns próceres tucanos, como o governador Alberto Goldmann, uma provocação temerária. Que esperança de vitória pode ter um partido que concede ao inimigo o direito de acusá-lo de crimes que ele não cometeu, e ao mesmo tempo se inibe de usar no combate a arma justa e devida que lhe foi entregue em mãos pelo próprio Papa?

Tudo isso se enquadra tão bem na tipificação da “espiral do silêncio”, que me parece impossível fugir à conclusão de que, ao longo de toda a campanha, o PT manteve eficiente controle sobre a conduta de seus concorrentes, operação levada às suas últimas conseqüências no truque sujo do feriado improvisado, que dissuadiu de votar em Serra muita gente que já estava decidida a não votar em Dilma.

Se a campanha serrista se ateve fielmente ao emprego dos instrumentos eleitorais mais convencionais e batidos, o lado petista combateu num front muito mais amplo e por meios muito mais inventivos, apelando mesmo a ardis de engenharia psico-social que o outro lado não tinha nem competência nem disposição para enfrentar.

Neste país, só os revolucionários e criminosos são profissionais. A oposição democrática, com toda a sua afetação de elegância, é de um amadorismo patético.

Começo pelo final. Dizer que nossa oposição democrática é amadorista e patética é até um elogio, diante do festival de besteiras que foram feitas durante a campanha, e que agora continuam sendo praticadas pela mesma. Vejam o caso da CPMF. Os governadores, inclusive da oposição querem a volta deste imposto. E vão tentar impor à presidenta que cometa mais um estelionato eleitoral, com o aval de um Congresso que pode até votar os projetos pelo Correio, pois sabemos os votos de quase todos, a favor do governo, e de governadores, puxados pelo D. Eduardo, nosso governador. Só as pedras que não clamaram é que não disseram que houve uma combinação prévia para a presidenta falar neste imposto no discurso da vitória.

Mas voltemos a binóculo para antes no artigo do Olavo. A imagem do Serra como “papinha de alface” light e sem sal, só entende é quem é mãe pela segunda vez, ou avó, pois eu sei que jamais o meu netinho comeria esta papa. Eu fui daqueles que votaram em Serra, porque não encontrei um “bacalhau empalhado” na lista de candidatos. As alternativas do branco, nulo ou da ausência, só favoreceria o poste, que até agora continua sendo carregado por Lula, e partiram para Seul. Vão tentar convencer os americanos e chineses que brasileiro não desiste nunca de jogar para arquibancada. Todos já sabemos que no fim, perdemos o jogo de goleada, mas, o Cafuringa sai aplaudido.

Feitas as contas do Olavo ele chega à conclusão de que apenas 41% do eleitorado sufragou a Dilma, tudo isto por força da “estratégia petista”, da qual falamos durante a campanha, e continuaremos a falar, por esta história de uns coisas devem ser ditas na campanha e outras depois dela é coisa de políticos que querem se eleger a qualquer custo, seja com mentiras ou seja com verdade. Depois de passadas as eleições, então só houve mentiras por parte da oposição. Eu não gavião. O tempo que dei a candidata para era mostrar a que veio (100 horas) já passou. Agora ou persevera no que disse ou passa de um candidata mentirosa a uma presidenta mentirosa. E se provocar danos morais ou materiais com mentiras, para mim será uma estelionatária (Pasmem leitores, não existe no dicionário esta palavra, ela é apenas um substantivo masculino, isto deve indicar que no tempo antigo só homens poderiam se tornar estelionatários, nós aqui adotaremos a mesma regra que adotamos para “presidenta” (veja aqui), se necessário, o que espero que não seja) e será com tristeza que direi aqui.

A “espiral do silêncio” é uma ótima maneira de dizer o que aconteceu com a campanha das oposições, quando o candidato Serra, que talvez nem esperasse que a Marina lhe colocasse o segundo turno no colo. E a partir dos fatos relatados no artigo, aborto, privatização, pré-sal, religiosidade, promessas mirabolantes e outros, faltou a verdade, ou melhor, ninguém mais sabia o que era a verdade nem o que era mentira, e se perdeu uma boa chance de banir para sempre esta estratégia petista, que fatalmente será usada outras vezes, de confundir para ganhar. Espero que esta não tenha sido uma vitória de Pirro.

Hoje eu já li que a Dilma já se despojou da maquiagem pesada usada na campanha, e plubicaram foto e tudo. Meu Deus, como estes jornalistas são cruéis. Quando vi a foto desisti de fazer um cirurgia plástica, para qual há 5 anos junto dinheiro, para entrar na campanha em Bom Conselho. Vou colocá-lo na poupança do meu neto, pois não sei em que universidade ele vai entrar, e o coitadinho, talvez ainda tenha que fazer o ENEM.


Lucinha Peixotolucinhapeixoto@citltda.com

Nenhum comentário: