segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Houve mesmo uma revolução de Caetés?




Ontem li no Blog um texto do professor José Fernandes, no qual, além de pedir para corrigir alguns erros em texto anterior seu, explica o que ele entende quando fala da revolução de Caetés. Como ele diz: menos mal! Eu também já disse que o professor merece mais do meu tempo em comentar seus escritos, data venia, hoje apenas começo a esboçar minha reação, fazendo igual ao meu conterrâneo Lula, usando chapéus alheios para fazer gentilezas, no meu caso, tentando desmistificar um pouco a revolução de Caetés, no sentido que a ela dá o professor.

Eu começo citando um blog de um conterrâneo, o Rafael Brasil. E aqui eu quero dizer que não pedi permissão dele para citá-lo, e já peço desculpas se o melindrei por fazê-lo. Esta postagem no Blog do Rafael, é de 31 de janeiro deste ano (leia aqui o original), portanto, naquela data eu já a havia lido e perguntava como alguém poderia escrever isto sobre o divino Lula, mesmo sendo seu conterrâneo. Hoje eu entendo e o apoio. Como dizia um alguém que não me lembro quem era: “Errar é humano, mas, permanecer no erro é caminhar para o regresso.” O título da postagem é: “Ao brincar de Deus, Lula se dá conta de que é mortal”. Leiam, daqui a pouco eu volto.

“As Piadas como as ideologias, são moldadas pelo tempo. Corre em Brasília uma dessas anedotas velhas que as circunstâncias se encarregam de ajustar.

O presidente saía do banho. Trazia uma toalha amarrada na cintura. A caminho do closet, deu de cara com uma camareira do Alvorada.

Súbito, o nó que prendia a toalha se desfez. E o pedaço de pano que lhe protegia as vergonhas foi ao solo. A camareira arregalou os olhos: “Óhhhh! Meu Deus!''.

E o presidente, com ar de indisfarçável superioridade: “Sim, sim, companheira. Mas pode me chamar de Lula”.

Na última quarta-feira, falando para uma platéia de pernambucanos amistosos, Lula discorreu sobre algo que lhe causa jucunda satisfação.

“Vocês estão lembrados, o orgulho que eu tenho, quando o FMI chegava aqui no Brasil humilhando o governo brasileiro...”

“...Já descia no aeroporto, dando palpite, dizendo o que a gente tinha que comprar, o que a gente tinha que vender, o que a gente tinha que estatizar...”

“...Agora quem fala grosso sou eu. Porque, se antes era o Brasil que devia ao FMI e ficava que nem cachorrinho magro, com o rabo entre as pernas, agora quem me deve é o FMI”.

Vale a pena repetir dois pedaços do raciocínio do presidente. O primeiro: “Agora quem fala grosso sou eu.” O outro: “Agora quem me deve é o FMI”.

Os ouvidos sensatos alcançados pelo lero-lero de Lula viram-se tentados a perguntar: Eu quem, divino presidente? Eu quem, supremo mandatário?

Ora, quem deu o dinheiro que o Brasil borrifou nas arcas do FMI foi a bugrada. Lula apenas o gastou. O Fundo deve aos brasileiros, não a Sua Excelência.

Parece implicância, mas é preciso dizer: Tudo leva a crer que algo de muito errado sucede com a cabeça do presidente da República.

Falta-lhe o parafuso que fixa as sinapses que ligam os neurônios do bom-senso aos da humildade. Lula esforça-se para mimetizar Luís XIV de Bourbon.

O soberano francês foi ao verbete da enciclopédia como autor da frase fatídica: “L’État c’est moi”. Lula o ecoa: “O Estado sou Eu”.

O presidente não gosta da rotina de Brasília. A idéia de acordar, pendurar uma gravata no pescoço e ir ao Planalto para receber, digamos, Edison Lobão o aborrece.

Dono de popularidade alta e de discurso baixo, Lula prefere a eletricidade proporcionada pelas multidões à frieza das audiências individuais.

Sua praia é o palanque. A visão das platéias hipnotizadas o conduz a um plano superior. Agrada-o a sensação de espectadores que o vêem como um Deus.

Lula aceita o papel. Gostosamente. À medida que se aproxima do final, seu governo vai virando um grande comício. Um comício entrecortado por audiências brasilienses.

No caminho para as estrelas, Lula pisa nos tribunais, distraído. Em campanha aberta por Dilma Rousseff, testa os limites da Justiça Eleitoral.

Se o TCU e o Congresso cortam as verbas de obras tisnadas pela irregularidade, o presidente “dá” o dinheiro. Com uma canetada, libera R$ 13 bilhões.

Às favas com os auditores. Que se dane o Congresso. A oposição chiou? São uns “babacas”. Não se opõem ao presidente. São rivais da razão divina.

No discurso de quarta-feira, aquele em que celebrou o fato de que o FMI lhe deve, Lula exagerou. Brincou de Deus.

Inaugurava um posto de saúde em Pernambuco. A alturas tantas, fez uma pilhéria premonitória: “Dá até vontade de a gente ficar doente para ser atendido aqui”.

Adoeceu. Não foi à cama do “seu” estabelecimento. Levaram-no, obviamente, a um hospital de primeira linha, mais condizente com sua condição de presidente.

Lula atravessou uma dessas experiências que dão aos (falsos) deuses a incômoda sensação de finitude.

Foi como se Deus –o autêntico, o genuíno –soprasse nos ouvidos do seu genérico: “Não desperdice a popularidade que Eu te dei. Aproveite o seu tempo...”

“...Celebre os acertos, reveja os erros. Respeite as diferenças. Não apequene sua grandeza. Reaprenda a saborear as delícias da humildade!””

Este foi o primeiro chapéu, o do Rafael Brasil, espero não o ter amassado o publicando aqui no Blog da CIT. Agora vem o outro chapéu. Este do Sebastião Nery, que devido sua experiência jornalística e política, nunca se enganou, com a revolução de Caetés, representada na pessoa do Lula. Reproduzo aqui sua coluna de ontem que tem como título: “A Vaca Santa”. Leiam, e eu não volto mais, só no próximo texto.

“Salvador - Manoel Novaes, constituinte de 1934 e 1946 pela Bahia, dez mandatos seguidos de deputado federal (tive a honra de, a seu pedido, escrever o prefácio de suas quase centenárias memórias), criador da Comissão e depois Codevasf (Companhia do Vale do São Francisco) passou muitos anos sem ir à cidade de Serrinha. Raimundo Brito, também deputado do PR e liderado de Novaes, não se conformava:

- O senhor precisa ir lá participar de um comício para ajudar o partido.

- Não vou não. O povo de Serrinha é muito ingrato. Não reconhece nada do que eu fiz pelo município. Nunca votaram em mim.

Acabou concordando em ir. Raimundo Brito preparou uma grande festa e um comício em homenagem a Novais.

Novaes

Novaes chegou à cidade carregado, foi para o palanque. Na praça cheia, o povo bem preparado por Raimundo Brito.

- Povo de Serrinha, quero relembrar o que fiz por esta terra. Quem trouxe luz para cá?
- Foi Novaes !!!
- Quem construiu o hospital?
- Foi Novaes !!!
- Quem botou água aqui?
- Foi Novaes !!!
- Hoje estou feliz. Vejo que vocês são reconhecidos. Eu não cobro o que faço. Só perguntei o que fiz. Não vim perguntar, por exemplo, quem descobriu o Brasil.
A multidão, lá embaixo, continuou a ladainha ensaiada por Raimundo Brito.
- Foi Novaes !!! Foi Novaes!!!

Irecê

Em outra campanha, Manoel Novaes fazia comício em Irecê. Um candidato a vereador estava com o microfone:

- Minha gente, quem deu a perfuratriz não foi Novaes?
- Foi!
- A perfuratriz não é quem dá água?
- É!
- A vaca que dá leite a nossos filhos não bebe água?
- Bebe!
- Então, quem dá leite a nossos filhos não é Novaes?
- É!
- Então, minha gente, Novaes é a vaca santa do sertão!

Instituto

Lula está arrumando as malas para voltar para casa, depois de oito anos de presidente. Bem sucedido, elegeu a sucessora. Jovem, 65 anos, não vai pendurar as chuteiras. Quatro anos passam rápido e ele pode tentar voltar em 2014. Até lá, já começou a arranjar dinheiro (´pretende pedir verba a órgãos internacionais, como o Banco Mundial`) para criar uma ONG, um Instituto da África e da América Latina. Um Instituto Lula.

Na Folha, Bernardo Mello Franco conta:

´Instituto Lula buscará verba no exterior - presidente quer financiamento internacional para tocar projetos de infraestrutura na África e na América Latina - emissários já buscam doações de empreiteiras para construir sede em São Paulo. Empresas podem se beneficiar com as obras`.

Imprensa

Lula precisará continuar a se expor internacionalmente. E a grande imprensa brasileira deve ajudá-lo parando de mentir sobre ele, antes que o mundo ache que Lula é uma armação inventada pela propaganda oficial. Inventaram que ele ´tem o apoio de mais de 80% (sic) da população`.

O que o PT (e o governoLula, porque, direta ou indiretamente, o dinheiro era oficial) fez na Europa antes das eleições foi um escárnio. Semanas seguidas os maiores jornais da Europa publicaram cadernos especiais de propaganda brasileira sobre ´o milagre Lula`.

Eu estava lá de férias, em setembro. Foi uma avalanche de capas penduradas nas vitrines das bancas de jornais com a bandeira brasileira em verde e amarelo, chamando para os cadernos especiais, seus números mirabolantes e suas manchetes apelativas:- ´Milagre no Brasil`!

Lula

Ninguém mais do que Lula sabe que não foi ele quem descobriu o Brasil. E muito menos que seja ‘a vaca santa do sertão’.


Zezinho de Caetésjad67@citltda.com
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(*) Imagem da Internet.

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