sábado, 20 de novembro de 2010

Eticamente Injustificável





Eu li, neste Blog, nesta sexta-feira, um artigo grupal. Digo grupal, porque foi escrito a oito mãos pelo Diretor Presidente, Lucinha Peixoto, Eliúde Villela e pelo professor José Fernandes. Toda a postagem gira em torno de um imeio do professor, onde, naquilo que me interessa ele diz ter muitos argumentos para rebater os meus, usados em comentários a um dos seus textos, no linques citados a seguir (José Fernandes) (Zezinho de Caetés).

Hoje não vou tocar no assunto levantado pelo professor. Esperarei seus argumentos no futuro, para não ser tachado de apressado. Hoje, em relação ao texto mencionado, quero me reportar à proposta de Lucinha, caso ela seja eleita vereadora de Bom Conselho em 2012, que vai propor um salário simbólico para o cargo, no valor de um salário mínimo. Faz tempo não ouvia uma proposta tão decente, principalmente, se ela fizer o que diz de doá-lo a uma instituição de caridade. Parabéns Lucinha! Eu só não transfiro o título para Bom Conselho para votar em você, porque tenho que permanecer com ele em Recife para desbancar o João da Costa. Mas, se ele (o título) ainda fosse de Caetés, eu o transferiria, pois não vi nenhum vereador de lá com uma proposta tão interessante. Talvez, quem sabe o Rafael Brasil, por quem tenho grande admiração, por sermos ambos defensores do Estado Mínimo, se aventure em direção à vereança.

Eu sei Lucinha, que este pessoal está ganhando dinheiro demais. E eu posso dizer isto livre, leve e solto, porque não pretendo cargos eletivos ainda, mas, cara amiga, tenha cuidado, depois desta proposta, a ideia que você tem de falar com todos os políticos em Bom Conselho pode ir de água abaixo. Se Bom Conselho está no mundo brasileiro, sei que tanto os vereadores quanto a prefeita, etc. nem a receberão, e se a receberem lhe oferecerão café frio e água quente para mostrar o miserê em que anda o município. Por isso reproduzo aqui parte de um artigo do Lúcio Vaz, que vive lá pelos lados do poder em Brasília, que tem como título o mesmo que dei a este muito mais modesto texto.

“É inacreditável a capacidade dos deputados de assumir a defesa de propostas eticamente indefensáveis, pela inoportunidade e pela falta de sustentação política-econômica-financeira. Em reunião na casa do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), os líderes partidários discutiram abertamente a questão do aumento do próprio salário. Depois, deram entrevistas sobre o tema, sem constrangimento. Parte dos parlamentares defende a equiparação ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) - R$ 26,7 mil -, o que representa o teto constitucional dos servidores públicos. Para compensar, quem sabe, haveria um corte de R$ 10 mil na verba dos gabinetes. Tudo isso num momento em que se discute se o percentual de aumento do salário mínimo será de 5,8%, como quer o governo, ou de 13,7%, como querem as centrais sindicais. Tudo bem que as excelências estão há quatro anos ´à míngua`, com um ´salariozinho` de R$ 16,5 mil - o equivalente a 32 salários mínimos -, mas propor 61,8% de aumento é um abuso, um despautério.

Outro dia escrevi que seria justa a reposição da inflação do período, algo em torno de 18%. Assim as coisas pareciam se encaminhar. Mas ressurgiu a antiga e jamais adotada proposta de equiparação ao teto salarial dos Três Poderes. Ela foi tentada pelos ex-presidentes da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Severino Cavalcanti (PP-PE) e até prometida pelo atual presidente quando em campanha pelo primeiro mandato, em 1997. Quem sabe o fator de inspiração tenha sido a passagem de Severino, o breve, pelos corredores da Câmara nesta semana. Em 2004, ainda em campanha pela Presidência, ele justificou assim a proposta de equiparação: ´Um ministro do Supremo não tem as despesas de um deputado. Se alguém tem dor de dente, quem socorre é o deputado. Nós vivemos sacrificados`, discorreu o então parlamentar sobre o seu entendimento do que seria uma das tarefas de um legislador. Rebelo chegou a anunciar um aumento de 90%, mas depois recuou.

Na campanha para presidente, nos idos de 1997, Temer compareceu a uma reunião fechada na casa do deputado Wigberto Tartuce (PP-DF), organizada por um grupo de nome pomposo e contraditório: Movimento Consciência Política. Os outros dois candidatos, Wilson Campos (PSDB) e Prisco Viana (PP-BA), também foram sabatinados. Temer afirmou, para júbilo geral, que o os salários dos parlamentares, em R$ 8 mil naquele momento, seriam ´insuficientes`. E propôs: ´Se o teto (constitucional) for de R$ 10,8 mil, os salários vão atingir isso. Virão críticas da imprensa. Mas vamos fazer um remanejamento para usar melhor as verbas da Câmara`. Infiltrado na festa, um repórter registrou tudo.”

Voltando eu pergunto: Pode-se deixar de acompanhar nossos representantes depois que forem eleitos? Quantos deles disseram que seria a favor de aumentar seus próprios salários? E o pior, agora a presidenta eleita diz que se não aumentar o salário dos ministros, ela não ficará com nenhum. Agora ela diz, e antes da eleição? Vai dizer que não sabia. E, venham cá e fiquem lá mesmo, o salário apresentado, e tão baixinho, de 16 mil reais, vem acrescido de todo tipo de mordomias, as legais, porque as outras nem sempre aparecem, como no caso do mensalão (tanto um como o outro) e da Erenice.

O que eu espero, e a conhecendo tenho quase certeza de sua sinceridade, é que a Lucinha ao dizer que não quer ganhar nada, não esqueça isto quando for eleita. Como faço agora com a Dilma (e ela também), farei com ela, em sua gestão. E não vale, Lucinha, querer subsídios para moradia, para ficar hospedada no Hotel Raízes, onde um dia pousei, nem alugar casa em bairro de luxo como aquele que vi na entrada da cidade. Nem tampouco terá carro à sua disposição para visitar a sede da CIT lá em Caldeirões. Portanto, para você ganhar o leite do seu netinho, terá que pedir um emprego na A Gazeta, ao Luis Clério, quem sabe substituindo o editorialista, de quem você tanto fala!

Mas, tudo isto não passa de pândega, por que sei que ela continuará na CIT Ltda, onde o salário não é lá estas coisas, mas, a empresa está financiando sua campanha política. O pior é se o pessoal daqui quiser mudar também para Bom Conselho. Duvido que Lucinha arranje um lugar para eles na prefeitura ou na câmara, se ela também não fizer o prefeito e o presidente da câmara. Seria eticamente injustificável, mas, o único político, na história deste país, que está se tornando santo, é o meu conterrâneo Lula. Dizem que a Dilma enviou uma carta ao Papa, pedindo para apressar o processo de beatificação dele, até o natal, quando ele passará o bastão a ela entre os catadores de material reciclável, moradores das ruas de São Paulo.

Vejam o vídeo abaixo e observem se eu tinha razão ou não em admirar o Lula. O que eu não sabia é que todo este discurso emocionado e cativante, não passava das mesmas lágrimas de crocodilo dos comícios pró Dilma. Ele está sempre em campanha, e sempre esteve durante toda a vida. É o que o Joaquim Falcão chamou de “sentimentalização” da política (veja aqui), e que eu chamaria de “santificação” da politiquice. Como nós sempre esperamos o D. Sebastião, agora esperaremos o Lula. Veja este caso citado no artigo:

“Há cerca de um ano, uma pesquisadora relatou-me que no meio de uma sessão de focus group, tentando desenhar a tendência do eleitorado, uma senhora de classe D, agitou-se e sussurrou com imensa angustia. “Meu marido me abandonou. Era alcoólatra. Me deixou sozinha. Com dois filhos pra criar. Sem dinheiro em casa.” Sua ansiedade a atropelava. “Vivo do bolsa família. Quem coloca dinheiro na minha casa é o Lula.” Parou. “Ele é que é o meu marido”. Sentenciou. Deu-se, no grupo, um momentâneo e eterno silêncio de espanto.”

Ela poderia também dizer, e muitos dizem com igual razão, “que ele é o meu santo protetor, não é mais o Padim Ciço, pois ele não tinha o bolsa família”. Pode alguém, que pense como esta mulher, deixar de votar em Lula? Este é que é o perigo para o país, e para os próprios filhos desta dela. Muitos dirão que é um exagero pensar assim diante de atos de tanta bondade. Talvez fosse, se isto não levasse ao comprometimento dos esforços de uma nação, que vive num mundo globalizado e cruel, na qual não se pode estar fazendo "gentilezas com o chapéu alheio". O chapéu pertence a todos os brasileiros. Talvez ele não seja rasgado pelo bolsa família, mas o será se isto se estende à relação com as políticas econômica interna e externa, que talvez nos impeçam até de manter o benefício para aqueles que o merecem. Mas isto já e matéria para outro artigo.






Zezinho de Caetés – jad67@citltda.com

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