terça-feira, 30 de novembro de 2010

GARI





Poucas são as pessoas que olham o trabalho gratificando desta classe de trabalhadores em nossas cidades. É um profissional humilde mais que é aquele (a) que serve com o seu trabalho a toda comunidade. É um trabalho árduo e penoso, se observamos com os olhos da caridade, pois, estes (as) trabalham de inverno a verão, de dia e de noite até altas horas, sempre correndo e coletando aqueles entulhos que não nos servem mais. É aquele que estão sempre pelas ruas desentupido galerias, esgotos, limpando canais, capinando praças e muitas das vezes, como vemos quando passamos pelas ruas e avenidas, sem nenhuma proteção para resguardar a sua saúde. Sempre estão sujeitos a apanhar qualquer doença e, quando isto ocorre os hospitais não lhes dão guaridas dignas. Varre as ruas que nós sujamos, pois não temos educação familiar É uma classe que tem os seus ganhos parcos que não provem o seu sustento e nem de sua família. São pessoas simples que moram em favelas, córregos, altos e morros em casa paupérrima sem nenhum conforto para o seu descanso diário. Lazer nem se fala. Andam sempre em cima das carrocerias dos caminhões entulhado de lixo inalando o mau cheiro que exalam dos detritos com os seus uniformes, laranja ou vermelho. São pessoas dotadas de uma resignação extraordinária, não se aborrecendo, mesmo nas horas, que teriam que se aborrecer.

Ocorreu um fato lastimável e falta de cidadania e educação, quando eu estava na Avenida Guararapes na fila esperando o ônibus Casa Amarela / Rosa Silva para ir até a repartição federal FUNASA.

Dois garis varriam o meio fio e outro o calçadão do Correio Central na Avenida Guararapes, outro vinha apanhando o lixo acumulado e colocando em um carrinho.

Chegam duas mulheres, abre uma bolsa e tiram duas frutas “pinhas” abre e começa a se lambuzar jogando os caroços e a casca da pinha na calçada, demonstrando a falta de respeito com aqueles homens trabalhadores que acabavam de limpar a via pública.

Um cidadão que estava na fila do ônibus, falou delicadamente, para elas, o porquê ela não jogavam as casca no lixo logo ali em frente, pois, o gari tinha varrido a rua naquele momento?

- A mulher respondeu:
- Ele é pago para varrer, não é neguinha, virando-se para a outra.
- A outra respondeu:
- É mesmo mulher e riu.
- O homem indignado disse:
- Ele é pago, mas nós devemos colaborar com eles na limpeza da cidade que é uma obrigação do cidadão manter a cidade limpa.
- Ela disse:
- O Senhor o que tem a ver com isto? Vá se incomodar com a sua vida deixa a minha, virando-se e jogando mais uma casca no chão.
Voltou-se para a outra e disse:
- Que velho chato, não é? Ele devia se incomodar com a sua vida e deixar a dos outros em paz.

Uma senhora que ouvia a discussão, disse, deixe prá lá seu Zé, elas não tem educação, e educação vem do berço, coisa difícil de ver nos dias de hoje. Deve ser o nosso tempo!

- A morena olhou para esta senhora e disse:
- A senhora está tomando a dores deste velhote, por que a senhora é igual a ele.
- Jogou mais casca e caroço, na via pública, rindo com a companheira.
- E tem mais, está dizendo que eu não tenho família? E que a minha família é mundiça, hein? Pois, a senhora fique sabendo que tenho família, a senhora é que não deve ter família, pois, se mete onde não é chamada, não é?

A Senhora disse: respeite-me que eu não sou da sua iguala, Dobre a sua língua quando dirigir uma palavra para mim.

- Veja mulher, disse para sua companheira ao lado, que eu arranjei dois baba ovos do prefeito nesta tarde. Durma com uma bronca desta. Vão se lascar, os dois. Virou-se e ficou resmungando com a sua companheira, cada uma com uma pinha na mão.
- Aí em diante começou um bate boca, juntando muitas pessoas ao redor e alguns atiçando mais a discussão calorosa que acontecia. Alguns palavrões saíram de ambas as partes. As vozes altas e estridentes chamavam a atenção das pessoas que passavam e paravam para ver o que estava acontecendo. Uma dupla de soldados, que vigiava a Avenida Guararapes chegou junto e pediu calma e serenidade, pois, estavam chamando a atenção transeunte.

A morena olhou para o guarda e disse:

- Esta confusão é somente porque eu joguei uma casca de pinha e caroço no chão e eles vieram me repreender. Quem são eles para me censurar?

Os guardas olharam e riram e disse: Tudo calmo vão para casa e esfrie a cabeça.

Os garis que observam de longe a discussão voltaram para apanhar a sujeira que tinha ficado no chão, sorrindo e enxugando o suor que lhe escorria pela face. Apanharam e seguiram em frente, balançando a cabeça e gesticulando, como se falasse dá pra entender?

Finalmente a ônibus chegou os passageiros desceram enquanto nós subíamos e as duas mulheres, afoitas olhavam com riso cínico as pessoas que estavam atrás, inclusive, o cidadão que reclamou. Olhou mais uma vez, e por propósito jogou o resto da pinha que vinha comendo e, perguntou:

- Achou ruim? Meu bem?
- Deu uma gargalhada beliscando a traseira da outra que se encontrava séria.
- O homem e mulher que havia discutido sentaram-se resmungando e olhando para as duas que se sentaram na sua frente.
- Ó cobrador tem alguma fruta para comer? Perguntou uma delas. Riu enxugando o suor do rosto e das mãos em uma tolha pequena tirada da bolsa.
- O ônibus tomou seu destino, desfilando pela Avenida Conde da Boa Vista, o homem que reclamara, desceu na Avenida Rosa e Silva, eu desci na Estrada do Arraial e duas moças seguiram em frente para Casa Amarela.



José Antonio Taveira Belo / Zetinho - taveirabelo@hotmail.com

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